9.1.07

Os meus primeiros passos como potencial funcionária padrão

Meu querido diário (alguém lembra disso?),

Hoje resolvi escrever sobre as fases de adapatação que o imigrante (com o meu perfil e mesma área de atuação profissional no Brasil) encara para entrar no mercado de trabalho em Toronto. Em algumas horas vou para a info session (eles gostam de chamar palestra que passa informações desta maneira) sobre o co-op que pretendo começar a frequentar dia 5 de fevereiro.

Fatos que elucidam e facilitam a vida de quem me lê e nunca me viu “mais gorda” (sempre achei esquisita e engraçada ao mesmo tempo esta expressão):

CO-OP Placement Program (pareceria entre escolas e empresas) - maneira elegante que Toronto adotou para entitular os ESTÁGIOS NÃO REMUNERADOS e que acaba sendo utilizada ou por estudantes que nunca trabalharam e precisam ganhar experiência na área de estudo (além de ganhar créditos para o high school) , por trabalhadores mais velhos que por um motivo ou outro ficaram muitos anos fora do Mercado e ……TCHARAN...Imigrantes recém-chegados que não possuem CANADIAN EXPERIENCE e atuam em áreas mais, vamos dizer, HUMANAS e/ou em menor demanda.

Por motivos óbvios e ululantes, para os profissionais de EXATAS (os Its, engineers e analistas da vida) a inserção no mercado de trabalho acontece de maneira mais rápida. Não vou dizer que é mais fácil porque seria uma tremenda de uma injustiça, pois quem está aqui e acompanha estes meninos (meu marido incluído) sabe o valor deles e o quanto de trabalho e transpiração há por trás dos empregos que eles conseguiram. Mesmo para uma área onde 4+4 = 8 em qualquer lugar do mundo.

Bem, mas voltemos à minha pessoa que sempre amou ler, escrever e falar e sempre foi muito melhor no ofício com idiomas em geral (vou morrer, ou melhor, viver estudando idiomas estrangeiros!) que fazendo continhas. Já dizia meu querido pai nos meus tempos de colégio- “Filha, foque nas suas habilidades. Cálculo é um dom. Estude apenas o suficiente para passar no vestibular e fazer o curso para o qual você realmente possui habilidades”. E o meu sábio pai estava certo! As always…

A minha formação é em jornalismo (Faculdade Cásper Líbero) e a área de atuação onde possuo, ou melhor, possuía no Brasil 7 anos de experiência é um dos ramos da Comunicação conhecido como assessoria de imprensa. Dentro dele há a categoria empresarial (dentro das empresas) e atendimento ao cliente (em agencias de comuniçação).


Neste ramo, atuei 3 anos em agência (dos quais sempre lembrarei com carinho do primeiro mestre Luiz Carlos Franco e dos eternos amigos Leslie, Renato, Francini, Jota, Jorge, Flor, Patricia, Zuina que fiz lá e que trago até hoje comigo) e os últimos 4 anos de Brasil mais focados em comunicação empresarial na Johnson & Johnson de onde trago comigo as amizades da ex gerente Lais Mazzola sempre alto astral, do Re, Bruninha, Caldeirinha, Leslie e Zuina (sim estas duas de novo lá da agência)

No Brasil, havia direcionado a minha carreira para o que mais gosto de fazer - consultoria em Comunicação empresarial. Passei os últimos 4 anos fazendo isso na Johnson & Johnson. Adorava o que fazia mas quando deixei a patria mãe tinha plena consciência de que o estava fazendo não em busca de carreira, dinheiro, cargos e tudo mais. Sim, eu sei, precisamos trabalhar (e para mim trata-se muito mais do que apenas pagar contas mas como realização intelectual mesmo de fazer o que gosto que sempre foi o caso), crescer, etc…

Mas o que quero dizer é que a minha saída do país não guarda absolutamente nenhuma relação com o campo profissional. Tanto que quem me conhece há mais tempo sabe que saí do Brasil topando até mudar totalmente de ramo de atuação caso precisasse. Se eu fosse uma pessoa que tivesse a carreira como o motivo número um de realização pessoal deveria ter ficado no Brasil mas como não sou cá estou….

Quase 4 meses depois de ter aterrisado em Toronto, frequentar curso de introdução ao mercado e à sociedade canadense, viver a própria sociedade , acompanhar noticiário, hoje posso dizer que dá para atuar na mesma área do Brasil mas não sem antes seguir os BABY STEPS para tal. Caso contrário, volto à regra do Brasil de mudar de ramo sem problemas..
Mas vamos à caminhada, ou melhor, engatinhada para tal...

1- Frequentar por um mês o NOW - etapa cumprida!
2- Aprender novas técnicas de abordagem na busca por emprego e deixar kit pronto - etapa cumprida!

3- Aprender os nomes usados para as vagas que encaixam no que fazia no Brasil. Parece detalhe mas nas aplicações e buscas on-line faz toda diferença.

3- Pesquisa de Mercado e habilidades que empregadores candadenses buscam na minha área - em andamento e aí começa o “pipoco”. Naturalmente, o mercado daqui guarda muitas diferenças de técnicas que preciso buscar e estudar e que no Brasil não precisava.

4- CANADIAN EXPERIENCE - por mais experiência que eu tenha na minha área de atuação ela é toda no Brasil e aqui precisamos comprovar tudo isso.. Dá-lhe traduções, cartas de referências, estudos e muito mas muito trabalho… O mais engraçado é ler os anúncios das vagas pedindo exatamente o que tenho (ou melhor tinha no Brasil) de tempo de experiência e saber que sou capaz de fazer tudo que eles pedem MAS…………………lack of Canadian experience. Aí entra o Co-op.

5- Retomar o meu Francês - em 98% das vagas na minha área o francês, além do ingles é claro, é um diferencial e tanto. Não somente psicológico, dobram os salários das vagas para profissionais bilingues (leia-se inglês-francês) . Bendita vocação de adorar idiomas e já ter feito 4 anos de francês no Brasil por puro prazer e continuarei aqui, quando der, unindo o útil ao agradável.

6- Começar o estágio e colocar a mão na massa literalmente!

O resumo da ópera do imigrante (gostei, no lugar de ópera do malandro) é este.
Para quem pretende imigrar, na minha opinião, o mais importante de tudo é ter um real e bem firme propósito e saber muito bem a razão e/ou razões pelas quais está deixando o Brasil, além de ter a plena consciência de que imigrar é uma cartilha de RES - RENASCER, RECOMEÇAR, REINVENTAR, REPLANEJAR e READAPTAR SEMPRE!

Assim fica até mais fácil voltar a ser estagiário (e não remunerado) depois de 7 anos na labuta …Segredo ? viver o agora e aproveitar ao máximo as chances que aparecem. O ontem? Ficou para trás… só ficam comigo os bons momentos vividos, os queridos amigos e família e os conhecimentos adquiridos. Misturo bem e utilizo da melhor maneira possível na minha atual realidade. Isso costumam chamar ADAPTAÇÃO.




10 comentários:

Cíntia Zanellato disse...

Oi, Paula...poxa me identifiquei muito com o q vc escreveu. Também sou de uma área cuja experiência vai ser muito complicado adaptar ao Canadá (Direito), mas me apoiarei nos REs e nas suas palavras de motivação! Boa sorte no Co-op!!! Espero que seja a sua primeira grande experiência profissional canadense e que renda muitos bons frutos!
Grande abraço,
Cíntia

Gustavo disse...

Oi Paula! Acompanho o blog já faz tempo (é meu preferido. Sério!), mas nunca comentei porque, sei lá, não tinha o que comentar. Mas quanto a esse eu precisei falar alguma coisa porque fazemos EXATAMENTE a mesma coisa. Com a diferença que eu continuo trabalhando em agência. Estou entrando com o meu processo em abril (quando completo 2 anos aqui na agência, e fica mais seguro por causa da pontuação). A minha idéia é ir para Vancouver, onde estive estudando no ano passado e me apaixonei pela cidade. Tenho pensado em começar minha carreira por aí como Desktop Publisher (ou diagramador, ou operador de pagemaker), já que meu profundo conhecimento de língua portuguesa não vale nada para trabalhar aí como redator. E eu não me sinto seguro ainda para exercer a mesma função em inglês (ainda que eu faça isso aqui, para alguns clientes internacionais). Eu gostaria de saber qual é a sua impressão do mercado aí, se os departamentos de comunicação e agências são similares aos daqui do Brasil. E como você tem lidado com essa questão da língua como profissional? E mais, quais são os nomes equivalentes das profissões aí? Você tem uma listinha? Se você puder me responder por e-mail, eu agradeceria bastante! Mas se não der, tudo bem. Obrigado, e parabéns pelo blog! Abs, Gustavo

Leslie disse...

Querida amiga, o segredo da sua felicidade aí no Canadá está ligado exatamente a esta sua virtude sempre muito admirada por todos: o de saber exatamente o que você quer; o de focar, focar e focar... e tenho certeza absoluta que vc se dará bem em todo e qualquer tipo de emprego, mesmo se vc realmente tiver que mudar seu ramo de atuação! bjs

Ana Paula disse...

Paula, adorei o seu post. Eu também sou jornalista e estou indo pra Vancouver mês que vem. Diferente de você eu trabalho com internet e também entendo um pouco da parte técnica da coisa. Acho que isso pode facilitar, mas não estou iludida. Muito bom o seu texto.

Carol, Ênio e Leila disse...

Pois é, também estou disposta a recomeçar em tudo, inclusive profissionalmente. Aqui trabalho em assessoria de imprensa, sempre para o Governo. Sei que minha experiência e nada serão quase a mesma coisa. rs O problema, ainda maior é que este ano terei que correr atrás de todo o tempo perdido e recuperar o meu inglês.
Adoro seu blog,
Abraço,
Carol

Luly :) disse...

Oi Paula!

Depois me escreve contando o que achou da info session do CanEx... :)

Vc vai ver quando começar a trabalhar, que a satisfação de estar no mercado de trabalho e podendo mostrar o que pode fazer é tão grande que o fato de não ser remunerado não conta tanto (claro, tb porque é por pouco tempo, né?!). De qualquer forma, muito melhor do que ficar em casa sem fazer nada e não recebendo do mesmo jeito...

Boa sorte pra vc!

Bjos

Jeanne disse...

A idéia de poder mudar radicalmente de vida me entusiasma bastante. Se tem uma coisa que nunca mais quero fazer na vida é o que estou fazendo hoje no meu trabalho.
Acho que os CO-OPSé poderão me dar uma mãozinha em relação a isso.
Bjs e boa sorte!

Zuina disse...

Paul, em primeiramente queria registrar que eu me acho muito chique quando vejo meu nome, ou melhor, meu pseudônimo, registrado no seu blog.

Em segundamente, quero dar os parabéns pelos textos, que vêm gerando acessos e interatividade por parte da galera que tem interesses comuns aos seus.

E agora, lendo o post e comentário do Gustavo, logo acima, me ocorreu de lembrá-la sobre os cursos da George Brown College voltados para a área de assessoria de imprensa e produçao de texto. Lembra que comentei com você?

Então, acho que eles devem ter alguma coisa agora no primeiro semestre. Vale dar uma olhada.

Acho que é isso, amiga. As coisas estão em movimento. Isso é o mais importante.
Eu acho que agora é uma questão de tempo.

Como já comentei, quando eu crescer eu quero aprender a me planejar igual a você e Mauricio. Já estou fazendo a liçao de casa.
Depois te conto mais detalhes no e-mail.

Querida, felicidades para vc e os seus!
Beijao,
Dani Zuim (ou Zuina, Zuza, Zuzitcha - olha o que a Leslie faz com o meu nome!!!)

Cristina disse...

Oi, Paula! Adoro ler o seu blog e fiquei curiosa pra saber os reais motivos de sua mudança para Toronto. Não é difícil imaginar já que, comparados, o Brasil e o Canadá são incrivelmente diferentes e eu não hesitaria em escolher o segundo. Enfim, apenas uma curiosidade. Bjs! Cris

Caldêra disse...

Hey Paul! Entonces, meu momento é esse, mesmo que em terras infinitamente mais quentes, com uma abrangência infinitamente menor. Como cada um é um universo, sei que vai me entender.
No mais amiga, boa sorte! Energia positiva não conhece distância, não tem essa de fronteira, então a minha vai estar com vcs sempre.
Ah, tenho que dizer também que seu blog está ganhando o mundo, cada vez mais e mais acessos, mais comentários de gente nova! Que delícia!!! Isso é porque ele é muito bom mesmo. Daqui a pouco o Consulado vê e compra os direitos autorais, assim economiza tempo pra orientar quem quer imigrar. Quando penso nisso penso sempre naquela coisa sobre a qual conversamos. Registre tudo!
beijo