18.3.07

Cheques "Assustados"


Alguém aí tem notícia de proprietário de imóvel que esquece de depositar o cheque do inquilino e demora uns quinze dias depois da data combinada para fazê-lo? Tudo bem vai, isso não é lá muito comum mas acontece vez ou outra. Fica pior, que tal proprietário que perde 7 cheques (de março até o fim do nosso contrato) de uma vez? Este é o ilustríssimo proprietário do nosso apartamento!!

Sim, ele teve a capacidade intelectual! Não tentem fazer isso em casa pois exige muito treino e dedicação para que sete cheques criem perninhas e saiam todos juntos voando! As imagens são impressionantes! Isso porque por aqui é muito comum você já deixar os cheques pré-datados e nominais dos respectivos meses do aluguel até o final do contrato com o proprietário.

Quinta-feira por volta das dez e meia da noite voltando do meu curso no Seneca (já com o cérebro mais do que derretido e querendo logo descansar) pego o recado da Janet (ainda bem que ela existe! é a nossa corretora aqui e nos representa junto ao corretor do proprietário do imóvel) pedindo para eu entrar em contato sem deixar mais detalhes. Eu logo pensei - "aí vem problema". Vamos à ele. Eis que a Janet me conta o até então para mim era inimaginável!

Sexta de manhã lá fui eu para o banco falar com o gerente e após bater um papo agradável do tipo "então menino, você consegue imaginar que o proprietário do meu apartamento conseguiu perder 7 cheques!. Eu quero outro "landlord" este é muito desorganizado", brincava eu com o gerente que acompanhava o meu inconformismo e de volta me perguntava "Onde você está alugando?"

Para sustar (o incorreto mas famoso e engraçadíssimo "assustar") um cheque no nosso banco aqui custa $10 por folha. E graças à minha mania de manter documentos organizados e à preciosa dica da Janet de fazer cópia dos cheques emitidos eu tinha guardado toda a numeração dos cheques "alados" e resolvemos isso de uma maneira muito simples.

Uma vez que vou ter que emitir todos os cheques novamente, os $70 serão descontados do preço do aluguel em um dos cheques e lá vou eu novamente fazer a cópia de mais 7 cheques e guardar muito bem guardado. Vai saber se estes também não resolvem dar uma voltinha por aí antes de serem depositados na conta do proprietário!

Para "assustar" um cheque por aqui basta chegar no caixa (aqui conhecido como Teller) e usar o termo STOP PAYMENT (literalmente parar pagamento dos cheques em questão ou seja não receber aqueles cheques). "Elementar meu caro Watson!". A simplicidade e lógica aplicadas ao idioma inglês nunca vão dar chance para termos incorretos mas engraçados como os cheques "assustados!" e neste caso voadores.


14.3.07

6 meses de Canadá

Hoje estamos comemorando meio ano de Canadá e estamos muito felizes e satisfeitos com a escolha que fizemos. Desde que chegamos muito já fizemos e conquistamos e temos certeza que muito ainda há para aprender, viver e conquistar neste grande desafio que é imigrar.

E para não deixar passar em branco esta data passei para registrar nossas reflexões desta semana sobre tudo que estamos vivendo. Estava eu dizendo ao querido marido que quando eu estou no meu dia a dia por aqui (no trabalho e na escola à noite falando e interagindo em inglÊs) não sou “eu” Paula (aquela Paula que ficou no Brasil) mas sim outra “Paula”(a Paula daqui). É incrível como esta relação entre as emoções e o idioma é forte. Alguém já parou para pensar porque alguém que domina mais de um idioma quando fica muito bravo ou nervoso solta o palavrão no idioma mãe – por mais que domine o segundo idioma? Pois é...

Aí vem o marido e completa brilhantemente a reflexão – “Claro que você é outra pessoa pois você não somente está agindo em outro idioma mas esta se reconstruindo”. Isso! O imigrante se reconstrói a todo momento se é que vocês me entendem. Reconstruímos nossas rotinas, nossos hábitos, alimentação, colegas de trabalho, clima, roupas, literalmente tudo.

E por falar em relação das emoções com o idioma, esta semana conheci os dois lindos perdigueiros da minha “chefa” e quando vi estava brincando com os cães e falando com eles obviamente em inglês pois estávamos eu, ela e um primo dela. No momento me pareceu muito natural brincar com o cão e dizer “Hey buddy...” mas depois me peguei pensando “meu deus como é estranho brincar com cachorro em outro idioma!”

Outra técnica que a sobrevivência no trabalho nos faz desenvolver é cochichar em inglês! Sabe quando você está falando sobre alguém e de repente abaixa o tom quase que sussurando? pois é cada vez que me pego nesta situação (obviamente provocada por terceiros) eu paro e penso "agora a casa caiu!" e na maioria das vezes ela cai mesmo aí é só sorrir concordar e seguir em frente! São estes detalhes simples que tornam a experência de viver em outro país tão rica pois as mínimas coisas que fazíamos de um jeito agora estão sendo reconstruídas de outra maneira e por conta de ser em outro idioma sentimos isso de maneira mais forte ainda.

8.3.07

A maçã fashion

Conforme disse no último post, “ganhei” (enquanto trabalho para a agência é claro) um mac muito fofo para levar para casa todos os dias. Quem me conhece melhor sabe como eu amo tecnologia e se juntar design então sai de baixo!
Como diz o meu marido - eu adoro o mundo "fashion" (seja tecnologia, pessoas, roupas, embalagens).

É verdade, gosto mesmo e desde quando morávamos no Brasil, sempre que aparecia um mac nos filmes eu dizia que queria tanto ter um porque aquilo sim era computador "fashion" não aqueles PCs cor de burro quando foge em cima de nossas mesas - jesus!

Aí vinha o marido e me trazia para a realidade – “Paula, aqui no Brasil não é muito interessante porque a maioria tem PC e aí vc vai ter uma crise de compatibilidade além de ser mais caro né”. Tá bom marido mas ao menos o direito de desejar um eu tenho né e virou mexeu ficava brincando que um dia eu ia ser “fashion” e ter um daqueles.

Durante anos fui convivendo com isso e aquilo sempre voltava. Em nossa primeira semana por aqui (nos idos de setembro de 2006) quando ainda estávamos andando pela cidade para conhecer Toronto entrei naquele antro de perdição que é a loja da Apple no Eaton Centre! Lá atrás, sem sequer imaginar o que aconteceria depois, repeti para o marido - "Agora que não estou mais no Brasil posso ter um Mac um dia né?... e claro um Ipod também ai ai.. depois que eu arrumar emprego etc e tal... "

Cinco meses se passaram e cá estou eu feliz da vida, vivendo uma experiência valiosíssima de trabalhar na minha área (ainda que por enquanto sem ganhar para comprar um Ipod rsrs) quando minha “Supervisor” (me recuso a escrever a palavra chefe - ops!) pede para eu ir até a loja da Apple – aquela mesma o antro da perdição – ir buscar o “meu” ibook (estava lá fazendo um upgrade) e começar o meu treinamento no Mac.

Sim, querida supervisor, farei este SACRIFÍCIO de passar duas horas naquela loja fashion, fancy e ultra mega moderna recebendo treinamento !! Não é possível, só pode ser coisa de destino brinco eu com meu marido. Fui lá fiz o treinamento básico incial e sexta passada voltei para a casa com o novo brinquedinho.

Como todo brinquedinho tecnológico acaba precisando de reparo em algum momento. Resumo – o bebê está de volta na UTI para reparos e só esperando para voltar para as minhas mãos! Cá estou eu de volta ao bom e velho PC (de casa mesmo que eu tenho levado para o trabalho porque a minha "supervisor" é muito fashion e tem outro mac).
Alegria de pobre dura pouco mesmo!

3.3.07

O primeiro dia de trabalho no Canadá

Aquele domingo (26 de fevereiro) parecia que nunca mais teria fim. Eu andava para lá e para cá no apartamento, pulava, cantava e não conseguia conter a minha ansiedade. O paciente e sempre companheiro marido que o diga! Afinal, após quase 8 meses fora do mercado de trabalho (desde o momento que saí da Johnson no Brasil para cuidar dos preparativos da vinda para cá até agora) eu voltaria para a ativa!

Só sosseguei quando peguei a mensagem da Natalie (my new boss) no meu celular dizendo que ela me pegaria no metrô. O marido já começou - "Mais é incrível mesmo, além de trabalhar no centro a "chefe" ainda pega no metrô no primeiro dia!". Incrível como aquele telefonema me acalmou e ela finalizava assim - "I can´t wait!" , ou seja, ela estava tão ansiosa quanto eu. Bom saber, isso torna a relação mais humana e menos tensa no começo.

Manhã gelada e branca de segunda e lá estava eu dentro de uma SUV gigante com a Natalie batendo papo como se já nos conhecessemos de longa data. Quando ela estacionou na agência entendi porque ela quis me pegar no metrô no primeiro dia. A entrada fica nos fundos de um conglomerado de galerias de arte.

Ela vinha me atualizando que acabou de mudar e as pessoas tem dificuldade em chegar e que por isso fará uma festa na primavera que levará os convidados com limosines até lá. "Aqui do lado é o restaurante francês onde eu levo os clientes novos para almoçar", continuava ela. E eu ah tá, desculpa! Aliás a região toda ali é muito elegante neste sentido, se estivéssemos em São Paulo capital, guardadas as devidas proporções, seria algo como a Vila Madalena aqui em Toronto é Annex.

Mesmo com toda a simpatia e alto astral da Natalie, primeiro dia de trabalho não deixa de ser primeiro dia seja aqui, na China ou em São Paulo. Bom seria se pudéssemos começar a trabalhar do segundo dia em diante mas como não dá encaramos esta tensão. Se no Brasil já era assim vocês podem imaginar por aqui em outra cultura e tal!

Tudo parecia um sonho para mim pois quando me dei conta estava ali de volta ao mundo que eu tanto gosto, o mundo da comunicação e como estou em uma agência pequena (tenho a minha "boss" e uma colega de trabalho muito especial - a Janette Ewen é editora de estilo da revista Chocolat e por conta disso e das parcerias da agência ela mais viaja do que fica lá na agência) não dá para me disfarçar de samambaia e nem muito menos não interagir o tempo todo com a dona da agência - o que eu estou achando ótimo!

Em pleno primeiro dia já estava eu em meio a uma reunião de um cliente novo fazendo media training, ajudando a Natalie com Q&A e debatendo o plano do novo lançamento! Participo ativamente de tudo que acontece lá justamente por se tratar de uma agência pequena e neste momento de recomeço de carreira aqui não poderia ter melhor lugar para eu estar! Claro que no fim do primeiro dia o meu cérebro tinha derretido mas a cada dia que passa (completei apenas a primeira semana) vai ficando melhor.

Até cartão da agência com o meu nome a Natalie já veio me mostrar que vai mandar fazer e o melhor de tudo - o meu computador é um ibook da Apple que posso trazer para casa todos os dias. Resultado - estou me inserindo em um mundo que sempre amei - o mundo maravilhoso da tecnologia da famosa maçazinha mas isso já é assunto para outro post .

1.3.07

É a neve de março fechando o inverno


A cidade de Toronto está vivendo hoje a pior tempestade de neve deste inverno de 2007. Digo está vivendo porque só estou escrevendo agora pois fui dispensada mais cedo do trabalho (como quase toda cidade a contar pelo caos que estava lá fora) por conta do tempo.

Enquanto escrevo, o vento "uiva" lá fora juntamente com a neve que cobre a cidade. Normalmente eu uso o metrô e um trechinho pequeno de ônibus para ir e voltar da agência. Neste sentido sou uma das privilegiadas que trabalha no centro da cidade. O Maurício mesmo está , neste exato momento (17h43), na estrada desde às 15 mais ou menos. Não se preocupem está tudo bem (acabo de falar com ele) o negócio é que os carros precisam andar em passo de tartaruga e nem tem como ser diferente.

Bem, voltando à cidade. Esperei por meia hora no ponto de ônibus e claro que nada de ônibus. O cenário era de carros parados, não se via a diferença entre calçada e rua e havia muita neve acumulada e ainda caindo. Foi aí que resolvemos, eu a moça que também esperava, literalmente socar o pé na neve e ir caminhando para o metrô.

Claro que devidamente preparadas de bota de neve (que eu troco pelos sapatos decentes quando chego na agência e troco novamente para sair. Já me habituei a mais esta nova rotina) e capuz fomos lá para a nossa caminhada de quinze minutos até a estação do metrô mais próxima. Mesmo com toda a neve acumulada, andavamos mais rápido que qualquer um que estivesse dentro de um carro naquele momento.

No caminho encontrei donos das casas já tirando o acúmulo de neve na frente das calçadas, ciclistas (sim, ciclistas) que também iam mais rápido que os carros e a frente e os telhados das casas cobertos de branco! Claro que por se tratar ainda do meu primeiro inverno aqui acho essa paisagem muito linda (mesmo em um dia de caos como hoje) mas tenho certeza que podem passar duzentos invernos e eu vou continuar achando muito lindo.

Ao chegar em casa, mais cedo que o de costume, lembrei-me de uma das canções mais belas já compostas (Tom Jobim) e tão lindamente interpretada por Elis Regina - Águas de março. Como por aqui em março não cai água, a licença poética vai me permitir dizer que a paisagem de hoje "É a neve de março fechando o inverno" (fechando "numas" também licença e esta meteorológica)

A partir de amanhã, quando completo uma semana no novo trabalho, vou inciar uma série contando a minha experiência por lá. Adianto que estou AMANDO e além de já estar em plena atividade ainda por cima a minha "chefa" (Caldeirinha, usei este termo em sua homenagem. Embora continue achando que quem tem chefe é índio) pratica snowboard, surfa e é muito gente boa!

23.2.07

A batalha dos flocos de neve

Ontem era para ser apenas mais uma tradicional manhã de inverno na casa do casal Paula e Maurício em Toronto. Toca o despertador às seis e meia da manhã e ambos se preparam para suas atividades diárias - Maurício vai para o trabalho e a Paula vai para a sua última semana na escola do Co-op - Teria mesmo sido rotineira não fossem dois fatos extras combinados :

1- O meu marido, nesta manhã, ao invés de ir para o escritório saiu cedo para um mega evento de confraternização da empresa. Imaginem que a Rogers juntou cerca de 700 funcionários e levou para passar um dia inteiro em uma estação de esqui, há duas horas de Toronto, com tudo pago pela empresa (esta Rogers é uma mãe!)

2- A tempestade de neve

Todas as manhãs, o único trecho que eu caminho pela superfície (é, em fevereiro é de fato bem interessante esta conexão subterrânea do prédio com o metrô) leva apenas cinco minutos de caminhada pois a escola fica do lado da estação do metrô. Pois bem, estes cinco minutos naquela manhã foram muito interessantes e surreais em minha vida.
Mesmo antes de sair de casa já havia visto pela janela que nevava muuito! Então vesti minha super jaqueta impermeável e as excelentes botas de neve que neste mês mais parecem parte do meu corpo de tanto que tenho usado (e estão aprovadíssimas, não levei um tombo sequer até agora) e lá fui para a aula.

O trecho que andei entre a estação do metrô e a escola debaixo de neve foi suficiente para ver o cenário caótico e aproveitar para me divertir com ele. Não pode mudar o cenário? Divirta-se com ele!

Era cada flocão de neve! Fazia PLOFT PLOFT quando caía na minha cabeça bem protegida pelo capuz impermeável.

Em segundos vi guarda-chuvas - ou melhor "guarda-neves" - todos iguais, quero dizer brancos! A calçada se confundia com a rua, a minha calça jeans que costuma ser azul marinho ficou branca, o casaco também azul adivinhem que cor ficou? O negócio é que, pela primeira vez, andei debaixo da tempestade de neve contra o vento! Parecia que eu estava em um daqueles cinemas tridimensionais que os objetos saem da tela e vem com toda velocidade em sua direção. A diferença é que os mega flocos realmente atingiam meu rosto.

Aproveitei o que minha fértil imaginação chamou de "a batalha dos flocos de neve" para brincar com os flocões "inimigos". Testava onde eles iam me acertar conforme o movimento que fazia com a cabeça. Se olhasse para o chão os flocões atingiam meus lábios (hum, praticamente uma raspadinha fresca, só faltou a groselha) . Ao levantar a cabeça atingiam meus olhos. Hum ,aí não há nada de gostoso nisso. Melhor ficar com a cabeça ereta mesmo e tomar uns flocões na bochecha de vez em quando. Diversão garantida ou seu dinheiro de volta. Claro que só me diverti deste jeito porque o tempo de exposição foi pequeno né! Isso foi pela manhã.

Quando voltava do curso que estou fazendo no Seneca , lá pelas 10 e meia da noite, não tive mais que efrentar os FLOCÕES.. agora eram apenas floquinhos. Ah que pena! agora não podia brincar de batalha da neve. Entro no ônibus e escuto na secretária eletrônica do meu celular a mensagem mais surreal da minha vida deixada pelo marido.

"Paula, o passeio foi ótimo. Esquiei o dia todo mas agora estamos presos na estrada em uma tempestade de neve. Então vou chegar tarde em casa, ou melhor, nem sei se vamos chegar hoje. Te ligo mais tarde".

Foi uma mistura de cena surreal com algo do tipo - já esperava por isso pois se os flocões estavam atacando Toronto porque não atacariam as redondezas? Uma hora mais tarde o marido chega também feito uma criança feliz contando a nova experiência de vida!

É, certamente, nesta quinta-feira vivemos experiências de um dia de inverno de verdade! Ainda assim continuo preferindo a neve à chuva, as tempestades de neve às enchentes. O inverno ao verão (gosto do verão e aproveito muito quando ele chega mas gosto mais do inverno). Como dizem as minhas queridas amigas que deixei no Brasil - "Paula, você não nasceu para o clima dos trópicos"

19.2.07

As Barganhas de Toronto

Imagine uma rua inteira tomada de lojas de roupas e sapatos dos mais variados estilos para todos os públicos e gostos. Adicione aí uma palavrinha mágica para o recomeço de vida do imigrante que está economizando - "outlet"- mais conhecido como ponta de estoque mesmo. Isso, nesta rua só há ponta de estoque. Imaginou?


Se você mora em São Paulo capital provavelmente pensou na rua José Paulino no Brás (ZEPA para os íntimos) mas para nós aqui de Toronto trata-se da Orfus Rd. A nossa nova colega Liliane nos deu mais esta boa indicação. Aliás, o post de hoje só foi possível devido às preciosas dicas de onde encontrar as barganhas de Toronto que nos foram dadas pela Liliane - a nova colega de trabalho do Maurício (do jeito que vai daqui um tempo o controle acionário da Rogers vai parar nas mãos de brasileiros!rs).


Para se ter uma idéia do que estou falando, compramos dois pares de luvas de couro para o Maurício por $10 enquanto que um único par de luvas do mesmo modelo e marca não sai por menos de $30 nas lojas comuns (já haviamos pesquisado antes). Os Canadenses que lá estavam faziam compra para o próximo inverno o que, aliás, é muito inteligente fazer agora quando as sobras de inverno das lojas estão indo parar nos outlets!


E para deixar a andança das compras mais apetitosa ainda paramos na Grand Cheese Factory loja italiana especializada em queijos também localizada na Orfus (abençoada rua!) Eu e meu marido sempre fomos dois apreciadores de queijos mas desde que chegamos por aqui este "hobby" se tornou um tanto quanto impossível devido aos preços praticados pelos supermercados. Agora tudo mudou! Precisa ver a cara de felicidade do meu marido voltando para a casa com uma peça de 5 libras (cerca de 2 kilos) de mussarela que pagamos 23 doletas - metade do preço do supermercado. Sem contar a variedade de queijos e antipastos que há lá. Vale à pena a visita mas NUNCA, mas nunca mesmo, entre lá com fome.


Outro lugar que vale a visita é a Value Village. Trata-se de uma cadeia de lojas de roupas usadas e utensílios domésticos. Claro que precisa-se gastar um tempo lá e garimpar mas acha-se coisas em muito bom estado por 3, 4 dolares. Desde calça, sapato e acessórios até bicicleta, patins, torradeira. De um tudo! Boas compras ou melhor boa economia!

14.2.07

De volta ao mercado de trabalho !!!!!!!!!!!


O dia 14 de fevereiro nunca mais será o mesmo em minha vida. Não importa quantos anos se passem eu sempre lembrarei desta data com muito carinho. Há exatos 5 meses eu e meu querido e amado marido chegávamos no Aeroporto Internacional de Toronto com duas malas cada um, inúmeras incertezas e uma única certeza - de que estávamos fazendo a coisa certa para a qual nos planejamos muito e sempre sonhamos.

Hoje, Valentines´s Day (equivalente ao dia dos namorados por aí) e com muita mais muita neve pelas ruas, eu consegui o meu primeiro emprego Canadense!!
Ainda é um estágio não remunerado de três meses resultado do Co-op que eu comecei a semana passada mas o melhor de tudo é que a vaga é exatamente na minha área. Trata-se de uma agência de comunicação mais conhecida por aqui como PR agency.

Eu estou muito feliz! Não encontro palavras para expressar o que sinto pois cada passinho que damos por aqui significa muito e o mais difícil foi feito. Quebrei a primeira barreira de entrar na minha área e utilizar as minhas habilidades para fazer o que gosto muito de fazer. Agora depende só de mim, das minhas capacidades e vontade de aprender e seguir em frente e isso eu tenho de sobra.
O melhor de tudo é que a dona da agência que foi quem me entrevistou disse que vai precisar contratar alguém em alguns meses mais para frente. Agora é arregassar as mangas para que ela queira ficar comigo e o que hoje é um estágio um dia vire trabalho pago.

Bem, como eu estou meio anestesiada e sem palavras para expressar tamanha alegria, vou apenas agradecer e como diz o meu marido - Hoje a casa está feliz! E como!

Além de agradecer à todos que, de uma maneira ou outra, torceram e sei que ainda torcem por mim, a minha mais pura gratidão vai para:

Povo da Johnson & Johnson - queridos Lala, Re, Danis, Leslie, Bruninha, João Ricardo e Valdir. Cá estou eu de volta aos eventos, releases, entrevistas, enfim ao mundo maravilhoso da comunicação e saibam que vocês continuam no meu coração e serão parte da minha história sempre!

Luiz Carlos Franco e povo da Primeira Página - o meu primeiro mestre e toda a turma que riu , chorou , sofreu e trabalhou muuuito comigo! Lembrei muito de vocês neste recomeço aqui, afinal foi aí que comecei a carreira no Brasil.

Família querida - meus pais e querido irmão que apesar da distância sempre entenderam e apoiaram a minha decisão de deixar o país.

Os novos amigos e "família" daqui - Fabi e Luly nós estamos fazendo fama de estudantes aplicadas e boas profissionais no Canex. Luci, obrigada pelas preces e torcida. Mirela, Mauro e Mariana, Carol e Pinho, Dani e Rafa. E a todos os outros que torceram e não deu para listar por aqui.

E finalmente o meu muito obrigado para a pessoa mais especial da minha vida. Aquele que eu escolhi para dividir cada momento. Sem o apoio diário e constante deste ser lindo e especial que é o meu marido eu não teria a mesma força para lutar e seguir em frente. Mesmo em momentos em que eu mesma duvidava de mim mesma ele sempre estava lá me lembrando que sim que eu era capaz. Mauricio neste Valentine´s Day eu só tenho uma coisa a dizer EU TE AMO MUITO!
Happy Valentine´s Day!

11.2.07

E o lago congelou


Este sábado tiramos a tarde para passear à beira do lago Ontario e um dos mais belos espetáculos da natureza foi o que nossos olhos e mentes registraram para sempre! Para quem mora em Toronto, e é apaixonado pela natureza como eu, vale o espetáculo.

Em meados de setembro do ano passado quando chegamos o lago estava assim





Cinco meses depois ele se transformou. Está inteiro congelado.



Para completar o delicioso passeio terminamos a tarde jogando conversa fora com uma Canadense que fotografava a linda paisagem de inverno. Enquanto batíamos papo com a simpática senhora, outro Candense estaciona o carro e se aproxima carregando um saco de ração para patos. Enquanto o mesmo alimenta os patos, a gentil senhora logo chama o senhor para a nossa conversa e nos apresenta para ele.

O bate-papo com o segundo Candense durou o tempo que ele demorou para alimentar os patos e passar a seguinte instrução - "se vai alimentar os patos dê a comida correta , nunca pães"(Por aqui até os patos são mais chiques). Despede-se, entra no carro e vai embora. Sim, ele comprou ração, saiu de sua casa foi para a beira do lago apenas para alimentar os patos. É o cidadão cuidando do bem comum à todos.

Adoro estas cenas surreais que encontro por aqui sempre.

4.2.07

A fumaça barulhenta


Cinco e meia da madrugada de sábado para domingo. O casal acorda com o som mais estridente que pode existir e ser suportado pelo ouvido humano.


Já sabendo se tratar do alarme de incêndio (aqui em Toronto mais apropriado chamar de detector de fumaça) do prédio, ambos se dirigem para a sala na espera pelas orientações da voz sem rosto que consegue se comunicar com cada apartamento do prédio por meio dos auto-falantes que ficam sobre nossas cabeças nos tetos dos apartamentos.

O marido liga a TV e coloca no canal que nos mostra a movimentação na recepção. Nada de orientação e o som mais estridente do mundo toca incessantemente. Ao menos temos um recurso interno de abafar o som dentro do apartamento enquanto ele toca mais violentamente lá fora.

A voz chega - “O problema parece vir do térreo e o corpo de bombeiros já foi acionado. Aguardem mais intruções” e o alarme toca. Não há como voltar para cama. Ficamos de plantão junto com o staff e toda a população do prédio.

Em menos de cinco minutos chegam os Bombeiros (equipe de 5 toda equipada e agora sim me senti em um filme - isso que dá ser cinéfila). O Marido ainda observou - “Se estivesse pegando fogo em algo já teríamos todos percebido” . Os Bombeiros fazem o seu trabalho e de repente ecoa a voz que invade o seu apartamento - “Aqui quem fala é o comamdante do corpo de bombeiros, isso foi um alarme falso e estamos desativando o sistema”

Ótimo! Agora podemos voltar a dormir. Deitamos e após cinco minutos toca novamente, agora sem mais nenhuma instrução. Apenas temos que levantar para abafar o som novamente. O interruptor que deveria ficar na parede do quarto fica no hall de entrada do apartamento.O episódio descrito acima me fez lembrar outro. Morávamos em SP mais ou menos na mesma disposição de prédios bem vizinhos dentro do mesmo condomínio. Em uma manhã de domingo perfeita para dormir, o querido e aplicado marido acorda cedo para fazer compra e deixa a esposa dormindo.

Horas depois ele volta me acorda e pergunta - você não viu o que está acontecendo lá for a? A esposa enquanto responde um sonolento não levanta-se e abre a janela. O prédio vizinho tinha sido evacuado por conta de uma explosão de gás. Era corpo de bombeiro, todos os vizinhos para fora, helicóptero do Datena sobrevoando nossas cabeças e eu? Dormia meu merecido sono de domingo (adoro dormir mais nos fins de semana). Tudo foi resolvido lá fora e eu pude continuar dormindo.

Na província de Ontario é lei que todas as casas e apartamentos possuam detectores de fumaça e, quando acionados, os bombeiros chegam na mesma hora. O meu vizinho Rogerio falou sobre a relação da cidade com os bombeiros certa vez.

Longe de mim criticar o trabalho de tão nobre profissão e que por aqui é muito ágil. Mas que o sistema de detectores de fumaça do prédio poderia ser um pouco mais inteligente e menos pertubador Ah isso sim!.
Deveria ser assim :
o alarme toca só para o staff
staff averigua se chama os bombeiros ou não e também se aciona o alarme para o prédio todo ou não mesmo antes da chegada dos bombeiros.
Os bombeiros avaliam se o prédio precisa ser evacuado.
Jesus! Desta maneira não precisariamos acordar à toa e participar inutilmente de algo que não está acontecendo de verdade!

Esta semana mesmo, estava eu cozinhando ovos quando disparou o alarme do prédio inteiro. Como era primeira vez que eu passava por isso me assustei e pensei -"puxa será que a fumaça da água quente fez tudo isso e agora o que faço?" Cinco minutos depois veio a voz que mora com você - “Desculpem o inconveniente . Trata-se de um teste do alarme “

Parece que ainda não resolveram o problema. E pelo jeito adeus manhãs de domingo como aquela de SP. Snif, Snif…

31.1.07

No submundo das marcas


Philip Kotler e seus “pupilos” - estudantes e profissionais da arte de administrar o posicionamento estratégico das marcas - vão nos perdoar mas desde que entramos para a categoria “Imigrantes”, não fazemos outra coisa senão consumir produtos que eu carinhosamente os posicionei como pertencentes à categoria - SUBMUNDO DAS MARCAS.

Basta bater os olhos nas gôndolas por aqui para identificar duas “marcas” que, por razões óbvias de preços mais acessíveis, fazem a felicidade do imigrante e tornaram-se predominates em nosso lar Torontense - No Name (como o próprio nome diz “Sem nome”) e PC (President´s Choice - por mim batizada de a marca do presidente) ambas marcas do Loblaws o mercado onde faço compras.

Eu nunca fui uma pessoa muito ligada em marca. Sempre fui mais pela relação custo-benefício “ficou bem em mim ou gosto + posso pagar?” independente de marca. Claro que em nossa posição econômica mais confortável no Brasil acabávamos nos permitindo uma marquinha preferida aqui e outra acolá no que dizia respeito à comida e alguns accessórios.

Agora se tem uma coisa que eu nunca consegui me convencer de comprar no Brasil é OMO que custava o dobro comparado à outras marcas por conta de posicionamento de mercado. Não havia profissional de Mercado no mundo que conseguisse me convencer que as bolinhas azuis com cheiro do ártico custavam o dobra devido à sua múltipla ação de limpeza! Passa mais tarde. OMO baby??? Até nicho de Mercado tem limite.

Então, mesmo no Brasil, sabia bem que nem sempre uma marca bem posicionada e mais cara poderia me entregar melhor o benefício do produto se comparada à outras mais baratas. Por aqui, tem sido interessante constatar que, não raras vezes, produtos No Name acabam sendo mais gostosos (no caso de comida, sim porque vc encontra de um tudo desta marca ou não marca) comparados à marcas bem conhecidas.
A minha útlima constatação foi no duelo achocolatado em pó da Nestlé (marca exclusiva do Mercado daqui que não me lembro agora o nome) X achocolatado em pó No Name. O primeiro eu achei sem gosto e sem açúcar, já o da No name foi direitinho no meu paladar. Resultado - além da economia, no fim das contas, algumas coisas acabam sendo até mais gostosas.

Claro que conforme vamos conseguindo respirar um pouquinho mais por aqui, a tendência é que voltemos a usar determinadas marcas de produtos famosos e que estávamos habituados. Entretanto, muitos ítens do submundo das marcas tenho certeza vão acabar ficando e é por isso que eu acho que os “pupilos” do Kotler por aqui poderiam começar a pensar no seguinte claim - “No Name e PC - entendem a necessidade básica do imigrante em economizar e entregam os produtos com os melhores preços do Mercado” . Algo nesta linha.

29.1.07

Celebrando o Inverno


Sábado que passou fomos, acompanhados de nossos vizinhos, aproveitar as atrações gratuitas do Festival de Inverno de Toronto. Até o dia 8 de fevereiro a cidade vai “celebrar” a estação com inúmeras atrações entre shows, exposições, teatro, dança e, como não poderia ser diferente, vamos aproveitar ao máximo o que a cidade tem para oferecer.

Eu particularmente estou AMANDO o inverno daqui e nada melhor do que um Festival de Inverno (de verdade!) para curtir ainda mais o clima. E lá fomos nós para a Nathan Philip Square apreciar o espetáculo da cia Italiana de teatro. Encanta aos olhos e agrada aos sentidos. Sem contar a neve que contribuiu para tornar o cenário ainda melhor.

Conferimos também a colorida exposição de pintura no Gelo, o grande globo de neve instalado na praça e nos divertimos muito na companhia agradável dos nossos vizinhos. Nos restam ainda mais dois fins de semana para aproveitar e muitas atrações para conferir e o que é melhor - gratuitamente.

24.1.07

Você se lembra dos meus cabelos?

Ai os meus cabelos…Você se lembra dos meus cabelos? Eu me lembro bem de quando eu podia mantê-los longos e bonitos apenas à base de shampoo, água fria e com a visita periódica ao salão de beleza para manter o corte e a hidrataçao.

Os tempos são outros. O clima, a água e o estilo de vida também. Ah! Eu também sou outra (de acordo com a filosofia budista a cada minuto que passa somos seres modificados por tudo que vemos e sentimos) e nada mais apropriado e justo com as minhas madeixas - que sofreram os ultimos 4 meses com toda a falta de cuidados de alguém que estava mais preocupada em arrumar lugar para morar, alimentar-se, ou seja, com coisas mais vitais nos primeiros momentos da saga do imigrante - do que uma visita ao salao de beleza.

Ah o salão de beleza! Neste momento de minha vida terei que discordar do bom cantor e compositor Zeca Baleiro que um dia ousou compor que “há menos beleza num salão de beleza do que a própria beleza (sua) que é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão”. Poético.

O que para mim já estava mais para tragédia grega do que para romance, era um cabelo pesado e morto devido aos 5 meses sem ver uma boa tesoura, aos sistemas de aquecimento necessários no inverno daqui e ao próprio tempo seco de Toronto. Lá fui eu para o salão de beleza. Lembram dos meus cabelos? Eram longos… a Megy cortou. Adorei o corte Canadense - mais prático e fashion também - claro que não dá para dizer que ficou curto. Entretanto, para quem tinha cabelos longos como os meus, cortar duas palmas das mãos inteiras - cerca de 10 inches para a Megy - foi uma excelente operação resgate necessária.

Aos poucos a vida vai entrando nos eixos e só quem já está aqui sabe como detalhes aparentemente sem importância no começo vão nos deixando mais confortáveis. A cada dia que passa e barreiras que vamos quebrando nos sentimos mais confiantes (não sei quem inventou que tudo que vamos fazer pela primeira vez temos que duvidar se de fato vai ficar bom ou não.. Deixo para o pai da psicanálise tentar explicar isso) .

Com o corte do meu cabelo não foi diferente, fiz minha tarefa de casa (como iria dizer gosto de usar franjão, pode cortar uns dez dedos?), pesquisei os preços, lugares e no fim, quando já não aguentava mais tanto cabelo caindo de fraco, entrei no salão aqui do lado de casa e passei umas horas muito agradáveis lá. Havia me esquecido como fazia bem este bate papo niilista de salão de beleza. Bem, já tenho a minha cabeleireira em Toronto.

Agora só faltam o dentista, o gineco, a manicure……

19.1.07

Domando o idioma de Shakespeare

Não que eu tenha domado completamente o idioma de Camões, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, José Saramago e tantos outros mestres da última flor do lácio, inculta e bela. Entretanto, ter nascido em solo brasileiro, adquirido o gosto pela leitura desde a mais tenra idade e, mais tarde, ter escolhido uma carreira que prima pelo uso do idioma, deu-me a capacidade de poder, senão domar totalmente, dominar um pouco o nosso, muitas vezes, tão surrado português.

E uma vez que escolhi para viver, trabalhar e estudar (sim, estudar sempre!) um país, digo uma província dentro de um país, onde o idioma ingles é falado, nada mais adequado ao meu perfil (quem me conhece melhor sabe o quanto amo livros, escolas, estudos e idiomas em geral) e aos meus objectivos de vida do que aprofundar-me no idioma de Shakespeare.


Para tanto, ontem dei os meus primeiros passos nesta longa e prazerosa (pelo menos para mim o é) caminhada. Comecei um curso de writing skills no Seneca College onde estarei às terças e quintas das 7 às 10 da noite até o fim de março. Pela primeira aula já pude ter certeza que trata-se de um ótimo curso que aproveitarei bastante. Vinte alunos em sala, uma excelente e nativa professora e um livro de primeira, totalmente adequado ao meu grau de domínio do idioma, ou seja, o pré teste que eles me aplicaram para dizer quais os módulos de cursos que eu estou apta à frequentar funciona.


O Maurício também vai estudar lá mas em um outro curso, não somente porque temos grau de domínio do idioma diversos, mas também por conta de uma de nossas filosofias de, sempre que podemos, não frequentarmos a mesma sala de aula para um não atrapalhar o desenvolvimento do outro, afinal somos pessoas diferentes com habilidades e necessidades diferentes. Ele só está esperando começar a turma apropriada para ele.


Enfim, já estou adorando a escola, o curso e principalmente o fato de ir à noite. Para quem já está aqui no Canada e ainda não andou em meio à uma região alta (como em volta da Seneca) com bastante neve acumulada ao redor durante à noite, eu RECOMENDO! A neve acumulada fica mais bela ainda durante à noite! E a fila ultra mega organizada no ponto de ônibus (que ainda não havia chegado) e que continuou daquela maneira quando o ônibus parou para todos entrarem. Sem comentários, ou melhor não aguento, estes são daqueles pequenos detalhes que eu mais aprecio e fazem toda a diferença no cotidiano!

Este post foi uma homenagem ao meu querido irmão Pedro Paulo (outro amante das letras) que dia destes, em conversa sobre as fases de paciência que o imigrante precisa passar no início de sua jornada, citou trechos de duas obras do FERNANDO PESSOA : "Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À PARTE ISSO, TENHO EM MIM TODOS OS SONHOS DO MUNDO“. (in Tabacaria) e “Cada coisa a seu tempo tem seu tempo. Não florescem no inverno os arvoredos, Nem pela primavera Têm branco frio os campos." (in Cada coisa a seu tempo tem seu tempo).

15.1.07

E a neve chegou!


Hoje finalmente tivemos a primeira tempestade de neve em Toronto. Tempestade é o termo que os meteorologistas usam quando nevou o suficiente para acumular neve nas ruas. E desta vez, entre 5 e 10 centímetros de neve eram esperados e vieram.

Eu já havia visto neve antes mas na condição de turista e em estação de esqui o que não é a mesma coisa. Agora sim, não sou mais turista, moro onde sempre quis morar e tenho neve no meu dia a dia durante o inverno como sempre sonhei. Justamente por isso não poderia deixar de registrar o momento.

Já sabendo que toda a magia do branco da neve acumulada vira lama pura depois do pisa-pisa das pessoas e do movimento dos carros na rua, esperei a tempestade diminuir e saí dar uma volta pelos quarteirões de casa. Fiquei uma hora caminhando sobre a neve, fotografando e sentindo tudo!

Claro que escolhia sempre a neve fresquinha e branquinha para pisar, uma delícia ! Imaginem eu, que sempre fui mais de frio do que de calor, caminhando em volta de casa com tudo branco e geladinho. Como não havia vento estava uma delícia para passear com o cenário em volta. Não encontro palavras para descrever o que senti.

E mesmo sabendo que esta neve branquinha passa por vários estágios variando de lama até zonas de perigo para escorregarmos nas ruas, continuo gostando muito dela pois carrega consigo a mesma essência da água dos rios na natureza - está em constante mudança.

Inverno seja muito bem vindo!

12.1.07

E o País do Hockey abre espaço para o Futebol...

Como amante dos esportes em geral (especialmente de futebol) que sou, não poderia deixar de registrar o que estou vendo nos jornais e telejornais por aqui após o anúncio da ida, em agosto de 2007, do David Beckham - 0 atleta/modelo (os meninos me desculpem mas mesmo uma senhora bem casada e resolvida como eu não poderia deixar de notar a elegância do moço além campo) para o L.A Galaxys da California.

Foi a primeira vez, em 4 meses, que vi o Hockey perder espaço para o SOCCER (nosso futebol). E eu, na categoria de imigrante recém-chegada que, além de gostar de esportes, quer integrar-se e bater papo furado com Canadenses o mais rápido possível, já estou até começando a entender um pouco das regras do Hockey e acompanhando a NHL .

Mas hoje lembrei-me da paixão pelo futebol. Eis que estou aqui no meu horário de almoço assistindo ao jornal quando entra, ao vivo, a coletiva de imprensa com os executives do LA Galaxy colocando o marido da ex-spice girl para falar. Saem os jogadores desdentados (sério!) de Hockey , entra um David Beckham em traje de gala e com todos os dentes em seu largo sorriso, além do sotaque britânico que eu adoro ouvir.

De repente percebi que é por isso que gosto do Hug Grant e do Hugh Laurie (o Dr. House do meu seriado preferido). Amo o sotaque britânico!

Enquanto escrevo, o jornal continua a falar de SOCCER !! Impressionante o efeito de um jogador Europeu chegando em um país que não tem tradição no esporte. Não em nível mundial como países Europeus e Latinos mas basta passar uns meses nos EUA para perceber como o esporte é praticado nas ruas e nas escolas e o mais legal pelas MENINAS! Foi o que mais adorei ver quando estive por lá. Desde criança sempre detestei rotulações “isso é para menina e isto é para menino” (erg)

E quando soube do anúncio fiquei só imaginando a empolgação daquelas pequenas praticantes do esporte quando Beckham visitar suas escolinhas e vamos combinar que até os meninos vão adorar! O que não é difícil pois o mesmo já possui uma escola de futebol na terra do Tio Sam.

Outra coisa que me veio à mente é que os Estados Unidos estão se tornando um celeiro para os atletas quando querem dar início às suas aposentadorias. Vide o malemolente Romário. Claro, sei que ele vai jogar mas vamos e venhamos né? Quem jogou no Manchester e no Real Madrid(o time das estrelas milionárias) jogar no LA Galaxy está mais para desacelerar e curtir o estrelato em Hollywood do que qualquer outra coisa.

Felizes devem estar os paparazzi e as meninas praticantes de futebol nos Estados Unidos !!

Ótimo fim de semana para todos!

11.1.07

Está faltando TV para os moradores do condomínio


Explico - eu e meu querido marido temos ido para as instalações de atividades físicas do condomínio (piscina e academia com aparelhos de musculação, esteira, afins e TVs). Quando ele chega do trabalho vamos. Ele todos os dias e eu dia sim, dia não.

Confesso que eu preciso me esforçar um pouco para fazer exercício em locais fechados. Sempre amei fazer atividade física mas sou muito mais uma pessoa outdoor do que indoor (assim que eu puder e meu dinheiro der, quando for gente grande aqui no Canadá vou esquiar!). Enquanto isso…

Devido à mudança nas condições normais de temperatura, pressão e umidade relativa do ar, estou trabalhando para readaptar meus hábitos a fim de movimentar o corpo. Apenas lembro alguns fatos - por volta das 19 horas, a temperatura lá fora nesta época do ano está por volta de 7 graus negativos, o aluguel que estamos pagando nos oferece estas instalações, ou seja, não gasto com academia, acompanho meu marido e ainda me divirto observando cenários priorescos. EXCELENTE relação custo benefício.

Ah! E quando os 7 graus negativos viram 0 ou até 1 grau positivo aí sim eu vou patinar no gelo á céu aberto (também sem nenhum custo adicional). Tem acontecido às vezes mas a tendência agora com a chegada de fevereiro é eu fazer cada vez menos isso - se o aquecimento global deixar é claro.

Uma vez dito isso, não podia deixar de registrar as cenas que tenho acompanhado por lá. É um que faz exercício de agachamento assistindo aos seu seriado preferido (independente do estilo, confesso que tenho um bloqueio para séries com aquelas risadinhas forçadas ao fundo - quem sabe agora me acostumo pois é o programa preferido dos frequentadores da academia) .

O outro que pedala vendo o jornal e comentando nos mais variados idiomas existentes na face da terra. A predominância é asiática (alias, asiáticos na academia é covardia! com aquele biotipo magrinho deles só servem para deixar os não asiáticos iludidos pensando que malhando chegam lá.. Haha). No meu caso é só para oxigenar o sangue mesmo e trazer alguma adrenalina para que o cérebro processe e mande a famosa sensação de bem estar tão importante para equilibrar situações de stress na vida. Química pura!

E por falar na Ásia, dia destes a simpática mocinha deste canto do planeta (falo isso para não correr o risco de errar - ainda não consigo diferenciar chineses de koreanos pela feição mas em um ano morando aqui prometo que serei capaz. Já consigo perceber a diferença do som quando eles falam) pára sua corrida vira para o nosso lado (estávamos eu e o Mauricio um em cada esteira ao lado dela) e pergunta - posso mudar de canal?

O Mauricio prontamente diz - claro que sim e eu prontamente penso (claro que sim, para assistir o meu programa preferido na TV eu fico em casa. Aqui ela é apenas uma distração - tantufass!) . Quando ela olhou no relógio, mudou o canal e o filme que começava era Kill Bill comecei a suspeitar sua origem.

Só pude tirar uma conclusão - na casa dela há muita gente para pouca TV e ela vai fazer esteira exatamente na hora que o filme favorito começa. Não deixa de ser esperto mas vamos combinar que é no mínimo curioso!

Este post foi uma homenagem à minha querida amiga e companheira de tantos anos Leslie Diorio. Lé, não dá para subir em uma esteira e não lembrar de você! Beijos e espero que o seus tornozelos a estejam permitindo praticar os exercícios e caminhadas de sempre!


RECADO PARA O GUSTAVO (ASSESSOR DE IMPRENSA QUE ME PEDIU DICAS) - Gustavo, eu adoraria te ajudar mas você se esqueceu de deixar o seu e-mail. Fica muito extenso postar aqui a minha resposta. Assim que vc me mandar o seu contato lhe envio o que pediu ok?

9.1.07

Os meus primeiros passos como potencial funcionária padrão

Meu querido diário (alguém lembra disso?),

Hoje resolvi escrever sobre as fases de adapatação que o imigrante (com o meu perfil e mesma área de atuação profissional no Brasil) encara para entrar no mercado de trabalho em Toronto. Em algumas horas vou para a info session (eles gostam de chamar palestra que passa informações desta maneira) sobre o co-op que pretendo começar a frequentar dia 5 de fevereiro.

Fatos que elucidam e facilitam a vida de quem me lê e nunca me viu “mais gorda” (sempre achei esquisita e engraçada ao mesmo tempo esta expressão):

CO-OP Placement Program (pareceria entre escolas e empresas) - maneira elegante que Toronto adotou para entitular os ESTÁGIOS NÃO REMUNERADOS e que acaba sendo utilizada ou por estudantes que nunca trabalharam e precisam ganhar experiência na área de estudo (além de ganhar créditos para o high school) , por trabalhadores mais velhos que por um motivo ou outro ficaram muitos anos fora do Mercado e ……TCHARAN...Imigrantes recém-chegados que não possuem CANADIAN EXPERIENCE e atuam em áreas mais, vamos dizer, HUMANAS e/ou em menor demanda.

Por motivos óbvios e ululantes, para os profissionais de EXATAS (os Its, engineers e analistas da vida) a inserção no mercado de trabalho acontece de maneira mais rápida. Não vou dizer que é mais fácil porque seria uma tremenda de uma injustiça, pois quem está aqui e acompanha estes meninos (meu marido incluído) sabe o valor deles e o quanto de trabalho e transpiração há por trás dos empregos que eles conseguiram. Mesmo para uma área onde 4+4 = 8 em qualquer lugar do mundo.

Bem, mas voltemos à minha pessoa que sempre amou ler, escrever e falar e sempre foi muito melhor no ofício com idiomas em geral (vou morrer, ou melhor, viver estudando idiomas estrangeiros!) que fazendo continhas. Já dizia meu querido pai nos meus tempos de colégio- “Filha, foque nas suas habilidades. Cálculo é um dom. Estude apenas o suficiente para passar no vestibular e fazer o curso para o qual você realmente possui habilidades”. E o meu sábio pai estava certo! As always…

A minha formação é em jornalismo (Faculdade Cásper Líbero) e a área de atuação onde possuo, ou melhor, possuía no Brasil 7 anos de experiência é um dos ramos da Comunicação conhecido como assessoria de imprensa. Dentro dele há a categoria empresarial (dentro das empresas) e atendimento ao cliente (em agencias de comuniçação).


Neste ramo, atuei 3 anos em agência (dos quais sempre lembrarei com carinho do primeiro mestre Luiz Carlos Franco e dos eternos amigos Leslie, Renato, Francini, Jota, Jorge, Flor, Patricia, Zuina que fiz lá e que trago até hoje comigo) e os últimos 4 anos de Brasil mais focados em comunicação empresarial na Johnson & Johnson de onde trago comigo as amizades da ex gerente Lais Mazzola sempre alto astral, do Re, Bruninha, Caldeirinha, Leslie e Zuina (sim estas duas de novo lá da agência)

No Brasil, havia direcionado a minha carreira para o que mais gosto de fazer - consultoria em Comunicação empresarial. Passei os últimos 4 anos fazendo isso na Johnson & Johnson. Adorava o que fazia mas quando deixei a patria mãe tinha plena consciência de que o estava fazendo não em busca de carreira, dinheiro, cargos e tudo mais. Sim, eu sei, precisamos trabalhar (e para mim trata-se muito mais do que apenas pagar contas mas como realização intelectual mesmo de fazer o que gosto que sempre foi o caso), crescer, etc…

Mas o que quero dizer é que a minha saída do país não guarda absolutamente nenhuma relação com o campo profissional. Tanto que quem me conhece há mais tempo sabe que saí do Brasil topando até mudar totalmente de ramo de atuação caso precisasse. Se eu fosse uma pessoa que tivesse a carreira como o motivo número um de realização pessoal deveria ter ficado no Brasil mas como não sou cá estou….

Quase 4 meses depois de ter aterrisado em Toronto, frequentar curso de introdução ao mercado e à sociedade canadense, viver a própria sociedade , acompanhar noticiário, hoje posso dizer que dá para atuar na mesma área do Brasil mas não sem antes seguir os BABY STEPS para tal. Caso contrário, volto à regra do Brasil de mudar de ramo sem problemas..
Mas vamos à caminhada, ou melhor, engatinhada para tal...

1- Frequentar por um mês o NOW - etapa cumprida!
2- Aprender novas técnicas de abordagem na busca por emprego e deixar kit pronto - etapa cumprida!

3- Aprender os nomes usados para as vagas que encaixam no que fazia no Brasil. Parece detalhe mas nas aplicações e buscas on-line faz toda diferença.

3- Pesquisa de Mercado e habilidades que empregadores candadenses buscam na minha área - em andamento e aí começa o “pipoco”. Naturalmente, o mercado daqui guarda muitas diferenças de técnicas que preciso buscar e estudar e que no Brasil não precisava.

4- CANADIAN EXPERIENCE - por mais experiência que eu tenha na minha área de atuação ela é toda no Brasil e aqui precisamos comprovar tudo isso.. Dá-lhe traduções, cartas de referências, estudos e muito mas muito trabalho… O mais engraçado é ler os anúncios das vagas pedindo exatamente o que tenho (ou melhor tinha no Brasil) de tempo de experiência e saber que sou capaz de fazer tudo que eles pedem MAS…………………lack of Canadian experience. Aí entra o Co-op.

5- Retomar o meu Francês - em 98% das vagas na minha área o francês, além do ingles é claro, é um diferencial e tanto. Não somente psicológico, dobram os salários das vagas para profissionais bilingues (leia-se inglês-francês) . Bendita vocação de adorar idiomas e já ter feito 4 anos de francês no Brasil por puro prazer e continuarei aqui, quando der, unindo o útil ao agradável.

6- Começar o estágio e colocar a mão na massa literalmente!

O resumo da ópera do imigrante (gostei, no lugar de ópera do malandro) é este.
Para quem pretende imigrar, na minha opinião, o mais importante de tudo é ter um real e bem firme propósito e saber muito bem a razão e/ou razões pelas quais está deixando o Brasil, além de ter a plena consciência de que imigrar é uma cartilha de RES - RENASCER, RECOMEÇAR, REINVENTAR, REPLANEJAR e READAPTAR SEMPRE!

Assim fica até mais fácil voltar a ser estagiário (e não remunerado) depois de 7 anos na labuta …Segredo ? viver o agora e aproveitar ao máximo as chances que aparecem. O ontem? Ficou para trás… só ficam comigo os bons momentos vividos, os queridos amigos e família e os conhecimentos adquiridos. Misturo bem e utilizo da melhor maneira possível na minha atual realidade. Isso costumam chamar ADAPTAÇÃO.




7.1.07

Quebrando recordes bons e não tão bons assim

Nesta semana que passou dois recordes foram batidos, um pelo Canadá e outro por Toronto. Um bom, outro não tão bom assim.

A boa notícia. De acordo com o Statistics Canada, o país fechou 2006 com uma taxa de 6.1% de desemprego, a mais baixa em 30 anos e o melhor comportamento do Mercado Canadense desde o ano de 2002, com a criação de 345 mil postos de trabalho. Veja o estudo na íntegra.

A não tão boa assim. Dia 5 de Janeiro de 2007 entrou para a história de Toronto por ter batido o recorde de temperatura mais alta para a estação desde o ano de 1997. Durante o dia, a temperatura chegou aos 11 graus POSITIVOS quando a máxima deveria ser de 2 graus NEGATIVOS!

Não se fala em outro assunto nos telejornais e com razão. Por conta dos já tão perceptíveis efeitos do aquecimento global, as estações de esqui e resorts de inverno estão sofrendo o impacto em seus negócios. A estação de esqui Blue Mountain, maior de Ontario, cortou 1.300 functionários após ter fechado suas operações no meio do inverno pela primeira vez em 65 anos de existência.

Dá pena de ver os Zambonis (caminhões que passam pelas pistas de gelo tirando o excesso de neve) descarregando água no lugar de neve. A maior pista de gelo no centro da cidade esta semana virou piscina devido às altas temperaturas.

Pode até parecer gostoso, à curto prazo, curtir um dia mais agradável por aqui mas é certo e preocupante que, à longo prazo, a natureza vai dar o seu revés. Se a neve não chega agora, em algum momento e fora de época, ela poderá vir mais forte ainda dizem os especialistas. É, parece que o mundo vai precisar começar a rever suas políticas ambientais sériamente ou então terei que tomar duas providÊncias…

- MUDAR O NOME DESTE BLOG e ME MUDAR PARA O ALASCA em busca de neve e mais frio.

Espero não ter que fazer nem uma nem outra.

3.1.07

E o moço do gás bate à porta...

Não, não aquele do famoso caminhão que ecoa a musiquinha estridente e repetitiva responsável por me acordar domingo sim, outro também nos tempos de Brasil! Imaginem como eu adorava aquilo! (sim, sei a origem da música mas mesmo assim).

Pois bem, um dos vendedores que bateu à minha porta dia desses foi literalmente o do GÁS - a commodity sabe. Ah tá…. Vamos à realidade nua e crua dos fatos :

DIA 1

O casal ouve dois sonorous “KNOCK KNOCK” on the door… A esposa abre a porta sem utilizar o “olho mágico” (isso que dá não morar mais na tensão diária de SP “capitar“).

Do outro lado, o moço de dois metros de altura usando um sobretudo preto, um crachá até então não identificado por mim e com um sorriso de orelha a orelha inicia o diálogo da inusitada cena em minha vida.

- Hi…. Estou procurando pela pessoa responsável pela conta da Enbridge (fornecedora de gás natural e energia elétrica). Ao ouví-lo, mais que prontamente disse - sou eu mesma moço (esta conta esta em meu nome).

- Posso ver a sua conta?

Coincidentemente, eu estava com a Enbridge na cabeça me perguntando se um dia eles vão querer cobrar o nosso primeiro mês e nos enviar a conta para que possamos pagar. Nossos vizinhos já haviam nos alertado que o sistema de contas por aqui é bem confuso de entender no começo e difícil de planejar. (Ai que saudades do tempo em que eu sabia a data de vencimento de todas as contas!)

Voltei para dentro de casa e, ingenuamente, disse ao marido se tratar do pessoal da Enbridge e que eu estava aproveitando para entender quando viria a nossa primeira conta…..Ser imigrante é padecer no paraíso!

Quando voltei para o Neo e conversei um pouco mais com ele pude entender que não se tratava da Enbridge mas sim da Direct Energy que, no dia seguinte fui entender que nada mais é do que a dona da Enbridge , compliciou? Você é normal.

Vamos lá - A Enbridge apenas distribui o Gás natural que chega às nossas casas e a Direct Energy é a “dona” do gás, fornece a commodity para a Enbridge.

- Moço, veja bem, não vou preencher e assinar um formulário inteiro de um plano “sei lá das quantas” sem antes falar com o meu marido (Encenar a esposa “submissa” sempre foi uma das técnicas milenares por mim utilizadas para me livrar de vendedores e ganhar tempo para pensar e entender melhor as coisas - neste caso a segunda alternativa é muito mais verdade. )

- Eu mesmo preencho para a senhora , bla, bla , bla…
- Eu tenho um prazo para fazer isso?
-2 semanas
-Então pronto . Pode deixar comigo que eu entro em contato. Boa noite, passar bem e recomendações aos seus.

Peguei o folheto de 4 páginas cheio de asteriscos no rodapé, guardei e disse ao marido que seria a minha tarefa de casa ler aquilo e entender melhor pela manhã.

DIA 2

Dois dias depois, mais ou menos no mesmo horário, bate à porta outro moço muito parecido (desta vez utilizei o olho mágico)… Parafraseando o vizinho Wander, o moço era “Matrix” total - só faltavam os óculos escuros pretos.

Pensei comigo, ele já voltou?

Não , era outro cara de outra empresa e concluiríamos, depois de estudar o assunto por algumas horas, que se tratava de uma concorrente oferecendo o mesmo plano.

- Neo fala - quem é o responsável pela conta do gás?
-Paula responde - está falando com a pessoa certa ..(Lá vou eu de novo ..)

O sujeito agora representa a Ontario Energy Savings e, ao contrário do primeiro, foi bem mais vendedor explicando tudo , mostrou gráficos (sabe que a minha paciência para isso ficou bem maior depois que mudei para cá pois sempre penso que estou praticando inglês nas situações mais variadas do cotidiano e a grana que custava para simular isso tudo em escolas de idioma com professores não nativos lá no Brasil) comparou os preços do gás natural de 2000 até 2006...

Pegou o meu nome e fone e disse que a empresa me ligaria em duas semanas….Entrei processando as informações e disse - marido, esta era outra empresa me parecendo oferecer a mesma coisa só que me pediu para assinar um papel dizendo que os autoriza controlar e garantir que a Enbridge não praticará variação nos preços mensais do gás pois enquanto commodity, o mesmo varia de acordo com o Mercado (bendito estágio na Bloomberg e curso de jornalismo finaceiro que fiz na BM&Fno início da carreira!!).

-marido - o que estava escrito no papel que assinou ?

-esposa - Exatamente o que acabei de dizer e também que eu estou protegida pelo Consumer Protection Act, 2002 que diz que eu posso cancelar qualquer coisa (mesmo tendo assinado) em dez dias a contar da data de hoje….

- ele te deu algo? Papel , recibo ..
- nada

Um olha para a cara do outro e o outro para a cara do um … sensação esquisita de não entender o que está acontecendo (a gente se acostuma com ela na condição de imigrante recém-chegado mas ela continua sendo esquisita).

Esposa inquieta coloca no canal da TV que nos mostra o entra e sai da recepção (sim, temos big brother particular) e visualiza o moço que ela assinou o papel saindo….

-Esposa temendo se tratar de um SCAM - Vou até a recepção perguntar quem é e de onde é este sujeito(já achando super esquisito baterem nas portas de todos em um condomínio .. Lá em SP os murais do condominio nos avisavam.. Hoje vc receberá a visita da dedetizadora x , etc… mas é a tal história,, somos novos aqui, não sabemos ainda como o sistema funciona e vamos dançando conforme a música ou a ausência dela).

Esposa - Marido vamos comigo.. Quatro ouvidos e dois cérebros ouvem e entendem melhor o que se passa ou não…

Nos preparávamos para descer quando dei de cara com o outro representante no corredor.

Não tive dúvidas, agora entra em cena a Paula repórter de campo (por redirecionamento de carreira, a última vez que fiz isso profissionalmente faz muito tempo mas faço diariamente na vida eheh) ..

Paula perguntava e marido ouvia…

-oi, vc poderia me explicar melhor umas coisinhas…(para que meu marido tambem ouça…o jogo da esposa “submissa” de novo).

Quem vc representa? Como isto funciona ?

Assinei um papelzinho com o seu colega que acabou de sair e ele não me deu nada…

Como não!!! Então aquilo que você assinou não me vale nada… (eu pensei UFA!)

Bem, aí fomos entender que o moço que batera na minha porta era novo no ofício, atrapalhou-se e não fez nada do que era para ter feito.

Perdemos mais um tempo com este que nos apresentou a empresa, os folhetos, deixou a proposta conosco, etc…Voltamos mais aliviados por entender um pouquinho mais tudo o que estava acontecendo..

Conclusões

- Pelo que percebi o condomínio permite que representantes de empresas devidamente uniformizados e com crachás batam de porta em porta para fazer o famoso ‘door to door selling” (era isso que eu temia, a volta dos tempos do interior quando eu morava em casa e batiam na minha porta direto… esta era uma das pouquíssimas vantagens que eu encontrava em morar em prédio em SP.. Nem o cara da pizza podia subir por razões óbvias de pânico até de nossas sombras.. Como aqui não há isso…)

- A Enbridge distribui o gás natural, processa e envia a minha conta mensal ou bimensalmente ou quando eles concluirem que já está muito grande o gasto (jesus!)-A Direct Energy é fornecedora do gás natural que a Enbridge distribui e também sócia majoritária, vulgo dona da Enbridge.

-E a Ontario Energy Savings é outra fornecedora do gás (concorrente da Direct Energy - eles dizem que não mas é).- Em Ontario, a energia elétrica é subsidiada pelo governo, portanto os preços controlados pelo mesmo. Já o gás natural , enquanto commodity, não passa pelo controle do governo e o preço oscila de acordo com oferta e demanda e intempéries do Mercado. (daí as ofertas de planos para controlar isso)- Os representantes que batem à sua porta são todos figurantes e dublês do Neo no filme Matrix…

- Saudades das contas da Light (famosa ELETROPAULO) . Não dá nem mais para brincar usando os termos da minha terra para o marido dizendo “Apaga a luz do banheiro, vc é sócio da LIGHT”?

- E até o caminhão do butijão azul com sua musiquinha estridente que tantas vezes me acordou, me veio à mente em meio ao turbilhão de novas informações que estamos adiquirindo e experiências que vivemos para entender o sistema de distribuição e comercialização do gás e da eletricidade em Ontario.

EM TEMPO - todos os representantes foram extremamente educados e prestativos mas em nehum momento, nehum deles subiu pelas paredes feito o Neo em Matrix. Magoei. -