14.1.12

A importância dos colleges

Há cinco anos moro no Canadá. Há cinco anos mantenho esse blog e há cinco anos pessoas querendo imigrar me fazem a pergunta que não quer calar: "como é o mercado de trabalho aí no Canadá para determinado ramo de atividade?".

É claro que não tenho competência para analisar o mercado canadense, do contrário estaria trabalhando no Statistics Canada (o equivalente canadense ao IBGE). Posso falar um pouco sim da área em que eu atuava no Brasil (comunicação corporativa-assessoria de imprensa) por tudo que vi em cinco anos. Mas há cerca de 3 anos resolvi mudar de carreira e agora começo a colocar em prática o decidido há 3 anos. Iniciei o College essa semana para obter o diploma de educadora infantil. As razões pelas quais resolvi mudar vou contando aos poucos mais para frente. O real motivo desse texto é o que me levou ao College.

Há uma diferença cultural importante entre Brasil e Canadá no que diz respeito aos bancos escolares que você só aprende depois de alguns anos morando aqui: a valorização dos colleges e seus respectivos cursos (equivalente a um colégio técnico no Brasil) pelo mercado de trabalho. Enquanto no Brasil somos pressionados a cursar uma faculdade logo ao deixar o colegial (ok, sei que mudaram as denominações mas é assim que eu falava na minha época:) sem nem mesmo sequer saber, na maioria dos casos, o que queremos cursar; aqui no Canadá (ao menos em Ontario onde vivo há cinco anos) a grande maioria vai para o College e hoje eu entendo o motivo.

Os colleges tendem a ter uma relação mais direta com as necessidades momentâneas do mercado de trabalho e preparam os alunos para funções específicas e, em não raros casos, desvalorizadas pelos brasileiros como por exemplo encanador, mestre de obras, esteticista e uma série de assistentes como o assistente do dentista que aqui no Canadá é quem faz a limpeza do seus dentes, o assistente do advogado e por aí vai. Esses todos foram para o college. Claro que alguns depois acabam até indo para a universidade. Eu mesma pretendo fazer isso mas o college acaba sendo a porta de entrada mais rápida, prática e direta para muitos ramos de atividade profissional. E aí que entra a maior lição de todas que aprendi como imigrante.

Se você está chegando e já sabe que quer exercer outra atividade profissional diferente da que exercia no Brasil, vá direto para o college. Não perca seu precioso tempo com cursinhos que o governo oferece para te arranjar uma vaga (mais conhecido como exploração maquiada de "voluntariado"). Até mesmo se você pretende seguir a mesma carreira do Brasil, dependendo do caso o college também é o caminho mais prático. Tenho uma conhecida que era advogada no Brasil chegou aqui e foi direto para o college. Sábia decisão.

Pensei nisso ao ler essa matéria sobre os ramos de atuação que mais empregarão no Canadá nos próximos anos. Também fiquei feliz ao saber que a atividade por mim escolhida e a qual exercerei com paixão (porque de nada adiante fazer algo exclusivamente porque há demanda) está entre as de maior demanda assim como no setor de saúde e tecnologia.

Outro dado que me animou bastante e que só comprova a importância dos colleges para o mercado canadense é que 35% dos novos postos de trabalho deverão ser ocupados por estudantes saidos dos colleges, seguidos por 26% dos graduados nas universidades e 8% por aqueles que não completaram o colegial. Então, se você gosta de estudar, está chegando por aqui e atuava no Brasil em uma área que a demanda aqui não é tão grande, a melhor coisa que você pode fazer é investir seu tempo e dinheiro em um curso (uma ótima fonte para iniciar sua pesquisa é aqui) que de fato vai lhe trazer algo que mais precisamos quando aqui chegamos: um trabalho digno para pagar as contas.








15.12.11

Benefícios

Dia desses, em uma das minhas pesquisas, deparei-me com esse site do governo canadense que pode ajudar aos que estão chegando na província de Ontario a saber quais benefícios podem aplicar dependendo de sua situação por aqui: se tem filhos, estudante, mãe solteira, doméstica e tantos outros cenários.

São tantos programas oferecidos que fica confuso saber a qual benefício você tem direito. Então fica a dica para aqueles que possuem o cartão de residente permanente ou são cidadãos canadenses.


7.12.11

Tudo novo de novo.

Há cinco anos eu deixava o Brasil com inúmeras dúvidas e uma certeza: não buscava no Canadá uma carreira. Já havia construído uma no Brasil e, se quisesse avançar, era no Brasil que deveria ficar. Sabia disso. Sempre soube. Buscava muito mais que um título bonito no currículo e-ou uma conta bancária mais polpuda.

Buscava um estilo de vida diferente. Encontrei e gostei. Os títulos do currículo foram apagados e a conta bancária diminuiu. Os anos passaram, vi e vivi altos e baixos ao tentar me recolocar no mercado de trabalho. Tentei. Mudei. Replanejei. Reinventei e cansei. Hora de parar para realizar outro sonho: o de ser mãe. Engravidei. Optei por ser mãe em tempo integral e ficar com meu filho em casa. Escolha mais acertada não há! Mas os filhos crescem e a alma inquieta precisa de algo mais.

Desde que saí do Brasil tinha comigo a certeza de que trabalhar com crianças sempre foi uma paixão antiga nunca realizada. E dizia para mim mesma que trocaria de profissão se preciso fosse para poder ficar no Canadá. Hora de tirar o plano da gaveta. A partir de janeiro de 2012 serei oficialmente uma estudante do Sheridan College fazendo o diploma de Early Childhood Education (Educadora infantil)

A principio vou estudar à noite, no curso part-time, porque a formação do meu próprio filho ainda é prioridade. Dessa maneira não preciso tirar dele o privilégio de ter a mãe como primeira referência e de mim mesma os melhores momentos da minha vida. Nunca estive tão feliz! Zerada. Renovada.

Desde que o Arthur nasceu, há dois anos, eu venho frequentando programas para crianças pequenas oferecidos pela prefeitura, biblioteca e centros comunitários e cada vez que sento no chão com as crianças tenho mais certeza de que é esse o ambiente de trabalho que a Paula do futuro quer. A Paula dos próximos cinco anos quer. Quando chegamos no Canadá o que mais recebemos nos cursinhos oferecidos ao imigrante pelo governo são treinamentos para as entrevistas de emprego e uma das perguntas mais feitas é "Como você se vê daqui a cinco anos?"

E a resposta da Paula é : "quero ver o brilho dos meus olhos refletido no brilho dos olhinhos puros e sinceros de uma criança". Quero ter o meu nome repetido por um pequeno que está aprendendo a falar e já demonstra que eu faço diferença na vida dele. É isso que tenho visto por aí, com o meu filho. É isso que quero ver para mim.

Então agora é esperar pelo início das aulas em janeiro e de um novo começo. Com a diferença importante de cinco anos nas costas de Canadá, de saber o que funciona e o que não funciona no que diz respeito ao imigrante e, não esqueçamos, dos 37 anos de experiência muito bem vividos que completarei agora em dezembro e que, tenho certeza, farão toda a diferença ao iniciar uma nova carreira.

E, do que eu conheço dessa alma inquieta, esse será apenas um primeiro passo. Do college para a universidade. Da universidade para uma especialização mas tudo, tudo ao seu tempo. E tendo, sempre como prioridade a formação do meu filho antes de qualquer outra criança. Quando a base dele estiver bem sólida aí sim estarei totalmente pronta para fazer o mesmo pelos filhos dos outros e ser paga por isso. Enquanto isso vou adquirir conhecimento e receber o meu diploma de educadora infantil. E que venha 2012. O ano que dará início a um novo começo, a tudo novo de novo.





17.11.11

Academia feminina

Desde que engravidei e diminuí, por razões óbvias, a intensidade de atividade física que pratico, meu corpo vinha gritando pela volta ao que considero a prática regular de aitividade física, ou seja, diária.

Primeiro aparecem as linhas paralelas mais felizes do mundo naquele pequeno bastão comprado na farmácia. Sim, você vai ter um filho! Depois nove meses de gestação, 10 meses amamentando e mais todo o primeiro ano de vida da cria para a adaptação de todos à nova realidade.

Daí que não precisa ser nenhum Oswald de Souza para fazer as contas e concluir como, apesar de muito ocupado com o feliz mas tumultuado universo do primeiro ano da maternidade, meu corpo estava enferrujado e gritando por atividade física que não fosse abaixar para pegar brinquedo no chão o dia todo, colocar e tirar criança da cadeirinha do carro, tirar e colocar do berço e por aí vai...Gritava mesmo, pedia flexões de braço, abdominais, corrida, movimento!

Era setembro de 2011, a cria já andava, falava feito um papagaio, não mais mamava no peito e tudo que fazia era repetir o dia todo que queria fazer tudo sozinho! Ah, o tão sonhado momento havia chegado. Mãe se dá conta de que não tem mais um bebê em casa, eba! Claro, ainda tem uma criança pequena o que consome muito ainda mas o bebê já não estava mais ali! Que gostoso! Independência para a mãe, independência para o filho!

Então, em mais uma das rotineiras idas ao mercado com seu fiel companheiro, o pequeno Arthur, eis que em um daqueles momentos mágicos a mãe olha para cima e lê a informação que mudaria sua vida: "Goodlife Fitness for Women"

Em cinco anos de Canadá jamais havia frequentado uma academia por aqui por duas razões: nunca gostei de academia, a minha vida de atividade física sempre envolveu artes marciais, corridas e esportes como basquete, futebol, etc. E não menos importante, sempre assumi que elas eram mais caras do que o orçamento familiar poderia aguentar. Entretanto, o corpo gritava tanto por exercício e a placa salvadora dizia que havia uma creche dentro da academia onde as mamães poderiam deixar seus filhos lá enquanto malhavam. Bom demais para ser verdade pensei! Vai custar "ozóio da cara" como diria o caboclo!

De novo, o desespero por voltar a fazer algo que me lembrasse que antes de ser mãe existia alguém que amava se exercitar era tanto que resolvi entrar e me informar. Enquanto a gerente ia me mostrando as instalações, a creche, os banheiros com toda a infra, a sala onde aconteciam as aulas, eu ia pensando cá com meus butões: "Vou sair deprimida daqui porque isso aqui é muito bom e com certeza é carísssiiiimo e não vou poder ficar".

Ao final da visita, ao saber o preço incluindo a creche do Arthur eu assinei o contrato no ato! Claro que não é baratinho mas é totalmente acessível. Resultado: desde setembro sou uma pessoa mais feliz porque frequento todos os "bodys" que a academia oferece (nomenclatura para as aulas). Um dia é o body combat, no outro body attack, na quarta body step, quinta body vive e na sexta body flow. Enquanto cuido da minha mente e do meu corpo meu filho brinca com as "tias", segundo ele, e todos ficamos mais felizes.

Mas o curioso mesmo é que essa academia, que por sinal é a maior rede do Canadá, ela é exclusiva para mulheres. Homem não entra. Homem não trabalha lá. Um ambiente totalmente feminino. Dia desses tinha um aviso enorme no mural avisando que dia tal UM HOMEM iria entrar no recinto para arrumar a sauna e o chuveiro! Achei muito divertido, parecia que o aviso nos previnia de um alien que chegaria:) Brincadeiras à parte, entendo totalmente o conceito que acaba virando um nicho de mercado pois muitas mulheres aqui no Canadá são muçulmanas e não podem mostrar o corpo perto de um homem, daí elas ficam totalmente à vontade por lá. Sem contar que muita gente detesta ir à academia para ficar sendo paquerada, principalmente as mulheres casadas e mães!

Quem estiver chegando no Canadá e quiser uma academia eu recomendo muito a Goodlife Fitness e se vocÊ vier morar em Mississauga e tem um filhote pequeno procure uma filial que tenha "for women" no nome. São essas que precisam te avisar quando um encanador precisa entrar lá. Tá vendo! Se ao menos tivesse um Pereirão por aqui não haveria esse problema:)

17.10.11

Discutindo a relação de 5 anos

14 de setembro que passou completei cinco anos vivendo no Canadá. Eu não podia deixar essa data em branco mas como estava passeando no Brasil, acabou que não postei na data certa. De qualquer maneira, tamanho acontecimento ainda merece um post.

Costumo dizer que o imigrante passa, de acordo com o tempo que vive fora, por algumas fases em sua longa jornada longe de sua pátria mãe:

Primeiro ano - fase lua de mel, romântica e ainda extasiada pelo sabor da conquista em ter chegado em território canadense, o que não é pouca coisa!
Segundo ano - fase baixando a poeira e colocando as coisas no lugar.
Terceiro ano - novas conquistas, lutas, algumas frustrações e a luta por pertencer.
Quarto ano - início de um balanço, reflexões, estou no caminho certo? Qual o caminho certo afinal?

De alguma maneira, quem chegou aos cinco anos de Canadá acaba passando pelos estágios anteriores. Enquanto vivia os anos interiores me perguntava qual seria a etapa em que eu entraria ao completar cinco anos de Canadá. E eis que completei cinco anos!

Ainda não sei bem definir como chamaria essa fase dos cinco anos, portanto acho mais fácil pensar nela como o famoso DR (discutindo a relação).

Isso mesmo! Estou discutindo a minha relação com esse maravilhoso país chamado Canadá que me acolheu...Espera um pouco. Quem acolheu quem? Não raras vezes eu tenho minhas dúvidas de quem acolhe quem. Tendo a achar que o imigrante acolhe e adota o país escolhido muito mais e com muito mais fervor do que o próprio país em questão deveria fazer. Aliás, tenho certeza disso. E talvez aí resida o principal motivo pelo qual é muito natural encontrar os imigrantes discutindo a relação, não com o namorado ou com o marido, mas com o país. No caso, o Canadá.

Eu e ele (o Canadá) ainda estamos no início desse processo que não sei bem quanto tempo pode levar mas estamos fazendo um levantamento de quem deu mais em nome do que sabe? E como eu tenho esse hábito de fazer balanços de cinco em cinco anos em minha vida, nada mais natural do que discutir uma relação que já dura cinco anos! Onde quero estar em mais cinco anos? Como quero estar? Vivendo de que jeito?

É isso Canadá. Por hora sigamos em frente. De fato você me oferece inúmeras vantagens. Vantagens essas que, sei bem, só as encontro por aqui. Entretanto, ainda preciso ver muito mais do seu lado do que do meu para que sigamos com mais cinco e cinco e mais cinco anos juntos.

E nessa barganha, que é a relação do imigrante com o Canadá, ainda dou mais do que recebo. Não tem problema Canadá, dou porque posso, porque quero, porque tenho forças e amo viver aqui mas até quando? Mais cinco ou cinquenta anos? O tempo vai dizer e por hora sigo vivendo e cantando essa linda oração ao tempo que agora ouço na maravilhosa voz da Maria Gadu.

E que venham mais quantos anos forem possíveis e ou desejados e necessários!

7.10.11

Voz interior

Estou de volta. De volta à Toronto. De volta ao Canada. De volta à minha casa e, portanto, de volta ao blog. Estive em férias. Passeava pelo Brasil e revia queridos amigos e familiares. Foram frenéticos 30 dias que ficarão sempre em minha mente.

Estava com saudades. Saudades do blog. Saudades de casa. Saudades do marido que voltou antes.

Já estou com saudades. Das risadas, dos abraços, carinho, beijos, risos e palavras ao vento que lá ficaram. O consolo é que não ficaram só no Brasil mas também no meu coração e lá sempre estarão. Pena não podermos ter todos que amamos juntos em um mesmo lugar não é?

E por falar em coração é justamente à ele que sigo quando continuo no Canadá. Ainda, apesar de todas as lutas, tropeços. Acertos também claro mas há uma voz que fala comigo que, apesar de querer que todos os queridos do Brasil estejam sempre comigo, devo e quero ainda continuar no Canadá.

Eu sempre soube que seguia meu coração no que estou fazendo enquanto imigrante mas essa semana, em especial, com a morte de um gênio inspirador como Steve Jobs, suas palavras bateram mais forte ainda quando dizia: "...You can't connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. Your have to trust in something - your gut, destine, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life".

De fato Steve, confio que, de alguma maneira, os pontos conectarse-ão lá na frente no meu futuro. Sinto isso, algo fala. Não sei dizer bem como mas fala. "Listen to that voice in the back of your head that tells you if you are on the right track or not", continuava a mente inovadora que tocou vidas no mundo todo das mais diversas maneiras. Devo dizer que, por vezes, essa voz fica um pouco confusa e, principalmente, em momentos sensíveis como a volta das férias. Entretanto, Steve, ela ainda me fala que estou no caminho certo e devo seguir lutando.

Mesmo que, por muitas vezes, os pontos pareçam não ter conexão nenhuma com nada nesse instante eles vão fazer sentido em um futuro não tão distante. Ao menos é o que diz a minha voz interior Steve e, para homenagear essa mente brilhante e a todos os imigrantes que estão tentando ouvir aquela voz interior dizer se estão no caminho certo, eu lembro um conhecido muito criativo que agradece muito a Steve Jobs pois não fosse ele (Steve) estaria fadado a usar um PC até hoje:) Faço minhas suas palavras!




15.8.11

A Pá

Como de costume, ao menos até que o verão no hemisfério norte termine, mãe e filho brincam na areia do parquinho no fundo do quintal de sua casa. O ritual diário, seguido há quatro meses , já rendeu muitas amizades para o pequeno Arthur e sua mãe que parece pertencer ao mundo infantil. Ela (a mãe do Arthur) acha até que deveria tirar o sustento desse prazer mas isso já é assunto para um outro post.

Na casa da coruja de porcelana que faz o pequeno Arthur parar todos os dias para falar oi e tchau para a "cocuja", moram as gêmeas Ema e Meredith (as primeiras melhores amigas do Arthur) que do alto de seus onze anos se encantam com o Arthur e funcionam como líderes do território dividido pelos pequenos vizinhos. Além delas há mais uma dúzia de crianças e cachorros. Aliás, mamãe Paula dia desses se deu conta de que sabe o nome de todas as crianças e cachorros da rua mas não sabe o nome dos pais das crianças nem dos proprietários dos cães. Talvez porque o horário de trabalho da mãe Paula seja o mesmo das crianças e o "escritório" o tanque de areia.

Dia desses o cenário do escritório de areia, digo do tanque de areia, mudou! Um bando de 4 crianças novas na vizinhança chegou por ali. Arthur e Paula, como de costume, foram logo se enturmando. Coversa vai, conversa vem, todos muito concentrados em seus afazeres de cavar e construir castelos de areia quando o pequeno Arthur chega para a pequena (canadense filha de indianos) que usava uma pá e diz : "A pá"!

A pequena mais do que espantada diz: "A pá" é o nome do meu pai! A mãe Paula usa de todos os recursos psico-neurológicos de que tem conhecimento para segurar a gargalhada e respeitar a multiculturalidade em que habita, respira fundo e diz: "A pá" é como chamamos esse objeto que você está usando em Português. A pequena faz uma expressão de "como isso é possível" e segue executando seu projeto na areia.

Portanto, se você mora aqui no Canadá e de repente ouvir no escritório alguém pedindo "A pá" já sabe que é um dos seus colegas indianos que está sendo requisitado. Isso que dá morar por essas bandas! Ao menos encontrei um nome Indiano que sou capaz de pronunciar:)