30.9.06

A primeira noite no apartamento

Por volta das 17h30 do dia 29 de setembro pegamos um taxi e deixamos o centro em direçao ao norte de Toronto. Como estávamos na hora do rush de Toronto (claro que nada comparado ao mesmo momento em SP) o taxista pegou uma via expressa ao invés de cortarmos pela cidade (o que seria mais curto mas naquele horário demoraria mais). No caminho, a bela paisagen de outono (a minha amiga e agora vizinha Dani já bem definiu Toronto como sendo uma cidade dentro de um parque) com as folhas das árvores já vermelhas e amareladas, tomavam conta das duas laterais da rodovia.

Mais parecia que estávamos indo para o litoral ou qualquer coisa do gênero de tanto verde, ou melhor, tanto amarelo e vermelho nesta altura do ano!! Ao chegar no condomínio, já nos sentíamos em casa. A recepcionista (imigrante vinda da Guiana) se identificava conosco por sermos do Brasil. Enquanto descarregávamos as malas e trocávamos informações geográficas com a recepcionista, o simpático casal de proprietários veio ao nosso encontro!

Por mais que eu escreva, acho que nunca vou conseguir passar para quem nos lê o quanto fomos bem tratados, recebidos e, principalmente, como estamos (até hoje) estupefados com tudo que estamos vivendo! Mas vamos lá, vou tentar. Até chegarmos e descarregarmos tudo, foi por volta das 18h30 que entramos em nosso novo lar.

De um lado a Antonette (proprietária do imóvel) me mostrava todas as máquinas e suas funções, fogão (queridas vizinhas de North York, o primeiro bolo que eu queimar neste forno vou até aí tomar umas aulas com a Mirela), seu marido oferecia cerveja para o Maurício! Ao fundo, o som de um jazz vinha do aparelho de som debaixo da singela TV tela plana de 42 polegadas na sala (desculpem mas era impossível prestar atenção em qualquer outra coisa dentro da casa!). Parecia que estavamos no Bourbon Street batendo papo com velhos amigos.

A sensação que tive era que estávamos visitando amigos e não chegando para fechar negócio com proprietários de um imóvel. Depois de mais de uma hora de papo, ambos já quiseram ficar com nossos currículos (eles trabalham para um laboratório farmacêutico e o cara já trabalhou na Johnson & Johnson) e já os levaram (uma vez que estamos preparados para tudo. Nunca se sabe!) Em um país onde dois terços da população é formada por imigrantes (segundo censo recem divulgado) e que chegaram e começaram suas vidas exatamente como estamos fazendo agora, o senso de solidariedade e gratidão é muito forte com os que chegam.

O casal de Filipinos que chegou no país há 20 anos, não cansava de dizer que nos ajudaria no pudesse! É o que eu chamo de pura identificação, pois eles também chegaram como nós e sabem exatamente o que sentimos nestes primeiros momentos. Pagamos o mês de outubro (não cobraram os 3 dias de setembro) , ela assinou um papel do meu caderno dizendo que recebeu o nosso dinheiro , nós ficamos felizes e contentes e lá fomos cuidar do que ainda faltava. Eu fui às 8h50 comprar travesseiros e jogo de lençol na Sears (que fechava às 21) e o Maurício para o supermercaco comprar água.

Em cinco minutos eu estava lá na Sears (que fica dentro do metrô),ouvi a voz sem rosto dizer fechamos as 9 , comprei o que precisava para aquela noite e quando estava no meu caminho de volta , antes de abrir a porta de saída preparava-me para colocar o casaco novamente (todos os ambientes internos são muito quentes e não consigo ficar de casaco). Um moç o que passava abriu a porta e ficou segurando na espera para que eu passasse.

Eu disse – obrigada mas ainda vou vestir o meu casaco. Ele disse , tudo bem eu espero . Ele esperou, eu coloquei o casaco e passei . Eu disse obrigada e voltei para casa DORMIR COM A CERTEZA DE QUE ESTOU NO LUGAR CERTO. Sempre quis morar em um lugar onde o respeito, a educação e a cidadania imperam!!

6 comentários:

Fernanda disse...

Me delicio com seus relatos.. a espera de um dia poder viver o que vcs estão vivendo! É bom saber que todos os dias poderei ler o blog de vocês e que as informações que encontrarei me darão mais força para alcançar o nosso objetivo. Torço muito por vcs...
Um beijo
Fernanda

Renata disse...

Muito inspirador o relato de vcs!
Cada dia fico com mais e mais vontade de ir embora!
Sempre sonhei também em morar num lugar onde houvesse respeito!
Acho que ainda chego lá....
Beijos

Lizete disse...

É isso aí ,meninos ...Deve mesmo ,ser maravilhoso sentir-se :seguro ,cercado de carinhos ,e,
atenções e ,principalmente,de EDUCAÇÂO!! Voces merecem ,pois muito lutaram para aí chegarem e,isso eu bem sei....Curtam vivam ,aproveitem e...qdo. ouvirem alguma dessas notas tristes do Brasil ,pensem :"Que DÓ"!Dê ,um beijão nesse casl(proprietários)
pois ,quem meu filho "beija" ,minha boca adoça!
Abraços..beijos e...saudades.Lizete

ROGÉRIO & LUCI disse...

Olaaaaaaaaaaaaa
Sejam bem Vindos!!!!
Parabens pro mais esta etapa eh muito bom se sentir em casa.
qualquer hora te faco uma visita.
Beijos

Dani e Rafa disse...

Oi,
Este negócio de abrir/segurar portas e esta educação que não estamos acostumados definitivamente nos tira do sério. Por diversas vezes eu olho para o Rafa, e falo "Mas é isso mesmo que estou vendo?" É uma sensação indescritivel, que eu acho que todo mundo deveria ter pelo menos 1X na vida. Quem sabe assim o mundo não seria um pouquinho melhor!? Beijos.

Anônimo disse...
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