7.6.06

A bolha do Ronaldo e o arrependimento

Se o jornalista e escritor Nelson Rodrigues estivesse vivo ele certamente diria: "Eu não disse!". Como o célebre autor não está mais conosco, vale lembrar sua brilhante obra "A pátria de chuteiras". Para quem mora em São Paulo, há a exposição que vai até dia 14 de junho, no edifício sede do Banco Real, na capital.
A exposição reune um rico acervo futebolístico com fotos históricas das copas, camisas de seleções e chuteiras de jogadores consagrados mundialmente, além da veiculação de vídeos de partidas decisivas. Entre os itens do acervo há destaques como a chuteira de Puskas, usada em 1954; as camisas de Jairzinho "Furacão" (1970), de Paulo Rossi (1982), de Roberto Baggio e Leonardo (1994) e ainda a clássica camisa de Gilmar, da Copa de 1962.

E por falar em chuteiras, não é que uma simples bolha combinada com um par de chuteiras tomou proporções mais para tsunami do que para bolha! Detalhe: o pé e a chuteira em questão são do número 9 da seleção "canarinho" que busca a sexta estrela no peito. Pronto! Foi o que bastou. Pobre do Ronaldo e da Nike...

Façamos um exercício hipotético e imaginemos que o Ronaldo, ao ir para o vestuário durante o intervalo daquele amistoso contra a Nova Zelândia e ao ser indagado pelo repórter, tivesse respondido "não foi nada não" ao invés da natural e tranquila resposta que ele deu: "não é nada não, apenas uma bolha". Naturalmente que a imprensa inflamada da "pátria de chuteiras" não teria gerado tamanha repercussão por causa de uma............BOLHA!!!!!!!!!!
É Ronaldo, infelizmente o que você diz (em plena época de copa do mundo) causa mais comoção e gera mais impacto do que as declarações de qualquer presidente de multinacional e do próprio país. Aliás, quem lembra disso agora? Se ARREPENDIMENTO matasse!
Pensando em como o senso comum encara o ARREPENDIMENTO foi que me ocorreu o exemplo do Ronaldo como mais recente sobre a "questã" (como se diz lá na roça). Ele sim, pode arrepender-se, depois de todo este furdúncio, de ter dito com toda a naturalidade "É apenas uma bolha" exatamente porque ele disse.
Há alguns anos ouvi em algum lugar que não me lembro mais (provavelmente em alguma mesa de bar) a seguinte frase : "SÓ ARREPENDA-SE DAS COISAS QUE FEZ E NUNCA DAQUELAS QUE NÃO FEZ". Gostei tanto que tomei emprestada para mim esta filosofia de vida. Só se arrepende daquilo que você faz. Ao contrário do que imagina o senso comum, não há como nos arrependermos de algo que não fizemos. Você não fez, não sabe como teria sido, não há como arrepender-se.
Prestes a realizarmos o grande sonho e projeto de nossas vidas (hoje somos dois demissionários debaixo do mesmo teto) falavamos sobre isso e como eu tenho ouvido, principalmente de pessoas 10 ou 20 anos mais velhas que eu, "Você está fazendo algo que eu gostaria de ter feito há uns 20 anos"...."Faça mesmo, pois eu pensei e não agi e hoje jamais saberei como teria sido".
Aí reside toda a filosofia que aprendi mesmo em uma das muitas rodadas com amigos em mesas de bar aqui em SP (amigos, isso é o que mais eu vou sentir falta - a fantástica combinação entre amigos e cerveja!) e vamos que vamos, mas não sem antes torcer muito para o Brasil na copa e que os pezinhos calejados dos meninos estejam em sua melhor forma!
Bru, estive revendo a lista de tudo que temos que fazer de hoje até o embarque e a essência dela está no "post" de ontem mesmo. Então, capítulo encerrado.

2 comentários:

Dani disse...

É amiga, devo dizer que, curada a bolha do pé, sobra a bolha do arrependimento e da pressão na cabeça. Coitado do homem!
Em relação a todo o resto:
Que Deus abençoe os que tem coragem. Além dela, eles terão muitas histórias para contar.
A gente não veio nessa vida pra passar em branco fala aí? E não vamos!
beijoca

Paula Regina disse...

É querida, é tenho certeza que todas vcs que me rodeiam e que são especiais também ainda terão muita história para contar! E vc tem toda razão - não viemos à passeio!