Conta a saga do casal que ousou deixar o Brasil para viver no Canadá e experimenta em Toronto a inesquecível e transformadora experiência de ser imigrante.
9.9.08
Brazilian Wave Magazine - edição de outono
2.9.08
Comilança da boa no Labour Day
21.8.08
Contra fatos não há argumentos
17.8.08
Terapia do Grito
8.8.08
Passeando pela "França"
Feriado que passou (1 a 4 de agosto) fomos passear na “França” – como carinhosamente chamamos a províncea de Quebec. Apesar de o marido já ter trabalhado por 2 meses em Montreal, enquanto ainda morávamos no Brasil, e eu mesma já ter passado por Montreal na volta de uma outra viagem que fizemos à “França” com nossos queridos vizinhos Rafael e Liliane, ainda não havíamos feito uma viagem exclusivamente para Montreal com objetivos meramente turísticos.
Às vésperas de completarmos dois anos por aqui, resolvemos que era hora de explorar Montreal como ela merece. E como merece! Tanto quanto à sua “ídala” Paris (a verdadeira) merece quantas idas você puder fazer na sua vida – eu graças à minha alma mochileira já tive o privilégio de fazer duas para a capital Francesa (a Européia). Sim , porque temos a capital francesa aqui no Canadá mesmo e lá passamos deliciosos 3 dias. Poucos para explorar tudo mas certamente suficientes para deixar com gosto de quero mais...
Além de bater ponto nos principais pontos turísticos como o Estádio Olímpico, a catedral de Notre Dame (os Quebequenses vão me desculpar mas para quem já entrou na original em Paris não faz o mesmo efeitoJ), o jardim botânico (para mim o ponto alto da visita! Quem ama natureza como eu precisa conhecer este lugar!), andar muito pela velha Montreal, à beira do cais e comer muuuuuito gostoso, ainda nos encontramos com um velho amigo do Maurício – O Walter é Canadense de Montreal e passou seis meses no Brasil trabalhando na Ericsson com o marido – e juntamente com sua esposa nos proporcionou deliciosos momentos, além de claro nos ter contado fatos que só um local poderia fazer tão bem. Ambos não se viam há sete anos! Foi uma delicia!
Mas o que eu mais gosto mesmo de ir para a “França” é que posso desenferrujar um pouquinho os meus 4 anos passados na Aliança Francesa da Alameda Tietê que tanto eu sinto saudades (assim que sobrar tempo$$ eu volto para o francês). Por enquanto vou brincando.
Estávamos na enorme fila para subir a torre do Estádio Olímpico quando atrás de nós um senhor nos aborda em Francês perguntando se o ingresso que ele tinha em mãos valeria para aquela atração. O marido já foi logo soltando o “Desolé, Je ne parle pas français” que eu ensinei para estas ocasiões…quando eu fui fazer graça e virei para o senhor e disse , olha moço eu falo um pouco e se o senhor falar devagar compreendo tudo, posso ajudar? Pronto…. Foi a senha!
Em meia hora de fila, eu já sabia a vida do senhor e ele a minha, começamos a falar de teatro, show em Quebec (tratava-se de um habitante de Quebec City que falava ZERO inglês) que eu já conhecia Quebec, bla, bla, bla…. Vez ou outra ele até soltava uma palavrinha em inglês querendo envolver o marido na conversa mas o negócio é que subimos a torre e chegamos lá em cima e eu soltei um "A tout a l´heure" porque o meu tico e teco já estava fundindo com o moço do estádio falando inglês comigo de um lado , o senhor francês do outro e o meu pobre cérebro entendendo tudo e dizendo por favor defina uma linguagem padrão!!!!! Ganhei o dia, fui dormir “me achando” porque um cidadão de Quebec havia dito que o meu francês era bom! Tá bom moço educado….Merci.
Ah, ainda conseguimos aproveitar o festival de música francesa que estava acontecendo por lá de graça! Tudo de bom o "Les Francofolie de Montreal".
31.7.08
Umberto Eco, DOS e MAC
A Alexandra reproduziu excelente texto de autoria do Umberto Eco que ironiza o mundo da informática e que um professor dela havia lhe enviado quando a mesma adquiriu seu primeiro Mac. Bem, como o texto é muito bom e, no início de 2008, quem adquiriu o primeiro Mac fui eu, então resolvi passar para o português (muita audácia minha traduzir um texto de Umberto Eco:) mas vá lá, perdão ao grande autor se a mesma não saiu ipses literes) e dividir com alguns leitores que não compreendem inglês e que também acompanham este blog.
“É fato. O mundo é dividido em usuários de Macintosh e usuários de computadores compatíveis com o sistema MS-DOS. Eu acredito piamente que o Macintosh é Católico e o DOS é Protestante. De fato, o Macintosh é contra-reformista e tem sido influenciado pelo “ratio studiorum*” dos Jesuítas (*Nota da Paula : o ratio studiorium é um tipo de plano de estudos que sistematizou a pedagogia dos Jesuítas. O método consistia na pré-leitura, leitura, exercícios e na repetição. Os Jesuítas descobriram como a memória potencializava o aprendizado de maneira eficiente. Tudo feito com muita disciplina.). É prazeroso, amigável, conciliatório; diz aos seguidores como eles devem agir passo a passo para alcançar – senão o reino dos céus – o momento em que o documento deles vai ser impresso. Catequiza: lida com a essência da revelação por meio de fórmulas simples e ícones bem elaborados. Todos têm direito à salvação.
O DOS é Protestante, ou até Calvinista. Permite livre interpretação da sagrada escritura, exige difíceis decisões pessoais, impõe sobre o usuário uma sutil hermenêutica, e assume sem questionamento a idéia de que nem todos conseguem atingir a salvação. Para fazer o sistema funcionar você precisa interpretar o programa por conta própria: Bem distante da comunidade barroca, o usuário experimenta forte intimidade com a solidão de seu próprio tormento interior.
Você pode até se opor a este argumento. Com a transição para o Windows, o universo DOS passou a se assemelhar mais com a tolerância contra-reformista do Macintosh. É verdade: o Windows representa uma dissidência do estilo Anglicano, suntuosas cerimônias na catedral, mas há sempre a possibilidade de um retorno ao DOS mudar as coisas de acordo com estranhas decisões: em se tratando disso, você pode decidir canonizar mulheres e homossexuais se assim o desejar.
Naturalmente, nem o Catolicismo nem o Protestantismo têm qualquer relação com as escolhas culturais e religiosas de seus usuários. Questiona-se talvez se, com o passar do tempo, o uso de um sistema em detrimento do outro acarrete em profundas mudanças interiores. Você pode usar DOS e apoiar Vande? E mais: Celine teria escrito usando Word, WordPerfect, ou Wordstar? Descartes programou usando a linguagem Pascal?
E código de máquina, que está por trás de tudo e decide o destino de ambos os sistemas (ou ambientes, se você preferir)? Ah, isso pertence ao Antigo Testamento, e é Talmúdico* (*nota da Paula: o Talmud é o texto básico da lei Judaíca) e cabalístico."
25.7.08
Conservadores X Liberais e a imigração
24.7.08
Master Series - Etapa Toronto
17.7.08
Seminário sobre comunidades brasileiras no exterior
15.7.08
Os desafios da política de imigração do Canadá
"Por que nós ainda precisamos trazer mais imigrantes com mão de obra qualificada (leia-se bachareis, doutores e coisa e tal) quando nós já temos milhares que ainda não conseguiram emprego em suas áreas de atuação?"
"Nós conseguiremos alcançar os objetivos decorrentes das mudanças recentes ou continuaremos a oferecer total incompatibilidade e trabalhos que oferecem salários baixos aos altamente qualificados e bem educados (leia-se diplomados) imigrantes?"
"Podemos coordenar as políticas que fazemos com o que resulta delas, ou nós simplesmente não nos importamos com seus resultados - o que parece ser o caso dada a atual condição sócio-econômica dos imigrantes qualificados que chegaram nos últimos cinco anos?"
Vocês acabam de ler 4 indagações do paquistanês Mehdi Rizvi, químico que chegou no Canadá em 1999, publicadas pelo Toronto Star de hoje. Vivenciando esta realidade bem de perto há quase dois anos, eu tenho certeza que ele não é o único que está se perguntando isso tudo. O problema é o lado da "corda" que está indagando. Estariam aqueles que fazem as políticas fechados em seus escritórios apenas considerando números que entram e que saem ou estariam eles nas ruas, nos cursos e na vida presenciando a realidade para chegar a uma conclusão mais de acordo com a realidade?
Eu mesma, honestamente tenho me feito muitas destas perguntas ao observar a total desconexão entre a política de imigração e o quão despreparados estão os empregadores Canadenses para tamanha inserção.
E como bem finaliza o artigo: "Canadá precisa focar em suas necessidades de mercado, na mão de obra qualificada - ou não - que já possui em suas terras e na revisão do sistema de pontuação com o objetivo de criar um sistema de imigração baseado em demanda. Isso só será conseguido quando houver uma cooperação mais próxima entre pesquisadores, aqueles que fazem as políticas, empregadores e membros da comunidade de imigrantes"
E eu completo... a sensação que dá é que cada um destes grupos está olhando apenas para seus próprios interesses sem levar em consideração o bem estar sócio-econômico que, a longo prazo, pode não dar exatamente no que se julga ser o mais saudável para a economia do País.
14.7.08
Orgulho de ser brasileiro
5.7.08
Toronto - a faca de dois legumes
25.6.08
Sick People!
18.6.08
Contagem Regressiva
13.6.08
Woodstock para crianças!
12.6.08
BLACK WATCH - Imperdível!
Black Watch arrasou – no melhor sentido da palavra – platéias inteiras no Festival de 2006 em Edimburgo e arrancou elogios da crítica e do público que lotou os teatros por lá. Agora, a tão comentada produção no circuito internacional de teatro chega à Toronto para a estréia Canadense como parte do Luminato (festival este para o qual eu tive o privilégio de voluntariar e a felicidade de, em troca, poder ver de graça espetáculos tão sensacionais como Black Watch).
Baseada em recentes entrevistas feitas com ex-soldados que serviram no Iraque, a peça conta a história do legendário Black Watch, Regimento Escocês de 300 anos de idade cujo rompimento foi anunciado em 2004 pouco antes de seu batalhão de 800 homens substituir 4.000 cadetes da marinha Norte-Americana em uma das áreas mais sangrentas de conflito no Iraque.
Dramatizado por recentes acontecimentos, Black Watch revela a dura realidade da “Guerra no terror” e o que significa fazer a viagem de volta para casa. A produção de John Tiffany faz o uso poderoso e criativo do movimento e da música. O resultado é um espetáculo VISCERAL, COMPLEXO E DINÂMICO.
Se você está em Toronto e gosta de grandes produções com temas de Guerra, não deixe de conferir este impactante espetáculo que ainda pode ser visto no Luminato. Há tempos que um espetáculo não me impactava tanto me fazendo sair do teatro de queixo caído e praticamente sem reação. Apenas minutos depois consegui expressar o que senti durante as quase duas horas de apresentação impecável da Cia de Teatro Escocêsa!
O espetáculo contém linguagem inadequada para menores (mamães e papais que me lêem, no próximo post vou falar de outro evento para o qual voluntariei sensacional para crianças), é bem barulhento (vai ser o mais próximo que você vai chegar de um campo de batalha na sua vida – acredite!) e tem também o sotaque “fofo” Escocês mas bem arrastado que em alguns momentos nos impede de entender algumas piadas (sim, há um humor muito bem feito mesmo em se tratando de um assunto tão trágico) mas nada que comprometa o seu entendimento geral da peça. Mesmo assim eu recomendo muito!!!
A peça está sendo exibida no Varsety Arena na Bloor Street West e a maneira mais fácil de chegar lá é de metrô, você só precisa descer na estação St. George e dá de cara com a entrada do Varsety Arena. Chegue com 15 minutos de antecedência pois se você atrasar não há cristo que vai fazer você entrar para não atrapalhar um trabalho tão bem cuidado. Nada mais justo!
10.6.08
Nomes esdrúxulos
4.6.08
A Polêmica do IELTS
3.6.08
Humor inteligente
28.5.08
Software para voluntariar
Um ano se passou e estamos às portas da segunda edição do Luminato e eu feliz da vida porque serei uma dos muitos voluntários que fazem do evento a gandeza que ele é! Para tanto, fui à uma famosa "info session" em dezembro do ano passado e fui cadastrada no banco de dados deles, em janeiro deste ano fui para um tipo de entrevista e entrega de currículo e tive a notícia de que fui selecionada para ter o privilégio, juntamente com os voluntarios de 2007 (sim, isso vicia e o povo volta rsrs), a escolher as performances e as atividades para as quais vou voluntariar.
Eu sei, escrevi dois parágrafos e você está se perguntando onde entra o Software neste "causo"? Justamente, como diria Juvenal Antena (sim, é possível ler Machado de Assis, gostar de artes e ser doida por novelas!), esta semana quando fui para um dos treinamentos oferecidos para os voluntários e eis que fui introduzida ao software que algumas organizações nos EUA e no Canadá usam para organizar os shifts (vulgo turnos) e as horas doadas para cada atividade de seus voluntários. Tudo fica hospedado na myvolunteerpage.com
Nesta página está o meu perfil e quantas horas eu dôo para cada organização que quero voluntariar, assim como a minha agenda de turnos com datas, horários e eventos para os quais vou voluntariar. É incrível a facilidade e organização do sistema pois se você vai voluntariar para um grande evento de duas semanas e com tantas atividades como o Luminato, facilita a sua vida demais! Bem, até agora me cadastrei para 3 turnos (Black Watch, Where the Blood Mixes e Dan Zanes and Friends) me interessam muito não somente porque adoro teatro e crianças mas também porque são atividades totalmente relacionadas ao meu perfil e que podem, de quebra, acrescentar sempre no meu currículo Canadense.
Ah, e de quebra, com o meu crachá de voluntária eu vou poder assistir de graça várias peças de teatro e musicais que custarão em torno de $50 para o público.
Fica aí a dica - para voluntariar para os grandes eventos daqui de Toronto fique de olho uns seis meses antes pois a concorrência é grande e a organização impecável!