13.3.08

E não é que o Papa é Pop mesmo!

Não aquele papa da velha conhecida música que o Humberto Gessinger tanto cantou nos idos da década de 80 durante a adolescência de qualquer um com mais de 30. Aqui o papa é outro, mais íntimo das meninas por assim dizer, mas tão pop quanto. Isso, aquele mesmo - o papanicolau – que aliás deve morar no inconsciente masculino pois já foi cantado também pelos Titãs na mesma década que embalou a minha adolescência. Quem aí não embalou a “ginecológica” canção Clitóris? (ops, meninos, este post hoje está um tanto quanto feminino!)


Agora voltando a conversinha com as meninas sobre o pop papa, ou melhor o - papanicolau. Esta semana fui, pela primeira vez desde que cheguei aqui, visitar o “dotô” justamente para fazer o famoso e tão importante check up anual ginecológico que inclui o valiosíssimo – e pop – papa. Devo dizer que foi, no mínimo curioso. Tudo certinho e nada de novo pois afinal tratava-se do velho conhecido de toda mulher que preze a sua saúde e tão famoso papa (bendita hora que a medicina resolveu usar como base o latim para todos os seus termos médicos! E não é que o papa chama-se papa por aqui também? Não disse que o papa continua sendo pop
?).

Muito já se discutiu sobre médicos no Brasil e médicos por aqui, por isso não estou nem um pouco a fim de cometer a injustiça de comparar o sistema de saúde privado - digno de primeirio mundo que nós enquanto uma elite tínhamos o privilégio de ter acesso no Brasil - com o sistema público de saúde daqui. A blogueira que melhor dissertou sobre o tema, na minha opinião, foi a Alexandra e se você lê em inglês, sugiro o texto que é, na verdade, a minha opinião sobre o assunto.


Mas voltando à celebridade Papanicolau, confesso que eu estava me sentindo incomodada de ainda não ter ido ao médico por aqui (mesmo que fosse para um check up) ainda e , principalmente, de ter que deixar de lado uma relação de mais de 8 anos com o meu ginecologista lá do Brasil (o Dr. Marcio Jordão é um dos melhores profissionais que eu conheci e quando fui me despedir dele até brinquei que os profissionais que eu mais sentiria falta no Canadá seriam ele, a minha manicure e a minha faxineira! Devo confessar que hoje isso se confirmou verdadeiro rsr).

Entretanto, aqui foi a terra que eu escolhi para viver, moro aqui e fiz esta escolha. Quando fazemos escolhas, fazemos trocas e devemos nos adaptar a elas. Por isso, fiz questão de registrar este momento por aqui. Quebrei mais uma barreira psicológica de imigrante recém-chegado (aquele que está aqui há menos de 3 anos) e devo dizer que estou bem mais tranquila agora que fiz o meu check up ginecológico anual, gostei do médico (formado na universidade de Ottawa e indicação da minha vizinha Liliane. Lili, boa indicação viu?) e claro, constatei que o papa continua sendo pop!


Ao sair da clínica não pude deixar de observar o grande aviso que dizia “Não aceitamos mais pacientes que não falem INGLÊS!” . Pensei comigo, este país é uma loucura mesmo. Um médico Canadense, formado na Universidade de Ottawa, no exercício de sua função, em seu país onde o idioma oficial é o inglês (no caso da províncea de Ontario), precisar colocar este tipo de anuncio!

No mínimo curioso e retrato de um país formado por imigrantes. Agora se você é mulher, brasileira, e chegou aqui com o inglês fluente não se preocupe que a consulta segue bem feitinha, direto ao ponto, o médico é bom, “limpinho”, você apresenta o seu OHIP (o cartão de saúde pública Canadense) entra, faz o que tem que ser feito e sai sem gastar um tostão (claro que pagamos nos impostos).

Devo confessar que nesta hora me senti cidadã de verdade e feliz em saber que o papa continua pop!

4 comentários:

Cau disse...

Afe maria, já vi relato de quem já foi à dentista, clínico geral e até parto mas dotô, foi a primeira vez.

Muuuito bom saber que dá pra seguir sem problemas né? Desde que fale inglês, óbvio... rsrs

Abraços!

Claudia

Jeanne disse...

Pensei que quem fizesse o danado do exame era o family doctor mesmo, por isso que eu ainda nao fui (nao gosto dele). Alem do mais, ele eh "homi" e eu sempre tratei com mulher, gostaria de continuar assim.
:)

Isabella disse...

Gostei do relato, Paula!

Aqui no País vizinho esse exame não tem co-pay e se vc fala espanhol, é capaz de ser até mais bem tratada : ) Até se precisar de um tradutor pra português, eles providenciam um e isso é HMO, viu?

Também não comparo + nada e concordo quando vc diz: - que nós enquanto uma elite tínhamos o privilégio de ter acesso no Brasil.

bjs

Anônimo disse...

No Brasil o sistema privado é ótimo enquanto se precisa ir ao médico para ver gripe ou coisas pequenas. Quando se tem uma doença realmente grave que vá dar prejuízo ao plano e eles te negam uma ruma de coisa num instante se descobre que o sistema público Canadense é melhor. Fora que uma pessoa idosa, no Brasil, deve tá pagando mais de 600 reais por mês de plano de Saúde. Plano de saúdo no Brasil é negócio, não filantropia, você só é interessante enquanto dá lucro.