27.1.10

Meu amigo repolho

Fui parar e já volto fala hoje daquele que tem sido um dos meus melhores amigos nos últimos quinze dias em minha prazerosa mas também dolorosa e desafiadora tarefa de amamentar, ao menos no início é bem difícil e tem seus desafios. Queria é saber porque ninguém (enfermeiros, profissionais de saúde, mães e tal) toca no assunto. Talvez não querendo assustar as mães de primeira viagem a amamentar que é uma das melhores coisas que a mesma pode fazer por seu filho. Isso todos concordam mas enfim, isso já é texto para um outro fui parar e já volto.

Hoje quero falar do milagroso REPOLHO e as propriedades altamente cicatrizantes e medicinais de sua folha. Posso dizer hoje que o repolho salvou o meu seio direito. Por algum motivo, talvez o fato de ambos sermos destros, no início era bem mais difícil posicionar o Arthur do meu lado direito daí os machucados. Foi quando entrou em ação o meu melhor e mais fiel amigo REPOLHO! Ah, antes que alguém visualize a cena das indias usando folhas de repolho no lugar de lingerie, é isso mesmo. Sabedoria pura, sei que a cena é engraçada mas quem se importa. Tudo que queremos é sarar e continuar amamentando.

Rapazes que me lêem, sei que ultimamente os assuntos por aqui estão tendendo um pouco mais para o mundo das mulherzinhas mamães mas acho que acaba sendo uma forma também de ajudar aqueles rapazes, que por algum motivo, ainda não pararam para pensar o quanto suas esposas , irmãs, mães e mulheres guerreiras ao seu redor dão de si mesma para que a vida se inicie e siga seu fluxo, o façam!

De novo a mãe natureza ao nosso lado. E viva o Repolho. Fui parar já volto.

21.1.10

Nosso Herói


A Carol colocou no blog dela e achei o máximo o trailer deste novo filme e resolvi espalhar por aqui também. Vale conferir!

18.1.10

Fui parir e já volto

Amanhã nosso pequeno Arthur completa uma semana de vida. Aqui em casa estamos nas nuvens porque o milagre da vida veio nos visitar. Entretanto, devo registrar que esta primeira semana pós parto não é nada fácil. Interessante a maneira da mãe natureza se expressar. Veio ela e me disse: "vou fazer crescer uma sementinha dentro de você que, durante 9 meses, vai contigo para onde você for, vai desorganizar todo o seu sistema emocional e físico e reposicionar os orgãos todos dentro de você".

Por nove meses, vocês serão um só , um só sistema disse a mãe de todas , a mãe natureza. Ah, você vai ter dois corações batendo dentro do seu corpo e vai alimentar um ser vivo até que ele tenha condições de sair. Acontece que tudo isso demorou 9 meses para acontecer e foi acontecendo gradativamente, te dando tempo de adaptação.

Aí, de repente , com o parto, tudo é tirado de dentro de você de uma só vez! Aí dá pane no sistema geral. Você ainda procura o botão de ajuste para tanta desregulagem. Engana-se quem pensa que troca de fraldas constantes e noites picotadas para amamentar sejam o fardo mais pesado de carregar. Nestas primeiras semanas na verdade acho isso tudo o mais fácil. O negócio mesmo é que você precisa ter cuidados consigo mesma e ao mesmo tempo cuidados com a amamentação, isso demanda tempo e energia.

Aí vem a mãe de todas novamente e acha uma maneira sei lá como de nos prover de uma energia vinda sei lá de onde para mesmo amamentando a cada duas horas e todo o resto, você se sinta a pessoa mais feliz do mundo. Basta olhar no rostinho lindo do pequeno ser que vocÊ juntamente com a pessoa amada criaram, pronto! Milagre instantâneo: todas as dores físicas nestes primeiros dias de adaptação são suportadas como num passe de mágica.

É o milagre da vida! Fui parir e já volto é o nome da série que criei para registrar aqui toda a minha experiência com o parto, gerar e criar um filho no exterior, hospitais, médicos, sistema de saúde canadense, amamentação, os desafios e tudo que envolve este mundo que vivo a partir de agora. Claro que na medida em que for dando tempo venho aqui. Afinal, virei um restaurante ambulante aberto 24 horas para atender a um cliente muito VIP e exigente:)

Até já. Fui parir e já volto.

5.1.10

Que venha 2010!



Nem parece que já estou escrevendo por aqui no quinto dia do ano mais esperado por nós desde que soubemos que nosso pequeno Arthur chegaria no primeiro mês de 2010, nosso quarto ano em terras canadenses. Eu não poderia deixar de passar por aqui neste dia 5 de janeiro para registrar que hoje completo 40 semanas de gestação, o que signfica que, em no máximo duas semanas a contar de hoje, seremos três e não mais dois aqui neste lar.

Passo também para dizer que estamos bem, mamãe pratica suas meditações e caminhadas regulares para manter o espírito zen e carregar energias para o momento da grande "maratona" de sua vida (é assim que as enfermeiras descrevem o trabalho de parto por aqui, como sendo a maior maratona pela qual o seu corpo vai passar), continua suas atividades regulares de leitura e afazeres do lar e o pequeno Arthur espera calmamente o momento exato de avisar que é hora de sair. Parece que nosso pequeno está querendo fazer parte das estatísticas médicas canadenses de que 75% dos bebês nascem após a data prevista por conta da margem de erro, já esperada, de duas semanas na contagem das 40 semanas de gestação.

Enquanto isso resolvi apontar o que mais amei sobre essas 40 semanas de gestação:

1 - Sentir um ser vivo se movimentando dentro de você. (no começo é bem surreal e até mesmo estranho mas uma vez que você se acostuma é a sensação mais feliz e gostosa entre todas possíveis!)

2 - Os risos e encantos do marido com a barriga "mutante".

3 - Estranhos na rua, no mercado, e em todos os lugares te abordarem o tempo todo e conversarem com você sobre a sua barriga, sua gestação e tudo mais.

4 - Minha barriga ter virado praticamente um patrimônio público com todos querendo acariciá-la. É uma delícia sentir o carinho de todos para comigo em um momento tão especial!

5 - Ficar horas brincando com o marido de tentar adivinhar a carinha do Arthur, suas atitudes, seus gostos e personalidade.

6 - Passar toda a gestação sem nenhum grande problema de saúde, podendo continuar todas as minhas atividades normais. Até hoje, embora com uma barriga bem mais pesada, ainda estou indo à cinema, fazendo caminhadas e saindo para passear.

7 - O meu obstetra e toda a equipe que tem acompanhado o meu prenatal aqui em Toronto.

8 - Ouvir outro coração batendo dentro de você! Surreal e indescritível a emoção.

9 - Ver um pequeno ser se formando e crescendo mais saudável a cada ultrassom e a cada consulta: impagável!

10 - Sentir todas as vibrações positivas e o carinho de todos os amigos (os daqui e os do Brasil) e da família que tenho certeza fará toda a diferença no nascimento do Arthur.

Espero que todos tenham um ano de 2010 tão lindo e cheio de descobertas como já tenho certeza que o nosso será! Assim que der vamos mandando notícias, por hora vou curtindo a minha estação preferida do ano - o inverno canadense:)





29.12.09

Vá ao cinema e feliz 2010

Hoje passei aqui não somente para dar uma dica de um excelente filme mas também para desejar uma excelente virada de ano para todos que me leem. Que a sabedoria chegue a todos junto com o novo ano que nasce. Aquela sabedoria necessária para distinguirmos sempre aquilo que podemos mudar do que não temos controle algum e dela tirarmos uma vida com qualidade e paz de espírito.

E por falar em paz de espírito, enquanto atinjo a trigésima nona semana da minha gestação (teoricamente a penúltima, pois apenas 5% dos bebês nascem na data estimada e os médicos ainda consideram esperar pela hora "D" até a quadragésima segunda semana) estou aqui aproveitando para meditar bastante, ler livros descompromissados (estou lendo o divertido e água com açúcar Confessions of a Shopaholic) e ir ao cinema com o marido.

Além de muitos filmes alugados, entre eles o ótimo Julie e Julia, no último dia 25 fomos curtir o finzinho do feriado de natal no cinema. Assistimos o excelente novo filme do George Clooney - Up in the air. No Brasil fizeram o deserviço de traduzir para "Amor sem escalas". Detesto o que fazem com a tradução dos títulos no Brasil, muitos acabam passando uma idéia totalmente errada do filme, mas enfim...

Não vou aqui contar detalhes do filme até porque detesto quando leio muito sobre algo que quero ver no cinema. De qualquer maneira, o filme é daqueles para não deixar de assistir. Além de um equilíbrio inteligente entre um humor sagaz-sátira do mundo corporativo, globalizado e em meio à tanta tecnologia em que vivemos e uma pitada de reflexão sobre relacionamentos (profissionais, afetivos e familiares), há a irresistível, competentíssima e sempre sedutora atuação do George Clooney (sorry guys:).

Se você ainda não viu vá ver e saia do cinema pensando. Adoro filmes assim! Ah, e tenham todos um excelente 2010. Enquanto isso continuo aqui lendo, vendo filmes e esperando...

FELIZ ANO NOVO e até 2010!

21.12.09

Dicas saborosas

Estou aqui completando meu nono mês de gestação esta semana e me dei conta de que com todos os preparativos finais para a chegada do Arthur deixei o blog meio de lado. Aliás, segundo a minha amiga Kati eu estou parindo e não percebi:) Como se isso fosse possível:)

Enfim, há algumas semanas venho querendo compartilhar algumas dicas de locais bem bons para se comer em Toronto e que nos foram apresentados por nossos amigos e vizinhos Veka e Cleber. A Veka nos deu a excelente dica da Lebanese Bakery. Para quem é um apaixonado por quibes e esfirras como eu, o local, é um templo da perdição, além de ser limpo, aconchegante e tudo ser muito saboroso por lá! Dá até para comer lá pois tem umas mesinhas simpáticas. Para quem gosta dos doces libaneses também é uma ótima pedida. Se você mora em Toronto precisa experimentar!

Outra excelente dica nos foi passada pelo vizinho Cleber. Trata-se do Cora que também testamos e aprovamos. O local é ótimo para um brunch naquele domingo que você acordou bem tarde e já passou da hora do café da manhã mas ainda não tá na hora do almoço. Se você fizer como nós e for em um domingo por volta das 11 da manhã vai encontrar uma certa espera mas que não demora tanto para sentar. Uma delícia!

E para terminar, na quinta que passou foi meu aniversário e o marido me levou para almoçar no Paisanos. Um aconchegante restaurante italiano com o mais delicioso bife à parmegiana que eu já comi por essas bandas, ambiente gostoso e preços muito honestos e razoáveis.

É isso. Bom apetite e boa semana natalina à todos!

30.11.09

Aprendendo a parir

Semana passada terminamos o curso prenatal no hospital onde o Arthur vai nascer. Mais uma das boas e positivas experiências que tenho tido durante toda a minha gestação aqui no Canadá. O povo vem pedindo para que eu as relate aqui. Aos poucos, conforme elas forem acontecendo prometo que venho aqui contar. Afinal de contas, parir em uma pátria que não te pariu (não resisti ao trocadilho:) trata-se de uma experiência e tanto! Mesmo que não raras vezes, enquanto imigrante e cidadã do mundo, me pego sentindo como em uma letra dos Titãs que diz nenhuma pátria me pariu"...

Resolvi apelidar o cursinho de "aprendendo a parir":) Como se isso fosse possível! Mesmo ainda não tendo parido, tenho que concordar com a enfermeira e com os "trocentos" livros e revistas sobre gravidez e parto que já li nestes quase nove meses de gestação. São unânimes em afirmar que não há parto igual ao outro e cada mulher, que por sua vez tem o corpo diferente da outra, vivencia o trabalho de parto de uma maneira totalmente diferente da outra. Tá, então o que há para ser ensinado? Toda a teoria e as características em comum claro!

O que mais eu tenho amado de poder ter o privilégio de vivenciar a minha gestação aqui no Canadá é o fato de toda a cultura daqui estar voltada para o parto normal. É fantástico o esforço que os profissionais de saúde (obstetras, parteiras, enfermeiras, clínicas, hospitais) e também da mídia fazem em torno de auxiliar a mulher a ter a melhor e mais normal experiência de parto possível! Disse dia desses ao meu marido que eu nasci para parir aqui! Claro que sei que sempre pode haver a necessidade de intervenções como a cesária e outras cositas, entretanto é muito bom saber que aqui , ao menos no hospital que vou parir, tudo é feito antes para evitar tais procedimentos.

Daí o foco todo do cursinho ser o ensinamento de técnicas (as quais algumas delas já sou bem treinada como por exemplo meditação e controle de respiração devido à prática de kung fu no passado e o meu envolvimento com filosofias do budismo) para o controle da dor, além de melhores posições e atividades a serem praticadas na hora das contrações. Enfim, uma arte do controle do corpo em um momento tão sublime!

Muito do que foi dito em 3 dias de cursinho eu já havia lido na minha compulsão por leitura (não importando o momento da minha vida), entretanto o que foi muito válido foi o fato de termos feito o tour pelo hospital e simulado tudo que vai ser feito quando chegarmos lá para parir. Sendo mãe de primeira viagem isso só nos dá uma segurança maior e a certeza de que eu não poderia ter escolhido lugar melhor para viver esta rica experiência.

Ok, tá bom, para não dizer que eu não tenho nenhuma reclamação aí vai. O estacionamento do hospital é um ROUBO, um assalto à mão armada e no nosso caso que precisariamos passar várias horas por causa do curso e ainda vamos precisar quando formos parir, ficamos pensando em uma estratégia. Bem, que o hospital não nos ouça, mas o estacionamento da IKEA (que fica a 5 minutos de caminhada até o hospital) tornou-se nosso estacionamento oficial todas as vezes que precisamos ir para o hospital. Afinal de contas a enfermeira vive falando da importância em caminhar para a gestante, mesmo tendo contrações, para ajudar na hora do parto. Voilá, dois coelhos em uma cajadada só.

Ah, e se vocês pensam que foi nossa a brilhante idéia, estão enganados. Em princípio, estávamos hesitantes em deixar o carro lá sabendo que a loja fecha as 9h30 da noite e o curso acabaria mais tarde. Bastou apenas um bate papo com os casais canadenses que estavam no mesmo curso, todos consternados com o preço do estacionamento do hospital, para termos a certeza de que a melhor saída era mesmo deixar o carro lá e sem problemas nenhum em pegar de novo mais tarde. Todos fizeram isso! Foi muito engraçado, até a enfermeira concordava com a expressão corporal mas obviamente não podia recomendar tal façanha enquanto funcionária do hospital.

Como vocês podem perceber o novo slogan da IKEA para nós aqui em casa é "IKEA love your home ... and your pocket!" Ah, quanto ao peso na consciência ao ler a placa do estacionamento da IKEA dizendo que é para clientes, quem é imigrante aqui em Toronto sabe muito bem o quanto somos todos clientes da IKEA desde o nosso primeiro dia aqui em Toronto quando chegamos com duas malas e temos a casa para montar e pouco dinheiro no bolso! Santa IKEA!

16.11.09

Quando você é parte do grupo de risco

Para os que moram no hemisfério sul do globo, o pior já passou com o fim do inverno e a chegada das temperaturas mais amenas. Já para os que como nós habitam o hemisfério norte do globo, a temporada de resfriados, gripes e agravamento de doenças pulmonares está só começando com a proximidade do inverno e consequente baixa nas temperaturas.

Até aí nada de novo, isso acontece todos os anos. Não fossem 3 pequenos detalhes combinados (no meu caso ao menos) : a circulação do virus da H1N1 (vulgo gripe suína) no mundo todo, o fato de eu estar grávida de 8 meses e de que vou parir na estação mais fria do ano (que tem lá suas vantagens do ponto de vista gestacional como a ausência total de inchaço e desconfortos relacionados a ele), e eu estaria agindo como sempre agi na minha vida, mesmo quando morava no Brasil.

Todos os anos tomava a vacina da gripe "normal" por assim dizer e seguia minha rotina sem nunca ter pego a gripe. Sempre acreditei que quando o assunto é saúde o resto todo perde importância. Os meus pais sempre me ensinaram que se tem uma área que não se deve menosprezar na vida é com médicos e cuidados com a nossa própria saúde, qualidade de vida e coisa e tal. Talvez seja por isso que acredito serem os enfermeiros, médicos e profissionais da área de saúde aqueles que exercem as funções mais nobres e dignas e, portanto, merecedoras do meu mais profundo respeito e consequente confiança.

Não me entendam mal, quando eu falo que valorizar a saúde e respeitar e confiar nas recomendações de profissionais para mim é como uma religião, entendam saúde como a "ausência" de doença, portanto não sou nem de longe uma maníaca por remédios e coisas do gênero, ao contrário!

Enfim, com todoo cenário da gripe H1N1 literalmente esquentando as baixas temperaturas por aqui eu coloquei como prioridade conversar com o meu obstetra à respeito. Não precisei. Dia 25 de outubro, mais ou menos quando o governo começou a vacinar os grupos de risco, recebi a ligação do consultório do meu obstetra orientando todas as grávidas com mais de 20 semanas de gestação (eu já estou na 33 semana) e que vão ganhar neném (como se diz na minha terra) no North York General Hospital a comparecerem no hospital no dia 30 de outubro para tomar a vacina contra a gripe. Não hesitei um segundo!

Que alívio! Afinal não é fácil passar uma gestação inteira com a preocupação de evitar pegar uma gripe que possa causar danos graves ao meu filho e a mim mesma. Nunca fui neurótica com estas coisas, sempre procurei agir da maneira mais racional possível mas confesso que estar grávida diante de algumas circunstâncias nos faz ficar mais medrosas. Daí o meu alívio em saber que tomaria a vacina.

Hoje, 17 dias depois de vacinada, imunizada (e alividada!), posso dizer que estou muito mais tranquila e que a vacina não causou efeito colateral nenhum nem em mim e nem no meu bebê que está ótimo e cresce a cada dia. Ponto para o hospital onde o Arthur vai nascer que, organizadamente, tomou esta iniciativa e tratou suas grávidas com respeito e carinho.






9.11.09

20 anos da queda do Muro de Berlim

Em 2002, durante um mochilão que eu e o marido fizemos pela Europa, tive o privilégio de conhecer Berlim, uma das mais belas cidades que já visitei mundo afora!

E claro que nesta viagem não poderia faltar a visita aos restos do muro de Berlim. Fomos também ao que foi o campo de concentração em Dachau, visitamos o CheckPoint Charlie e muitos outros locais relacionados ao período em que havia duas Alemanhas.

Sempre guardarei excelentes recordações desta viagem fantástica que fizemos mas esta semana, por conta das celebrações mundo afora dos 20 anos da queda do muro de Berlim, refiz todo o trajeto mentalmente e foi como se estivesse lá de novo. Não bastasse isso, o UOL entra em contato comigo pedindo autorização para publicar uma foto minha (tirada pelo marido fotógrafo em 2002) em frente aos restos do muro grafitado.

Autorização concedida e eis o resultado nesta bela galeria de fotos que o UOL montou com imagens deste ícone que é o muro de Berlim. Já deixei aberto na nossa foto (sim, sou eu mesma aí de casaco preto, cabelos longos e 7 anos menos experiente:) Vale conferir! E viva a queda!

Nossas preciosas recordações do Muro de Berlim:



21.10.09

De volta para casa

Após curtir muito o carinho dos familiares e de bons e velhos amigos no Brasil, estamos de volta para casa. Eu, o marido e o Arthur que terça que vem completa sete meses de vida no meu ventre! Voltamos felizes, descansados e com todas as baterias recarregadas para a reta final da espera pelo Arthur.

Apesar de ser muito bom passear e estar perto de pessoas muito especiais, voltar para casa é sempre melhor ainda. Ir é bom e voltar também. Assim como a bela canção de Vinicius de Moraes diz que depois da chegada vem sempre a partida, eu concluo que sempre que aproveitamos cada minuto do presente como se fossem únicos não carregamos conosco o amargor da nostalgia mas sim a felicidade dos momentos vividos. O meu momento agora é cuidar da minha vida e preparar tudo para a chegada do meu filho - magia pura!

Este post é uma homenagem aos especiais e queridos amigos e familiares que fizeram de nossa estada no Brasil uma experiência inesquecível. Ai vai um resuminho de momentos que foram vividos como sendo únicos para que outros sempre venham.

14.9.09

3 anos de Canadá

O tempo não anda para trás. A mente é que possui uma capacidade inesgotável de lembrar o que passou e, para tanto, não categoriza. Lembra o bom, o ruim, o feliz, o angustiante...Enfim, revive. Claro que nossa vontade ajuda a deflagrar o que estava guardado disparando as sinapses que nos interessam mais.

Eu particularmente nunca fui muito de datas e rituais formais. Não é de hoje. A última celebração mais formal de uma data específica que me lembro ter participado foram os meus 15 anos. Nada contra grandes e mais formais celebrações, acho até bonito - para os outros. Choro em casamentos de amigas minhas e conhecidos mas eu mesma casei apenas no civil e de lá segui direto para a minha lua de mel (ah, essa sim valeu!). Participo de formaturas e continuo achando lindo, mas em todas as minhas formaturas eu nunca quis participar dos momentos solenes. E nunca participei.

Sou assim. Prefiro achar que todo dia tem algo de muito especial que vem junto com eles e que observo à minha volta quando sinto o cheiro da flor, caminho em meio às arvores, vejo o sorriso de uma criança e sou acolhida no abraço de quem me ama. Sou mais o viver o dia a dia como se fosse o último do que ficar celebrando em excesso determinadas datas em um específico dia pré-determinado.

No entanto, há uma data que eu faço questão de celebrar e lembrar sempre! Ah, essa é sagrada. O tempo de vida que tem o nosso projeto de viver no Canadá. E hoje é o dia em que, há três anos exatos, aterrisávamos no Pearson (o aeroporto de Toronto) para arriscar, sonhar, chorar, sorrir, apostar, acreditar, crescer, aprender, ensinar, tropeçar, cair, levantar e cair de novo. Enfim, viver a mais enriquecedora de todas as experiências de nossas vidas - a imigração.

E como vivemos! E ainda estamos vivendo firmes e fortes na certeza de que fizemos a coisa certa. Aí você se pergunta se a coisa certa é imigrar para o Canadá. E eu respondo não! A coisa certa é seguir os seus mais profundos desejos mesmo que para isso você precise enfrentar enormes dificuldades e ser feliz por estar vivendo o que você escolheu para si e não o que lhe foi impingido!

Estar feliz por saber que, mesmo que a caminhada seja longa (e ela é), os primeiros passos foram tomados e não prorrogados. Que mesmo tendo tropeçado muito no início, a estrada vai ficando menos tortuosa com o passar do tempo. Que mesmo que a saudades de familiares e queridos amigos seja sua eterna companheira, seus entes queridos (aqueles que de fato te amam) estão felizes por saber que você está escrevendo a sua história!

E sempre lembrando que, ao contrário do tempo que não anda para trás e a montanha que insiste em ficar lá parada (como canta meu eterno ídolo Arnaldo Antunes), nós temos a obrigação de continuar escrevendo o nosso enredo de acordo com a melodia que mais nos encanta ao coração. Por isso, vamos pegar as sementinhas que plantamos nestes últimos 3 anos de Canadá e trabalhar duro para que elas um dia gerem frutos nessa vida que escolhemos para nós. Mesmo que para isso tenhamos que esperar os mesmos 10 anos que o pé de jaboticaba do quintal dos meus pais demorou para dar os primeiros frutos. Resultado : hoje, 24 anos depois, o pé continua lá dando belas e doces jaboticabas... Sempre!

Feliz aniversário de 3 anos para nós!

1.9.09

Férias de imigrante

Estive pensando. O estado de ser imigrante deveria estar catalogado entre as profissões como engenheiro, médico, enfermeiro e assim por diante. E, regulamentado como tal, o imigrante "profissional" deveria, obrigatoriamente, gozar de férias frequentemente para manter sua sanidade mental em dia. Claro que as regras deveriam ser claras, como já diz Arnaldo Coelho, ou seja, em dois anos na carreira de imigrante a obrigatoriedade de férias pelo menos uma vez por ano e a partir de 3 anos na labuta, duas vezes por ano e assim sucessivamente.

Quanto mais tempo na carreira de imigrante mais importante para a sanidade mental do imigrante sair de férias. Detalhe importante da nova lei promulgada por mim : o destino das férias não pode ser qualquer um mas sim o país de origem do imigrante em questão. Portanto, no caso de brasileiros imigrantes espalhados mundo afora o destino: Brasil. Sim, porque não se trata apenas de visitar locais nunca dantes navegados ou explorar novos destinos, situações e culturas. Lembrem-se, isso o imigrante faz todos os dias em sua carreira exploradora e muitas vezes sofrida.

As férias neste caso seriam de um estado mental e emocional de ser imigrante que , por mais que o tempo passe e o mesmo se adapte à tudo em sua volta, lá onde ele está, em qualquer que seja a parte do mundo longe de suas origens, ele sempre será imigrante! Aos pouquinhos cresce, adquire mais conforto, faz amigos e as coisas vão melhorando mas mesmo assim, eternamente o estado de espirito está lá.

Aí, o imigrante volta para o seu local de origem para passear. E essa sou eu agora, gozando de merecidas férias do estado mental de imigrante na minha terra natal. Prestes a completar 3 anos na carreira de imigrante (dia 14 de setembro mais especificamente), revigoro meu espírito quando ando pelas ruas de uma pequena cidade do interior de SP que, mesmo vindo uma vez por ano, as referências todas de minha vida pré - imigrante estão lá. Além, é claro de pessoas que (aqui estou excluindo familiares e amigos. As chamaria de conhecidos) fizeram parte de toda a minha história e até hoje, não importa quanto tempo fico longe, tratam-me com o mesmo carinho e sorriso no rosto de outrora. Isso revigora, dá forças e energia para, no pós férias, voltar para a carreira de imigrante.

Quem já imigrou, está ao menos um ano longe de suas raízes e já gozou de suas férias de imigrante, sabe bem a diferença entre a atmosfera vivida pelo "profissional" imigrante em sua árdua batalha mas que nem por isso deixa de ser prazerosa por vezes, e aquela vivida em sua terra natal, independente do tempo de "profissão" .

Sim, gozo de férias no Brasil neste momento e vivencio como se fossem os últimos cada momento vivido onde não sou apenas mais uma imigrante mas sim alguém com história, passado, referências. Não que andar para frente, explorar e ter planos não sejam importantes mas é que isso, uma vez que se é imigrante, faz-se a cada segundo por todo sempre e, pelos primeiros 5 anos apenas construindo alguma história, ou seja, sem passado no local escolhido. Aí , naturalmente faz falta voltar de vez em quando para onde você enxerga no rosto do outro o que outrora passou.

E claro, sem falar em quão revigorante é dar uma passadinha na feira para comer um pastel, bater um papo descompromissado no boteco da esquina, molhar a horta, sentir o cheiro da terra e viver o momento das férias para, no retorno , continuar a enriquecedora mas muitas vezes desgastante "profissão" de imigrante!

17.8.09

O nosso Arthur


Há duas semanas descobrimos que estamos esperando um menino e o mais curioso foi que ao sairmos da clínica após o ultrassom que detectou o sexo, olhamos um para a cara do outro e já fomos logo afirmando: "É o Arthur que está aí na sua (minha) barriga!"

Mas isso não aconteceu da noite para o dia. Acho que tem uns dez anos que eu penso comigo mesma que se um dia Deus me desse o privilégio e a benção de gerar um filho e, se fosse homem, daria a e ele o nome Arthur. Simples assim. Então não tivemos o problema enfrentado por muitos de ter que fazer muitas pesquisas e consultas. A única preocupação sempre foi de ser um nome que soasse bem e não sofresse grandes alterações nem no Canadá e nem no Brasil.

Mesmo sem nunca ter visto o rostinho do Arthur e faltando aí mais quatro meses para termos ele em nossos braços, ele já está muito presente em nossas vidas (o meu sogro até brincou dia desses que lá na casa dele é um tal de tudo ser para um tal de "gringo" rsrs ).

Inspirada pelo Arthur, meu filho, resolvi que queria rever um dos meus filmes favoritos que conta a lenda do rei Arthur, aquele em que o maravilhoso (sorry marido:) Clive Owen faz o Arthur. Coincidentemente o canal BRAVO reprisou ontem o belo filme e eu e o marido (que também já leu vários livros da lenda, incluindo as Brumas de Avalon) ficamos grudados na telinha revendo o filme e imaginando como será a carinha do nosso Arthur!

10.8.09

Colunista do Mundo Blogs

A Gisela Garcia, jornalista capixaba que reside em Curitiba, fez o convite e eu aceitei. Faço parte do time de colunistas mundo afora que dão vida ao MundoBlogs. Já essa semana vocês podem conferir o meu terceiro texto por lá intitulado "Antropologia da nova gripe". Antes dele, escrevi "Que tal uma corrida pelo cemitério?" e devo continuar meus relatos aqui de Toronto frequentemente.

É com muito prazer que embarco neste projeto, ainda em seus primeiros passos, de proporcionar aos leitores opiniões diversas sobre assuntos relacionados à experiência de viver em cada canto deste mundão gigante mas ao mesmo tempo sem fronteiras.

O que a própria idealizadora do projeto, a Gisela, diz no editorial resume bem o propósito do portal : "No Mundo Blogs não queremos divultar pontos turísticos. Não queremos divulgar nada, para ser sincera. Espere aqui relatos do nosso dia-a-dia. Nossa intenção - se é que temos alguma intenção real além de escrever o que sentimos vontade - é mostrar as cidades onde moramos com os detalhes e curiosidades que ninguém conta, que nenhum site publica, que nenhum agente de viagem conhece. Espere aqui o lado bom e o lado ruim que toda cidade possui, com a visão de alguém que vive inserido no cotidiano deste lugar..."

Parabéns Gisela pela iniciativa e espero informar e divertir os leitores do MundoBlogs sempre! Passem lá que vale a leitura inclusive de colunistas espalhados em diferentes estados brasileiros.


21.7.09

Dona cegonha vem nos visitar...

(*Imagem by Anne Guedes).


Caminho nas ruas e vejo as pessoas com outros olhos... Paro. Penso. Concluo: "cada ser humano deste iniciou sua jornada dentro do útero de suas mães!"

Olho para os lados e, de repente, noto o tanto de mulheres grávidas à minha volta. Onde quer que eu vá! É a explosão populacional. Mas espera aí, não é não. Elas sempre estiveram lá, no mercado, no ônibus, no escritório, na feira, na farmácia. Sim, claro! Eu é que não via com os mesmos olhos de agora. Olhos de empatia por cada segundo de vida que é gerada dentro do útero de cada uma destas mulheres.

Ainda enxergo os meus pés, afinal começo agora o quarto mês do milagre que é o início da vida mais conhecido como gravidez. Entretanto vejo a pontinha de uma barriga que traz uma felicidade que eu nunca senti antes na vida. Completa, infinita e indescritível. A cada dia, o meu corpo muda, fala, ganha vida própria!

E as vezes até tenho a estranha sensação de estar participando de um experimento científico e que algum chip foi injetado em mim e agora é comandado, à distância e via controle remoto, por outrém que não eu! Embarco com o maior prazer nesta jornada sem controle. Uma hora choro, outra tenho acessos intermináveis de riso descontido. Choro porque o feijão que eu pretendia cozinhar acabou antes do planejado, disparo a rir porque o marido deixou algo cair no chão. Totalmente nonsense, sem controle. Uma delícia de descontrole, pois sigo na jornada fantástica da descoberta do que ainda está por vir.

Se mesmo a minha cabeça adulta, grávida mas adulta, sentiu nos primeiros 3 meses inteiros uma sensação que misturava encantamento e surrealismo ao mesmo tempo, que dirá a cabecinha de um pequenino garoto de cinco anos que me fez presenciar a cena mais linda de todas desde que soube que estava grávida. Em churrasco da empresa do marido, em um momento do dia, digo ao pequeno que há um bebê crescendo dentro da minha barriga e eis a sequência do diálogo:

"Isn't this food? (mas não é comida?)" - diz o espantado menino.
"No. There is a baby growing here ...(não. há um bebê crescendo aqui) - respondo eu contendo meu riso.

Instintivamente ele acaricia a minha barriga com um carinho e naturalidade típicos das crianças e diz: "Hi, baby.."

Não bastasse este momento mágico, no final do churrasco fomos nos despedir da mãe do menino em questão e ele veio correndo até mim, colocou os seus ovidos na minha barriga como que querendo estabelecer uma comunicação direta que só as crianças são capazes de ter com os bebês ainda no útero e saiu com essa:

"Can we open the baby now?? (podemos abrir o bebê agora?)" - indagou inquieto.
"No. Not yet, I am not prepared (Não. ainda não, não estou preparada... risos) - respondi.

Diante da resposta ele acaraciou novamente a minha barriga e disse "bye baby. see you later". E tem sido assim, desde que eu descobri a gravidez. Um momento mágico atrás do outro. Ah, a cegonha já programou a sua visita para dia 05 de janeiro e nós a aguardamos na maior felicidade do mundo!



16.7.09

Interior de Ontario

Domingo que passou fizemos um passeio delicioso! Uma ótima dica para quem está em Toronto ou em suas redondezas. Trata-se de uma região conhecida como Centre Wellington ou a junção das charmosas cidades Fergus, Elora, parte de Nichol, West Garafraxa e Eramosa, todas localizadas na região sudoeste de Ontario e acompanhando o curso do Grand River.

De Toronto, a viagem tem cerca de 115 km de distância e muito charme, principalmente em um domingo ensolarado de verão! Tanto Fergus quanto Elora são aquele tipo de cidadezinha charmosa do interior com passeio de charrete, tocadores de banjo nas ruas principais que não são muitas, afinal o charme todo está aí, e cheias de lojinhas de artesanato e antiguidade. Sem contar a natureza toda característica de cidades que acompanham o fluxo de um belo rio como Grand River.

O destaque deste passeio fica com Elora Quarry, um local onde os canadenses vão para curtir a praia (de rio claro!) mas um rio lindo, limpo e que formou uma piscina natural devido a especial formação rochosa em seu torno. O visitante pode, além de nadar, esticar-se para tomar um sol, fazer um churrasco à beira do rio. Você só precisa pagar a entrada de $4.50 por pessoa, levar a parafernália (a farofa mesmo:) e voilá... Passar um dia junto à natureza e depois completar a visita dando um passeio pela cidades , tomar um sorvete, ouvir o barulho da queda de água do moinho... Vale a visita!




2.7.09

Dia do Canada


No feriado de ontem (comemoração do aniversário de 142 anos de independência do Canadá) aproveitamos o dia lindo de sol para dar uma volta por alguns poucos parques da cidade que tinham algum evento acontecendo.

Por conta da greve de funcionários da prefeitura que já dura 11 dias, muitos eventos foram cancelados mas graças a alguns deles acontecerem em parques federais que, por sua vez, possuem mão de obra terceirizada e não sindicalizada, os moradores da cidade que não viajaram puderam celebrar o dia.

Sempre que vou a este tipo de evento em parques públicos, este já é o nosso terceiro Canada Day, o que mais gosto de ver é a maneira natural e interativa como a História é sempre passada para as futuras gerações, o que faz com que ela (a História) seja algo acessível e gostoso de se vivenciar. Tanto por crianças quanto por adultos.

Agora que moro aqui já me acostumei com uma das cenas mais lindas na minha opinião e muito corriqueira por estas bandas: a de pais, tios e avós mostrando e explicando a História para os pequenos que sequer começaram a andar. Há alguns anos, fiz uma viagem de intercâmbio pelo Rotary (GSE program) pelo estado de Illinois nos Estados Unidos e lembro-me que já naquela época, há uns 9 anos, emocionei-me muito ao ver, enquanto visitava o túmulo de Abraham Lincoln, um pai contar, em linguagem bem direcionada ao pequenino que o acompanhava, quem foi Abraham Lincoln e logo em seguida o pequenino que acabara de aprender a ler, lia parte da declaração de Lincoln em seu túmulo.

Naquela época eu era apenas uma turista encantada com a cena. Hoje, apesar de a cena ter se tornado parte da realidade em que vivo, não deixo de me encantar com ela e de achar lindo! E como podem ver pelas fotos deste post, não são só as crianças que gostam de vivenciar a História e de se envolver com ela ...







26.6.09

Seleção Carioca

O fato de eu morar por quase três anos no Canadá fez com que me conformasse e me adaptasse tanto à péssima qualidade das transmissões de eventos esportivos quanto das coberturas jornalísticas da TV canadense de maneira geral se comparados com o alto padrão de qualidade brasileiro em ambas as frentes. 

Claro que como resultado de uma (de)formação profissional:) o meu olhar é mais atento e cri cri para certas coisas que vejo e ouço nas coberturas tanto de eventos esportivos quanto de notícias em geral por aqui. Já vi de tudo mas como nos acostumamos à tudo nesta vida acabamos por fechar os olhos para os absurdos. 

Os olhos sim, mas nem sempre os ouvidos. Domingo passado enquanto assistia a partida de futebol entre Brasil e Italia, transmitida pelo canal TLN pela Copa das Confederações, não pude fechar os ouvidos e acreditar no que vinha da boca do narrador, que narrava em italiano (o TLN é um canal latino que transmite os jogos em espanhol e italiano) toda vez que se referia à seleção brasileira com o inaceitável  "seleção carioca".

Sei italiano o suficiente para saber que o narrador cometia um grave erro mas mesmo assim fui checar nos dicionários da vida e qual não foi o meu espanto em descobrir que o narrador repetia ali, em transmissão ao vivo, um grave erro que vem sendo cometido a um tempo pelos italianos ao se referir ao time do Brasil como sendo uma seleção do Rio de Janeiro! Até aí, tudo bem, a população falar errado acontece em qualquer idioma, agora o inaceitável é o jornalista esportivo repetir durante todo o jogo o mesmo inaceitável erro!!! 

Isso em uma narração no Brasil nunca aconteceria, ou alguém aí já ouviu os narradores brasileiros chamarem a seleção italiana de "Seleção Veneza" ou "Seleção Bologna"? Ou ainda, a Seleção Argentina de "Seleção Córdoba" ? Claro que não!

É cada uma que temos que ouvir e aturar em nome do gosto pelo esporte:) Afinal, ele é um profissional e o meu ouvido não é pinico! Bem, ao menos o jogo do Brasil contra a Africa do Sul foi transmitido em espanhol e o narrador sabia muito bem chamar apropriadamente a seleção brasileira de seleção brasileira, em espanhol claro. Só espero que a final entre Brasil e Estados Unidos não seja o mesmo narrador italiano incompetente a repetir o jogo inteiro o nome errado da seleção, do contrário juro que vou assistir o jogo no MUTE:)

15.6.09

Cirque du Soleil de graça


Fim de semana que passou aproveitamos bastante todas as atividades culturais do Luminato. Em seu terceiro ano consecutivo, o festival é um dos meus favoritos durante a temporada, mais conhecida como verão, onde tudo acontece na cidade:)

Em meu primeiro ano em Toronto nascia o Luminato e eu aproveitei suas atividades, muitas das quais gratuitas. No segundo ano do festival e meu segundo ano por aqui, fui voluntária do evento e por conta disso pude assistir, gratuitamente, peças de teatro que eram pagas e de quebra ganhar uns presentinhos bem interessantes do patrocinad
or, a Loreal. Já este ano resolvi apenas aproveitar como moradora de Toronto. E, em 2009, a terceira edição do festival não deixou a desejar mais uma vez.
Este ano tivemos a oportunidade a assistir a 5 espetáculos diferentes do Cirque du Soleil gratuitamente em um dia maravilhoso de sol. Outra parte do evento que cresceu este ano e valeu a pena conferir foi o 1000 tastes of Toronto onde os mais famosos chefes de cozinha e os respectivos restaurantes de Toronto que, em geral são bem carinhos, estavam no evento de degustação onde pagávamos $5 por prato, uma delícia de evento! 

Fechamos o fim de semana com chave de ouro e um excelente show do musicista brasileiro Celso Machado e sua multiplicidade instrumental que variou em torno de sons do baião nordestino, do samba canção , da bossa nova e MPB. Muito bom!

O Luminato já é tradição aqui em casa e sem dúvida continuaremos participando ano após ano, já que chegamos no país com o nascimento do festival que cresce a cada ano. 




1.6.09

Descobertas musicais

Entre as baboseiras que saem da boca do Faustão, um quadro ou outro um pouco mais atrativo e a minha concomitante leitura da Macleans no final de domingo (sim eu leio e assisto TV ao mesmo tempo alternando conforme o interesse:), duas atrações musicais que apareceram no quadro Garagem do Faustão me chamaram bastante a atenção: os Seminovos e o Thiago Antunes.

Quando ouvi a divertida e muito criativa canção  "Escolha já o seu nerd" logo disse ao marido que o autor daquela letra não era amador e deveria ser alguém envolvido com criação e muito bom de texto humorístico. Dito e feito! Eu não sabia naquele momento mas os Seminovos é um projeto musical do Mauricio Ricardo da já consagrada turma do Charges. Explicado! Outro destaque hilário dos Seminovos é o hit "Eu sou Emo". Muito bom!

Já do Thiago Antunes, eu adorei o tom de voz e o estilo a la "Arnaldo Antunes" (o meu ídolo número 1) da letra de Salto Agulha. O máximo! Sempre gostei de descobrir novos sons e bandas e agora que descobri estes dois, vou logo jogar o som deles para o meu Ipod e sair cantando por aí. Afinal quem canta seus males espanta não é mesmo? Uma semana cheia de música para todos!