25.9.06

Com que Roupa eu Vou ??

Não é nenhuma novidade para ninguém que viver é escolher, optar e até mesmo definir situações. Desde que nascemos fazemos escolhas. Desde as mais simples como a roupa que vestir ou qual música ouvir até as mais importantes como onde morar, com quem dividir todos os momentos da vida e onde trabalhar.

Também não é novidade que, em qualquer lugar do mundo, quando alguém opta por algo deixa outras milhares de opções de lado e nem sempre convive bem com o que eu chamo de síndrome do "SE" - O que teria acontecido SE eu tivesse optado por morar aqui e não ali?

Deparei-me com esta questão hoje ao acordar (e viva o ócio criativo!) pensando especificamente na realidade do imigrante (estes somos nós agora!). Se a realidade das escolhas é inerente ao ser humano em si, com o imigrante então nem se fala!

Imigrar (independente do local) é literalmente recomeçar. Mais, imigrar é fazer escolhas sem base de referência pessoal e para simplificar vou chamá-la de (RP). Explico - quando estávamos em São Paulo tínhamos nossas importantes escolhas e decisões para tomar - Onde vamos morar? Depende de onde um dos dois está tralhando (RP).

Vamos passar o próximo feriado na sua ou na minha mãe? Na minha que é mais perto e o feriado é curto (RP). Vamos ter um ou dois carros? Um apenas porque um trabalha ao lado do mêtro e não precisa dele (RP). Vamos morar em casa ou apartamento? Se na capital em apartamento se no interior casa é mais tranquilo (RP). Vamos fazer pós graduação agora ou não? Sim porque o meu chefe resolveu pagar metade (RP). E por aí vai...

Já o imigrante (olha nós aí de novo), embora nunca deixe de ser quem ele é, deixou suas referências pessoais (RP) para trás. Agora, um novo mundo se abre inteiro para ele! Está ZERADO o cronômetro, eu diria que é praticamente um RENASCER.

E mesmo assim as escolhas e decisões continuam tendo que ser feitas e tomadas respectivamente. Não temos as referências pessoais (ainda, pois isso leva tempo mas constrói-se onde quer que se vá). Então para tudo que vamos escolher levantamos os prós e os contras, pesamos, tentamos encaixar em nossas atuais necessidades e ESCOLHEMOS mas escolhemos sem o que chamei de RP. Este é o começo do IMIGRANTE, daí a decisão de imigrar deve ser carinhosamente bem pensada e principalmente planejada. Exige equilíbrio e auto controle na maior dose que alguém pode imaginar.

Apesar de nossas escolhas ainda não estarem baseadas em RPs (afinal agora somos imigrantes), elas estão sendo feitas e só apuram, a cada dia que passa, nosso equilibrio emocional e auto-controle.

Até mesmo hoje na hora do almoço no bairro Português (onde o atendimento é feito no idioma de Camões) para fazer a minha escolha não havia referência Pessoal alguma. O Atendente da Churrasqueira do Sardinha me perguntou - Você quer o peito ou a perna da galinha? Eu prontamente disse que queria a perna. Isso mesmo PERNA! Os Patrícios chamam a coxa de Perna.. Ainda volto lá para comer o Bacalhau à Gomes de Sá!

4 comentários:

Dani e Rafa disse...

Salut! Comment ça va?
Resolvi que vou treinar meu francês com vc, já que aqui em Toronto ninguém fala nada.
Me explica que negócio é esse de nos fazer passar vontade toda vez que vc fala do Recanto do Sardinha? Não tem uma vez que eu leio que não fico com água na boca. Eu quero conhecer este lugar. Amooo bacalhau! Me passa o endereço depois.
Qto aos RPs, o jeito é dançar conforme a música que tudo se ajeita depois.
Beijos.

Anônimo disse...

Dani disse...
Amiga, adorei o post (olha que progresso...lembra de qdo escrevi minha primeira mensagem pra vc, daqui?..rs).
Sim, vc tem toda razão. Vc vai ter que construir novas RPs em relação a quase tudo, mesmo pq, nesse momento vc está ouvindo muito das RPs alheias que, daqui há alguns meses servirão de referência na comparação das suas novas (será que me fiz entender?..rs)\
Qto aos portugueses (de Toronto), vc ainda vai aprender muitas coisas sobre eles. Inclusive que eles insistem, SISTEMATICAMENTE, em chamar bunda de cu (pode falar palavrão no seu blog??..rs...se vc quiser me deletar eu vou entender! Parentes da Paula, é verdade.... os portugueses de Toronto não são como os portugueses aqui do Brasil, não...nem de longe!!...)

Ah, tenho uma sugestão. Pq o Hummerson não se habilita a falar pra gente das impressões que ele está tendo sobre Toronto.


Beijos
Zuina

Caldêra disse...

Amiga,
Esse é o post mais legal que eu já li aqui no blog (o do gato tbm é o máximo, mas esse ganha).
Eu nunca tinha pensado no lance das RPs e isso é tão verdade que vou passar a prestar mais atenção.
Concordo com a Zuína - o Hummerson deveria escrever pelo menos unzinho. Vcs têm um estilo diferente(e totalmente complementares )e seria uma honra ter registradas as impressões de tão querida pessoa.
No mais, saudades
E como boa descendente lusitana: PQP que vontade desse bacalhau!!! Será que é Toronto que dá esse gostinho especial a tudo?
beijo
caldeira

Lizete disse...

Olá querida!!!Realmente este post está digno de publicação!E isso não é corujisse de mãe ,não, pode ter certeza!!!!!Concordo com os anteriores qdo. dizem que nosso querido "Morrice"deve tb colocar suas impreções:"que se completam"...
Ah!!! qto. ao bacalhau,santíssima ,como tb gosto...."agua naboca mesm"!
Creio q terão q. comer muito!!!!!
Èeee tb não deixa de ser uma RP!!!!
Beijos Lizete