31.12.07

Crônica de Ano Novo ou de Ano Velho (como preferir!)

2007 vai ficar marcado em minhas entranhas como o ano do PERTENCER. Ligado anteriormente apenas à possessões materiais e até mesmo à equivocados e irreais sentimentos de posse, repenso o PERTENCER que - ao fechar deste primeiro ano completo em terras estrangeiras – carrega uma outra dimensão de significados quando busco PERTENCER.

Nunca antes entendi tão de perto este estado PERTENCER. Aí vocês vão pensar “claro que sim Paula, em alguns momentos de sua vida você viveu o PERTENCER. Lembra quando desejou fazer parte do clube das meninas mais populares do colégio, da fanfarra da escola para tocar no 7 de Setembro, do grupo de moleques que “voava” em seus skates sem nem mesmo se preocupar com o próximo esfolar de joelhos?”. Verdade, lhes respondo. Sim, já senti o PERTENCER antes, inclusive com a implícita prerrogativa do “Não” embutido na condição de PERTENCER o que – em tese – deveria ter sido ainda mais difícil de carregar.

Olhando para trás não me parece que estes momentos “PERTENCER” tenham sido tão significativos quanto o PERTENCER do agora enquanto estrangeiros na terra de outrém. Caso contrário, certamente teriam eles deixado marcas profundas em mim. Alguem aí pode me explicar porque tudo que acontece de ruim ou forte (se assim o preferir) em nossa infância carregamos conosco sempre? Daí eu levar tão à sério o que falo perto de uma criança e como ajo ao seu redor.

Enfim, voltando à vida adulta que não me deixa parar de tentar entender o motivo pelo qual este PERTENCER de agora enquanto imigrante é algo tão mais forte! Já dizia o sábio e bom vernáculo da língua portuguesa que quem PERTENCE, pertence à algo ou à alguém. Daí a minha inquietação!

Aí viriam vocês novamente dizer “mas Paula, você pertence ao seu universo, ao seu país, à sua cidade, bairro, conjunto de regras, etc e tal” e eu vos replico “não, tudo isso ficou para trás, PERTENCIA ao que antes virou hoje. Ao não imigrante que virou imigrante, ao singular que virou plural, ao “preto e branco” que virou uma infinidade de cores se misturando em uma profusão de sensações, tatos e fatos.

Então PERTENCER à que? E quando o PERTENCER não mais basta e você chega a conclusão que o que foi não mais será e o que é ainda pode, quem sabe um dia vir a ser PERTENCIDO por alguém ou por algo?

Somos imigrantes enquanto procuramos PERTENCER, mas pertencer à o que exatamente? À um País? À um conjunto de valores? Normas e condutas? À uma cidade, um bairro? Silêncio...

PERTENCE quem busca, almeja, alcança e volta a buscar, almejar e alcançar. Acho que é isso! Hoje, no último dia do ano estive fazendo uma retrospectiva do ano que se vai -mais conhecido como 2007 - e não pude evitar de chegar à seguinte conclusão: ao chegarmos em Toronto dia 14 de setembro de 2006, atingimos uma meta previamente planejada e que PERTENCIA aos nossos sonhos. Continuando a linha de raciocíncio, surge o corolário de que fizemos muito (mas muito mesmo, coisas antes inpensáveis!) e conquistamos muito no ano que passou.

Conquistamos à duríssimas “penas” e não raras vezes com fortes emoções e desgastes emocionais envolvidos mas conseguimos muito. Eis que nos encontramos hoje aqui morando muito bem, ambos empregados em seus ramos de atuação e com saúde graças a Deus. E somos muito gratos à tudo e sabemos bem agradecer à cada nascer do dia!

Mas aí vem a natureza do ser humano – ao menos eu sou assim – e me obriga a ter um diálogo comigo mesma “Ninguém melhor do que eu sabe a luta que foi para conseguir tudo que somos e temos hoje além do exato tamanho das dificuldades enfrentadas para conseguir algo. Entretanto, eu acabo o meu ano me perguntando, uma vez conseguido tudo isso e agora 2008?”

Na condição de estrangeiros em terra de outrém, continuamos a busca – que por muitas vezes parece infindável – por PERTENCER e mais importante ainda PERTENCER como e à que? Não há dúvidas de que o nascer de um novo ano nos dá o gás e o fôlego suficientes para prosseguirmos PERTENCENDO sem jamais perder de vista o que nos foi cabido PERTENCER!

2008 aqui vamos nós na busca incessante por PERTENCER e buscar e seguir...

Um equilibrado ano novo para todos que me lêem, sim equilibrado, pois não há nada neste mundo que não carregue consigo as duas faces da moeda, o positivo e o negativo, o bom e o ruim, o belo e o feio, a saúde e a doença, o riso e o choro, a lua e o sol, a vida por fim!

*PS – O Ministério da Saúde do Intelecto Não recomenda tentar isso em casa. Refletir sobre a condição humana pode causar sérios danos às sinapses cerebrais! (Não custa nada avisar àqueles que ainda não cultuam o hábito da reflexão e se você é um caso perdido como o meu, bem vindo ao clube:)

23.12.07

O segundo Natal no Canadá

Graças aos queridos Katiane e Peter que gentilmente cederem o aconchego de seu lar e corações, pudemos realizar ontem - sábado 23 de Dezembro - a nossa ceia "antecipada" de Natal. Desta maneira aqueles que - como os anfitriões possuem família aqui no Canadá - poderão passar a noite de natal com seus familiares e nós pudemos ter o nosso momento de aconchego e "cheiro" de natal no ar mesmo estando longe dos queridos que ficaram no Brasil!

O momento auge da nossa ceia foi a entrada triunfante do Papai Noel - conhecido por aqui como Santa Claus - pois ninguém esperava que o tão ocupado bom velhinho fosse aparecer por lá! E este "Santa" eu posso garantir que era o verdadeiro, Canadense e habitante do Polo Norte, o Papai Noel mais verdadeiro que já tivemos. E para completar a magia do Natal a linda Sofia estava lá - sim porque Natal sem criança não é Natal.

Queridos Katiane e Peter, este post é uma homenagem à vocês donos de corações do tamanho do mundo e merecedores de tudo de melhor! Disse ontem e repito publicamente aqui que Deus abençoe vocês e que nunca falte nada neste ambiente lindo que é o lar de vocês. Um Feliz Natal e obrigada por tudo queridos!

Aproveito a ocasião para desejar à todos que me lêem os meus mais sinceros votos de paz de espírito e um Feliz Natal! Alguns lances do nosso segundo Natal no Canadá. Quem sabe no próximo ano conseguimos ir para o Brasil, enquanto isso vamos vivendo o melhor daqui, as pessoas especiais como a Kati e o Peter que tem cruzado o nosso caminho desde que aqui chegamos.




16.12.07

A maior tempestade de neve dos últimos dez anos!

E lá fomos nós hoje - domingo 16 de dezembro de 2007 - caminhar pela vizinhança em meio à maior tempestade de neve que já caiu nos últimos dez anos aqui no Canadá!

Eu não poderia deixar de dividir as imagens impressionantes. E nós que pensamos ter visto neve no último inverno. Que nada! Isso sim foi uma tempestade de respeito! E agora entendo muito bem quando as minhas queridas colegas Canadenses de sala de aula me diziam que eu ainda não havia visto nada! Agora sim, podemos dizer que vimos uma real tempestade de neve. Confiram as imagens e para as legendas é só deixar o cursor sobre a imagem.

Finalmente terei o meu tão sonhado aniversário e natal brancos! Alguém tem alguma dúvida?



15.12.07

33 anos de vida!

Enquanto todos celebram o início de um novo ciclo no mundialmente famoso Primeiro de Janeiro, eu começo mesmo o meu novo ano um pouco antes. Renasço a cada ano no dia 17 de dezembro - mais conhecido como meu aniversário - ou o dia em que minha querida mãe foi para a maternidade do Hospital Samaritano em Sorocaba dar à luz.

O segundo aniversário fora do País de origem e das minhas raízes – será que as tenho ou tive um dia? (quem sabe no meu aniversário de 43 anos eu consiga responder estas e mais outras questões que tenho feito para mim mesma) – vem cheio de significados para mim.

Sempre gostei muito e vou continuar gostando de fazer aniversário por este turbilhão de reflexão e renovação de mim mesma que a cada ano que passa acontece. Não há dúvidas de que a experiência profunda e emocionalmente marcante da imigração ajuda a acentuar ainda mais este cenário.

Olhar para trás e lembrar de quando eu tinha os meus 20 anos e me projetava para onde estou hoje me deixa ao mesmo tempo orgulhosa de mim mesma, ansiosa e pronta para começar a projetar os meus próximos dez anos! Quem eu quero ser, como quero estar, que valores quero continuar carregando comigo, quais não valem o meu esforço e, mais importante, que estilo de vida quero ter para mim daqui há dez anos?

Para muitas das perguntas que tenho feito no decorrer da minha vida e que sempre me projetaram para onde eu queria chegar – afinal de que adianta você caminhar se não sabe para onde o caminho vai te levar? – eu já tenho respostas. Sim, comecei a agir hoje para determinar como quero estar – e não ser ou ter - aos 43 anos de idade.

A primeira providência que já tomo há uns cinco anos, e que continuo tomando e ficou mais forte ainda com a experiência da imigração - é a de acordar todas as manhãs me lembrando da MORTALIDADE – da minha e dos queridos (à minha volta, distantes, que já se foram e os que ainda virão).

Mortalidade esta que me dá – ao contrário do que quer fazer crer a vã filosofia – um maior prazer em viver cada pequeno momento da vida como um lindo amanhecer de verão, enxergar a beleza das pequenas coisas - principalmente da natureza (seja ela chuva, neve, sol, nuvem, pássaro ou vento)- como algo muito superior a toda a ganância e audácia que o ser humano consegue colocar em prática como uma forma de auto-engano diante de sua propria pequenez e mortalidade.

Faço pequenas coisas hoje – há dois dias antes de completar 33 anos de idade – para que elas me levem onde eu quero estar e como eu quero me sentir daqui há dez anos. Não, nada concreto como cidade, País ou até mesmo endereços que estarei. Entretanto, algo que me leve ao estado de espírito que quero preservar - independente do passar dos anos.

Sim, estou falando de equilibrio, paz, coerência de atitude com discurso , zelo com as palavras e plenitude do ser! O melhor de tudo é perceber que a cada aniversário que passa se separa dentro de mim o EU sou do EU não sou.

Feliz Aniversário para mim e que os primeiros dias dos meus próximos dez anos sejam dignamente sentidos e me tornem um ser humano melhor a cada dia. Senão, de que vale a nossa breve, passageira e mortal existência ?

Um Maravilhoso fim de semana à todos!

9.12.07

Com a casa nas costas... de novo!

Há duas semanas que não faço outra coisa senão lembrar da minha querida sogra que dizia sempre ter a "casa nas costas" mencionando o fato de que estava sempre preparada para as várias mudanças que por ventura acontecessem na vida dela. Não sem motivos me lembrava da sogrinha.

Agora em dezembro acabou o contrato de um ano de aluguel que assinamos ao entrarmos com apenas 4 malas em nosso primeiro cantinho em Toronto. Ao tentarmos prolongá-lo por mais um ano, eis que o proprietário resolve vender o imóvel. E lá vamos nós de novo.

Sei que isso é perfeitamente normal, tanto que já aconteceu com vários dos nossos vizinhos por aqui. Entretanto, como passamos por tantas mudanças desde que chegamos, a sensação de passarmos por intermináveis etapas antes de nos aquietarmos não é das mais agradáveis. Desta forma, vamos à lei do mínimo esforço - estamos trabalhando para nos mudarmos dentro do mesmo prédio ou no máximo atravessar a rua para os prédios vizinhos.

Já temos alguns apartamentos em mente e na terça-feira vamos nos encontrar com a nossa corretora para quem sabe fecharmos algo por aqui mesmo na vizinhança (North York) e se tudo der certo nesta semana mesmo já sabemos para onde vamos pois precisaremos mudar até no máximo em janeiro.

No que depender de mim, já passaremos o natal em novo cantinho. Aliás, Natal? O que é isso? Eu mal estou me dando conta de que uma semana antes do natal - mais conhecida como semana que vem - será o meu aniversário! Tudo que eu quero neste momento é me aquietar. E lá vamos nós desmontar a casa, colocá-la literalmente nas costas, atravessar a rua (na pior das hipóteses) e montar o segundo cantinho no Canadá.

Fazendo umas continhas básicas, no Brasil eu já havia encarado 6 mudanças em 12 anos - o que a boa matemática diz que dá 1 mudança a cada 2 anos da minha vida. Tudo bem que o intuito é trabalhar para que esta média caia e nós nos assentemos, mas parece que o estado constante de "casa nas costas" é algo que ainda vai durar mais um pouco em minha vida! Quando vamos diminuir as andanças de um canto para o outro? Como dizia o caboclo - só Deus sabe! Enquanto isso vou colocando em prática a experiência que adquiri em meio à tantas mudanças.

Excelente semana à todos.

2.12.07

Show do Iron Maiden em Toronto aí vamos nós!

Aqui em casa já estamos em contagem regressiva para ver o show do Iron Maiden que vai acontecer dia 16 de março aqui em Toronto.

Graças ao vizinho Wander, fornecedor de carona para o trabalho e também apreciador de um bom metal, claro que já estamos com os ingressos em mãos para ouvir a incofundível voz do Bruce Dickinson ecoar no Air Canada Centre.

O show em Toronto encerrará a primeira etapa da Tour mundial de 2008 após ter já passado por São Paulo e Porto Alegre no Brasil.

Será o primeiro show do Iron Maiden que vamos e por isso estamos contando os dias. Há mais de 6 anos vimos o show do Bruce Dickinson - o que já é digno de nota - em sua carreira solo no Brasil. Isso nos tempos áureos em que eu fazia assessoria de imprensa para as casas de shows no Brasil e tinha o privilégio de ver todos estes shows de graça:)


"Your time will come..." E que venha o Iron Maiden!

24.11.07

Um passo de cada vez

E a nossa casa está mais feliz! Após um ano nas "mãos" dos agentes que sugam metade do real valor de um empregado para seu próprio lucro, o marido finalmente conseguiu a vaga de funcionário da Rogers.


Em tese, como "contractor" deveria se ganhar mais que funcionários uma vez que não há vínculo empregatício nenhum com a empresa, benefícios e encargos mas claro que não foi isso que aconteceu não é mesmo? Imigrante, primeiro emprego por aqui e por aí vai. Nem mesmo o fato de ele trazer 7 anos de experiência de Ericsson (exatamente o que a Rogers precisava) não foi motivo suficiente para os "agentes-suga" deixarem de baixar o real valor do Mauricio no mercado de trabalho.

Nada que um ano de luta e comprovação do real valor não fizessem com que a gerente dele o reconhecesse suficientemente para recomendá-lo para uma vaga para outro departamento mas agora como funcionário.
Resultado, a partir de dezembro, alem de o marido estar mais feliz e merecidamente melhor reconhecido, a nossa internet vai ficar mais veloz, a minha TV vai ganhar muito mais canais de filmes, passarei a receber semanalmente a Macleans a minha revista preferida e tudo isso porque agora o marido é funcionario Rogers e passará a usufruir de todos os descontos do grupo - Eba!.

Parabéns querido, você merece isso e muito mais e espero que em um ano seja a minha vez de dar mais um passo em direção à minha própria evolução no trabalho que apenas começou há dois meses.

17.11.07

O primeiro Prêmio do ERA

É com muita honra que o ERA recebe da Thelma o prêmio Escritores da Liberdade criado por este blog aqui!

Além de agradecer a indicação da Thelma, enfatizo que escrevo porque gosto, escrevo para sentir, expressar, canalizar, criar asas, ser livre. Daí eu achar o nome deste prêmio muito apropriado aos que escrevem. Já diz o velho e sábio ditado "O espaço em branco aceita tudo" Quer maior liberdade que esta?

Ter o privilégio de receber o Prêmio Escritores da Liberdade me dá o direito de repassar o prêmio para os meus 5 blogs favoritos:

Building Bridges da Alexandra pela sagacidade e fluidez expressos nos textos sobre os mais variados assuntos

CanadaBoa dos meus vizinhos Luly e Wander pela simplicidade e humor presentes nos textos do cotidiano do imigrante.

Unzip Canadá da Nanny que traz as mais engraçadas e bem boladas analogias da blogosfera, a começar pela descrição do Blog.

Familia Saltense no Canadá simplesmente gostoso de acompanhar esta família que esta prestes a aumentar!

Vou pro Canadá do Gean que não raras vezes fala tudo que o imigrante precisa ouvir e ninguém antes escreveu!

Enfim, a blogosfera é cheia de coisas boas e interessantes para acompanhar mas estes são os meus preferidos e por isso merecedores do Prêmio de Escritores da Liberdades. Parabéns aos novos ganhadores!




13.11.07

Me iniciando no tão sonhado mundo Apple

Eis que finalmente eu entro para o tão sonhado, fashion e maravilhoso mundo Apple!

O marido é testemunha que desde os tempos de Brasil eu era louca para ter um iMac ou qualquer coisa que me abrisse as portas para o mundo Apple. No Brasil? Impossível, caro, distante, coisa de filme. Aliás, todo filme que assistia e via um Mac ia logo dizendo que o meu sonho era ter um computador "fashion" daqueles.

Não, eu ainda não comprei um iMAC - ainda!

Entretanto, entrei com o pé direito neste mundo sem volta (ao menos para mim o é:) me dei de presente um Ipod Touch. O brinquedinho é o máximo! Como o próprio nome diz é tudo pelo toque, não há botões.

Lembro-me repetindo para o marido - em setembro de 2006 quando nos mudamos para cá - que com o meu primeiro salário Canadense compraria um Ipod e foi o que fiz. Só não imaginava na época que compraria algo que vai além de um Ipod - o Ipod Touch! Eis aí o lado positivo de eu ter demorado tanto para arrumar o meu primeiro emprego. Neste meio tempo a tecnologia evoloiu muuuuuito e agora tenho um brinquedinho bem mais interessante em mãos!

Quando a vendedora da loja da Apple me perguntou se era o meu primeiro Ipod e eu respondi que sim, ela logo soltou - "You jumped to the top!" Vamos dizer que ela tem razão e mal sabia ela o quanto esperei para viver o que aqui estou vivendo... O sofá? Ah é verdade, ainda não temos sofá! Mas quem precisa de sofá quando se adquire o seu primeiro Apple?

Boa semana pro ceis!

4.11.07

O primeiro Halloween de verdade!

Embora este tenha sido o nosso segundo Halloween aqui no Canadá, foi o primeiro que realmente vivemos e aproveitamos da maneira que o Canadense gosta e sabe fazer muito bem! Isso porque no ano passado estávamos em nosso segundo mês aqui em Toronto e ainda muito tensos, perdidos, desempregados e tudo aqui que está incluído - e já pago - no pacote primeiros meses de imigração.

Este dia 31 de outubro já começou muito bem com a minha participação no concurso de Pumpkin (as famosas abóboras decoradas) lá no trabalho. Claro que eu não poderia deixar de participar de tamanho evento logo no meu primeiro mês até para conhecer melhor todos por lá em um ambiente mais descontraído e muito gostoso. E até que não sofri muito para fazer a minha Pumpking Palhaço mas obviamente que me detive às formas básicas dos triângulos invertidos para os dentes e olhos seguindo as preciosas dicas da minha sogrinha talentosa.

Adorei a bagunça e quem sabe ano que vem me arrisco mais! A melhor parte é enfiar as mãos dentro da abóbora para tirar toda a meleca depois de terminar a arte!

O comitê de atividades sociais da Redknee decorou um salão digno de Halloween (confiram as imagens no slide – tem legenda é só colocar o cursor sobre a imagem que ela aparece) onde aconteceram os concursos de fantasia e das abóboras. Tinha de um tudo, os docinhos, fantasmas, assombração, bruxas e até efeitos especiais!

Se eu ganhei algum concurso? Claro que não né gente! Tinha cada obra de arte nas abóboras que mais pareciam ter sido esculpidas por artistas profissionais, o povo leva muito à sério e fica tudo muito lindo! Entretanto, eu ganhei muitos sorrisos e novos amigos ao ficar enfatizando que eu era apenas uma iniciante com uma versão Brasileira da Pumpking e que por isso mesmo todos tinham que votar na minha abóbora para dar apoio aos recém-chegados na empresa. Diversão garantida.

Ah, o "Jason" aí da foto sou eu (só para relembrar os meus 13 anos de idade quando assisti todos os filmes Sexta-feira 13. Hoje não posso nem chegar perto de filme de terror) com alguns dos meus colegas de departamento. Para completar, à noite fomos dar a volta no bairro para acompanhar a molecada batendo nas portas para o “trick or treat” e conferir a decoração dos jardins das casas na vizinhança (alguns destaques no slide).

O pessoal capricha muito e vale à pena o passeio, sem contar que a gente aproveita e bate um papo com os vizinhos que estão todos muito receptivos orgulhosos de seus jardins enfeitados. Ano que vem certamente faremos tudo de novo, com a diferença de que a minha abóbora não será mais de iniciante – quem sabe me arrisco a desenhar algo mais arrojado nela!


21.10.07

Lendo e Pensando a barganha da imigração

“I would say that it’s a bargain we make with this nation, and that this nation makes with us, and both sides have to live up to the bargain… We will work hard and try to learn your customs and peculiarities, cope with your winter and our children will be Canadian. And you will treat us equally, fairly; you will not treat us differently simply because of our accent, language or the country we came from”.

O depoimento acima foi extraído da edição de maio de 2007 do tablóide Canadian Immigrant. Além de indicar esta boa leitura para quem está chegando e sofrendo com todas as dificuldades inevitáveis do começo para se estabelecer por aqui, estive lembrando o quanto refleti na época em que li a opinião da Iraniana-Canadense Ratna Omidvar ao afirmar que o estabelecimento do imigrante no Canadá é uma frágil barganha entre o mesmo e o País.

Tenho lido o Canadian Immigrant (a publicação é gratuíta e distribuída todos os meses nas estações de metrô de Toronto) desde que cheguei no Canadá e quando li o trecho da entrevista acima estava começando o meu co-op (pagando para trabalhar e ser tratada como “iniciante/estudante” mesmo tendo 7 anos de experiência no que estava fazendo) e já sentindo na pele a frágil barganha da qual a entrevistada falava.

Sim, pensava eu, ela tem toda razão, fazemos sim uma barganha e da muito frágil com o País quando aqui chegamos. Estava eu lá – em maio quando ela deu a entrevista – dando a minha parcela da barganha no Co-op que mais tarde faria com que eu começasse a ser chamada para as entrevistas que me levaram ao meu emprego de verdade (agora pago e sem ser tratada como estudante/iniciante no que faço).

Aliás, esta prática de nivelar todos os imigrantes que aqui chegam por baixo e os tratá-los como inépcios (e aí estou falando do sistema todo da imigração desde os cursos do governo até os co-ops da vida) seria bem melhorada na minha opinião se, de todos os profissionais envolvidos em receber os imigrantes e dar as primeiras orientações, fosse exigida a leitura do excelente livro que estou lendo agora – The Emerging Markets Century. How a new breed of World-Class Companies is overtaking the World.

Eu não pude evitar a correlação quando Antonie van Agtmael – autor do livro e criador do termo Emerging Markets que substituiu o pejorativo Third World – abre o livro contando que em 1974 – em uma das palestras no Bankers Trust Company em Nova York – ele ouviu a seguinte afirmação “There are no markets outside the United States!” (não há mercados fora dos EUA).

Embora a afirmação tenha sido feita há mais de 30 anos, parece que hoje ainda há na America do Norte (e aí incluo o Canadá especialmente no trato com seus “qualificados” imigrantes) quem esqueça da excelência mundialmente comprovada de países como India – que está entre os 6 únicos países no mundo capaz de construir satélites - China, México, Argentina, Brasil, Russia. Só para ficar em alguns exemplos.

Será que os profissionais dos projetos de apoio ao imigrante que recebem engenheiros e profissionais Indianos, Chineses, Brasileiros e Russos já ouviram falar do BRIC? Aposto que não! O que isso tudo tem que ver com os profissionais imigrantes que chegam de todas estas partes do mundo e são tratados como se para trabalhar no Canadá tivessem que morrer e nascer de novo? Simples, estes profissionais estão vindo de verdadeiros centros de excelência em diversas áreas de negócios e ler este livro dá uma lista infinita de exemplos como a Mexicana Modelo que vende mais cerveja (Corona) para Americanos do que a Heineken, o fato de a Inbev-Ambev (maior fabricante de cerveja do mundo que deixou as “velhas” cervejeiras Européias impressionadas com a eficiência dos parceiros Brasileiros). A lista não tem fim.

Claro que para tudo há exceções mas na minha opinião bastaria um pouco mais de conhecimento sobre o que o mundo “emergente” tem realizado na esfera empresarial nas últimas décadas - independente de fortes crises econômicas, pobreza e corrupção – para se ter uma melhor noção de que os profissionais que aqui estão chegando tiveram uma boa base educacional e principalmente capacidade de superação perante às adversidades. Acho que dá para mudar um pouquinho a presunção de que não há vida inteligente fora do Canadá não? Pois é mais ou menos assim que a lavagem cerebral acontece até que você consiga entrar para o mercado de trabalho. Não que não dê para sobreviver, eu sobrevivi, muitos sobreviveram e você também pode mas que poderia ser diferente, ah isso poderia!.

O livro The Emerging Markets Century é um bom começo.

Excelente semana e boa leitura!

14.10.07

A minha primeira semana de trabalho no Canadá

“Se eu quiser fumar eu fumo...se eu quiser beber eu bebo.
Pago tudo que eu consumo, com suor do meu emprego. Confusão eu não arrumo mas também não peço arrego...Eu estou descontraído...não que eu tivesse bebido. Nem que eu tivesse fumado, para falar da vida alheia. Mas digo sinceramente...na vida a coisa mais feia é gente que vive chorando de barriga cheia.” (Maneiras : Zeca Pagodinho – Silvio da Silva)

É exatamente assim que estou me sentindo após a minha primeira semana de trabalho aqui no Canadá. De barriga cheia! Portanto, sem nenhum motivo para reclamar e com a minha tão preciosa independência (e aí não falo só financeira não mas principalmente de espírito e intelecto) recobrada.

Parafrasear o Zeca Pagodinho - um dos meus “mentores” espirituais – foi a melhor maneira que encontrei para transmitir o que sinto. Brinco que ele é meu mentor espiritual mas a parte que gosto muito das letras e até do som deste “Zé e poeta do Povo” é a mais pura verdade.

Bem, quem me conhece de verdade sabe que é perfeitamente possível eu gostar de Metalica, Black Sabbath, Arnaldo Jabor, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão ao mesmo tempo! Coisas de quem gosta de brincar de ser “esponjinha” absorvendo tudo que pode e tirando o melhor desta vida. Acaba que fica gostando de coisas tão diferentes:)

Agora que já me apoiei no poeta do povo para transmitir a minha alegria ao fazer parte do “povo” e da sociedade Canadense, vamos um pouquinho aos motivos de tanta alegria:

1 dia de trabalho na Redknee:

Um time inteiro de 16 pessoas (por lá o depto de Comunicação está totalmente imerso em Marketing inclusive fisicamete no mesmo andar e espaço – modelo ideal estudado nas escolas e que não raro é deixado de lado pelas empresas) muito empenhado em fazer com que a natural sensação de inadequação que sentimos no primeiro dia de qualquer trabalho em qualquer parte do mundo seja minimizada.

Tanto que logo neste primeiro dia já estava eu almoçando fora com o meu time mais direto (7 pessoas me incluindo) à convite da minha supervisora para quebrar o gelo. Tarefa muito fácil quando se está entre comunicadores diga-se de passagem.

2 dia – e lá já estava eu participando das reuniões de departamento e brincando de “esponjinha” absorvendo tudo à minha volta extasiada com a organização e infra da empresa! Coisa de outro mundo!

Resto da semana – já envolvida com tarefas para dois projetos em torno de eventos que vão acontecer – um na Africa e outro em Chicago nos EUA – e me sentindo totalmente em casa.

O resumo desta primeira semana é este. Claro que há muitos detalhes no meio mas isso vou contando aos poucos por aqui. Daria para escrever um livro só da primeira semana.

Eu não poderia estar mais feliz com tudo - a empresa, meus colegas de trabalho, a estrutura e os desafios que vou encarar por lá já logo de cara sendo envolvida na parte estratégica dos planos de comunicação – a minha paixão! Sem contar com o ambiente muito descontraído e gostoso entre os gerentes de produto com todo o resto do departamento. Há dois Britânicos que sentam do meu lado muito “figuras” (adoro trabalhar com “figuras”) que estão o tempo todo fazendo brincadeiras. Enfim, é muito fácil perceber que há muita satisfação no ar e com isso até as tarefas mais difíceis do dia a dia ficam melhores de se completar. Como vocÊs podem perceber não há do que reclamar pois aí estaria ferindo uma das leis da minha filosofia baseada na letra do Zeca.

Um excelente domingo e um melhor ainda recomeço de semana à todos pois os meus serão todos assim daqui para frente.


8.10.07

Visita mais do que especial!

Fim de semana passado tivemos o privilégio de receber a minha querida "amiga-irmã" em nossa casa. A Cris Mano fez jornalismo comigo na Cásper Líbero (1994-1998) e desde então não nos desgrudamos mais e como ela mesma costuma dizer acabam acontecendo várias coincidências felizes que não nos deixam ficar distante - mesmo fisicamente. Podem chamar ao que quiserem, à isso chamo almas que não se separam.


Amiga, ficamos muito felizes em recebê-la para um fim de semana muito especial. A Cris é editora da Exame e veio para Toronto para entrevistar uns executivos para uma matéria que ela está preparando e antecipou o vôo um fim de semana para passarmos estes momentos juntos. Claro que aproveitamos para dar uma de "turistas" e fomos, após um ano por aqui, conhecer a CN Tower e levar a Cris para passear nos nossos lugares preferidos de Toronto.


Ficaram os inesquecíveis momentos juntos como sempre e Cris, eu vou parafrasear a nossa outra grande amiga-irmã Dani Zuim - "Até qualquer outro fim de semana destes!"


2.10.07

Extremely Makeover

Sexta feira que passou fui brincar de deixar a Paula que tanto lutou sofreu e carregou tanta pressão nos ombros - em um ano de busca pelo meu espaço - para colocar outra no lugar: mais leve, moderna e pronta para a nova etapa!

Digamos que fui brincar de jogar todo o cabelão fora e dar um novo formato no meu rosto:)

Há muito que já não aguentava mais o cabelão! Uma coisa é manter cabelão bonito e forte no Brasil com todas as mordomias e estilo de vida completamente diferente, outra totalmente diferente é manter as longas madeixas por aqui.

Aí, juntei o utilíssimo ao agradável. Afinal, acho que no fundo sempre sonhei (principalmente depois de passar um ano na vida de imigrante que não tem como se preocupar muito com o visual) em participar de um dos meus "realities" preferidos What Not to Wear (para quem não conhece eles pegam os casos mais "trashs" de pessoas sem noção e largadas no visual e dão um banho de loja, maquiagem e cabelo nos fulanos), especialmente a parte que o participante senta na cadeira de um mega cabeleireiro de Nova York e fala coloque o seu conhecimento em prática e faça o que achar melhor! Eu só estava esperando eu conseguir o meu emprego para marcar a nova etapa da minha vida com estilo!

Antes de ir até o House of Lords (para quem mora aqui em Toronto fica na Yonge/Bloor)e dizer para a Krista (minha nova cabeleireira por aqui) "gosto disso, não quero aquilo, quero curto e faça o que você achar melhor" é claro que fiz minha lição de casa né? Além de dizer que eu queria o corte "POB" - uma mistura do assimétrico e moderno BOB hair cut com o POSH hair cut, a última moda do outono entre as estrelas de Hollywood (pensa o que - eu sou chique benhÊEE, e fiz minha lição de casa antes para saber os termos direitinho do que eu queria, como eu queria a franja, etc. Afe, imigrante tem que estudar até para cortar o cabelo!) Vocês também não estavam pensando que eu ia entrar na primeira porta e fazer isso né? Eu sou arrojada mas não doida!

A Krista já havia cortado o cabelo da Luly e da Fabi que eu já havia visto e reconhecido as mãos de um bom cabeleireiro nos cortes. Na época disse para as minhas vizinhas que quando fosse fazer a minha transformaçao pegaria o contato e foi o que fiz. Fabi, valeu a dica!

O lugar é um achado! Para quem não curte locais alternativos não vá mas para aqueles que gostam de um ambiente meio louco-descontraído como eu você vai achar o máximo! O proprietário manteve toda a decoração e ambientação dos anos 80. Ah! e se você não gosta de música alta no seu ouvido também não vá porque a sensação que se tem enquanto corta o cabelo é de que está em uma disco dos anos 80. Eu achei muito divertido, sem contar que a Krista tem os braços todo tatuados multi-coloridos, piercing na orelha e um cabelo todo style, além de ser uma gracinha. Ficou toda feliz quando disse que saí do norte da cidade e fui até o centro apenas para cortar o cabelo com ela. Batemos um papão enquanto ela cortava o meu cabelo.

Fabi, ela mandou agradecer a recomendação e me disse - fique à vontade para me recomendar para os seus amigos. Tá dado o recado. Ah, para escolher um cabeleireiro específico é preciso marcar hora antes. Sem esquecer do detalhe mais importante de todos - este foi o corte mais barato (e com qualidade, vejam eu não cortei as pontinhas apenas, eu mudei o corte e para isso precisa ser um bom profissional)que eu já vi na cidade $32 doletas (com as taxas incluídas). How cool is that?

Aqui em casa nós aprovamos! Agora confiram vocês



1.10.07

Programa familiar de domingo - jogo do Blue Jays

Dois fins de semana se passaram e eu não havia tido a chance de registrar por aqui a nossa ida ao primeiro jogo de beisebol. Graças à uma combinação de vários acontecimentos (comemoração de um ano de Canadá, do meu primeiro emprego, a visita da Cris –este post sai ainda esta semana) muito felizes todos ao mesmo tempo, está difícil acompanhar a velocidade dos fatos por aqui mas vamos à eles em um exercício de retrospectiva!


No domingo – 14 de setembro –graças à gentileza dos queridos Rafael e Liliane que nos cederam um par de convites muito dos VIPs (ficamos à dez fileiras do gramado), fomos ver o Blue Jays (time de beisebol de Toronto) perder para o Orioles. Entretanto, o resultado do jogo pouco importou levando-se em conta que era nosso primeiro jogo de Beisebol em Toronto (e ainda por cima de graça, sim porque para gastar $120 - este era o preço dos nossos lugares vips, há ingressos bem mais baratos - com ingresso o casal só se for com basquete da NBA e mesmo assim ainda em um futuro um pouco distante. Bem, agora nem tão distante assim com a renda do casal um pouco melhorada graças ao meu emprego:).


O que valeu mesmo foi o espetáculo, a nossa imensa alegria (lembram que estávamos comemorando neste dia ao mesmo tempo um ano de Canadá e o meu primeiro emprego) e a sempre gentileza dos nossos queridos amigos que coincidentemente acertaram a data do jogo com todos estes acontecimentos marco em nossas vidas em terras Canadenses.


Como tudo isso já não fosse suficiente, ainda tivemos a oportunidade de ver de pertinho um dos nossos ídolos do Toronto Raptors (o time de basquete de Toronto que disputa a liga da NBA). Lembram-se dos lugares vips? Pois é, o Parker e toda a sua família estavam lá bem pertinho (confiram o slide). Vocês não tem noção o que este cara jogou na última temporada da NBA (estou louca para que ela recomece e o Raptors volte em ação!).


Preocupado com a veloooooooooooooooocidaaaaaaaaaaaaaaadeeeeeeeeeee do jogo de beisebol? Aqui na América do Norte (EUA e Canadá) os seus problemas se acabaram porque "oh" povo para saber envolver e fazer aquele espetáculo em torno de qualquer esporte e apresentação! Eu nem percebi as quase três horas de jogo até porque a diversão garantida no beisebol é ver o desespero dos torcedores em conseguir pegar a bolinha cada vez que o Pitcher arremessa e manda a bolinha na platéia. Acontece isso o tempo todo! Haja bolinha para uma partida...



19.9.07

Chegou a minha vez - de volta ao mercado de trabalho!

369 dias, 12 cold calls, 48 vagas, 55 cover letters, 60 thank you letters, 512 horas de trabalho “escravo” (co-op), 14 horas de entrevista e 5 negativas depois; eu finalmente atingi o objetivo pelo qual venho trabalhando desde que pisei no Canadá – o tão sonhado emprego Canadense na minha área de atuação profissional!

A alegria e sensação de alívio não poderiam ser maior! Em pleno mês de aniversário de um ano por aqui e apenas 4 dias após completar exatos 365 dias de Canadá, eu recebo a oferta de emprego para atuar como Marketing Communications Coordinator na Redknee. Sim, a família inteira agora é sustentada pela indústria de Telecom. Começo a trabalhar dia 9 de Outubro, na volta do feriado do Thanks Giving – mais apropriado impossível!

O melhor de tudo é que sim, vou atuar na minha área de especialidade e em empresa (não em agência) que eu amo, a vaga não é entry-level – de iniciante/estudante – ou seja eles valorizaram a minha experiência do Brasil e, consequentemente, o salário é bom, justo e de acordo. Sem falar no desafio (eu amo desafios!) de atuar em uma nova indústria (telecom) e em um novo mercado o de B2B, o que muda um pouco o foco da Comunicação, já estou até devorando livros sobre o assunto!

E para completar a minha imensa e indescritível felicidade de conquista, a minha querida e “amiga-irmã” de tantos anos Cris Mano vai dar o ar da sua graça aqui em casa no último fim de semana do mês! A Cris além de meiga, inteligente e amiga companheira tudo de bom, é editora de negócios da Exame e vai espremer a sua agenda de trabalho especialmente para nos encontrarmos. Cris, ainda estou custando a acreditar que vou poder te abraçar para comemorar isso tudo! Boa viagem amiga!

Enfim, como às palavras não foi dada a capacidade de expressar o que estou sentindo agora, vou terminar esta edição mais do que especial do Era fazendo alguns agradecimentos especiais:


Marido – Este foi sem dúvida o meu grande segredo para o sucesso! O Maurício merece 50% de todo o meu sucesso daqui para frente a assim tenho certeza que sempre será a nossa parceria de sucesso. Te amo muito!

Liliane e Rafael – Casal, vocês não tem noção da importância da presença constante de vocês para eu conseguir seguir em frente! As palavras sempre otimistas e de apoio do Rafael e o meigo sorriso da Liliane sempre ali, presente, nos momentos mais difíceis!

Katiane e Peter – Kati, nossas conversas de horas sobre as angústias, o mercado de trabalho, os dilemas e tudo mais me encheram de ânimo sempre. Peter, o meu editor preferido e sempre tão pronto a ajudar! Casal, eu não vou sossegar enquanto não atingirmos juntos o objetivo da Kati que um dia vai chegar também!

Vizinhos de North York – desde que chegamos, o conforto emocional de saber que temos ao nosso redor pessoas que torcem e passam pelos mesmo momentos que nós. Fabi, Cleber, Luly e Wander, Luci (que sempre orou e torceu, além de tão pronta em ajudar logo que chegamos. O que seria do meu carpete sem a gentileza da Luci né vizinha?) e Rogério.
Caroles e Fernando (estes dois, meu deus, simplesmente sem pedir nada em troca nos ofereceram o carro para trazer a mudança de onde ficamos nos nossos primeiros dois meses para cá). Dani e Rafa sempre dando as dicas e tudo mais (Dani, não foi desta vez que me tornei sua colega de trabalho mas como você mesma disse, o objetivo final era o emprego e este foi atingido).
Familia 3M, esta turminha então sempre com uma palavra de conforto. Acho que pelo fato de eles serem de Salto (terra bem pertinho da minha Boituva), toda vez que converso com esta linda família que em breve será 4M sinto muito conforto! Com esta turma passamos o primeiro natal, o ano novo. Enfim, as primeiras datas familiares importantes, por isso porque não dizer à esta turminha obrigado "família" de Toronto.

Ana Célia, Henrique e Alessandro – Desde o primeiro mês em que cheguei a Ana Célia sempre tão pronta em me ajudar, enviar currículo, indicar. O Alessandro a mesma coisa. Não é à toa que o Henrique é a criança mais sociável que eu conheço!

Gean – também sempre pronto para ajudar não somente com palavras mas com atos!

E por último mas não menos importante a família no Brasil que torce de lá e dá todo o apoio necessário para eu poder seguir em frente sem olhar para trás, aquele departamento de Comunicação da Johnson & Johnson comandado pela minha ex gerente Lais Mazzola que em todo momento que liguei, precisei pedir um material aqui e outro lá para completar meu portfolio, todos sempre muito prontos. Não é à toa que lá não deixei colegas de trabalho, deixei amigos de uma vida!

Enfim, o meu muito obrigado à todos que direta ou indiretamente torceram, passaram por aqui e mandaram suas energias positivas, os recém-chegados, os que ainda estão se preparando no Brasil. À todos o meu muito obrigado do fundo do coração e agora é arregassar as mangas e seguir em frente! E para mim, agora sim o WELCOME CANADA vai começar a fazer sentido e daqui para frente as coisas começam a se assentar!

13.9.07

Um ano de Canadá

Um ano se passou! E entre aquele instante em que pisei o solo Canadense – dia 14 de setembro de 2006 - e as dez horas de vôo que me separavam dos 31 anos de vida (familia, pessoas, amigos, coisas, cheiros e experiências) deixados para trás, veio a lembrança do bate-papo com o primo Murilo às vésperas do embarque : “Prima, boa viagem e não se esqueça de ir com a xícara vazia!”

O meu querido primo e companheiro de altos papos filosóficos referia-se à uma história zen-budista. Certa vez, o mestre japonês Nan-in concedeu uma audiência a um professor de filosofia. Ao servir o chá, Nan-in encheu a xícara de seu visitante mas continuou despejando sem parar. A certa altura, o professor não se conteve: “Pare, a xícara está mais do que cheia. Nada mais cabe aí”, disse ele. Nan-in respondeu: “Como essa xícara, você também está cheio de opiniões e idéias. Como posso mostrar-lhe o zen sem que antes você esvazie a sua xícara?” Quando nossa “xícara” transborda, perdemos a noção do tamanho real do que temos pela frente.

E este tem sido nosso trabalho constante neste primeiro ano em novas terras – não perder a noção real do que ainda temos pela frente. Após um ano, agradeço a mim mesma por ter tido esta consciência e ter esvaziado a minha “xícara” antes de chegar, pois mesmo tendo feito isso, a riquíssima – enquanto escolha e vontade própria - e emocionalmente desgastante experiência de imigrar nos obriga a quase que constantemente esvaziarmos nossa “xícara”.

Entre a indescritível sensação de prazer pela conquista de um sonho - a chegada - e o restabelecimento do novo “modus vivendi”, borbulham simultâneamente sentimentos complicados de se administrar como medo, insegurança, prazer, contemplação, saudades, riso, choro, angústia e toda a lista de sentimentos que o ser humano conhece em seu mais profundo significado!

Os três primeiros meses que, como o sopro do vento de um furação, te levam para cá e para lá sem nem mesmo perceber a troca de direção. A sensação de liberdade proporcionada pela conquista é tamanha que nem mesmo o melhor dos anestesistas com a droga mais potente do universo conseguiria simular o mesmo efeito. E assim seguem os três próximos meses completando o primeiro semestre da saga. Este é o tempo de duração da potente anestesia.

A partir daí sua razão começa a ser recobrada e o sistema nervoso já dá sinais ao cérebro (ah o cérebro! Este é o que mais sofre neste processo todo, ao menos o meu foi) de que você, durante todos estes primeiros meses foi tratado como bebê e agora já chega à adolescência. Enquanto adolescente em plena ebolição hormonal, chegam as dúvidas e alguns sentimentos de inadequação. Lembram quando éramos muito novos para entrar na festa que mais queríamos ir e, ao mesmo tempo, nos sentíamos muito “velhos” para usar uma roupa cafona info-juvenil que algum parente distante insistia em trazer pro Natal?

Pois é, a festa desejada pode ser, por exemplo, uma vaga de emprego qualquer na sua área de atuação (ou ao menos relacionado à algo que você saiba fazer) e a roupa cafona info-juvenil que você não quer mais usar é uma outra vaga no mercado de trabalho que, embora mais juvenil (vulgo “entry level” ou vaga para estudante, iniciante) também não serve para você porque você é “over qualified”- no caso do adolescente, "muito velho".

Um ano se passou e, embora saibamos que teriamos feito tudo de novo pela simples razão de nossa filosofia de vida ser calcada no fato de vivermos de acordo com os valores que nós acreditamos serem os melhores para nós, torna-se inevitável afirmar que os altos e baixos (neste começo bem mais baixos que altos) para quem escolhe comandar o rumo do barquinho de suas vidas, embora nos ensine muito, cobram um pedágio emocional bem pesado daqueles que optam por este caminho. Assim o é a vida de maneira geral, não apenas para o imigrante não é mesmo? Acontece que em imigrando tudo é elevado à enésima potência!

E para quem esperava um post comemorativo de um ano sobre as vantagens e desvantagens de se viver aqui e fazer o que fizemos, peço desculpas pois apesar de já celebrar a cada minuto as escolhas que fazemos por esta vida, ainda esvazio a minha “xícara” todos os dias para que ela não transborde e eu possa seguir acreditando nos meus sonhos.

E para celebrar nosso Primeiro Ano de Canadá, agradeço o apoio direto e indireto de todos aqueles que passaram e ainda passam pelos nossos caminhos! Também não preciso nem dizer (xi, já comecei a dizer:) ) que este é um depoimento estritamente pessoal baseado meramente no meu histórico de experiências de vida pré e pós imigração e que, portanto, acaba representando também a saga do melhor ser humano do mundo que eu escolhi para seguir em frente comigo e por estar em todas - o meu querido e sempre tão atento e atencioso marido Maurício.

Além de claro, seguir repetindo meus mantras pessoais e dois dos "top ten" saem direto da obra do poeta que, na minha opinião, melhor entendeu a alma humana - Fernando Pessoa:

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À PARTE ISSO, TENHO EM MIM TODOS OS SONHOS DO MUNDO" (in Tabacaria)

e
“Cada coisa a seu tempo tem seu tempo. Não florescem no inverno os arvoredos, Nem pela primavera Têm branco frio os campos." (in Cada coisa a seu tempo tem seu tempo).


Sem esquecer é claro do velho e bom "mentor espiritual" Zeca Pagodinho que já dizia -Deixa a vida me levar, vida leva eu ....kkkk E que venham os próximos anos!

10.9.07

Os meus favoritos na TV

Após quase um ano por aqui – esta semana ainda sai o post comemorativo – já posso eleger os meus programas favoritos na grade de programação da TV Canadense.

E como TV, juntamente com os livros e o exercício físico têm sido minhas melhores fontes de terapia enquanto administro algumas ansiedades típicas do ser humano que se reinventa enquanto imigrante recém-chegado (sim, só vou parar de me considerar recém-chegada depois dos 3 anos de Canadá), nada melhor do que fazer uma listinha dos favoritos na TV:

Para Pensar e refletir:


Eye to Eye – canal CTS (programa de entrevista do estilo “Marilia Gabriela entrevista” do GNT e que traz bons convidados portanto gerando ótimo conteúdo)


Behind the Story – canal CTS (Quem é da área de comunicação certamente conhece o Brasileiro Observatorio da Imprensa. Aqueles que não, trata-se de uma roda de debates entre profissionais da imprensa que a cada semana debatem uma matéria de capa diferente de uma revista ou jornal. A versão Canadense segue o mesmo formato)


The Agenda – with Steve Paikin – canal TVO (Excelente mediador e entrevistador, o programa do Steve Paikin lembra o formato do Roda Viva da Tv Cultura ou do Manhatan Conexion GNT)

The Hour – CBC Television
(O programa comandado, na minha opinião pelo melhor apresentador da TV Canadense, é mais variado com entrevistados das áreas de arte, cultura, política, etc. Excelente fonte para conhecer a cultura Canadense em geral)

Puro entretenimento :

Dr. House – Já era fanática pelo humor sagaz e ácido do médico de sotaque Britânico brilhantemente interpretado por Hugh Laurie e sua equipe de médicos “investigadores” . Prova de que o formato funciona é que eu nunca consegui nem nunca gostei de assistir seriados médicos e este me pegou de vez desde que eu morava no Brasil. Mal posso esperar pela estréia da nova temporada agora em setembro.


Gilmore Girls – Embora bem água com áçucar, acho esta série um dos mais bem feitos retratos da relação mãe e filha com o humor na dose certa e não escarrado.

E porque ninguém é de ferro:

Canadian Idol – não perdi um episódio desta temporada. Esta semana sai o vencedor!

É isso, como diversão gratuíta é a chave do sucesso para o entretenimento do imigrante, estas são as minhas dicas. Sem esquecer é claro da Biblioteca Municipal onde alugo todos os filmes clássicos que quero assistir de graça. Aliás, faz tempo que não vou para a locadora pois a lista de filmes clássicos que quero assistir é grande e ainda por cima de graça! Se você está em Toronto e ainda não fez sua carteirinha da biblioteca corra já fazer.

4.9.07

Feriado do dia do Trabalho Canadense

Diferentemente do Brasil e de quase todos os outros países do mundo, o Canadá, os Estados Unidos da América, a Austrália e a Nova Zelândia celebram o dia do trabalho na primeira segunda-feira de setembro. Algumas controvérsias históricas, além da sempre quase que excêntrica preocupação com o politicamente correto de países como o Canada e claro que jogo político, explicam a diferença de data dos quatro "dissidentes".

Pois bem, como não fomos viajar neste feriado prolongado em comemoração ao dia do trabalho, curtimos Toronto em alto estilo e o melhor sem gastar quase nada, apenas com comida e da muito boa e saborosa!

Uma das grandes vantagens de se viver em uma cidade como Toronto é exatamente essa. Está sem vontade ou grana para viajar? Vai passar o feriado aqui? Longe de ser um problema! A programação cultural é intensa e para todos os gostos e bolsos!

Como moramos ao lado da Mel Lastman Square (nome de uma "figuraça" que hoje é dono de uma cadeia popular de lojas mas que já foi prefeito de Toronto antes do atual David Miller e também prefeito de North York quando este que hoje é um bairro de Toronto (onde moramos) ainda era considerado outro município ao norte de Toronto) toda vez que ouvimos um batuque, uma movimentação vamos para lá conferir o que se passa.

Neste final de semana prolongado quem mais agradeceu o fato de morarmos por aqui foi o meu querido estômago. Durante os três dias do feriado eu me esbaldei com as barraquinhas de comida Colombiana, Porto Riquenha, Peruana e Mexicana (vulgo comida latina e muuito saborosa, além do churrasco verdadeiramente preparado!).

A barraca da Colômbia foi meu pit stop favorito onde comi Bisteca de boi, arroz, salada e um tipo de omelete de batata delicioso que eles fazem além de outras "cositas". Ah, para os preocupados com a pimenta que é muito comum por aqui – zero de índice de pimenta! Tudo isso regado à música latina, barraquinha de artesanato e tudo que um festival tem direito – era o Hispanic Festival (vale muito à pena para comer!!).

Completamos a segunda-feira do dia do trabalho em uma das tardes mais agradáveis que já passei por aqui. À Beira do lago ficamos das 13 às 16h (sem perceber) juntamente com uma multidão que esticou suas toalhas e cadeiras no gramado para apreciar o show áereo dos caças (os "fighters") e da esquadrilha da fumaça Canadense (os "Snow Birds").


Sensacional!! Ano que vem certamente estaremos por lá novamente para apreciar ao melhor estilo Maverick versus Iceman em Top Gun - filme este que eu devo ter assistido umas dez vezes durante e pós minha adolescência. Passou de novo na TV estou vendo rsrs - com todas as maravilhosas máquinas voadoras e seus pilotos habilidosos.

Sempre valorizei muito os profissionais de aviação e apaixonados por voar, eu mesma sou uma que adoro voar. Talvez pelo fato de ser o momento em que mais me aproximo da mais pura versão de liberdade que existe - a dos pássaros! Imaginem aqueles pilotos dos caças em suas acrobacias neste tipo de apresentação! A estrela do show para mim foi o caça F22 Raptor (vejam fotos de todos os brinquedinhos que estavam presentes na apresentação)!

E todo este show acaba sendo de graça para aqueles que como nós não queriam entrar no CNE (já havíamos entrado mas de maneira geral não curtimos muito. Tem seus pontos de destaque mas não voltaríamos uma segunda vez não) . Se vc não quiser entrar e ficar como nós e a galera, há um ponto estratégico à beira do lago onde se vê muito bem todas as manobras aéreas de tirar o fôlego!




Boa semana à todos.

23.8.07

O Primeiro Voluntariado Canadense

Rafael (de vermelho) na largada. Abaixo (da esquerda para a direita) Eu e a Liliane checando os dados e o marido recebe os "sem fôlego". A mulher de camiseta branca ao lado da Liliane (de vermelho) é a Sargenta da Polícia de Toronto (oh oh).











Domingo que passou vivemos nossa primeira experiência como voluntários aqui no Canadá. E que experiência! Certamente este foi apenas o primeiro de muitos voluntariados por aqui pois é impressionante a profissionalização do trabalho voluntário na terra do gelo (aliás, as temperaturas já começaram a baixar para a minha alegria!).

À convite do Rafael e da Liliane (sim, a KEEP GOING leva sua equipe para o trabalho voluntário nas horas vagas!) fomos doar a nossa manhã de domingo para a causa do câncer de próstata e receber muito em troca. A natureza em volta (a corrida foi na Toronto Island), o sorriso ingênuo das crianças, o abraço carinhoso do pai em seu filho, a simples reunião de pessoas, a doce menina que do alto de seus doze anos canta à capela o hino do Canadá e o mais novo participante da corrida que aos cinco meses recebe sua medalha (a mamãe dele correu com ele no carrinho).

A equipe da Keep Going se dividiu em receber os corredores na linha de chegada (Maurício), marcar a ordem de chegada (esta que vos escreve), computar o tempo (Liliane) no final e entregá-los ao organizador da 52 Division Bill Harper Memorial Run. Sem falar do atleta da equipe – o Rafael correu pelo segundo ano consecutivo. Trabalhando conosco ainda havia mais duas pessoas na mesa.

Como toda boa confraternização em torno de uma causa, teve também comes, bebes e sorteio de vários excelentes brindes . Entre eles 3 Ipods (não foi desta vez que eu levei o meu pois a pessoa escolhia o prêmio por ordem do sorteio). Entretanto, alugns números depois eu fui até lá e escolhi uma linda e muito útil jaqueta da Rogers para usar nas minhas práticas esportivas.
Não foi sorteado? Não tem problema não, antes deste sorteio principal todos os voluntários puderam chegar até uma mesa com brindes “inferiores” e voltei de lá com uma sacolinha deliciosa de produtos Body Shop (para mim, juntamente com a Victoria Secret as campeãs do cheiro bom em cosmético adulto. E claro que Johnson's Baby é imbatível na categoria bebês!) .

Sem mencionar que para pessoas como eu que estão procurando trabalho, voluntariar é uma excelente oportunidade para conhecer pessoas, além de ter ajudado e me divertido muito é claro! Abafo o caso que trabalhamos o evento todo ao lado da "Sargenta" da Polícia de Toronto sem saber. Fui descobrir isso no fim do evento quando ela veio agradecer a eficiência (Ufa!) da turminha da KEEP GOING rsrs . Já deveria eu ter imaginado isso pois metade das pessoas que estava lá era da Rogers Cable (patrocinadora) e a outra metade da Polícia de Toronto (idealizadora do evento) ai que "meda"!

Confiram acima alguns lances do trabalho da equipe voluntariando no evento, mais um braço do grupo de empresas da KEEP GOING turismo. Precisando de voluntários é só contatar a nossa central!






16.8.07

O currículo invisível

Embora logo que cheguei aqui, em setembro de 2006, não me foram dados oficialmente os poderes de Sue Storm – a mulher invisível – o meu currículo como que em um passe de mágica tornou-se invisível criando e projetando poderosos campos de força repelente aos departamentos de Recursos Humanos das empresas presentes no Canadá.

Fantasia vinda direto dos quadrinhos da Marvel? Incompatibilidade de gêneos entre mim e os “gerenciadores do fator humano”? Complô maquiavelicamente elaborado pelo Doutor Destino – vulgo Victor Von Doom – contra a minha pessoa? Claro que nao!

Apenas o caminho natural (duro, mas natural) de qualquer imigrante que chegue pelas bandas de cá com o meu perfil (pessoal, professional e patológico:). Tanto que, nove meses depois (ops! trata-se de uma gestação com complicações no meio do caminho, parto realizado com fórceps e tudo mas que acabará gerando um lindo e mais consistente resultado!) eis que cai a capa invisível que pairava sobre meu currículo e sobre mim mesma enquanto profissional competindo na minha área de atuação por aqui!

Em um período de menos de dois meses (julho/agosto 07), após os 9 meses de uma gestação complicada, é que a “brincadeira” está começando! Nunca participei de tanto processo seletivo (ou melhor, antes nunca sequer chamada para entrevistas eu era), pesquisei tanto empresas para a preparação das boas entrevistas que finalmente estão acontecendo – e todas na minha área em boas empresas! Esta semana mesmo estou ocupada com dois processos paralelos. Sinal dos tempos!

Claro que o fato de fazer entrevistas não signifca o emprego em si mas a lógica mais pura que conheço é a de que sem fazer entrevistas o trabalho não vai surgir é nunca! E quem está por aqui sabe bem o que é ficar meses e meses investindo em vários estratagemas que - no início são apenas investimentos à longo prazo - e nada acontecer momentâneamente.

É isso, passei para celebrar esta minha nova etapa por aqui e relembrar que a sabedoria popular novamente é muito bem aplicada ao imigrante que aqui chega – “O Tempo é o SR. Da Razão!” Quanto à emoção, bem, para estas usamos nossos poderes de Sue Storm e projetamos poderosos campos de forças – de presença, psicológica, física, mental, intelectual e todas as forças que o vocabulário permitir juntar para continuar caminhando sempre!

Um excelente fim de semana aos queridos que me acompanham nesta jornada!

8.8.07

Seguindo a rota das Baleias

Feriado que passou a equipe da Keep Going (Katiane e Peter sentimos sua ausência e nos divertimos por vocês!) se juntou novamente para explorar mais um cantinho deste país de proporções continentais e paisagens de tirar o fôlego.

Desta vez o sempre econômico e eficaz Golfinho do Rafael rodou 2.201 km (entre ida e volta) para nos levar até o Saguenay-St.Lawrence Marine Park ou Parc Marin du Saguenay-Saint-Laurent (como preferem os Quebequenses) situado ao norte da cidade de Quebec.

O encontro do Rio São Lourenço com o fiorde Saguenay – o único fiorde navegável da America do Norte – não somente cria um ambiente rico em plankton perfeito para sobrevivência das baleias como também uma encantadora paisagem única dos fiordes.

Chegar até onde chegamos e não fazer o passeio de barco que leva para apreciar o balé das baleias é como ir à Roma e não ver o Papa - se bem que eu fui até Roma, não vi o Papa e a cidade me pareceu linda do mesmo jeito..rs – então para melhor dizer é pior que ir à Roma e não ver o Papa.

E lá fomos nós para o que seria um dos mais encantadores passeios ecológicos que já fiz. Claro que a equipe aventureira da Keep Going escolheu o Zodiac (menor, mais veloz e que proporciona um contato vamos dizer mais próximo com a água e a natureza ao redor).

Para chegar até a zona de observação das baleias o piloto faz manobras radicais em alta velocidade pegando carona inclusive nas ondas deixadas pelo rastro do barco maior e mais lento (opção para os que não curtem tanta adrenalina nem tampouco o contato mais “íntimo” com a água). Tudo de bom! Vento no rosto, reflexo do sol nas águas do imponente São Lourenço, rochas formadas pela glaciação que cobriu parte da America do Norte há mais de mil anos e para completar elas – as baleias!!

Como são espécies ameaçadas de extinção há todo um cuidado e regras que os barcos seguem para proporcionar momentos indescritíveis ao eco-turista – chegar a pouco mais de 200 metros das baleias. A partir daí nenhum barco mais passa.

A única vez na minha vida que chegei tão perto de uma baleia foi no show da Orca no Playcenter e vamos combinar que não há nada de ecológico em ver o bichinho lá em cativeiro sendo treinado para abanar o rabinho para a platéia. Tudo bem que, na época, fez a minha alegria e a de muitos. O fato é que observar a natureza e os animais em seu ambiente natural, como já escrevi por aqui, sempre me leva para mais perto de algo muito superior ao meu próprio entendimento me trazendo momentos sublimes de paz interior e realização!

Para fazer este passeio dormimos no vilarejo de St.Simeon que não sem motivos se auto-denomina a capital das baleias. Isso porque a não menos charmosa, entretanto mais agitada e turística Tadoussac, estava com seus hotéis e pousadas todos ocupados. Com isso, ficamos no quarto mais barato da viagem inteira com vista para o rio e tudo em outro cais de onde também partem os passeios para observar as baleias.

Depois de brincar de Pinochio (não fomos engolidos pelas baleias mas chegamos bem pertinho delas), começamos a voltar para a parte mais urbana do passeio e fizemos a visita à Quebec City e Montreal. Nesta última, outro ponto auge do passeio – a entrada e a volta completa no circuito de fórmula 1 de Montreal (confiram estas e outras imagens da viagem no nosso álbum de fotos ao lado).

Sem dúvida esta foi mais uma excepcional realização da equipe Keep Going e agora que estou com minhas energias renovadas para voltar para a labuta diária de imigrante repito o slogan criado pelos donos da agência :

“Canadá guenta nóis!!”







1.8.07

O Reencontro com as magrelas




Domingo que passou fomos conhecer a Toronto Island. Ufa, quase que completamos um ano (em setembro) de Toronto sem conhecer este pedacinho do paraíso em plena metrópole. Não poderíamos ter realizado nossa primeira visita de maneira melhor!

E graças aos amigos e vizinhos Liliane e Rafael, que gentilmente nos cederam suas bicicletas que, por sua vez foram conscientemente deixadas por um bom cidadão no lixo reciclável (sim elas estavam no lixo! Adoro esta cidade!), pudemos aproveitar ao máximo o passeio pela Ilha.

Confesso que pedalar pela primeira vez, em meio ao trânsito (antes de chegar à Ilha) e no mundo civilizado onde os carros respeitam a bicicleta e vice-versa, foi uma estranha mistura entre o total pânico e desespero (de alguém que nos seus últimos dez anos lutava pela sobrevivência e rezava para não ser atropelada em qualquer cirscunstância no trânsito de SP) e a completa sensação de felicidade pois agora esta é a minha realidade.

Apenas uma questão de tempo para me habituar com o que é correto e me desapegar do caos!
Auge do passeio - a sensação de levar as bicicletas no metrô! Não tem prêço!
Aproveitamos o domingo que estava acontecendo por lá o Brazil Fest para revermos nossos amigos Peter e Katiane, Don e Lourdes.

Bem, pelos nomes já dá para ter uma idéia mas está lançado o desafio para quem reconhecer na foto acima os Canadenses “disfarçados” de Brasileiros...
Ah, antes que a minha fama de "Heleninha Roitman" ganhe proporções inexistentes, adianto que a cachaça que está em minhas mãos é da Katiane que tirou a foto (sorry, my friend!). Até porque eu sou chique benhê, o meu negócio é uma cervejinha!

Conhecer a Ilha toda pedalando foi mais uma oferta da KEEP GOING, a minha agência de turismo independente e low cost preferida - resultado de uma parceria de sucesso com os donos das magrelas e que só dá bons frutos..rsrs


O próximo destino já está marcado para sexta agora (feriado por aqui) ao norte de Quebec. Aguardem a publicação do roteiro "low cost" na semana que vem.


Bom feriado aos que aqui estão e bom fim de semana aos que estão no Brasil!

27.7.07

A indústria da imigração - reflexões

Mencionei no post anterior sobre a indústria que gira em torno do imigrante aqui em Ontario. No entanto, fiz isso meramente levando em conta minhas próprias percepções e experiências em quase onze meses como “alvo” dela - a indústria. Sequer imaginava eu que, um dia depois, leria a constatação do que venho repetidas vezes dizendo e me questionando desde que cheguei.

Logo nas primeiras semanas de qualquer imigrante que chega nas mesmas condições que chegamos, ou seja, com duas malas de roupas, economias, uma mão na frente e outra atrás como se diz na minha terra – o pobre se vê em meio à um turbilhão de siglas e centros comunitários prontos a ajudar. E sim, de fato eles ajudam e muito!

O ponto não é este. O caso é que, conforme o tempo vai passando, vamos percebendo que na realidade estes centenas de centros comunitários (Costi, NoW, Job Start, JVC, ACCES, isso só para ficar nos mais famosos) fazem exatamente a mesma coisa e possuem a mesma idéia. No final das contas, estão todos lutando por fundos repassados pelo governo para garantir sua existência. Até aí, sem problemas, estão “na deles” para usar a gíria dos adolescentes.

O que não sai da minha cabeça desde que cheguei, ou melhor, uns 4 meses depois e de frequentar dois dos programas, entender o emaranhado de siglas e propósitos, é a seguinte questão – “Por que é tudo tão pulverizado? A causa é nobre, as intenções boas e o dinheiro existe. Entretanto, porque não juntar forças e orçamento e unificar um pouco mais?”

Ajudaria os pobres dos imigrantes que ficam mais perdidos do que "cego em tiroteio" em sua primeira semana – fato que, no nosso caso, só foi amenizado porque o marido em nosso terceiro dia por aqui foi até o Centro de Informação Comunitária Brasil Angola do Gean que faz um trabalho digno de nota por lá – e principalmente otimizariam os recursos humanos e financeiros injetados.

Eis que pela manhã me deparo com a notícia de que o ministro da pasta da Imigração e Cidadania Canadense - Sr. Mike Colle – acaba de retirar-se do cargo à 11 semanas das eleições de Ontario devido à um “probleminha” na administração do repasse de verba aos chamados centros comunitários multiculturais!

Ponto positivo disso tudo? Estamos no Canadá e, desde que o jornal Toronto Star começou a série (que este blog vem acompanhando de perto) focando este problema, as coisas vem estourando o que culminou no fato de hoje. O que certamente vai colocar o assunto em voga para debate.

Outro ponto muito positivo? Nunca aproveitei tão bem um verdadeiro período sabático "forçado" em favor do meu Ócio Criativo como tão bem batizou Domenico de Masi em um de seus melhores livros de mesmo nome.

Ótimo fim de semana!

25.7.07

Cutucando a "ferida" - Reflexões

O economista chefe do Toronto Dominion Bank, Don Drummond, deu hoje uma entrevista ao jornal Toronto Star como poucos já deram - ao menos nestes quase onze meses de minha nova vida por aqui.

O executivo toca em uma "ferida" que, sinceramente, deveria ser mais "cutucada" por formadores de opinião como ele. O chavão - "O imigrante é a chave do sucesso para o desenvolvimento da economia Canadense" - quase que cristalizado em todas as matérias, entrevistas e, principalmente material promocional de escolas e toda a indústria que gira em torno dos imigrantes por aqui.

Eu nunca, em nenhum momento dos quase dez anos de sonhos e planejamentos para chegar onde estou hoje, cheguei nem sequer perto de ter como o motivo da mudança a minha carreira!

Claro que, uma vez que cheguei estou me esforçando o máximo e fazendo de um tudo para me recolocar no que gosto de fazer. Entretanto, quando perceber que vou começar à bater cabeça mudo de rumo sem nenhum problema . Afinal de que valem todos os meus outros dons e paixões? Para serem utilizados quando necessário. Entretanto, seria egoísmo demais da minha parte tratar e pensar nisso como apenas um "problema" particular.


Daí eu ficar sempre refletindo. Trata-se de uma análise mais macro que apenas somos capazes de fazer quando vivemos aqui e conforme o tempo vai passando. Quando li este artigo pensei – admiro este diretor! Me deu vontade até de escrever um e-mail para ele elogiando a iniciativa, aliás acabo de decidir que vou fazer isso.


É senhor Drummond, eu também não entendo!

Boa leitura à todos!

24.7.07

Life-Long Learning

Três palavrinhas, três “Ls” e inúmeras conotações! Pergunte ao gerente de Recursos Humanos de qualquer multinacional e ele vai dizer que trata-se das 3 palavrinhas mágicas que ele quer ouvir de todo candidato à uma vaga. Leia os panfletos publicitários de cursos de especialização no Brasil e verás “Educação continuada” – os “continuing education courses” daqui.

Traduza literalmente (aprendizado por toda a vida) ao caboclo da roça e ele vai dizer – “Vivendo e apredendo!” e eu venho acrescentar à sabedoria matuta do caboclo a palavrinha mágica SEMPRE! Se no Brasil que, em tese, a minha situação estava relativamente confortável e “estável” (questionável), já era parte integrante da minha filosofia de vida o “Life-long learning” e o fazia com prazer. Agora então faz até mais sentido!

A verdade é que a equação livros + sala de aula + professor sempre exerceu sobre mim um forte poder de sedução, quase que magnético! Por toda esta minha inquietação com o aprendizado, aos 7 anos de idade estava lá eu nas salas do FISK cantando one little two little three little indians...e lá fui eu até os meus 15 anos passando por todos os livros imaginaveis de lá. Nunca mais parei. Depois veio a influência de um professor que falava francÊs na faculdade e lá fui eu para os quase quatro anos de Aliança Francesa. Não muito tempo depois fui para o Instituto Italiano de cultura aprender a origem dos meus antepassados.

Veio a vida adulta e a carreira foi tomando rumo para o que é hoje a minha paixão – Comunicação empresarial. Trabalhava PARA e com marketing (e não EM marketing como quase o mundo todo confunde) então vamos fazer um curso para entender de marketing e “falar a mesma língua” lá fui eu para os cursos de educação continuada da ESPM e da FGV. Essa sou eu! Louca, alucinada? InfluÊncia de muito professor na família? Freud deve ter alguma teoria, que eu ainda não li, para explicar isso. Mas quem quer explicação científica se eu mesma já tenho a minha. Estudar, ler e conhecer para mim são verdadeiras paixões e estão longe de ser um sacrifício! Funcionam como terapia, sério!

E nada melhor do que uma "terapiazinha" para o meu momento atual. Dez meses após minha chegada, de ter feito um curso de writing skills no Seneca só para ter certeza que a escrita está apurada, ter feito todos os cursinhos para o imigrante possíveis e imagináveis, Co-op, trabalho de graça, "Canadian experience" e tudo mais, chegou a hora de eu fazer um curso na minha área profissional!

Após meses de pesquisa, muita leitura para entender o sistema de compra de cursos à granel dos Colleges de Ontario, muita troca de informação com profissionais da minha área aqui em Toronto que foram unânimes em afirmar ser o programa do HUMBER college o mais famoso entre os meus potenciais empregadores e o melhor na minha área, começo em agosto o Certificate in Corporate Communications Program. Em um ano, após cursar 7 matérias obrigatórias terei não somente o certificado (uma especialização) mas ampliado a minha rede de contatos na minha área e o meu conhecimento claro. Além de ter feito a minha terapia do conhecimento para ajudar a controlar a ansiedade enquanto o tão sonhado primeiro trabalho remunerado na minha área não chega!

Não vejo a hora! Estou feito criança no primeiro dia da escola que já quer comprar a lancheira, o caderno e o livro novo, o lápis, a borracha e o apontador. Só falta eu querer também o lápis de cor com 36 cores que tinha o verde-piscina que todos queriam na minha época ahaha...

19.7.07

Pesquisa acadêmica direcionada à comunidade Brasileira

Por meio do blog do Gean, tomei contato com o trabalho de pesquisa que a Iara Costa está conduzindo como parte dos requisitos para que ela obtenha o seu diploma de mestrado em psicologia e aconselhamento pela Universidade de Toronto.

O estudo tem por objetivo investigar como o modo pelo qual os imigrantes Brasileiros se adaptam ao Canadá influencia a ocorrência de sintomas de depressão. Eu já fiz a minha parte respondendo ao estudo e você também pode ajudar. Para tanto basta preencher os seguintes critérios:

Ser Brasileiro/a e imigrante de primeira geração no Canadá
Já ter se tornado cidadão/ã Canadense ou ser residente permanente do Canadá (imigrante com documentos, ou refugiado/a, ou aguardando pedido de refúgio)
Morar na Área da Grande Toronto (GTA)
Ter pelo menos 16 anos de idade
Falar Português ou Inglês

Basta acessar o link http://www.surveymonkey.com/brazil

Futebol Poliglota

Sai hoje o adversário Argentino (ops!) da já finalista República Tcheca pelo Campeonato Mundial Sub-20 que esta sendo realizado aqui no Canadá e acompanhado de perto por esta apreciadora de um dos esportes mais democráticos do mundo. Basta uma bolinha de meia, um campinho de terra batida, duas riscas de gol no chão e lá estão, no mínimo, 22 pessoas se divertindo enquanto praticam esporte!

O jogo entre Argentina e Chile aponta para a vitória do arqui-rival e, consequentemente, para o sexto título (quarto dos últimos seis campeonatos) do país que consagrou “Dieguito” e o mesmo fez e ainda faz bastante esforço para se “desconsagrar” perante o mundo. Vamos combinar que imagem de atleta é o que menos vai ficar do que um dia foi um dos maiores jogadores do mundo!

Pevisões à parte, o fato é que morando em Toronto o futebol também ficou poliglota o que eu adoro! Temos acompanhado todo o campeonato pelas telinhas da CBC e da TLN o que significa uma verdadeira babel no que diz respeito aos idiomas dos narradores e também dos comentaristas!

A TLN (Telelatino) é um caso à parte e me diverti muito assistindo as partidas por lá. Assisti jogos com narração em espanhol (divertidíssimo o entusiasmo do narrador. Pelota para lá, pelota para cá), em italiano (não tão divertido mas com o mesmo entusiasmo e o meu intersse pessoal em recordar da penúltima copa do mundo quando estava na Italia e aprendi todos os termos em italiano) e o clássico estilo de narração britânico pela CBC que, muitas vezes, mais se parece com as legendas da Folha de S.Paulo em sua obviedade de ser! Foto com cachorro atravessando a avenida e a seguinte legenda: “Cachorro atravessa a avenida” Faça-me o favor! Até bandeira de objetividade em jornalismo tem limite, tudo nesta vida tem limite! Acho o caso da Folha até pior que a narração no futebol.

Até porque com a narração em inglês só tenho a ganhar com a apuração do ouvido e saber depois comentar em mesa de boteco em inglês os lances do jogo. Agora divertido mesmo é ouvir o narrador Mexicano dizer GoLaço , Golaço , Golaço.. em um som todo característico, além das expressões em espanhol que apesar de entendermos soam muito engraçadas pelo fato não as usarmos naquele contexto. É tudo de bom !

Nos jogos do Brasil pela Copa América então foi o auge! Que tal assistir à uma partida do Brasil com transmissão em espanhol e comentários em Português? Pois é, O TLN transmitiu jogos com o divertidíssimo e empolgado narrador Mexicano e o comentarista Brasileiro. O interessante é que eles não interagiam, um narrava, dava espaço e o outro entrava falando português muito surreal! Adoro morar aqui! O canal telelatino está se superando em sua salada de idiomas no mesmo jogo!


Agora, a única coisa que irrita mesmo destas transmissões é que, quando você menos espera, eles cortam o jogo no meio e entra um comercial! E é muito amador! Não raras vezes o narrador está falando e, sem sequer perceber, é cortado no meio para a inserção de um comercial que ocupa a tela cheia e você lá perdendo lances importantes do jogo! Ai os padrões de qualidade Globo! Ai se eles fizessem isso com os jogos de Hockey!

Quanto à final do Sub-20, antes que alguém me pergunte para quem vou torcer já vou logo dizendo que todas as minhas opções de torcida foram saindo uma a uma (Canadá, Brasil, Estados Unidos e Espanha). Entretanto vamos aguardar para assistir um bom futebol dos arqui-rivais mas não me peçam para torcer para eles não! Até apreciar um futebol bem jogado tem limite!


Ah! e o futebol Canadense? Pelo que tenho acompanhado das crônicas dos analistas por aqui, o quente mesmo é o futebol feminino Canadense que promete ao disputar o mundial Sub-20 que começará na China agora em Setembro. Taí outra coisa que eu adoro daqui, a mulherada jogando é valorizada. Elas jogam, fazem matérias, elas aparecem na TV, escolinhas de meninas jogando bola aparecem na TV - o máximo!

13.7.07

Na TV, nem tudo é o que parece ser!

Estava lendo o Betsy's PR Recruiting, um dos vários bons blogs que acompanho sobre o meu mercado de trabalho aqui no Canadá, quando, ao deparar-me com o post "BBC job interview error - Oldie but Goodie", não pude conter um ataque de riso sobre a situação em que o pobre coitado que se dirigia para uma entrevista de trabalho - por si só uma situação naturalmente tensa - foi exposto!

Se eu fosse o responsável pelo processo de contratação o teria contratado na hora devido à sua extrema flexibilidade e poder de adaptação à situações inesperadas, apesar de sua impagável expressão quando a repórter começou a entrevistá-lo no lugar de outra pessoa!

Para terminar a semana com bom humor!

Tenham um excelente fim de semana!

11.7.07

Formatura no CanEX - mais um passinho para frente








Juntamente com o final do meu estágio não remunerado de 4 meses que me deu a tão acalamada “Canadian Experience”, acabaram as sessões de toda segunda-feira de manhã que eu, carinhosamente, apelidei de reunião dos A.A.A. Carinhosamente devido ao importante papel emocional que este contato e troca de informações com outros imigrantes, na mesma senão em pior situação que a sua, exerce sobre você .

O Maurício até dizia que os dias em que eu voltava desanimada por algum movito em meio à saga na luta pelo meu espaço era porque eu não tinha ido para as reuniões de segunda (perdi apenas duas por conta de outros compromissos) e ele tinha razão!

Entretanto, no dia 25 de junho, a turma que riu, sofreu e chorou (é cada história que realmente se vai às lágrimas!) junto reuniu-se para celebrar o final do programa – sim, mais uma formatura. Será que agora já posso ir para o kindergarten? – e para receber os certificados.

Por falar em ceritificados, não contente em receber um eu recebi dois! Os professores criaram alguns prêmios especiais para os destaques da turma (chique não? Definitivamente eu posso ir para o kindergarten!) e entre eles havia um para a melhor apresentação em power point realizada durante o curso. Foi este que recebi (abafo o caso que em 7 anos de carreira no Brasil eu fazia apresentação de power point de baciada) e tem mais? E esta é a melhor parte! Por ter realizado a melhor apresentação em power point eu ganhei um gift-card da Chapters no valor de $25 !! Saí pulando de alegria pois compraria meu primeiro livro Canadense IUPI!! Após dez meses comprando apenas comida e coisas para a casa finalmente a recompensa!

Comprei, já estou lendo e recomendo para aqueles que querem enteder um pouco mais sobre o “Canadian Way” e o que faz do Canadense o que ele é, o livro The Unfinished Canadian – the people we are do jornalista e autor Canadense Andrew Cohen também autor do best seller While Canada Slept que já está na minha lista. Quem sabe ganho outro prêmio em um outro curso para passar do kindergarten para o pré-primario! Como este livro acabou de ser lançado completei os $25 do cartão que ganhei com $6 doletas – Excelente negócio!

9.7.07

O imigrante bebê

Havia prometido há dois posts que contaria um pouco mais sobre a entrevista que dei para um autor Canadense que está escrevendo um guia para Newcomers – como são conhecidos os imigrantes com até 3 anos de vida no Canadá – e que será publicado pela Oxford.

Ao deparar-me, em minha leitura diária dos jornais de Toronto, com o último artigo da série do Toronto Star sobre estratégias de políticas de imigração, lembrei-me da longa conversa que tive com o autor do livro a ser lançado e que foi desencadeada pela seguinte pergunta que ele me fez – “Qual o conselho você daria para o candidato à imigração que está em seu país de origem se preparando para chegar?”

Ainda brinquei repetindo o velho e sábio dito popular: “Se conselho fosse bom não daríamos, venderíamos” e fui mais longe ainda lembrando-o que conselho é uma forma de nostalgia então não costumo dar a não ser quando requisitada. Era o caso, ele realmente queria ouvir o que eu tinha para falar. Ok, então senta que lá vem história!

Claro que não posso falar por todos os imigrantes do mundo que chegam das mais diversas nacionalidades e costumes, nem tão pouco – na maioria dos assuntos - por todos os Brasileiros que chegam pois apesar de termos crescido na mesma cultura trazemos conosco percepções, experiências e consequentemente diferentes valores perante à vida. Entretanto, duas coisas eu digo que para nós Brasileiros – especialmente aqueles que chegam e são da área de Humanas – duas coisas chocam bastante no começo, ao menos para mim chocaram e foram difíceis de administrar: ser tratado quase o tempo todo como criança/bebê e ter que trabalhar de graça para “provar” que você tem “experiência” na área em questão que você está querendo atuar por aqui.

Antes que os meus queridos e especiais leitores me lembrem que trabalhar de graça não é o fim do mundo e que muitos já fizeram estágios gratuítos no Brasil enquanto estavam na faculdade, vou logo me adiantando que trata-se de algo totalmente diferente! A relação é outra, a sua situação é outra e muito mais delicada! E sim, há várias situações desta durante a faculdade no Brasil – o que faz todo sentido pois você realmente não tem a experiência em questão – aqui não é exceção, é regra. Então, ou você entra no sistema ou você entra no sistema para ganhar a Canadian Experience. Se esta é a melhor maneira de receber o imigrante “qualificado”? Como eles gostam de dizer aqui – DEBATABLE!

Entretanto, como o foco deste post não é o trabalho gratuíto e nem muito menos ir contra o sistema (afe, que coisa de adolescente revoltado..rsrs) até porque eu fiz tudo direitinho como precisa ser feito e bem gradativamente já estou colhendo resultados decorrentes dele, mas sim responder a pergunta do autor Canadense e dividir com vocês qual foi a minha resposta, aí vai.

Anota aí moço, dizia eu, os muitos guias que tenho visto no mercado direcionados para este público perdem muito tempo com questões muito básicas e quase que sem relevância – se comparadas às reais dificuldades enfrentadas no começo – como por exemplo dizer que o Canadá é um país muito frio e isso pode ser um problema para a adaptação dos imigrantes que chegam de países onde não há o frio do Canadá!!!!!!! E como diz a minha mais nova e divertidíssima amiga Katiane, com aquelas dicas super ultra mega úteis do tipo “Olha meu bem, traz um casaquinho porque aqui faz frio viu?”

HELLOOOO!!! O ser humano que planeja uma mudança de vida tão drástica como esta há de saber a posição geográfica do Canadá e as consequências climáticas disso! AFE! Não que não haja necessidade de colocar este tipo de informação nestes guias, mas o assunto é tratado como se fosse o principal entrave para nós que aqui chegamos quando na realidade o buraco é bem mais embaixo.

Quando será que os guias, instituições e até mesmo as palestras dos orgãos oficiais que são dadas mundo afora “convidando” a galera para imigrar, vão começar a tratar de assuntos um pouco mais sérios e que seriam de extrema valia para quem está se preparando para um movimento tão importante e sério de suas vidas?

É simples, é só começar a explicar como funcionam os Co-ops, que se quando você chegar a sua área não estiver em tanta demanda assim o sistema que você certamente seguirá para entrar no mercado é este, etc e tal...E que, mesmo com demanda (eu mesmo vejo vaga na minha área toda semana) quando você (nós da área de humanas) chega você precisará sim colocar no seu currículo a “Canadian experience” independente de sua experiência anterior, onde você trabalhou, estudou e se o que você fazia no seu país de origem é tão universal que é feito exatamente da mesma maneira aqui (meu caso) e mesmo assim você, caro imigrante, vai precisar da Canadian experience (vulgo trabalho de graça, etc e tal). É isso!

Outro coisa muito comum por todos os lugares onde você passa desde que chega, é o equívoco gigante em confundir o estatus de novo no país (newcomer) com novo na vida! Há uma importante e grande diferença nisso. Daí a minha resposta para o autor do novo guia ter sido esta. Meu conselho? Esteja consciente de que você, no começo, será tratado como um bebê e muitas vocês se sentirá um acéfalo, além de precisar entrar no sistema "Canadian experience" que envolve alguns sacrifícios emocionais.

No meu caso, maravilha porque quando saímos do Brasil já sabíamos que eu demoraria bem mais para ter uma renda por aqui (isso na minha área porque trabalho é o que não falta e fome ninguém passa neste país!) e o maridão conseguiria trabalho na área dele (Engenheiro de Telecomunicações) nos 3 primeiros meses e foi exatamente o que aconteceu!

Agora estou escrevendo isso e tocando neste assunto porque fico pensando nas pessoas que - ou vem sozinhas e são da área de humanas ou o casal mesmo mas que , ao invés de ser como o nosso caso, ambos estariam na minha situação. E aí? Claro que sabendo disso tudo antes lá do país de origem daria a estas pessoas muito mais preparo para a “bucha” inicial. E, ao contrário do que muitos podem pensar, isso não faria aqueles que realmente querem lutar por uma nova vida aqui desisitirem do sonho. Ao contrário, ganhariam os imigrantes, a sociedade Canadense que teria os mesmos economicamente ativos em um tempo mais curto. E aqueles que desistissem seria porque realmente chegaram a conclusão que não teriam forças emocional e financeira suficiente para aguentar o tranco. À isso chamo serviço público.

Daí a minha resposta ao autor – Parem de tratar o imigrante como se ele fosse bebê e coloquem nos guias o sistema dos co-ops e da Canadian experience. Se ele vai me ouvir e publicar? Não sei, o que sei é que fiz a minha parte. Ele perguntou e fiz a análise e o próprio ainda finalizou a entrevista dizendo: "Sabe, só hoje você é a terceira que menciona a mesma coisa! Preciso pensar seriamente neste assunto". Eu pensei – mas claro que não disse – AH VÁ!!

Boa semana á todos!