27.1.09

Quando a calçada some...

E já não se consegue mais ver onde termina a calçada e começa a rua por conta de tanta neve acumulada, começa a operação limpa neve! 

Fim de semana passado acordei, fui até a sacada respirar uma brisa gelada e eis que me deparo com a seguinte cena em frente de casa.


Agora sim, consigo diferenciar a calçada da rua...

20.1.09

Brazilian Day em Toronto

Deu no Globo que a TV Globo Internacional vai trazer o Brazilian Day (evento anual já tradicional e famoso nos EUA) para Toronto este ano. Segundo a fonte, que por sinal é boa, teremos o evento por aqui já em Setembro.

É aguardar para participar! Eu adorei a notícia!

16.1.09

Imóveis em Toronto

Taí outra dica que não pode faltar no seu caderninho de imigrante em Toronto. Trata-se do blog da Regina Filippov, por meio do qual você pode entrar em contato com uma profissional de muita experiência em prestar serviços imobiliários à comunidade brasileira em Toronto e região.

Além das altas dicas prestadas no blog, você pode requisitar uma consulta sobre compra, venda ou aluguel de apartamento, casa e pontos comerciais e ser atendido em português!  




14.1.09

Literatura para imigrante

Estou passando para dar uma dica de leitura, especialmente para aqueles que ainda estão no Brasil se preparando para imigrar. Trata-se do livro "How to Find a Job in Canada - Common Problems and Effective Solutions" de Efim Cheinis e Dale Sproule, publicado pela Oxford em 2008. 

Digo para os que ainda estão no Brasil porque honestamente achei o livro bem fraquinho para quem está aqui e - como eu - está iniciando o terceiro ano, já colocou e continua colocando em prática todas as "dicas" do livro e ainda não atingiu todas as maravilhas que o mesmo (o livro) promete:)

Quem já está aqui há um certo tempo não precisa perder tempo em comprar ou até mesmo ler com muita atenção. Faça como eu fiz, alugue na biblioteca pública e dê uma olhada por cima para ver se algo se aplica ao seu caso. Aquela coisa de fazer o exercício diário de tentar descobrir se há algo que você ainda não fez, que esteja ao seu alcance e que você ainda pode fazer sabe? Decepção... Apesar do autor afirmar que sim, este livro não é para quem já está aqui. 

Já para quem está no Brasil (ou em qualquer outro país que não o Canadá) acaba sendo bem válido porque me lembro de ter descoberto sozinha e na raça, em meus primeiros meses aqui, muitos dos tópicos que o autor cita no livro. Informações que por mais que você se prepare aí do Brasil fica muito difícil saber se não tiver alguém aqui no Canadá escrevendo um livro e colocando as informações em um lugar só para você. Ponto para o autor neste sentido! 

Agora se você é como eu e sabe que já tentou e continua tentando tudo que é possível, aí só nos resta viver plenamente e curtir as vantagens (que não são poucas!) de não trabalhar fora (o marido me ensinou a acrescentar a palavra "fora" ao verbo trabalhar porque, segundo ele, eu nunca trabalhei tanto como desde que me mudei para o Canadá). 

Uma das vantagens é ter tempo para ler mais e aí eu não resisti em listar as principais pérolas e algumas falácias "comerciais" do livro: 

"Reading this book will reduce the time it will take you to find a job – all of the important information you will need has been organized in one place" (Se não há demanda para o que você faz, no momento que você procura, não há livro de ouro que vá fazer isso para você! ) 

"Success will not come easily in your new homeland. But if you use the Canadian support systems described in this book, your chances of success will increase dramatically " (Me reservo no direito de ficar calada parte I) 

Além de algumas contradições, especificamente quando fala dos "survival jobs":

O autor aponta os prós deste tipo de trabalho da seguinte maneira:

"Survival jobs count as Canadian experience and you can put it on your resume" (Totalmente discutível! Já ouvi muito consultor aqui dizendo para não colocar  no currículo. A equação não é tão simples assim.)

"You will make new friends" (Me reservo no direito de ficar calada parte II)

"You may be able to build a business network" (Disse bem, may...Como eu não havia pensado nisso antes? Claro! Servir mesas em um restaurante lotado é o melhor momento para construir uma boa rede de negócios! Oh yes!)

Ao mesmo tempo, contraditoriamente, o autor traz os contras dos “survival jobs”:

"While you are working in a survival job, you may not be getting good Canadian experience in your own field of work." (Espera aí , mas ele não diz lá nos prós que é para colocar no currículo , que pode ser bom, blá , blá, blá... Ah, tá... Então a equação não é tão simples assim!)

"The work will not likely be in your field, so you will not be using the knowledge and experience you already have" (Descobriu a América! Mas e as contas? Lembram delas?)

E para fechar com chave de ouro este capítulo que para mim foi um dos destaques nas pérolas...

"The longer you stay in a survival job, the harder it may be to leave. Make sure that you do not stay in a survival job too long. If you do, you will not benefit from your many years of hard-earned education and experience in your field"  (ah vá!) 

Enfim, como eu disse lá no começo, há recursos bons e novos no livro para quem ainda está no Brasil ter uma idéia do que vem pela frente. Agora dizer que quem já está no Canadá (como o autor faz na abertura) também vai aproveitar muito esta leitura, aí já é forçar muito a barra para aumentar as vendas. 

*PS - Desculpem-me o sarcasmo mas eu não resisti, o livro é um prato cheio... Agora vou voltar para a minha excelente leitura de cabeceira que eu ganho muito mais. Estou lendo a biografia do Ted Rogers, esta sim vale à pena (ao menos no meu caso:)!

 

 

13.1.09

O Pato de Pequim

Sábado que passou me fez lembrar o quanto gosto de um pato bem preparado! Lembrei do pato na laranja delicioso que a minha sogra faz como ninguém. Dos famosos marrecos que degustei com os meus avós no sul do Brasil e da primeira vez que comi um pato à moda chinesa aqui em Toronto, no ano passado, à convite de um casal de chineses muito gente boa e ex-colegas de departamento do marido. 

Desta vez o convite veio dos vizinhos Liliane e Rafael e lá fomos o sexteto (Kati e Peter nos deram a honra de sua presença na hora de degustar o patinho:) para o Peking Man aproveitar a boa conversa em torno do pato de Pequim. Para quem está em Toronto e curte um bom pato, vale a dica! Ah, se você for ao Peking Man, não se deixe intimidar pela decoração meio Vereda Tropical do local: uma mistura forte de cores, frutas e flores (traduzindo para quem não tem a mesma experiência de vida e paixão por novelas que eu tenho:). A comida é muito boa!

 

30.12.08

Bobo, chato e feio...

Tivesse eu a autoridade de uma criança de 4 anos, era exatamente assim que chamaria o ano de 2008 ao me despedir dele (o ano): “Bobo, chato e feio…” 

Nunca exerci tanto a capacidade humana de cair e levantar, chorar e sorrir logo depois na tentativa de lembrar que depois de fortes baques – tanto físicos quanto emocionais -  vem sempre a suavidade de um sorriso te acalmar, seja o seu mesmo, de um grande amigo ou até mesmo de um estranho na rua! 

Como em um gráfico inconstante eu conquistei, comemorei e logo em seguida tive que “desconquistar” e “descomemorar” (com o perdão da desconstrução das palavras) por várias ocasiões durante todo o ano. O que exatamente estariam vocês se perguntando? Honestamente, agora que o “Bobo, chato e feio” está se despedindo e a luz de um novo ano chega perto de mim, não importam mais os diversos acontecimentos que me entorpeceram, tanto no profissional quanto no pessoal (emprestando um dos chavões mais irritantes do apresentador de TV Fausto Silva) J 

Mas espera aí… Não sou eu a seguidora da filosofia budista que diz que em tudo que é negativo sempre há o lado positivo? Aquela que quase que diariamente repete o que o meus queridos Sifus (mestres do kung fu) me ensinaram : “Sem dor não há crescimento”. Sim, claro! Acontece que em 2008 cresci demais, ou seja, sem dor realmente não há crescimento e vamos dizer que em 2008 devo ter atingido a altura dos Deuses! 

Agora o lado positivo do ano “Bobo, chato e feio”: o amor incondicional do meu marido, o apoio mesmo que de longe da minha família e dos amigos de lá e de cá. A palavra de carinho no momento certo, o ombro amigo, um gesto, um sorriso. Ei, mas espera aí, isso não pode ser privilégio logo do ano “Bobo, chato e feio”! Afinal de contas tenho isso tudo todos os anos desde que me conheço por gente! Tá bom 2008, vou deixar como sendo o seu privilégio, afinal de contas foi o ano em que mais precisei de tudo isso, incluindo a minha saúde. 

E por falar em saúde, agora que o furacão passou e o ciclo se reinicia, queria aproveitar o ultimo post do ano para desejar a todos que me acompanham um ano novo cheio de paz, saúde e sabedoria! Tenho certeza que ao final de 2009 não o chamarei de Bobo, chato e feio pois o treinamento intensivo em 2008 me deu a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar aquilo que posso e a sabedoria para saber a diferença… 

Um lindo e feliz ano novo a todos e que venha 2009! 

21.12.08

Bem perto do ídolo

Havia alguns anos que não me sentia assim, tensa e sem palavras diante de um ídolo. Lembro-me da última vez que me senti assim quando encontrei com o meu eterno ídolo Arnaldo Antunes. A simples tarefa de lhe pedir um autógrafo do seu livro de poesia concreta se tornou algo complexo pois as palavras não saiam.

Curiosa esta magia que acontece quando nos encontramos com nossos ídolos. Desde que cheguei no Canadá desenvolvi uma admiração muito forte pelo trabalho do jornalista George Stroumboulopoulos que comanda brilhantemente as entrevistas diariamente no The Hour. Não era de hoje que eu queria fazer parte da platéia dele e assistir a gravação de um programa.

Aproveitei a presença da Leslie aqui e fomos juntas. Ao final da gravação fui logo dizendo: "Leslie, eu não posso sair daqui sem uma foto com o George!" Coisa de tiete mesmo. E como vocês podem perceber o meu objetivo foi atingido, mas não sem a tradicional "travada" diante do ídolo.

Quando cheguei para conversar com ele e pedir a foto, nem me lembro o que falei. A Leslie ainda comentou comigo. "Amiga, que fofo como você falou com ele dizendo "I am a huge fan of you and Leslie is a good friend of mine who came from Brazil to see you..." Eu logo disse, eu falei isso? Não lembro, estava anestesiada pelo efeito admiração do ídolo. 

Para mim, o George é o melhor entrevistador da TV canadense, o mais inteligente e sagaz. Adoro mesmo o seu trabalho e tive a chance de dizer isso para ele mas confesso que alguns segundos antes de conversar com ele cheguei a ter a sensação de ter esquecido que sabia falar inglês.

14.12.08

It is not funny!!!!!!!

Há certas coisas que só os grandes amigos e de longa data fazem por você. Nas últimas semanas tenho tido o privilégio de hospedar uma grande amiga de mais de dez anos que trocou o calor dos trópicos pelo inverno Canadense para passar suas férias junto de nós. A Leslie é daquelas amigas que já presenciou muitos momentos especiais de nossas vidas, tristes e felizes. Enfim, já fizemos de um tudo juntos e o que mais sabemos fazer de melhor sempre que nos reunimos é rir muito de nós mesmos, de nosso besteirol e de tantas histórias que já passamos juntos em tantos anos de amizade.

Ano entra, ano sai, a distância geográfica nos separa e nada muda! Desde que a Leslie chegou e nos mostrou este video aqui já demos muita risada e o slogan "blooda, it is not funny!" se tornou um mantra aqui em casa para as mais diversas situações. O video é tão engraçado e a criança é tão fofa que resolvi dividir aqui para espalhar o efeito gargalhada que o mesmo provoca aqui em casa cada vez que assistimos. 

Eu não poderia deixar de citar neste post outra grande e muito querida amiga - a Dani Zuim - que ficou no Brasil mas mandou via Leslie este video divertidíssimo. Zuina, só poderia ter vindo de você mesmo este vídeo! Saudades mil!

7.12.08

Um aniversário muito especial

Sábado que passou comemorei o meu aniversário juntamente com mais 2 queridas amigas que também nasceram em dezembro. Na verdade o meu aniversário ainda será dia 17 de dezembro mas a festa de arromba já aconteceu e foi o máximo! Queria aproveitar o post para agradecer a todos os presentes e especialmente a Kati e a Fabi que juntamente comigo formaram o trio parada dura desta festança!

O meu agradecimento especial para:

Luci que nos presentou com o seu delicioso bolo.
Leslie que veio do Brasil para passar este momento especial comigo e trouxe o chocolate granulado do Brasil para o brigadeiro.
o marido que entrou na roda na hora de encher bexiga e tudo mais (não basta ser marido, tem que participar).
Guta que me tranquilizou em um momento muito difícil da minha vida e concomitante à festa (valeu Guta!).
Dona Mirtes (a mãe da Fabi) que com seu carinho de mãe nos ajudou na hora de alimentar a galerinha na festa.

E o meu muito obrigado para todos vocês que estiveram presente neste que foi para mim um aniversário muito especial. Obrigada pela força e pelo apoio de todos em um momento particular não tão feliz quanto foi esta linda festa! Vocês certamente fizeram a diferença!

22.11.08

Motorizados novamente

Eis que após um longo e tenebroso inverno de dois anos e dois meses (leia-se desde que chegamos em Toronto), o carro volta às nossas vidas! 

Foi até engraçado o primeiro fim de semana de carro, não sabíamos nem como agir direito com  o novo brinquedinho apesar de ter dirigido e ter tido carro a vida inteira no Brasil, o fato de ter ficado sem o meio de transporte mais famoso na america do norte por um bom tempo nos fez habituar com outro estilo de vida, bem mais ecologicamente correto por assim dizer:)

Mas como nem só de preservar o ambiente vive o ser humano, e, principalmente, o pobre do marido que já não aguentava mais gastar duas horas para voltar do trabalho usando o transporte público (o marido trabalha em outra cidade próxima à Toronto) lá fomos adquirir o nosso carrinho compacto e econômico para aliviar o marido principalmente. E claro que agora, motorizados, acabamos até conseguindo economizar em outras coisas podendo ir mais longe em busca de comida e das necessidades básicas da vida. 

Sem falar que ficou bem melhor para receber visitas. Leslie querida, você vai ser a primeira a usar o carro novo, estamos te esperando ansiosamente já com o seu quarto preparadinho aqui para passarmos juntos o Natal!

7.11.08

Festival de Cinema brasileiro em Toronto

Se você está em Toronto e gosta de um cineminha não pode perder o BRAFFT 08 Brazilian Film Festival of Toronto que começou ontem e vai até domingo - 9 de novembro. 

Eu? Vou ver se consigo ver Orquestra dos Meninos ainda hoje, O meu nome não é Jonnhy e A nossa vida não cabe em um Opala amanhã e quem sabe alguma outra coisinha no domingo! É isso aí, aproveitem o cinema da terrinha sendo promovido além mar.

Bom fim de semana!

6.11.08

Yes, We Can...

Como curiosa que sempre fui, além da formação de jornalista e de ter crescido amando acompanhar os grandes eventos do mundo via cobertura jornalística, há dois assuntos que sempre adorei seguir mais de perto - história e política de qualquer país do mundo. O fato é que agora, morando aqui no Canadá e portanto sendo vizinha dos EUA, ficou ainda mais interessante acompanhar a história e a política do vizinho do sul como os canadenses gostam de se referir aos Estados Unidos da América. 

Acompanhei as eleições americanas bem de perto desde o início tanto sob o ponto de vista da imprensa canadense quanto da brasileira. Assisti a todos os debates, discursos, entrevistas, além das análises dos jornalistas mais inteligentes reunidos em um único programa chamado Manhattan Conexion (estava morrendo de saudades das análises cruas, inteligentes e ácidas do Diogo Mainardi e de seus não menos inteligentes e capacitados colegas Caio Blinder, Lucas Mendes e Ricardo Amorim). 

Enfim, ontem à noite discutíamos em sala de aula - liderados pelo melhor professor que já tive aqui no Canadá - (o cara já foi repórter do Washington Post e é um arquivo vivo da história e política dos EUA. Resultado, a aula dele é um deleite!) - as estratégias de comunicação por trás das campanhas eleitorais e como a Web 2.0 influenciou a maneira como os profissionais de assessoria de comunicação e estrategistas preparam suas campanhas de PR. Foi aí que o meu professor mostrou em aula este video baseado no slogan de campanha de Barack Obama, o  44 presidente eleito dos EUA. 

Independente de sua opinião politíca ou qualquer julgamento que seja, o fato é que Obama é um grande comunicador com uma habilidade de oratória impressionante que todo assessor de imprensa deseja em seus porta-vozes. O video realizado para sua campanha, assim como seu slogan de campanha Yes, We Can são espetacularmente bem feitos, produzidos e com o poder de persuadir.

Além deste vídeo, ambos os discursos tanto o de Obama quanto o de McCain aceitando a derrota são dignos de servirem como modelos de discursos bem feitos! Se você não é como eu e não ficou acordado na noite de 4 de novembro esperando para ver o discurso ao vivo, veja aqui o de Obama e o também muito bem conduzido discurso de McCain. Emocionante e parte da história!

3.11.08

Halloween "Brazuca" em Toronto - segundo ano

A festa de Halloween dos amigos e vizinhos que, em sua maioria, vive seu terceiro ano em Toronto mais uma vez foi muito divertida e não faltou animação assim como no ano passado. Já está virando até uma tradição as animadas rodas de dança ao som de Balão Mágico, Xuxa e todos os hits da infância e da adolescência da turminha que passou dos trinta. Sem falar que o pessoal caprichou nas fantasias. Parabéns a turminha mais uma vez pela animação de sempre e para as organizadoras. A festa estava o máximo!



10.10.08

O desafio de fazer política em dois idiomas

É curioso acompanhar o cenário político canadense com suas particularidades bilingues. A coisa fica mais interessante ainda quando se está há 4 dias de eleições federais. Tudo é motivo para esquentar os debates e as entrevistas que os candidatos ao cargo de Primeiro Ministro canadense dão aos veículos de comunicação canadense.

Para quem está fora do Canadá ou não está acompanhando, o cenário político para as eleições federais resume-se aos seguintes partidos e candidatos: o atual primeiro ministro Harper tentando se reeleger pelo partido Conservador, Stephane Dion (lider da oposição pelo partido Liberal) centro da última polêmica e motivo deste post, Jack Layton pelo NDP (o partido democrata) e Elizabeth May  (líder do partido verde).

De volta à última polêmica. Todos os candidatos ao cargo de primeiro ministro do Canadá passam por debates conduzidos nos dois idiomas: inglês e francês. Naturalmente, o inglês é o primeiro idioma de uns, o francês o segundo idioma de outros e vice-versa. A panacéia linguística se deu ontem quando o líder da oposição Stephane Dion deu esta entrevista, em inglês,  para um canal canadense  e o jornalista teve que repetir 3 vezes a mesma pergunta e ainda assim Dion não conseguiu entender. O primeiro idioma de Dion é o francês. 

Daí começa a confusão. A pergunta hipotética "If you were the Prime Minister what would have done about the economy and the global crisis that Mr. Harper hasn't done?" e a ausência de resposta de Dion agora se espalha e surgem diversas teorias. O próprio Dion, enquanto eu escrevo este post, está dando entrevistas tentando esclarecer o episódio dizendo que o inglês é o seu segundo idioma e é natural que ele não tenha entendido, isso acontece. Um de seus assessores mencionou que Dion tem um problema de audição. Enquanto isso ....

O atual primeiro ministro e candidato à reeleição diz que isso não tem nada a ver com idioma, falta de audição mas com o simples fato de Dion não ter um plano para lidar com situações de crise como a que estamos passando agora. Ah, há ainda a opinião de alguns eleitores canadenses que estão comentando nos blogs de notícias e que, naturalmente apoiam a reeleição de Harper, que se fosse o atual primeiro ministro sendo entrevistado em francês (segundo idioma de Harper) ele teria entendido e respondido a mesma questão em francês.

Está armado o circo faltando apenas 4 dias para as eleições federais que, segundo analistas e pesquisas, deve reeleger o atual primeiro ministro. Entretanto, independente de opinião política e partidária, achei o fato muito curioso. Como jornalista e uma apaixonada por discussões em torno de comunicação, linguística, semântica e idiomas estrangeiros, não poderia deixar de notar o ocorrido.

E você? O que acha? Foi um problema de idioma? de audição? falta de preparo? falta de plataforma política ou tudo junto? 

Bom fim de semana  à todos!

6.10.08

Cegueira Branca

E se você fosse a única pessoa que pudesse enxergar?

Aqui em casa, ambos leitores de Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago, estávamos muito ansiosos para conferir a adaptação da obra que começou a passar nos cinemas por aqui na última sexta-feira, 3 de outubro, com o título de Blindness. Fomos ontem e não nos decepcionamos! Um excelente filme, assim como o livro!

Fernando Meirelles simplesmente deu um show de direção e, na minha opinião, atingiu seus objetivos em fazer uma adaptação naturalista que fizesse com que as pessoas saíssem do cinema se perguntando “E se isso acontecesse comigo?” Provocativo, forte, impactante. Um clip sobre as misérias do caráter humano e suas consequências...

Isso sem falar nos efeitos visuais e de som utilizados para causar em quem assiste a verdadeira sensação da cegueira – a cegueira branca. Usar a luz branca como recurso de finalizar uma cena e iniciar outra. O senso de desorientação que a direção do filme atingiu ao usar e abusar de sons é incrível! 

Blindness – Ensaio sobre a Cegueira aí no Brasil – é um filme sobre a condição humana. Assim como no livro, não se trata de contar a estória de algum lugar ou tempo específico. Os valores humanos, seus limites, a moralidade e o que acontece quando uma sociedade toda é avassalada por um problema e apenas uma pessoa está em condição diferente? Aí entra a brilhante atuação de Juliane Moore, ela carrega o filme, a história é contada sob o ponto de vista dela. 

Outro mérito do filme foi o de ser bem fiel ao inteligente texto de José Saramago! Até o cachorro, que no livro é chamado de “cachorro das lágrimas”, está no filme. Segundo o próprio Fernando Meirelles, este foi o único toque que José Saramago deu a ele durante as filmagens, o de não esquecer do cachorro das lágrimas! 

Filme para pensar. Filme de metáforas e ao mesmo tempo tão real e naturalista. Filme muito bom. Excelente trabalho do Fernando Meirelles e de todo o elenco. Quem leu o livro e gostou muito da obra não sai do cinema desapontado com Blindness ou Ensaio da Cegueira aí no Brasil. O filme é nota mil! Como diz o slogan do filme por aqui: "You won't believe your eyes!"

*PS – Como a maior parte do filme foi rodada em São Paulo capital, outro exercício interessante para quem, como nós já morou ou mora na capital, é o de reconhecer cada viaduto, cada cenário mostrado nas externas do filme. Embora a produção tenha feito um excelente trabalho em trocar as placas com os nomes das ruas por nomes em inglês e cuidadar de todos os detalhes.

2.10.08

A Era do Gelo na revista do Itaú

A revista do Instituto Cultural Itaú deste mês reflete a migração e traz uma série de reportagens sobre o assunto. Entre elas, está o texto de Micheliny Verunschk "As grandes navegações - a era dos blogs reinventa a migração" para o qual fui entrevistada e pude contribuir para uma das muitas matérias sobre o assunto. 

Se você é, foi ou será um migrante, vale a leitura da série de reportagens!



Um lugar diferente, pessoas novas, uma língua estranha, costumes desconhecidos. Um sonho, talvez um pesadelo, mas sempre uma experiência. A Continuum de outubro Um lugar diferente, pessoas novas, uma língua estranha, costumes desconhecidos. Um sonho, talvez um pesadelo, mas sempre uma experiência. A Continuum de outubro propõe uma discussão sobre um tema complexo: a migração, seja ela física ou psicológica, espacial ou temporal. Os textos dessa edição não buscam oferecer respostas, mas, sim, reflexões sobre a vida face à mudança de lugar - ou à decisão de jamais sair dele. uma discussão sobre um tema complexo: a migração, seja ela física ou psicológica, espacial ou temporal. Os textos dessa edição não buscam oferecer respostas, mas, sim, reflexões sobre a vida face à mudança de lugar - ou à decisão de jamais sair dele.

26.9.08

Mudaram as estações...


Há uma semana tenho acompanhado da sacada as mudanças gradativas de tonalidade das folhas das árvores em volta de casa. Inclusive a única foto panorâmica do slide foi tirada da minha sacada.

Hoje peguei a máquina fotográfica e foi caminhar em meio a esta linda paisagem que timidamente dá as caras do outono por estas bandas.  Apesar de este já ser o meu terceiro outono aqui, não consigo deixar de apreciar e de continuar achando muito lindo! O mais gostoso é que vira um tipo de tarefa levantar todas as manhãs e procurar novas árvores coloridas em meio ao verde, pois daqui a pouco estarão todas alaranjadas, vermelhas e amarelas. Aqui em casa já virou competição:)



25.9.08

Experiência canadense

Em dois anos que estou aqui já ouvi muita gente tentando explicar o inexplicável, justificar o injustificável e até trabalhar muito de graça em busca da famijerada experiência canadense (incluindo a pessoa que vos escreve:). Até aí nada de novo. Estamos aí para o que der, vier e o que não der também.

Estava eu aqui fazendo umas pesquisas para um trabalho do certificado de Corporate Communications que estou fazendo e, eis que me deparo com esta excelente análise sobre a dita cuja, esta mesmo. Não vou repetir o termo pois acredito na proliferação das palavras e se tem um termo que eu desejo que seja quebrado um dia para que os próximos não sofram tanto é este mesmo, este ai...

O fato é que, até então, eu ainda não havia me deparado com uma análise tão bem feita sobre o termo que atormenta grande parte dos imigrantes recém-chegados. É claro que o artigo, publicado no National Post de Julho deste ano, foi escrito por uma imigrante que está aqui e trabalho com imigrantes. Nem poderia ser diferente.

Eu leio muito, e nem tudo que leio me faz pensar - "UAU! queria ter escrito este texto!" Este certamente foi um deles, tanto que resolvi traduzi-lo aqui. 


*Versão em Português do Texto “A Waste of Talent” escrito por Najia Alavi e publicado no National Post de Julho de 2008.

Os imigrantes possuem menos chances de encontrar trabalho no Canadá se comparados com os nascidos no Canadá, mesmo que os mesmos tenham estudado em Universidades Norte Americanas, revelou estudo do Statistics Canada no fim de Julho de 2008. Tudo que eu posso dizer é: Me conte uma novidade.

Ao formular a política de imigração para a economia do Canadá baseada no conhecimento, nosso governo esqueceu que trabalho baseado no conhecimento involve pessoas – pessoas trabalhando com outras pessoas. E a maioria das pessoas prefere trabalhar com outras que se parecem com elas, falam como elas a dividem experiências de vida parecidas.

Isso posto, realmente não importa onde os imigrantes estudaram, ou, quão qualificados os mesmos são. De acordo com outro estudo do Statistics Canada, 51% dos imigrantes recém chegados no Canadá possuem curso universitário completo – índice duas vezes maior que os nascidos no Canadá. Ainda assim, a taxa de desemprego é duas vezes maior entre os imigrantes recém-chegados quando comparada com a população nascida no Canadá.

O que importa para os empregadores Canadenses é se o potencial funcionário “se encaixa” em suas empresas. Em outras palavras, como eles se apresentam, sua aparência, maneira de se vestir, de falar e sobre o que eles falam. Empregadores parecem preferir assuntos tipicamente Canadenses, como neve e casas de veraneio, a assuntos “estrangeiros” como avós que vivem em Karachi. Além disso, arrumar um trabalho frequentemente depende de quem você conhece; imigrantes recém-chegados, “carne nova no pedaço”, sequer conseguem encontrar um médico, então como eles vão ser capazes de localizar uma referência interna para o famoso “Mercado Escondido” (as vagas que nem chegam a ser anunciadas e são preenchidas via “network”)?

Um estudo de 2007, realizado pelo grupo CERIS de Toronto, sobre as atitudes dos empregadores e suas práticas de contratação, mostrou que empregadores confiam muito em seus contatos informais e referências internas para contratar. Empregadores sequer se dão conta de que seguindo estas práticas estão excluindo imigrantes recém-chegados.

Ou, talvez, em alguns casos, a exclusão se faz presente sim. Empregadores frequentemente dizem não contratar imigrantes justificando que os mesmos não possuem “Experiência no Mercado canadense”, incapacidade de se comunicar em Inglês, ou problemas com equivalência de credenciais internacionais. Ainda assim, mesmo imigrantes portadores de diplomas universitários obtidos nos Estados Unidos da América não conseguem encontrar trabalho. Além disso, em uma economia globalizada onde a mão de obra é cada vez mais “móvel” – não tem pátria – o fato de um candidato não possuir “experiência Canadense” deveria ser irrelevante.

Um exemplo: Um empregador diz a um imigrante que está procurando emprego: “Eu entendo que você era um chefe de culinária muito respeitado em um restaurante de Dubai, mas a maneira como preparamos a comida aqui é muito diferente de como vocês preparam lá.” Então eles oferecem ao candidato que de fato é adequado para a vaga de chef, uma posição como lavador de pratos no restaurante, para “ajudá-lo” a adquirir alguma “Experiência canadense”. Por mais ridículo que isso possa parecer, aqueles que como eu trabalham com imigrantes os ajudando a arrumar emprego, ouvimos histórias como estas todos os dias. Nós enviamos os imigrantes para palestras sobre como redigir um currículo Canadense, ensinamos técnicas de entrevistas e habilidades de comunicação no ambiente de trabalho canadense, e ainda assim vemos os mesmos gastarem meses procurando trabalho. Alguns simplesmente desistem.

O Conference Board of Canada estima que se todos os imigrantes estivessem empregados de acordo com suas qualificações e experiências, até $4,97 bilhões poderiam ser adicionados à economia canadense, anualmente. 

Infelizmente, noções ultrapassadas e inseguranças sobre os imigrantes ainda existem. A percepção de que imigrantes prejudicam a sociedade canadense persiste. Esta percepção precisa mudar se quisermos solucionar o problema.

Os imigrantes de hoje são dinâmicos, jovens profissionais altamente educados que vieram para o Canadá por causa de sua abertura, liberdade e respeito aos direitos individuais. Selecionados para entrar no país por meio de um sistema de pontuação de acordo com sua educação, qualificação e experiência, eles corretamente assumem que suas habilidades são necessárias neste pais.

Há demanda para Engenheiros, medicos, enfermeiras, profissionais de finanças e negócios em geral no Canadá. Ainda assim, empregadores continuam seguindo práticas de contratação arcaicas e que excluem os imigrantes, que, no final das contas, os mantém afastados de contratar o candidato mais competente.

A maioria dos imigrantes recém chegados ao Canadá veio de duas das economias que mais crescem no mundo – China e India. É apenas uma questão de tempo antes que eles se cansem de ser mal remunerados, de trabalhar com aquilo que não lhes traz satisfação e não é adequado ao seu perfil, e voltem para seus países de origem, onde suas habilidades e experiências serão bem vindas.

Aí sim, a realidade de escassez de mão de obra no Canada vai realmente se abater por aqui.



22.9.08

Imigração para o Canadá no Bom dia Brasil

Hoje de manhã, ao assistir ao Bom dia Brasil graças ao alerta de minha mãe lá do Brasil, tive a nítida sensação de que a produção de um dos melhores telejornais da TV Globo leu o meu post aí embaixo sobre a "verdadeira verdade"  - como cantou um dia a banda Cidade Negra - de parte dos imigrantes qualificados que chegam ao Canadá e resolveu usar a minha sugestão de pauta para o jornal:)

Parece até que eles leram o artigo "A Cara do Brasil em Ontario" que eu escrevi para a Brazilian Wave baseado em alguns resultados da pesquisa recentemente realizada pelo Centro Brazil Angola e, certamente, leram a última pesquisa do Statistics Canada sobre o assunto.

Achismos à parte, o fato é que finalmente uma matéria tratou do assunto de uma maneira mais séria e de acordo com a realidade de muitos! Parabéns ao Bom dia Brasil, sua produção e principalmente ao Marchos Uchoa que conduziu tão bem a matéria. 

Para quem já está no Canadá e não tem Globo Internacional, vale acompanhar a matéria aqui.


14.9.08

Dois anos de Canadá e...

Eu vivi: 

Bons, muito bons, felizes, muito felizes e nem tão bons e tão felizes momentos assim; 

Aceitação, rejeição, assédio moral e exploração (sim, talvez daqui há uns 20 anos eu seja capaz de falar mais abertamente sobre isso. Por enquanto ficou lá no baú das péssimas experiências que nos ensinam muito!); 

Descobertas, surpresas, neve, chuva, sol; esqui, snowboard, patinação no gelo; 

Viagens, frustração, inquietação e recomeços; 

NBA (um sonho!), vizinhos brazucas “gente boa”,  civilização, fila respeitada no ônibus; 

Celebridades (encontrei gente bem famosa em um de meus estágios de graça), a ásia é aqui, suas comidas e filosofias que eu curto bastante também; 

Apoio incondicional do marido e… 

Eu aprendi: 

A trabalhar de graça ininterruptamente para provar aos potenciais empregadores que sou capaz. (Já estou pensando até em colocar no meu CV: “especialista em caridade” e mandar uma carta ao Dalai Lama para ele ver como sua discípula está evoluindo espiritualmente!:) ; 

A ouvir de professores e supervisores dos programas para os quais eu trabalhei de graça, a tradicional pergunta: “O que vc está fazendo aqui com toda a sua experiência??” E ainda sim não poder dar a honesta resposta e seguir sorrindo “Imagina!” (o eterno exercício da modéstia e humildade). A última que ouvi foi do professor de “Media Relations” semana passada na Humber me dizendo que eu poderia estar no lugar dele dando aula (Ok teacher, whatever…); 

A relatividade do conceito que determinado Mercado de trabalho está em um bom momento e cheio de vagas – caso do meu Mercado aqui na América do Norte . Vagas nem sempre são sinônimos de oportunidades. 

A ser humilde e desapegada de bens materiais (mais ainda… ok, confesso. A minha única fraqueza são os brinquedinhos da Apple… também não sou o Buda né gente! Apenas sigo sua filosofia rsrs); 

A aceitar prazer e sofrimento, ganho ou perda, vitória e derrota com a mesma serenidade de espírito ; 

A ficar mais próxima ainda da doutrina budista por meio da qual o homem examina tudo, é um cético no sentido etimológico da palavra. O budismo não é a doutrina do êxtase, mas da reflexão profunda sobre as coisas. 

Eu senti: 

Impotência em ter total condição e qualificação para fazer muito e não poder; 

Confusão de sentimentos; 

Vontade de voltar querendo ficar . Vontade de ficar para não voltar (Complicado né?); 

A síndrome do “O que eu estou fazendo aqui? A que custo?” (esta, na mesma velocidade que vem, costuma ir embora. Em média, dura até que eu saia na rua ou vá até a biblioteca – o meu templo sagrado – ou vejo a ordem na fila do ônibus que vou para a escola; 

Imensa satisfação ao ouvir de um profissional de RH que você tem potencial para uma vaga do mesmo porte que você tinha no Brasil (ah vá!); 

Paz ao meditar no jardim japonês bem pertinho de casa; 

Eu concluí: 

Que ainda está valendo à pena;

Que enquanto valer à pena vou lutar com todas as forças para seguir;

Que estou no caminho certo;

Que ainda quero fazer muito por aqui; 

Que escolhi a melhor pessoa do mundo para estar ao meu lado nesta empreitada; 

Que estou vivendo um sonho – o meu sonho! 

*PS – Este depoimento é única e exclusivamente pessoal. Aqui é a Paula apenas que está colocando um pouco para fora suas intermináveis reflexões de imigrante. Eu estou escrevendo a minha história e você a sua!