9.11.09

20 anos da queda do Muro de Berlim

Em 2002, durante um mochilão que eu e o marido fizemos pela Europa, tive o privilégio de conhecer Berlim, uma das mais belas cidades que já visitei mundo afora!

E claro que nesta viagem não poderia faltar a visita aos restos do muro de Berlim. Fomos também ao que foi o campo de concentração em Dachau, visitamos o CheckPoint Charlie e muitos outros locais relacionados ao período em que havia duas Alemanhas.

Sempre guardarei excelentes recordações desta viagem fantástica que fizemos mas esta semana, por conta das celebrações mundo afora dos 20 anos da queda do muro de Berlim, refiz todo o trajeto mentalmente e foi como se estivesse lá de novo. Não bastasse isso, o UOL entra em contato comigo pedindo autorização para publicar uma foto minha (tirada pelo marido fotógrafo em 2002) em frente aos restos do muro grafitado.

Autorização concedida e eis o resultado nesta bela galeria de fotos que o UOL montou com imagens deste ícone que é o muro de Berlim. Já deixei aberto na nossa foto (sim, sou eu mesma aí de casaco preto, cabelos longos e 7 anos menos experiente:) Vale conferir! E viva a queda!

Nossas preciosas recordações do Muro de Berlim:



21.10.09

De volta para casa

Após curtir muito o carinho dos familiares e de bons e velhos amigos no Brasil, estamos de volta para casa. Eu, o marido e o Arthur que terça que vem completa sete meses de vida no meu ventre! Voltamos felizes, descansados e com todas as baterias recarregadas para a reta final da espera pelo Arthur.

Apesar de ser muito bom passear e estar perto de pessoas muito especiais, voltar para casa é sempre melhor ainda. Ir é bom e voltar também. Assim como a bela canção de Vinicius de Moraes diz que depois da chegada vem sempre a partida, eu concluo que sempre que aproveitamos cada minuto do presente como se fossem únicos não carregamos conosco o amargor da nostalgia mas sim a felicidade dos momentos vividos. O meu momento agora é cuidar da minha vida e preparar tudo para a chegada do meu filho - magia pura!

Este post é uma homenagem aos especiais e queridos amigos e familiares que fizeram de nossa estada no Brasil uma experiência inesquecível. Ai vai um resuminho de momentos que foram vividos como sendo únicos para que outros sempre venham.

14.9.09

3 anos de Canadá

O tempo não anda para trás. A mente é que possui uma capacidade inesgotável de lembrar o que passou e, para tanto, não categoriza. Lembra o bom, o ruim, o feliz, o angustiante...Enfim, revive. Claro que nossa vontade ajuda a deflagrar o que estava guardado disparando as sinapses que nos interessam mais.

Eu particularmente nunca fui muito de datas e rituais formais. Não é de hoje. A última celebração mais formal de uma data específica que me lembro ter participado foram os meus 15 anos. Nada contra grandes e mais formais celebrações, acho até bonito - para os outros. Choro em casamentos de amigas minhas e conhecidos mas eu mesma casei apenas no civil e de lá segui direto para a minha lua de mel (ah, essa sim valeu!). Participo de formaturas e continuo achando lindo, mas em todas as minhas formaturas eu nunca quis participar dos momentos solenes. E nunca participei.

Sou assim. Prefiro achar que todo dia tem algo de muito especial que vem junto com eles e que observo à minha volta quando sinto o cheiro da flor, caminho em meio às arvores, vejo o sorriso de uma criança e sou acolhida no abraço de quem me ama. Sou mais o viver o dia a dia como se fosse o último do que ficar celebrando em excesso determinadas datas em um específico dia pré-determinado.

No entanto, há uma data que eu faço questão de celebrar e lembrar sempre! Ah, essa é sagrada. O tempo de vida que tem o nosso projeto de viver no Canadá. E hoje é o dia em que, há três anos exatos, aterrisávamos no Pearson (o aeroporto de Toronto) para arriscar, sonhar, chorar, sorrir, apostar, acreditar, crescer, aprender, ensinar, tropeçar, cair, levantar e cair de novo. Enfim, viver a mais enriquecedora de todas as experiências de nossas vidas - a imigração.

E como vivemos! E ainda estamos vivendo firmes e fortes na certeza de que fizemos a coisa certa. Aí você se pergunta se a coisa certa é imigrar para o Canadá. E eu respondo não! A coisa certa é seguir os seus mais profundos desejos mesmo que para isso você precise enfrentar enormes dificuldades e ser feliz por estar vivendo o que você escolheu para si e não o que lhe foi impingido!

Estar feliz por saber que, mesmo que a caminhada seja longa (e ela é), os primeiros passos foram tomados e não prorrogados. Que mesmo tendo tropeçado muito no início, a estrada vai ficando menos tortuosa com o passar do tempo. Que mesmo que a saudades de familiares e queridos amigos seja sua eterna companheira, seus entes queridos (aqueles que de fato te amam) estão felizes por saber que você está escrevendo a sua história!

E sempre lembrando que, ao contrário do tempo que não anda para trás e a montanha que insiste em ficar lá parada (como canta meu eterno ídolo Arnaldo Antunes), nós temos a obrigação de continuar escrevendo o nosso enredo de acordo com a melodia que mais nos encanta ao coração. Por isso, vamos pegar as sementinhas que plantamos nestes últimos 3 anos de Canadá e trabalhar duro para que elas um dia gerem frutos nessa vida que escolhemos para nós. Mesmo que para isso tenhamos que esperar os mesmos 10 anos que o pé de jaboticaba do quintal dos meus pais demorou para dar os primeiros frutos. Resultado : hoje, 24 anos depois, o pé continua lá dando belas e doces jaboticabas... Sempre!

Feliz aniversário de 3 anos para nós!

1.9.09

Férias de imigrante

Estive pensando. O estado de ser imigrante deveria estar catalogado entre as profissões como engenheiro, médico, enfermeiro e assim por diante. E, regulamentado como tal, o imigrante "profissional" deveria, obrigatoriamente, gozar de férias frequentemente para manter sua sanidade mental em dia. Claro que as regras deveriam ser claras, como já diz Arnaldo Coelho, ou seja, em dois anos na carreira de imigrante a obrigatoriedade de férias pelo menos uma vez por ano e a partir de 3 anos na labuta, duas vezes por ano e assim sucessivamente.

Quanto mais tempo na carreira de imigrante mais importante para a sanidade mental do imigrante sair de férias. Detalhe importante da nova lei promulgada por mim : o destino das férias não pode ser qualquer um mas sim o país de origem do imigrante em questão. Portanto, no caso de brasileiros imigrantes espalhados mundo afora o destino: Brasil. Sim, porque não se trata apenas de visitar locais nunca dantes navegados ou explorar novos destinos, situações e culturas. Lembrem-se, isso o imigrante faz todos os dias em sua carreira exploradora e muitas vezes sofrida.

As férias neste caso seriam de um estado mental e emocional de ser imigrante que , por mais que o tempo passe e o mesmo se adapte à tudo em sua volta, lá onde ele está, em qualquer que seja a parte do mundo longe de suas origens, ele sempre será imigrante! Aos pouquinhos cresce, adquire mais conforto, faz amigos e as coisas vão melhorando mas mesmo assim, eternamente o estado de espirito está lá.

Aí, o imigrante volta para o seu local de origem para passear. E essa sou eu agora, gozando de merecidas férias do estado mental de imigrante na minha terra natal. Prestes a completar 3 anos na carreira de imigrante (dia 14 de setembro mais especificamente), revigoro meu espírito quando ando pelas ruas de uma pequena cidade do interior de SP que, mesmo vindo uma vez por ano, as referências todas de minha vida pré - imigrante estão lá. Além, é claro de pessoas que (aqui estou excluindo familiares e amigos. As chamaria de conhecidos) fizeram parte de toda a minha história e até hoje, não importa quanto tempo fico longe, tratam-me com o mesmo carinho e sorriso no rosto de outrora. Isso revigora, dá forças e energia para, no pós férias, voltar para a carreira de imigrante.

Quem já imigrou, está ao menos um ano longe de suas raízes e já gozou de suas férias de imigrante, sabe bem a diferença entre a atmosfera vivida pelo "profissional" imigrante em sua árdua batalha mas que nem por isso deixa de ser prazerosa por vezes, e aquela vivida em sua terra natal, independente do tempo de "profissão" .

Sim, gozo de férias no Brasil neste momento e vivencio como se fossem os últimos cada momento vivido onde não sou apenas mais uma imigrante mas sim alguém com história, passado, referências. Não que andar para frente, explorar e ter planos não sejam importantes mas é que isso, uma vez que se é imigrante, faz-se a cada segundo por todo sempre e, pelos primeiros 5 anos apenas construindo alguma história, ou seja, sem passado no local escolhido. Aí , naturalmente faz falta voltar de vez em quando para onde você enxerga no rosto do outro o que outrora passou.

E claro, sem falar em quão revigorante é dar uma passadinha na feira para comer um pastel, bater um papo descompromissado no boteco da esquina, molhar a horta, sentir o cheiro da terra e viver o momento das férias para, no retorno , continuar a enriquecedora mas muitas vezes desgastante "profissão" de imigrante!

17.8.09

O nosso Arthur


Há duas semanas descobrimos que estamos esperando um menino e o mais curioso foi que ao sairmos da clínica após o ultrassom que detectou o sexo, olhamos um para a cara do outro e já fomos logo afirmando: "É o Arthur que está aí na sua (minha) barriga!"

Mas isso não aconteceu da noite para o dia. Acho que tem uns dez anos que eu penso comigo mesma que se um dia Deus me desse o privilégio e a benção de gerar um filho e, se fosse homem, daria a e ele o nome Arthur. Simples assim. Então não tivemos o problema enfrentado por muitos de ter que fazer muitas pesquisas e consultas. A única preocupação sempre foi de ser um nome que soasse bem e não sofresse grandes alterações nem no Canadá e nem no Brasil.

Mesmo sem nunca ter visto o rostinho do Arthur e faltando aí mais quatro meses para termos ele em nossos braços, ele já está muito presente em nossas vidas (o meu sogro até brincou dia desses que lá na casa dele é um tal de tudo ser para um tal de "gringo" rsrs ).

Inspirada pelo Arthur, meu filho, resolvi que queria rever um dos meus filmes favoritos que conta a lenda do rei Arthur, aquele em que o maravilhoso (sorry marido:) Clive Owen faz o Arthur. Coincidentemente o canal BRAVO reprisou ontem o belo filme e eu e o marido (que também já leu vários livros da lenda, incluindo as Brumas de Avalon) ficamos grudados na telinha revendo o filme e imaginando como será a carinha do nosso Arthur!

10.8.09

Colunista do Mundo Blogs

A Gisela Garcia, jornalista capixaba que reside em Curitiba, fez o convite e eu aceitei. Faço parte do time de colunistas mundo afora que dão vida ao MundoBlogs. Já essa semana vocês podem conferir o meu terceiro texto por lá intitulado "Antropologia da nova gripe". Antes dele, escrevi "Que tal uma corrida pelo cemitério?" e devo continuar meus relatos aqui de Toronto frequentemente.

É com muito prazer que embarco neste projeto, ainda em seus primeiros passos, de proporcionar aos leitores opiniões diversas sobre assuntos relacionados à experiência de viver em cada canto deste mundão gigante mas ao mesmo tempo sem fronteiras.

O que a própria idealizadora do projeto, a Gisela, diz no editorial resume bem o propósito do portal : "No Mundo Blogs não queremos divultar pontos turísticos. Não queremos divulgar nada, para ser sincera. Espere aqui relatos do nosso dia-a-dia. Nossa intenção - se é que temos alguma intenção real além de escrever o que sentimos vontade - é mostrar as cidades onde moramos com os detalhes e curiosidades que ninguém conta, que nenhum site publica, que nenhum agente de viagem conhece. Espere aqui o lado bom e o lado ruim que toda cidade possui, com a visão de alguém que vive inserido no cotidiano deste lugar..."

Parabéns Gisela pela iniciativa e espero informar e divertir os leitores do MundoBlogs sempre! Passem lá que vale a leitura inclusive de colunistas espalhados em diferentes estados brasileiros.


21.7.09

Dona cegonha vem nos visitar...

(*Imagem by Anne Guedes).


Caminho nas ruas e vejo as pessoas com outros olhos... Paro. Penso. Concluo: "cada ser humano deste iniciou sua jornada dentro do útero de suas mães!"

Olho para os lados e, de repente, noto o tanto de mulheres grávidas à minha volta. Onde quer que eu vá! É a explosão populacional. Mas espera aí, não é não. Elas sempre estiveram lá, no mercado, no ônibus, no escritório, na feira, na farmácia. Sim, claro! Eu é que não via com os mesmos olhos de agora. Olhos de empatia por cada segundo de vida que é gerada dentro do útero de cada uma destas mulheres.

Ainda enxergo os meus pés, afinal começo agora o quarto mês do milagre que é o início da vida mais conhecido como gravidez. Entretanto vejo a pontinha de uma barriga que traz uma felicidade que eu nunca senti antes na vida. Completa, infinita e indescritível. A cada dia, o meu corpo muda, fala, ganha vida própria!

E as vezes até tenho a estranha sensação de estar participando de um experimento científico e que algum chip foi injetado em mim e agora é comandado, à distância e via controle remoto, por outrém que não eu! Embarco com o maior prazer nesta jornada sem controle. Uma hora choro, outra tenho acessos intermináveis de riso descontido. Choro porque o feijão que eu pretendia cozinhar acabou antes do planejado, disparo a rir porque o marido deixou algo cair no chão. Totalmente nonsense, sem controle. Uma delícia de descontrole, pois sigo na jornada fantástica da descoberta do que ainda está por vir.

Se mesmo a minha cabeça adulta, grávida mas adulta, sentiu nos primeiros 3 meses inteiros uma sensação que misturava encantamento e surrealismo ao mesmo tempo, que dirá a cabecinha de um pequenino garoto de cinco anos que me fez presenciar a cena mais linda de todas desde que soube que estava grávida. Em churrasco da empresa do marido, em um momento do dia, digo ao pequeno que há um bebê crescendo dentro da minha barriga e eis a sequência do diálogo:

"Isn't this food? (mas não é comida?)" - diz o espantado menino.
"No. There is a baby growing here ...(não. há um bebê crescendo aqui) - respondo eu contendo meu riso.

Instintivamente ele acaricia a minha barriga com um carinho e naturalidade típicos das crianças e diz: "Hi, baby.."

Não bastasse este momento mágico, no final do churrasco fomos nos despedir da mãe do menino em questão e ele veio correndo até mim, colocou os seus ovidos na minha barriga como que querendo estabelecer uma comunicação direta que só as crianças são capazes de ter com os bebês ainda no útero e saiu com essa:

"Can we open the baby now?? (podemos abrir o bebê agora?)" - indagou inquieto.
"No. Not yet, I am not prepared (Não. ainda não, não estou preparada... risos) - respondi.

Diante da resposta ele acaraciou novamente a minha barriga e disse "bye baby. see you later". E tem sido assim, desde que eu descobri a gravidez. Um momento mágico atrás do outro. Ah, a cegonha já programou a sua visita para dia 05 de janeiro e nós a aguardamos na maior felicidade do mundo!