Conta a saga do casal que ousou deixar o Brasil para viver no Canadá e experimenta em Toronto a inesquecível e transformadora experiência de ser imigrante.
16.1.09
Imóveis em Toronto
14.1.09
Literatura para imigrante
Estou passando para dar uma dica de leitura, especialmente para aqueles que ainda estão no Brasil se preparando para imigrar. Trata-se do livro "How to Find a Job in Canada - Common Problems and Effective Solutions" de Efim Cheinis e Dale Sproule, publicado pela Oxford em 2008.
Digo para os que ainda estão no Brasil porque honestamente achei o livro bem fraquinho para quem está aqui e - como eu - está iniciando o terceiro ano, já colocou e continua colocando em prática todas as "dicas" do livro e ainda não atingiu todas as maravilhas que o mesmo (o livro) promete:)
Quem já está aqui há um certo tempo não precisa perder tempo em comprar ou até mesmo ler com muita atenção. Faça como eu fiz, alugue na biblioteca pública e dê uma olhada por cima para ver se algo se aplica ao seu caso. Aquela coisa de fazer o exercício diário de tentar descobrir se há algo que você ainda não fez, que esteja ao seu alcance e que você ainda pode fazer sabe? Decepção... Apesar do autor afirmar que sim, este livro não é para quem já está aqui.
Já para quem está no Brasil (ou em qualquer outro país que não o Canadá) acaba sendo bem válido porque me lembro de ter descoberto sozinha e na raça, em meus primeiros meses aqui, muitos dos tópicos que o autor cita no livro. Informações que por mais que você se prepare aí do Brasil fica muito difícil saber se não tiver alguém aqui no Canadá escrevendo um livro e colocando as informações em um lugar só para você. Ponto para o autor neste sentido!
Agora se você é como eu e sabe que já tentou e continua tentando tudo que é possível, aí só nos resta viver plenamente e curtir as vantagens (que não são poucas!) de não trabalhar fora (o marido me ensinou a acrescentar a palavra "fora" ao verbo trabalhar porque, segundo ele, eu nunca trabalhei tanto como desde que me mudei para o Canadá).
Uma das vantagens é ter tempo para ler mais e aí eu não resisti em listar as principais pérolas e algumas falácias "comerciais" do livro:
"Reading this book will reduce the time it will take you to find a job – all of the important information you will need has been organized in one place" (Se não há demanda para o que você faz, no momento que você procura, não há livro de ouro que vá fazer isso para você! )
"Success will not come easily in your new homeland. But if you use the Canadian support systems described in this book, your chances of success will increase dramatically " (Me reservo no direito de ficar calada parte I)
Além de algumas contradições, especificamente quando fala dos "survival jobs":
O autor aponta os prós deste tipo de trabalho da seguinte maneira:
"Survival jobs count as Canadian experience and you can put it on your resume" (Totalmente discutível! Já ouvi muito consultor aqui dizendo para não colocar no currículo. A equação não é tão simples assim.)
"You will make new friends" (Me reservo no direito de ficar calada parte II)
"You may be able to build a business network" (Disse bem, may...Como eu não havia pensado nisso antes? Claro! Servir mesas em um restaurante lotado é o melhor momento para construir uma boa rede de negócios! Oh yes!)
Ao mesmo tempo, contraditoriamente, o autor traz os contras dos “survival jobs”:
"While you are working in a survival job, you may not be getting good Canadian experience in your own field of work." (Espera aí , mas ele não diz lá nos prós que é para colocar no currículo , que pode ser bom, blá , blá, blá... Ah, tá... Então a equação não é tão simples assim!)
"The work will not likely be in your field, so you will not be using the knowledge and experience you already have" (Descobriu a América! Mas e as contas? Lembram delas?)
E para fechar com chave de ouro este capítulo que para mim foi um dos destaques nas pérolas...
"The longer you stay in a survival job, the harder it may be to leave. Make sure that you do not stay in a survival job too long. If you do, you will not benefit from your many years of hard-earned education and experience in your field" (ah vá!)
Enfim, como eu disse lá no começo, há recursos bons e novos no livro para quem ainda está no Brasil ter uma idéia do que vem pela frente. Agora dizer que quem já está no Canadá (como o autor faz na abertura) também vai aproveitar muito esta leitura, aí já é forçar muito a barra para aumentar as vendas.
*PS - Desculpem-me o sarcasmo mas eu não resisti, o livro é um prato cheio... Agora vou voltar para a minha excelente leitura de cabeceira que eu ganho muito mais. Estou lendo a biografia do Ted Rogers, esta sim vale à pena (ao menos no meu caso:)!
13.1.09
O Pato de Pequim
30.12.08
Bobo, chato e feio...
Tivesse eu a autoridade de uma criança de 4 anos, era exatamente assim que chamaria o ano de 2008 ao me despedir dele (o ano): “Bobo, chato e feio…”
Nunca exerci tanto a capacidade humana de cair e levantar, chorar e sorrir logo depois na tentativa de lembrar que depois de fortes baques – tanto físicos quanto emocionais - vem sempre a suavidade de um sorriso te acalmar, seja o seu mesmo, de um grande amigo ou até mesmo de um estranho na rua!
Como em um gráfico inconstante eu conquistei, comemorei e logo em seguida tive que “desconquistar” e “descomemorar” (com o perdão da desconstrução das palavras) por várias ocasiões durante todo o ano. O que exatamente estariam vocês se perguntando? Honestamente, agora que o “Bobo, chato e feio” está se despedindo e a luz de um novo ano chega perto de mim, não importam mais os diversos acontecimentos que me entorpeceram, tanto no profissional quanto no pessoal (emprestando um dos chavões mais irritantes do apresentador de TV Fausto Silva) J
Mas espera aí… Não sou eu a seguidora da filosofia budista que diz que em tudo que é negativo sempre há o lado positivo? Aquela que quase que diariamente repete o que o meus queridos Sifus (mestres do kung fu) me ensinaram : “Sem dor não há crescimento”. Sim, claro! Acontece que em 2008 cresci demais, ou seja, sem dor realmente não há crescimento e vamos dizer que em 2008 devo ter atingido a altura dos Deuses!
Agora o lado positivo do ano “Bobo, chato e feio”: o amor incondicional do meu marido, o apoio mesmo que de longe da minha família e dos amigos de lá e de cá. A palavra de carinho no momento certo, o ombro amigo, um gesto, um sorriso. Ei, mas espera aí, isso não pode ser privilégio logo do ano “Bobo, chato e feio”! Afinal de contas tenho isso tudo todos os anos desde que me conheço por gente! Tá bom 2008, vou deixar como sendo o seu privilégio, afinal de contas foi o ano em que mais precisei de tudo isso, incluindo a minha saúde.
E por falar em saúde, agora que o furacão passou e o ciclo se reinicia, queria aproveitar o ultimo post do ano para desejar a todos que me acompanham um ano novo cheio de paz, saúde e sabedoria! Tenho certeza que ao final de 2009 não o chamarei de Bobo, chato e feio pois o treinamento intensivo em 2008 me deu a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar aquilo que posso e a sabedoria para saber a diferença…
Um lindo e feliz ano novo a todos e que venha 2009!
21.12.08
Bem perto do ídolo
14.12.08
It is not funny!!!!!!!
7.12.08
Um aniversário muito especial
22.11.08
Motorizados novamente
7.11.08
Festival de Cinema brasileiro em Toronto
6.11.08
Yes, We Can...
3.11.08
Halloween "Brazuca" em Toronto - segundo ano
10.10.08
O desafio de fazer política em dois idiomas
6.10.08
Cegueira Branca
E se você fosse a única pessoa que pudesse enxergar?
Aqui em casa, ambos leitores de Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago, estávamos muito ansiosos para conferir a adaptação da obra que começou a passar nos cinemas por aqui na última sexta-feira, 3 de outubro, com o título de Blindness. Fomos ontem e não nos decepcionamos! Um excelente filme, assim como o livro!
Fernando Meirelles simplesmente deu um show de direção e, na minha opinião, atingiu seus objetivos em fazer uma adaptação naturalista que fizesse com que as pessoas saíssem do cinema se perguntando “E se isso acontecesse comigo?” Provocativo, forte, impactante. Um clip sobre as misérias do caráter humano e suas consequências...
Isso sem falar nos efeitos visuais e de som utilizados para causar em quem assiste a verdadeira sensação da cegueira – a cegueira branca. Usar a luz branca como recurso de finalizar uma cena e iniciar outra. O senso de desorientação que a direção do filme atingiu ao usar e abusar de sons é incrível!
Blindness – Ensaio sobre a Cegueira aí no Brasil – é um filme sobre a condição humana. Assim como no livro, não se trata de contar a estória de algum lugar ou tempo específico. Os valores humanos, seus limites, a moralidade e o que acontece quando uma sociedade toda é avassalada por um problema e apenas uma pessoa está em condição diferente? Aí entra a brilhante atuação de Juliane Moore, ela carrega o filme, a história é contada sob o ponto de vista dela.
Outro mérito do filme foi o de ser bem fiel ao inteligente texto de José Saramago! Até o cachorro, que no livro é chamado de “cachorro das lágrimas”, está no filme. Segundo o próprio Fernando Meirelles, este foi o único toque que José Saramago deu a ele durante as filmagens, o de não esquecer do cachorro das lágrimas!
Filme para pensar. Filme de metáforas e ao mesmo tempo tão real e naturalista. Filme muito bom. Excelente trabalho do Fernando Meirelles e de todo o elenco. Quem leu o livro e gostou muito da obra não sai do cinema desapontado com Blindness ou Ensaio da Cegueira aí no Brasil. O filme é nota mil! Como diz o slogan do filme por aqui: "You won't believe your eyes!"
*PS – Como a maior parte do filme foi rodada em São Paulo capital, outro exercício interessante para quem, como nós já morou ou mora na capital, é o de reconhecer cada viaduto, cada cenário mostrado nas externas do filme. Embora a produção tenha feito um excelente trabalho em trocar as placas com os nomes das ruas por nomes em inglês e cuidadar de todos os detalhes.
2.10.08
A Era do Gelo na revista do Itaú
26.9.08
Mudaram as estações...
25.9.08
Experiência canadense
*Versão em Português do Texto “A Waste of Talent” escrito por Najia Alavi e publicado no National Post de Julho de 2008.
Os imigrantes possuem menos chances de encontrar trabalho no Canadá se comparados com os nascidos no Canadá, mesmo que os mesmos tenham estudado em Universidades Norte Americanas, revelou estudo do Statistics Canada no fim de Julho de 2008. Tudo que eu posso dizer é: Me conte uma novidade.
Ao formular a política de imigração para a economia do Canadá baseada no conhecimento, nosso governo esqueceu que trabalho baseado no conhecimento involve pessoas – pessoas trabalhando com outras pessoas. E a maioria das pessoas prefere trabalhar com outras que se parecem com elas, falam como elas a dividem experiências de vida parecidas.
Isso posto, realmente não importa onde os imigrantes estudaram, ou, quão qualificados os mesmos são. De acordo com outro estudo do Statistics Canada, 51% dos imigrantes recém chegados no Canadá possuem curso universitário completo – índice duas vezes maior que os nascidos no Canadá. Ainda assim, a taxa de desemprego é duas vezes maior entre os imigrantes recém-chegados quando comparada com a população nascida no Canadá.
O que importa para os empregadores Canadenses é se o potencial funcionário “se encaixa” em suas empresas. Em outras palavras, como eles se apresentam, sua aparência, maneira de se vestir, de falar e sobre o que eles falam. Empregadores parecem preferir assuntos tipicamente Canadenses, como neve e casas de veraneio, a assuntos “estrangeiros” como avós que vivem em Karachi. Além disso, arrumar um trabalho frequentemente depende de quem você conhece; imigrantes recém-chegados, “carne nova no pedaço”, sequer conseguem encontrar um médico, então como eles vão ser capazes de localizar uma referência interna para o famoso “Mercado Escondido” (as vagas que nem chegam a ser anunciadas e são preenchidas via “network”)?
Um estudo de 2007, realizado pelo grupo CERIS de Toronto, sobre as atitudes dos empregadores e suas práticas de contratação, mostrou que empregadores confiam muito em seus contatos informais e referências internas para contratar. Empregadores sequer se dão conta de que seguindo estas práticas estão excluindo imigrantes recém-chegados.
Ou, talvez, em alguns casos, a exclusão se faz presente sim. Empregadores frequentemente dizem não contratar imigrantes justificando que os mesmos não possuem “Experiência no Mercado canadense”, incapacidade de se comunicar em Inglês, ou problemas com equivalência de credenciais internacionais. Ainda assim, mesmo imigrantes portadores de diplomas universitários obtidos nos Estados Unidos da América não conseguem encontrar trabalho. Além disso, em uma economia globalizada onde a mão de obra é cada vez mais “móvel” – não tem pátria – o fato de um candidato não possuir “experiência Canadense” deveria ser irrelevante.
Um exemplo: Um empregador diz a um imigrante que está procurando emprego: “Eu entendo que você era um chefe de culinária muito respeitado em um restaurante de Dubai, mas a maneira como preparamos a comida aqui é muito diferente de como vocês preparam lá.” Então eles oferecem ao candidato que de fato é adequado para a vaga de chef, uma posição como lavador de pratos no restaurante, para “ajudá-lo” a adquirir alguma “Experiência canadense”. Por mais ridículo que isso possa parecer, aqueles que como eu trabalham com imigrantes os ajudando a arrumar emprego, ouvimos histórias como estas todos os dias. Nós enviamos os imigrantes para palestras sobre como redigir um currículo Canadense, ensinamos técnicas de entrevistas e habilidades de comunicação no ambiente de trabalho canadense, e ainda assim vemos os mesmos gastarem meses procurando trabalho. Alguns simplesmente desistem.
O Conference Board of Canada estima que se todos os imigrantes estivessem empregados de acordo com suas qualificações e experiências, até $4,97 bilhões poderiam ser adicionados à economia canadense, anualmente.
Infelizmente, noções ultrapassadas e inseguranças sobre os imigrantes ainda existem. A percepção de que imigrantes prejudicam a sociedade canadense persiste. Esta percepção precisa mudar se quisermos solucionar o problema.
Os imigrantes de hoje são dinâmicos, jovens profissionais altamente educados que vieram para o Canadá por causa de sua abertura, liberdade e respeito aos direitos individuais. Selecionados para entrar no país por meio de um sistema de pontuação de acordo com sua educação, qualificação e experiência, eles corretamente assumem que suas habilidades são necessárias neste pais.
Há demanda para Engenheiros, medicos, enfermeiras, profissionais de finanças e negócios em geral no Canadá. Ainda assim, empregadores continuam seguindo práticas de contratação arcaicas e que excluem os imigrantes, que, no final das contas, os mantém afastados de contratar o candidato mais competente.
A maioria dos imigrantes recém chegados ao Canadá veio de duas das economias que mais crescem no mundo – China e India. É apenas uma questão de tempo antes que eles se cansem de ser mal remunerados, de trabalhar com aquilo que não lhes traz satisfação e não é adequado ao seu perfil, e voltem para seus países de origem, onde suas habilidades e experiências serão bem vindas.
Aí sim, a realidade de escassez de mão de obra no Canada vai realmente se abater por aqui.
22.9.08
Imigração para o Canadá no Bom dia Brasil
14.9.08
Dois anos de Canadá e...
Eu vivi:
Bons, muito bons, felizes, muito felizes e nem tão bons e tão felizes momentos assim;
Aceitação, rejeição, assédio moral e exploração (sim, talvez daqui há uns 20 anos eu seja capaz de falar mais abertamente sobre isso. Por enquanto ficou lá no baú das péssimas experiências que nos ensinam muito!);
Descobertas, surpresas, neve, chuva, sol; esqui, snowboard, patinação no gelo;
Viagens, frustração, inquietação e recomeços;
NBA (um sonho!), vizinhos brazucas “gente boa”, civilização, fila respeitada no ônibus;
Celebridades (encontrei gente bem famosa em um de meus estágios de graça), a ásia é aqui, suas comidas e filosofias que eu curto bastante também;
Apoio incondicional do marido e…
Eu aprendi:
A trabalhar de graça ininterruptamente para provar aos potenciais empregadores que sou capaz. (Já estou pensando até em colocar no meu CV: “especialista em caridade” e mandar uma carta ao Dalai Lama para ele ver como sua discípula está evoluindo espiritualmente!:) ;
A ouvir de professores e supervisores dos programas para os quais eu trabalhei de graça, a tradicional pergunta: “O que vc está fazendo aqui com toda a sua experiência??” E ainda sim não poder dar a honesta resposta e seguir sorrindo “Imagina!” (o eterno exercício da modéstia e humildade). A última que ouvi foi do professor de “Media Relations” semana passada na Humber me dizendo que eu poderia estar no lugar dele dando aula (Ok teacher, whatever…);
A relatividade do conceito que determinado Mercado de trabalho está em um bom momento e cheio de vagas – caso do meu Mercado aqui na América do Norte . Vagas nem sempre são sinônimos de oportunidades.
A ser humilde e desapegada de bens materiais (mais ainda… ok, confesso. A minha única fraqueza são os brinquedinhos da Apple… também não sou o Buda né gente! Apenas sigo sua filosofia rsrs);
A aceitar prazer e sofrimento, ganho ou perda, vitória e derrota com a mesma serenidade de espírito ;
A ficar mais próxima ainda da doutrina budista por meio da qual o homem examina tudo, é um cético no sentido etimológico da palavra. O budismo não é a doutrina do êxtase, mas da reflexão profunda sobre as coisas.
Eu senti:
Impotência em ter total condição e qualificação para fazer muito e não poder;
Confusão de sentimentos;
Vontade de voltar querendo ficar . Vontade de ficar para não voltar (Complicado né?);
A síndrome do “O que eu estou fazendo aqui? A que custo?” (esta, na mesma velocidade que vem, costuma ir embora. Em média, dura até que eu saia na rua ou vá até a biblioteca – o meu templo sagrado – ou vejo a ordem na fila do ônibus que vou para a escola;
Imensa satisfação ao ouvir de um profissional de RH que você tem potencial para uma vaga do mesmo porte que você tinha no Brasil (ah vá!);
Paz ao meditar no jardim japonês bem pertinho de casa;
Eu concluí:
Que ainda está valendo à pena;
Que enquanto valer à pena vou lutar com todas as forças para seguir;
Que estou no caminho certo;
Que ainda quero fazer muito por aqui;
Que escolhi a melhor pessoa do mundo para estar ao meu lado nesta empreitada;
Que estou vivendo um sonho – o meu sonho!
*PS – Este depoimento é única e exclusivamente pessoal. Aqui é a Paula apenas que está colocando um pouco para fora suas intermináveis reflexões de imigrante. Eu estou escrevendo a minha história e você a sua!
9.9.08
Brazilian Wave Magazine - edição de outono
2.9.08
Comilança da boa no Labour Day
21.8.08
Contra fatos não há argumentos
17.8.08
Terapia do Grito
8.8.08
Passeando pela "França"
Feriado que passou (1 a 4 de agosto) fomos passear na “França” – como carinhosamente chamamos a províncea de Quebec. Apesar de o marido já ter trabalhado por 2 meses em Montreal, enquanto ainda morávamos no Brasil, e eu mesma já ter passado por Montreal na volta de uma outra viagem que fizemos à “França” com nossos queridos vizinhos Rafael e Liliane, ainda não havíamos feito uma viagem exclusivamente para Montreal com objetivos meramente turísticos.
Às vésperas de completarmos dois anos por aqui, resolvemos que era hora de explorar Montreal como ela merece. E como merece! Tanto quanto à sua “ídala” Paris (a verdadeira) merece quantas idas você puder fazer na sua vida – eu graças à minha alma mochileira já tive o privilégio de fazer duas para a capital Francesa (a Européia). Sim , porque temos a capital francesa aqui no Canadá mesmo e lá passamos deliciosos 3 dias. Poucos para explorar tudo mas certamente suficientes para deixar com gosto de quero mais...
Além de bater ponto nos principais pontos turísticos como o Estádio Olímpico, a catedral de Notre Dame (os Quebequenses vão me desculpar mas para quem já entrou na original em Paris não faz o mesmo efeitoJ), o jardim botânico (para mim o ponto alto da visita! Quem ama natureza como eu precisa conhecer este lugar!), andar muito pela velha Montreal, à beira do cais e comer muuuuuito gostoso, ainda nos encontramos com um velho amigo do Maurício – O Walter é Canadense de Montreal e passou seis meses no Brasil trabalhando na Ericsson com o marido – e juntamente com sua esposa nos proporcionou deliciosos momentos, além de claro nos ter contado fatos que só um local poderia fazer tão bem. Ambos não se viam há sete anos! Foi uma delicia!
Mas o que eu mais gosto mesmo de ir para a “França” é que posso desenferrujar um pouquinho os meus 4 anos passados na Aliança Francesa da Alameda Tietê que tanto eu sinto saudades (assim que sobrar tempo$$ eu volto para o francês). Por enquanto vou brincando.
Estávamos na enorme fila para subir a torre do Estádio Olímpico quando atrás de nós um senhor nos aborda em Francês perguntando se o ingresso que ele tinha em mãos valeria para aquela atração. O marido já foi logo soltando o “Desolé, Je ne parle pas français” que eu ensinei para estas ocasiões…quando eu fui fazer graça e virei para o senhor e disse , olha moço eu falo um pouco e se o senhor falar devagar compreendo tudo, posso ajudar? Pronto…. Foi a senha!
Em meia hora de fila, eu já sabia a vida do senhor e ele a minha, começamos a falar de teatro, show em Quebec (tratava-se de um habitante de Quebec City que falava ZERO inglês) que eu já conhecia Quebec, bla, bla, bla…. Vez ou outra ele até soltava uma palavrinha em inglês querendo envolver o marido na conversa mas o negócio é que subimos a torre e chegamos lá em cima e eu soltei um "A tout a l´heure" porque o meu tico e teco já estava fundindo com o moço do estádio falando inglês comigo de um lado , o senhor francês do outro e o meu pobre cérebro entendendo tudo e dizendo por favor defina uma linguagem padrão!!!!! Ganhei o dia, fui dormir “me achando” porque um cidadão de Quebec havia dito que o meu francês era bom! Tá bom moço educado….Merci.
Ah, ainda conseguimos aproveitar o festival de música francesa que estava acontecendo por lá de graça! Tudo de bom o "Les Francofolie de Montreal".
31.7.08
Umberto Eco, DOS e MAC
A Alexandra reproduziu excelente texto de autoria do Umberto Eco que ironiza o mundo da informática e que um professor dela havia lhe enviado quando a mesma adquiriu seu primeiro Mac. Bem, como o texto é muito bom e, no início de 2008, quem adquiriu o primeiro Mac fui eu, então resolvi passar para o português (muita audácia minha traduzir um texto de Umberto Eco:) mas vá lá, perdão ao grande autor se a mesma não saiu ipses literes) e dividir com alguns leitores que não compreendem inglês e que também acompanham este blog.
“É fato. O mundo é dividido em usuários de Macintosh e usuários de computadores compatíveis com o sistema MS-DOS. Eu acredito piamente que o Macintosh é Católico e o DOS é Protestante. De fato, o Macintosh é contra-reformista e tem sido influenciado pelo “ratio studiorum*” dos Jesuítas (*Nota da Paula : o ratio studiorium é um tipo de plano de estudos que sistematizou a pedagogia dos Jesuítas. O método consistia na pré-leitura, leitura, exercícios e na repetição. Os Jesuítas descobriram como a memória potencializava o aprendizado de maneira eficiente. Tudo feito com muita disciplina.). É prazeroso, amigável, conciliatório; diz aos seguidores como eles devem agir passo a passo para alcançar – senão o reino dos céus – o momento em que o documento deles vai ser impresso. Catequiza: lida com a essência da revelação por meio de fórmulas simples e ícones bem elaborados. Todos têm direito à salvação.
O DOS é Protestante, ou até Calvinista. Permite livre interpretação da sagrada escritura, exige difíceis decisões pessoais, impõe sobre o usuário uma sutil hermenêutica, e assume sem questionamento a idéia de que nem todos conseguem atingir a salvação. Para fazer o sistema funcionar você precisa interpretar o programa por conta própria: Bem distante da comunidade barroca, o usuário experimenta forte intimidade com a solidão de seu próprio tormento interior.
Você pode até se opor a este argumento. Com a transição para o Windows, o universo DOS passou a se assemelhar mais com a tolerância contra-reformista do Macintosh. É verdade: o Windows representa uma dissidência do estilo Anglicano, suntuosas cerimônias na catedral, mas há sempre a possibilidade de um retorno ao DOS mudar as coisas de acordo com estranhas decisões: em se tratando disso, você pode decidir canonizar mulheres e homossexuais se assim o desejar.
Naturalmente, nem o Catolicismo nem o Protestantismo têm qualquer relação com as escolhas culturais e religiosas de seus usuários. Questiona-se talvez se, com o passar do tempo, o uso de um sistema em detrimento do outro acarrete em profundas mudanças interiores. Você pode usar DOS e apoiar Vande? E mais: Celine teria escrito usando Word, WordPerfect, ou Wordstar? Descartes programou usando a linguagem Pascal?
E código de máquina, que está por trás de tudo e decide o destino de ambos os sistemas (ou ambientes, se você preferir)? Ah, isso pertence ao Antigo Testamento, e é Talmúdico* (*nota da Paula: o Talmud é o texto básico da lei Judaíca) e cabalístico."
25.7.08
Conservadores X Liberais e a imigração
24.7.08
Master Series - Etapa Toronto
17.7.08
Seminário sobre comunidades brasileiras no exterior
15.7.08
Os desafios da política de imigração do Canadá
"Por que nós ainda precisamos trazer mais imigrantes com mão de obra qualificada (leia-se bachareis, doutores e coisa e tal) quando nós já temos milhares que ainda não conseguiram emprego em suas áreas de atuação?"
"Nós conseguiremos alcançar os objetivos decorrentes das mudanças recentes ou continuaremos a oferecer total incompatibilidade e trabalhos que oferecem salários baixos aos altamente qualificados e bem educados (leia-se diplomados) imigrantes?"
"Podemos coordenar as políticas que fazemos com o que resulta delas, ou nós simplesmente não nos importamos com seus resultados - o que parece ser o caso dada a atual condição sócio-econômica dos imigrantes qualificados que chegaram nos últimos cinco anos?"
Vocês acabam de ler 4 indagações do paquistanês Mehdi Rizvi, químico que chegou no Canadá em 1999, publicadas pelo Toronto Star de hoje. Vivenciando esta realidade bem de perto há quase dois anos, eu tenho certeza que ele não é o único que está se perguntando isso tudo. O problema é o lado da "corda" que está indagando. Estariam aqueles que fazem as políticas fechados em seus escritórios apenas considerando números que entram e que saem ou estariam eles nas ruas, nos cursos e na vida presenciando a realidade para chegar a uma conclusão mais de acordo com a realidade?
Eu mesma, honestamente tenho me feito muitas destas perguntas ao observar a total desconexão entre a política de imigração e o quão despreparados estão os empregadores Canadenses para tamanha inserção.
E como bem finaliza o artigo: "Canadá precisa focar em suas necessidades de mercado, na mão de obra qualificada - ou não - que já possui em suas terras e na revisão do sistema de pontuação com o objetivo de criar um sistema de imigração baseado em demanda. Isso só será conseguido quando houver uma cooperação mais próxima entre pesquisadores, aqueles que fazem as políticas, empregadores e membros da comunidade de imigrantes"
E eu completo... a sensação que dá é que cada um destes grupos está olhando apenas para seus próprios interesses sem levar em consideração o bem estar sócio-econômico que, a longo prazo, pode não dar exatamente no que se julga ser o mais saudável para a economia do País.