Conta a saga do casal que ousou deixar o Brasil para viver no Canadá e experimenta em Toronto a inesquecível e transformadora experiência de ser imigrante.
14.7.08
Orgulho de ser brasileiro
5.7.08
Toronto - a faca de dois legumes
25.6.08
Sick People!
18.6.08
Contagem Regressiva
13.6.08
Woodstock para crianças!
12.6.08
BLACK WATCH - Imperdível!
Black Watch arrasou – no melhor sentido da palavra – platéias inteiras no Festival de 2006 em Edimburgo e arrancou elogios da crítica e do público que lotou os teatros por lá. Agora, a tão comentada produção no circuito internacional de teatro chega à Toronto para a estréia Canadense como parte do Luminato (festival este para o qual eu tive o privilégio de voluntariar e a felicidade de, em troca, poder ver de graça espetáculos tão sensacionais como Black Watch).
Baseada em recentes entrevistas feitas com ex-soldados que serviram no Iraque, a peça conta a história do legendário Black Watch, Regimento Escocês de 300 anos de idade cujo rompimento foi anunciado em 2004 pouco antes de seu batalhão de 800 homens substituir 4.000 cadetes da marinha Norte-Americana em uma das áreas mais sangrentas de conflito no Iraque.
Dramatizado por recentes acontecimentos, Black Watch revela a dura realidade da “Guerra no terror” e o que significa fazer a viagem de volta para casa. A produção de John Tiffany faz o uso poderoso e criativo do movimento e da música. O resultado é um espetáculo VISCERAL, COMPLEXO E DINÂMICO.
Se você está em Toronto e gosta de grandes produções com temas de Guerra, não deixe de conferir este impactante espetáculo que ainda pode ser visto no Luminato. Há tempos que um espetáculo não me impactava tanto me fazendo sair do teatro de queixo caído e praticamente sem reação. Apenas minutos depois consegui expressar o que senti durante as quase duas horas de apresentação impecável da Cia de Teatro Escocêsa!
O espetáculo contém linguagem inadequada para menores (mamães e papais que me lêem, no próximo post vou falar de outro evento para o qual voluntariei sensacional para crianças), é bem barulhento (vai ser o mais próximo que você vai chegar de um campo de batalha na sua vida – acredite!) e tem também o sotaque “fofo” Escocês mas bem arrastado que em alguns momentos nos impede de entender algumas piadas (sim, há um humor muito bem feito mesmo em se tratando de um assunto tão trágico) mas nada que comprometa o seu entendimento geral da peça. Mesmo assim eu recomendo muito!!!
A peça está sendo exibida no Varsety Arena na Bloor Street West e a maneira mais fácil de chegar lá é de metrô, você só precisa descer na estação St. George e dá de cara com a entrada do Varsety Arena. Chegue com 15 minutos de antecedência pois se você atrasar não há cristo que vai fazer você entrar para não atrapalhar um trabalho tão bem cuidado. Nada mais justo!
10.6.08
Nomes esdrúxulos
4.6.08
A Polêmica do IELTS
3.6.08
Humor inteligente
28.5.08
Software para voluntariar
Um ano se passou e estamos às portas da segunda edição do Luminato e eu feliz da vida porque serei uma dos muitos voluntários que fazem do evento a gandeza que ele é! Para tanto, fui à uma famosa "info session" em dezembro do ano passado e fui cadastrada no banco de dados deles, em janeiro deste ano fui para um tipo de entrevista e entrega de currículo e tive a notícia de que fui selecionada para ter o privilégio, juntamente com os voluntarios de 2007 (sim, isso vicia e o povo volta rsrs), a escolher as performances e as atividades para as quais vou voluntariar.
Eu sei, escrevi dois parágrafos e você está se perguntando onde entra o Software neste "causo"? Justamente, como diria Juvenal Antena (sim, é possível ler Machado de Assis, gostar de artes e ser doida por novelas!), esta semana quando fui para um dos treinamentos oferecidos para os voluntários e eis que fui introduzida ao software que algumas organizações nos EUA e no Canadá usam para organizar os shifts (vulgo turnos) e as horas doadas para cada atividade de seus voluntários. Tudo fica hospedado na myvolunteerpage.com
Nesta página está o meu perfil e quantas horas eu dôo para cada organização que quero voluntariar, assim como a minha agenda de turnos com datas, horários e eventos para os quais vou voluntariar. É incrível a facilidade e organização do sistema pois se você vai voluntariar para um grande evento de duas semanas e com tantas atividades como o Luminato, facilita a sua vida demais! Bem, até agora me cadastrei para 3 turnos (Black Watch, Where the Blood Mixes e Dan Zanes and Friends) me interessam muito não somente porque adoro teatro e crianças mas também porque são atividades totalmente relacionadas ao meu perfil e que podem, de quebra, acrescentar sempre no meu currículo Canadense.
Ah, e de quebra, com o meu crachá de voluntária eu vou poder assistir de graça várias peças de teatro e musicais que custarão em torno de $50 para o público.
Fica aí a dica - para voluntariar para os grandes eventos daqui de Toronto fique de olho uns seis meses antes pois a concorrência é grande e a organização impecável!
7.5.08
Não tem preço...
Comer bolinho de chuva preparado por quem mais entende – a minha avó Luiza,
Tomar Bohemia “estupidamente” gelada em um clima “estupidamente” quente,
Pisar a areia da praia, sentir o cheiro do mar, comer porção de porquinho junto de grandes amigas (Lê e Cris vocês são demais!),
Rever os grandes amigos e constatar que todos seguem suas vidas em um fluxo perfeito e natural,
Ir ao teatro com alguém muito querido (Lé, é nóis), rir muito e ainda “emendar” em um restaurante Japonês e sair rolando de tanto comer,
Assistir à novela das seis e comentar os detalhes com minha mamãe querida,
Pular feito uma adolescente na cama elástica montada no quintal da afilhada para o seu aniversário e ficar toda dolorida por 4 dias (Rafa, a madrinha te adora!),
Ir à seção vespertina de cinema acompanhada da afilhada, a prima e a mãe, comer pipoca e bater perna com as minhas queridas (Clau, Rafa e Lizete),
Assistir à final do campeonato paulista e ver o Palmeiras campeão rodeada dos meus queridos tios e primos no quintal da vó Olga (Clau, valeu a camisa do Palmeiras que você me deu. Amei!),
Ajudar a cunhada a preparar um jantar mais do que especial na casa do meu querido irmão,
Ofertar apoio àqueles que mais precisam em um momento nem tão feliz assim (vai em paz tio Hélio) mas que nos faz exercer a compaixão em sua plenitude,
Almoçar todo dia com o meu pai e, nas nossas conversas, tentar debater e resolver toda a problemática do mundo e da humanidade,
Ouvir o canto da passarada em um final de tarde sem nenhum compromisso,
Fazer tudo isso, lavar a alma e começar a contar os poucos dias que faltam para voltar para a minha casa, minhas coisinhas e o mais importante para o meu querido marido! Não tem preço...
22.4.08
E a terra tremeu...
O forte som do chão vibrando, a mesa do computador balançando, o microfone, por meio do qual eu acabara de falar com o marido, tremendo e o canto da parede vibrando deram a tônica daquele instante. Parei tudo que eu estava fazendo para acompanhar o "fenômeno". Passados alguns segundos pensei comigo mesma - "será que alguma coisa que comi me fez mal? Estou surtando? Labirintite?" até porque não havia mais ninguém alí comigo.
Subi até o quarto da minha mãe (no andar de cima)que assistia à novela e me calei, na esperança de que ela comentasse algo. Ela não disse nada, então pensei - estou surtando mesmo, é grave! No minuto seguinte, no intervalo da novela, a chamada do Jornal da Globo anuncia que às 21 horas daquela noite de 22 de abril um tremor de terra de 5,2 graus na escala Richter foi registrado a 270 km da cidade de SP.
Ah tá! Ufa, que alívio, antes mesmo de ouvir a notícia já estava pensando em marcar uma consulta com o neurologista quando o meu irmão liga dizendo que a cama dele tremeu e se havíamos sentido, a minha mãe que não sentiu (ela estava no andar de cima e do lado oposto da casa) foi logo dizendo que não mas aí eu relatei que sim o chão tremeu aqui também. Bem, ao menos não estou ficando louca, ainda.
14.4.08
Almas que não se separam...
19.3.08
Reencontrando Bruce
17.3.08
Vamos ao teatro - para rir muito!
13.3.08
E não é que o Papa é Pop mesmo!
Não aquele papa da velha conhecida música que o Humberto Gessinger tanto cantou nos idos da década de 80 durante a adolescência de qualquer um com mais de 30. Aqui o papa é outro, mais íntimo das meninas por assim dizer, mas tão pop quanto. Isso, aquele mesmo - o papanicolau – que aliás deve morar no inconsciente masculino pois já foi cantado também pelos Titãs na mesma década que embalou a minha adolescência. Quem aí não embalou a “ginecológica” canção Clitóris? (ops, meninos, este post hoje está um tanto quanto feminino!)
Agora voltando a conversinha com as meninas sobre o pop papa, ou melhor o - papanicolau. Esta semana fui, pela primeira vez desde que cheguei aqui, visitar o “dotô” justamente para fazer o famoso e tão importante check up anual ginecológico que inclui o valiosíssimo – e pop – papa. Devo dizer que foi, no mínimo curioso. Tudo certinho e nada de novo pois afinal tratava-se do velho conhecido de toda mulher que preze a sua saúde e tão famoso papa (bendita hora que a medicina resolveu usar como base o latim para todos os seus termos médicos! E não é que o papa chama-se papa por aqui também? Não disse que o papa continua sendo pop?).
Muito já se discutiu sobre médicos no Brasil e médicos por aqui, por isso não estou nem um pouco a fim de cometer a injustiça de comparar o sistema de saúde privado - digno de primeirio mundo que nós enquanto uma elite tínhamos o privilégio de ter acesso no Brasil - com o sistema público de saúde daqui. A blogueira que melhor dissertou sobre o tema, na minha opinião, foi a Alexandra e se você lê em inglês, sugiro o texto que é, na verdade, a minha opinião sobre o assunto.
Mas voltando à celebridade Papanicolau, confesso que eu estava me sentindo incomodada de ainda não ter ido ao médico por aqui (mesmo que fosse para um check up) ainda e , principalmente, de ter que deixar de lado uma relação de mais de 8 anos com o meu ginecologista lá do Brasil (o Dr. Marcio Jordão é um dos melhores profissionais que eu conheci e quando fui me despedir dele até brinquei que os profissionais que eu mais sentiria falta no Canadá seriam ele, a minha manicure e a minha faxineira! Devo confessar que hoje isso se confirmou verdadeiro rsr).
Entretanto, aqui foi a terra que eu escolhi para viver, moro aqui e fiz esta escolha. Quando fazemos escolhas, fazemos trocas e devemos nos adaptar a elas.
Ao sair da clínica não pude deixar de observar o grande aviso que dizia “Não aceitamos mais pacientes que não falem INGLÊS!” . Pensei comigo, este país é uma loucura mesmo. Um médico Canadense, formado na Universidade de Ottawa, no exercício de sua função, em seu país onde o idioma oficial é o inglês (no caso da províncea de Ontario), precisar colocar este tipo de anuncio!
No mínimo curioso e retrato de um país formado por imigrantes. Agora se você é mulher, brasileira, e chegou aqui com o inglês fluente não se preocupe que a consulta segue bem feitinha, direto ao ponto, o médico é bom, “limpinho”, você apresenta o seu OHIP (o cartão de saúde pública Canadense) entra, faz o que tem que ser feito e sai sem gastar um tostão (claro que pagamos nos impostos).
Devo confessar que nesta hora me senti cidadã de verdade e feliz em saber que o papa continua pop!
7.3.08
Colunista do Brasil News
O primeiro artigo traz a primeira parte das dicas econômicas do roteiro da região de Muskoka onde estive no último feriado de fevereiro. Espero que os leitores do Brasil News e do Era gostem e tirem bom proveito de todas as dicas!
Boa leitura e bom fim de semana à todos!
4.3.08
Chamem os Paramédicos
Queimadura, afogamento, crise de asma, choque anafilático, sangramento de nariz, fratura, hipotermia, angina, ataque do coração, epilepsia, diabetes, pressão alta... e o pulso ainda pulsa! Calma gente, não estou “compondo” a versão 2008 de O Pulso cantada na voz do eterno poeta Arnaldo Antunes não!
Simulação de cenários de emergência, “bonecos” adultos para ressuscitar, “bonecos” bebês que acabaram de se afogar e estão ficando sem respiração para ressuscitar, curativos para fazer e ataduras foram apenas um dos muitos exercícios práticos deste EXCELENTE curso que eu fiz e recomendo à todos. O que, à princípio soa como algo banal, na realidade acaba sendo um ato de amor pois 80% dos casos em que você vai aplicar as técnicas de primeiros socorros será com familiares e amigos, 15% em colegas de trabalho e 5% em estranhos na rua. Sim, aqueles que você mais ama serão os maiores beneficiados do seu conhecimento.
Na realidade, eu sempre achei que este é o tipo de conhecimento que todos deveríamos ter. Claro que, em uma situação real, nem todos nós estaremos aptos a de fato agir na real velocidade e ao mesmo tempo com a frieza que a emergência exige. Entretanto, se todos tivessem ao menos o conhecimento vocês concordam que aumentaria o número de pessoas que sequer sabem que poderiam agir e acabariam, em momentos decisivos, se tornando a diferença entre a vida e a morte para outra pessoa?
Sempre achei isso e - ironia do destino – só estou hoje aqui contando tudo para vocês neste blog porque um anjo (né Vitor? Querido, este post é em sua homenagem. Acho que estarei velhinha gagá e ainda me lembrando de como você salvou a minha vida) estava na hora certa, no lugar certo, tomou o controle da situação e- mais importante – sabia o que fazer corretamente, enquanto eu seriamente me afogava com um "estúpido" pedacinho de carne do estrogonofe (passei mais de um ano sem conseguir comer estrogonofe novamente).
Vitor, após terminar este curso eu aprendi que o tipo de afogamento que eu sofri foi o mais severo e não tivesse você literalmente iniciado os procedimentos de primeiros socorros, em no máximo 4 minutos, eu entraria em estado de choque e até chegar à um hospital era morte cerebral na certa. Claro que não pude deixar de lembrar de você o tempo todo quando fazia os exercícios (aqueles mesmos que você utilizou em mim) nos manequins adultos e bebês. Só para constar, o Vitor é o namorado gracinha da minha prima que estava em um almoço familiar - ou seja - o meu caso caiu nos 80%
Voltando ao curso, até o desfibrilador (que aqui em Toronto fica nas caixas brancas em eventos e locais com acesso ao público) eu aprendi a acionar em caso de emergência. Se bem que um FIRST AIDER (é isso que eu sou agora) aqui em Toronto nem sempre precisa chegar aos finalmentes dos primeiros scorros dependendo do caso, pois o tempo de resposta dos PARAMEDICS (você que está vindo para Toronto e tem habilidades nesta área, taí uma excelente dica de profissão por aqui muito valorizada e bem paga) é o mais rápido da América do Norte – em 8 minutos eles estão em cena.
Quer entender a importância do FIRST AIDER (que pode ser você) ? Em caso de choque (falta de oxigênio no cérebro por conta de uma batida, ataque, afogamento, etc) 4 minutos é o tempo máximo que alguém sobrevive e os PARAMEDICS chegam em cena em 8 minutos (expecional tempo considerando uma cidade grande como Toronto.) . Agora faça a matemática. Muitas vidas são salvas e o trabalho mais profissional dos paramédicos só pode ser realizado com sucesso porque antes um FIRST AIDER agiu corretamente na cena do acidente.
E aí ? Pronto para obter ao menos o conhecimento e ajudar a aumentar a amostra daqueles que vão conseguir de fato agir em uma emergência? Como diz a abertura do livro teórico do curso – “Melhor saber primeiros socorros e nunca precisar utilizar ao invés de precisar e não saber”.
Eu recomendo muito o curso, além do que você também vai perceber como há muita desinformação e mitos em torno dos primeiros socorros e que muitos deles são universais do tipo : pasta de dente em queimadura (ARGH@) , manteiga e por aí vai... E você, conhece algum absurdo da sabedoria popular quando alguma coisa sai errado?
27.2.08
NBA - onde a emoção acontece!
Não pude acreditar quando cheguei bem pertinho dos meus ídolos – os jogadores do Toronto Raptors – e assisti pela primeira vez ao jogo da NBA ao vivo!! Eu não pude me conter! Ainda bem que o marido já me conhece muito e está acostumado com tanta empolgação quando eu chego perto dos meus ídolos. Principalmente quando o assunto é esporte.
Eu “babo” mesmo em atletas profissionais independente do esporte, acho a profissão mais linda do mundo você poder se dar ao luxo de ser o melhor no que você faz, se divertir, amar o esporte, ser pago para isso e ainda por cima o seu “trabalho” fazer bem para a sua saúde! Não, tudo de bom!
Aprendi com o meu querido pai, desde pequena, a acompanhar esportes em geral e a apreciar a luta e o empenho dos atletas por um único objetivo: se aperfeiçoar sempre! E nunca mais perdi este saudável hábito de praticar (quando posso e os esportes que me são possíveis praticar rsr) e vibrar com os atletas. A minha paixão pela bola cor de laranja e as duas tabelas também vem de longe.
Na escola (da quinta à oitava série) joguei muito basquete (antes que alguém me pergunte eu sempre fui armadora – aquele jogador mais baixo do time inteiro sabe?) e participei de vários campeonatos regionais. Tudo escolar, nada profissional mas muito gostoso. Depois, na adolescência fui treinar basquete em Sorocaba na escolinha da Minercal – ex time da ex jogadora e craque excepcional de basquete Hortência.
Tudo isso para dizer que acompanhar basquete para mim não é novidade. O marido, que não acompanhava no Brasil, foi contagiado pela minha paixão pois morando em Toronto e tendo um time local que – pela segunda temporada consecutiva - vai muito bem na NBA, fica muito fácil se apaixonar pela liga mais famosa de basquete no mundo todo. Como diz o slogan da própria NBA que é tema da campanha de TV deles que possui inúmeras versões e eu amo todas – "NBA: Where Amazing Happens” (algo como NBA - onde o sensacional/espetacular acontece).
Enfim, acompanhar um jogo destes de pertinho foi emoção pura e após 3 meses de espera (este é o tempo de antecedência em média que você precisa comprar o ingresso na temporada se quiser assistir a algum jogo pois é uma loucura, todos os jogos são lotados. Há torcedor (mais abastado é claro) que compra o pacote para assistir a todos os jogos. Para mim, que já realizei um grande sonho de assistir a um jogo ao vivo, agora sigo a temporada vendo os outros pela NBA-Raptors TV (sim, aqui só passa NBA e nós incluímos este canal no pacote de casa) e acompanhando o Raptors chegarem aos play offs.
Go Raptors Go!
22.2.08
Radicalizando o feriado da Família
Desde que chegamos, em setembro de 2006, venho dizendo que o dia que fosse estrear em uma estação de esqui começaria logo pelo snowboard. Coisa de infância, a moleca que nunca deixa de existir dentro de mim. Desde criança sempre quis ser skatista, surfista, estes “istas” que tem uma prancha nos pés e saem voando por aí. Claro que nunca fui nada disso pois sempre ouvia “isso é coisa de menino”, "é perigoso” para o skate, já o surf foi falta de ter morado em cidade litorânea mesmo. Então, o negócio foi ficar vendo pela TV todos os X Games da vida e “babar” no povo voando baixo com suas pranchas.
Pois bem, o tempo passou, já não tenho mais 15 anos e justamente por isso jamais sairei voando como aqueles que sempre praticaram desde pequenos. Entretanto, como nunca é tarde para ao menos sentir o gostinho das coisas nesta vida e dar os primeiros passos, lá fui eu realizar um sonho – me introduzir no mundo dos “istas”, no caso snowboardistas. Dois joelhos roxos, o corpo todo dolorido e muitos (mas muitos mesmo!) tombos depois, estou feliz da vida e posso dizer que o meu esporte preferido na neve é o snowboard. Claro que tive apenas uma aula introdutória - para iniciantes com duas horas de duração - e que ainda tenho muuuuito o que praticar e cair para começar a curtir de verdade o esporte, mas para quem esperou tantos anos por isso, aquelas duas horas ladeira abaixo pareciam um sonho! Isso mesmo ladeira abaixo.
Quando me matriculei no pacote de iniciantes pensei , vamos ficar treinando aqui embaixo na pista dos iniciantes (a mais baixinha) não é mesmo? Ledo engano, ficamos 10 minutos embaixo só para conhecer melhor o novo brinquedinho e aprendar a se locomover sem tirar aquilo dos pés. Eis que a dedicada instrutora – que fazia tudo parecer tão fácil mas é claro que não é! – vira com a cara mais lavada e diz “Agora vamos aprender a subir e descer do lift (as cadeirinhas que nos levam para o topo da montanha).
Até aí pensei, vamos apenas treinar isso. Eis que me dou conta que realmente escolhi o esporte mais radical da neve como lembrou a professora logo na introdução e por qual motivo ficaria o esporte mais radical no baixinho mesmo que fosse na primeira aula? Subir na cadeirinha foi tranquilo e o negócio não parava mais de subir e eu não parava de brincar com a professora “mas você tem certeza de que eu não entrei na aula errada? Estaria eu mesma na aula de iniciantes?” O que mais me preocupava naquele caminho todo era que tudo que sobe tem que descer não é mesmo? Bem, mas eu estava curtindo tanto aquilo tudo que nem me dei conta que teria que descer aquilo tudo com a prancha nos pés, ou seja, sinônimo de muitos capotes e o primeiro foi o mais espetacular de todos, logo ao descer da cadeirinha com a prancha nos pés e o chão rodando .. Claro !
A experiente professora já ia logo nos avisando (estávamos em 5 iniciantes na cadeira) que não havia problema se caíssemos e que era só não levantar a cabeça (pois as cadeirinhas continuariam passando por cima ) e ela logo pederia para reduzir a velocidade e coisa tal.. Seria ela uma vidente antecipando tudo?
Lá fui eu para o chão, levantei-me e o que vejo? Uma longa e alta ladeira aos meus pés... Pois sim, todas as duas horas de aula “iniciante” foram divididas em descer tudo aquilo, o que no caso de iniciantes significa cair e levantar tudo aquilo. A “profe” dividiu a montanha em 4 trechos onde treinamos fundamentos básicos como: uma vez no chão girar o corpo para mudar a direção, levantar sem tirar aquilo dos pés (Senhor Jesus, aja fôlego e força nos braços), virar aplicando pressão na perna para o lado que se quer ir (fácil apenas na teoria), descer de costas (sim, e por incrível que pareça foi a maneira que eu me senti mais confortável e consegui deslizar por mais tempo em cima da prancha sem cair), de frente (aí já complica um pouco mais ), de lado, brecar (báasico) .. enfim .. de tudo quanto foi jeito!
E tudo com o maior profissionalismo, a profe mostrava e nos acompanhava de perto, afinal o grupo era de apenas 5 pessoas e, em muitos momentos, a Brasileira mais atrasadinha (sim porque uma coisa é iniciante Brasileira que passou dos 30 e outra totalmente diferente é iniciante Canadense de 15 anos) ficou com uma profe particular que até me puxar pelas mãos me puxou quando fosse preciso para me dar o primeiro “embalo”.
Ao chegar no final de todo o trajeto parecia que havia passado um trator por cima de mim de tão cansada , dolorida mas muito feliz e realizada que eu estava. Por este inverno já foi a minha cota, até porque estes esportes não saem nada baratinho e o inverno está acabando. E por falar em preço, esta foi outra maravilha de eu ter ido fazer a minha estréia na segunda feira do Family day (o feriado). O marido esquiou , eu “snowbordei” com direito à aula e tudo durante todo o dia pela impressionante quantia de $50!!!
Sim, quando pagamos logo na entrada e a moça entregou a fatura do cartão, o Mauricio ficou sem ação, paralizou. E eu logo fui dizendo "mas moça há algo errado" (claro, pois o preço para os dois seria $100 no mínimo, só o pacote do Snowboard era $60) e ela com a maior naturalidade dizia "não o senhor só precisa assinar" e eu "mas como assim, está faltando o outro pacote". E ela “ é porque hoje é Family Day!” . Bendito dia da Família pensamos nós e fomos felizes da vida esquiar e “snowbordar”.
Taí a dica, no Family Day do ano que vem no - Snow Valley Ski Station em Barrie - dois pagam o preço de um! E assim fechamos o feriado radical felizes da vida, sim porque a parada na estação de esqui foi apenas o último dia do nosso feriado que começou com as trilhas básicas na neve pelas maravilhosas paisagens de neve do Algonquin Park (vejam alguns lances nas fotos abaixo). Os nossos companheiros de aventura da Keep Going – que já estiveram no parque no outono – garantem que a paisagem é tão bela quanto e eu não dúvido!
Aquilo é parque para visitar em todas as estações do ano e vivenciar paisagens completamente diferentes. Aliás, isso é o que eu mais amo de morar acima da linha do Equador. E esta foi mais uma sensacional e divertida aventura “low budget” realizada pela Keep Going! Até o esqui (atividade definitivamente nada de baixo custo) e que não estava no programa de sair baratinho acabou saindo! E que venha a temporada de inverno de 2009 e outro family day para esquiar pela metade do preço!
10.2.08
515 dias sem ele...
Tem o macio, o não tão comfortável assim, o de couro, de microfibra, preto, vermelho, marrom e por aí vai. Tem para todos os gostos e bolsos, os tamanhos e formatos variam mas ele está sempre lá, presente em todos os lares independente de classe social, raça e credo. Não conhece fronteiras, tem no Japão, no Brasil, na China e no Tibet.
Mas espera aí! Estou falando mesmo dele? O sofá? Sim, aquela mobília integrante da sala que eu quase que me esqueci como era bom me elevar alguns centrímetros do solo e comfortavelmente me acomodar nele! Ah claro! Eis que 515 depois, dois colchões de ar furados e muita almofada jogada no chão, ele voltou para as nossas vidas!
Bem, a vantagem de tamanha espera é que eu caprichei no meu sofá agora que pude eu mesma - com o suor do meu trabalho - terminar finalmente de mobiliar o apartamento que começamos a montar há um ano, ufa! A sensação que tive ao sentar em frente à TV novamente em um sofá foi a de ser uma total alienígena experimentando novos hábitos em um planeta diferente!
É, imigrar faz isso conosco, é um exercício diário de desapego aos bens materiais até que você tenha novamente condições de acesso à coisas tão básicas, simples e aconchegantes novamente como ele – o ilustre Sofá!
31.1.08
Padrão Globo de Qualidade!
Foi uma sensação muito boa e estranha ao mesmo tempo quando sintonizei o canal pela primeira vez. Quando imigramos, tiramos literalmente debaixo de nossos pés todo um mundo de referências e com ele a sensação de raiz. Depois de quase um ano e meio sem ver nada da TV Brasileira, estava lá eu – no que eu sempre considerei uma das melhores terapias de final de dia - dizendo como nos “velhos tempos” que estava na hora da minha novela. Eita sensação boa aquela depois de tanta instabilidade, mudança, pressão, preocupações e todo o repertório incluído no pacote "imigrante"!
Além de voltar a ver bons atores, autores e produtores em ação no que vem a ser a melhor teledramaturgia do mundo, de vez em quando mato a vontade de assistir a um dos melhores padrões de jornalismo do mundo. Não aguentava mais ver repórter fantasiado para cobrir matérias “temáticas”, moça do tempo que grava passagem usando óculos escuros, improvisa demais, cabelo que cai na cara, e por aí vai, padrão de qualidade zero.
Aí vocês vão dizer, mas Paula há a rede Canadense CBC, a Britânica BBC e a Norte-Americana CNN que fazem um bom jornalismo. Ok, vá lá, mas mesmo estas mais “sérias” não apresentam as matérias com a mesma qualidade e o próprio enfoque que dão não é o mesmo (estou falando das matérias de mundo passíveis de comparação). Ok, a minha eterna alma de jornalista e o fato de ter convivido a vida inteira com a imprensa Brasileira e gostar muito de comparar técnicas de reportagem fazem com que eu seja um pouco mais “cri-cri” com isso.
Independente de qualquer coisa, o fato é que agora vou poder saciar a minha vontade de novelinha para desestressar do dia a dia (Desejo Proibido é deliciosa e logo se vê a marca do bom humoer e qualidade de roteiro do Walter Negrão), ouvir o Boa noite do William Bonner quando quiser e de quebra não me sentir um “Alien” total quando for visitar o Brasil!
Agora já viu a briga que vai ser aqui em casa para ficar em frente à TV no horário nobre! Já tive até que jurar que, em dia de jogo do Raptors pela NBA, não assisto a novela. Ah marido, esta foi fácil, o Toronto Raptors se tornou a minha paixão Canadense desde que eu desisti de tentar gostar de Hoquei por não conseguir enxergar nada de esportivo no “teatrinho” de brigas em torno do esporte Canadense. Agora deixa eu ir que está na hora da minha novela!
25.1.08
Com a casa de pernas para o ar
Resultado, a mudança vai acontecer na terça que vem. Eu mal consigo achar o chão do apartamento de tanta caixa espalhada pelo meio do caminho e vamos em frente que atrás vem gente.
Inté...
6.1.08
A segunda virada de ano no Canadá
Se depender da maneira como entramos 2008, tenho certeza que cada um de nós terá muito o que celebrar até a próxima virada!
Obrigada queridos! Já dizia uma outra grande e muito especial amiga: "Quem tem amigo não morre pagão!" (Caldeirinha, esta foi uma homenagem à você, saudades!)
31.12.07
Crônica de Ano Novo ou de Ano Velho (como preferir!)
Nunca antes entendi tão de perto este estado PERTENCER. Aí vocês vão pensar “claro que sim Paula, em alguns momentos de sua vida você viveu o PERTENCER. Lembra quando desejou fazer parte do clube das meninas mais populares do colégio, da fanfarra da escola para tocar no 7 de Setembro, do grupo de moleques que “voava” em seus skates sem nem mesmo se preocupar com o próximo esfolar de joelhos?”. Verdade, lhes respondo. Sim, já senti o PERTENCER antes, inclusive com a implícita prerrogativa do “Não” embutido na condição de PERTENCER o que – em tese – deveria ter sido ainda mais difícil de carregar.
Olhando para trás não me parece que estes momentos “PERTENCER” tenham sido tão significativos quanto o PERTENCER do agora enquanto estrangeiros na terra de outrém. Caso contrário, certamente teriam eles deixado marcas profundas em mim. Alguem aí pode me explicar porque tudo que acontece de ruim ou forte (se assim o preferir) em nossa infância carregamos conosco sempre? Daí eu levar tão à sério o que falo perto de uma criança e como ajo ao seu redor.
Enfim, voltando à vida adulta que não me deixa parar de tentar entender o motivo pelo qual este PERTENCER de agora enquanto imigrante é algo tão mais forte! Já dizia o sábio e bom vernáculo da língua portuguesa que quem PERTENCE, pertence à algo ou à alguém. Daí a minha inquietação!
Aí viriam vocês novamente dizer “mas Paula, você pertence ao seu universo, ao seu país, à sua cidade, bairro, conjunto de regras, etc e tal” e eu vos replico “não, tudo isso ficou para trás, PERTENCIA ao que antes virou hoje. Ao não imigrante que virou imigrante, ao singular que virou plural, ao “preto e branco” que virou uma infinidade de cores se misturando em uma profusão de sensações, tatos e fatos.
Então PERTENCER à que? E quando o PERTENCER não mais basta e você chega a conclusão que o que foi não mais será e o que é ainda pode, quem sabe um dia vir a ser PERTENCIDO por alguém ou por algo?
Somos imigrantes enquanto procuramos PERTENCER, mas pertencer à o que exatamente? À um País? À um conjunto de valores? Normas e condutas? À uma cidade, um bairro? Silêncio...
PERTENCE quem busca, almeja, alcança e volta a buscar, almejar e alcançar. Acho que é isso! Hoje, no último dia do ano estive fazendo uma retrospectiva do ano que se vai -mais conhecido como 2007 - e não pude evitar de chegar à seguinte conclusão: ao chegarmos em Toronto dia 14 de setembro de 2006, atingimos uma meta previamente planejada e que PERTENCIA aos nossos sonhos. Continuando a linha de raciocíncio, surge o corolário de que fizemos muito (mas muito mesmo, coisas antes inpensáveis!) e conquistamos muito no ano que passou.
Conquistamos à duríssimas “penas” e não raras vezes com fortes emoções e desgastes emocionais envolvidos mas conseguimos muito. Eis que nos encontramos hoje aqui morando muito bem, ambos empregados em seus ramos de atuação e com saúde graças a Deus. E somos muito gratos à tudo e sabemos bem agradecer à cada nascer do dia!
Mas aí vem a natureza do ser humano – ao menos eu sou assim – e me obriga a ter um diálogo comigo mesma “Ninguém melhor do que eu sabe a luta que foi para conseguir tudo que somos e temos hoje além do exato tamanho das dificuldades enfrentadas para conseguir algo. Entretanto, eu acabo o meu ano me perguntando, uma vez conseguido tudo isso e agora 2008?”
Na condição de estrangeiros em terra de outrém, continuamos a busca – que por muitas vezes parece infindável – por PERTENCER e mais importante ainda PERTENCER como e à que? Não há dúvidas de que o nascer de um novo ano nos dá o gás e o fôlego suficientes para prosseguirmos PERTENCENDO sem jamais perder de vista o que nos foi cabido PERTENCER!
2008 aqui vamos nós na busca incessante por PERTENCER e buscar e seguir...
Um equilibrado ano novo para todos que me lêem, sim equilibrado, pois não há nada neste mundo que não carregue consigo as duas faces da moeda, o positivo e o negativo, o bom e o ruim, o belo e o feio, a saúde e a doença, o riso e o choro, a lua e o sol, a vida por fim!
*PS – O Ministério da Saúde do Intelecto Não recomenda tentar isso em casa. Refletir sobre a condição humana pode causar sérios danos às sinapses cerebrais! (Não custa nada avisar àqueles que ainda não cultuam o hábito da reflexão e se você é um caso perdido como o meu, bem vindo ao clube:)
23.12.07
O segundo Natal no Canadá
O momento auge da nossa ceia foi a entrada triunfante do Papai Noel - conhecido por aqui como Santa Claus - pois ninguém esperava que o tão ocupado bom velhinho fosse aparecer por lá! E este "Santa" eu posso garantir que era o verdadeiro, Canadense e habitante do Polo Norte, o Papai Noel mais verdadeiro que já tivemos. E para completar a magia do Natal a linda Sofia estava lá - sim porque Natal sem criança não é Natal.
Queridos Katiane e Peter, este post é uma homenagem à vocês donos de corações do tamanho do mundo e merecedores de tudo de melhor! Disse ontem e repito publicamente aqui que Deus abençoe vocês e que nunca falte nada neste ambiente lindo que é o lar de vocês. Um Feliz Natal e obrigada por tudo queridos!
Aproveito a ocasião para desejar à todos que me lêem os meus mais sinceros votos de paz de espírito e um Feliz Natal! Alguns lances do nosso segundo Natal no Canadá. Quem sabe no próximo ano conseguimos ir para o Brasil, enquanto isso vamos vivendo o melhor daqui, as pessoas especiais como a Kati e o Peter que tem cruzado o nosso caminho desde que aqui chegamos.
16.12.07
A maior tempestade de neve dos últimos dez anos!
Eu não poderia deixar de dividir as imagens impressionantes. E nós que pensamos ter visto neve no último inverno. Que nada! Isso sim foi uma tempestade de respeito! E agora entendo muito bem quando as minhas queridas colegas Canadenses de sala de aula me diziam que eu ainda não havia visto nada! Agora sim, podemos dizer que vimos uma real tempestade de neve. Confiram as imagens e para as legendas é só deixar o cursor sobre a imagem.
Finalmente terei o meu tão sonhado aniversário e natal brancos! Alguém tem alguma dúvida?
15.12.07
33 anos de vida!
O segundo aniversário fora do País de origem e das minhas raízes – será que as tenho ou tive um dia? (quem sabe no meu aniversário de 43 anos eu consiga responder estas e mais outras questões que tenho feito para mim mesma) – vem cheio de significados para mim.
Sempre gostei muito e vou continuar gostando de fazer aniversário por este turbilhão de reflexão e renovação de mim mesma que a cada ano que passa acontece. Não há dúvidas de que a experiência profunda e emocionalmente marcante da imigração ajuda a acentuar ainda mais este cenário.
Olhar para trás e lembrar de quando eu tinha os meus 20 anos e me projetava para onde estou hoje me deixa ao mesmo tempo orgulhosa de mim mesma, ansiosa e pronta para começar a projetar os meus próximos dez anos! Quem eu quero ser, como quero estar, que valores quero continuar carregando comigo, quais não valem o meu esforço e, mais importante, que estilo de vida quero ter para mim daqui há dez anos?
Para muitas das perguntas que tenho feito no decorrer da minha vida e que sempre me projetaram para onde eu queria chegar – afinal de que adianta você caminhar se não sabe para onde o caminho vai te levar? – eu já tenho respostas. Sim, comecei a agir hoje para determinar como quero estar – e não ser ou ter - aos 43 anos de idade.
A primeira providência que já tomo há uns cinco anos, e que continuo tomando e ficou mais forte ainda com a experiência da imigração - é a de acordar todas as manhãs me lembrando da MORTALIDADE – da minha e dos queridos (à minha volta, distantes, que já se foram e os que ainda virão).
Mortalidade esta que me dá – ao contrário do que quer fazer crer a vã filosofia – um maior prazer em viver cada pequeno momento da vida como um lindo amanhecer de verão, enxergar a beleza das pequenas coisas - principalmente da natureza (seja ela chuva, neve, sol, nuvem, pássaro ou vento)- como algo muito superior a toda a ganância e audácia que o ser humano consegue colocar em prática como uma forma de auto-engano diante de sua propria pequenez e mortalidade.
Faço pequenas coisas hoje – há dois dias antes de completar 33 anos de idade – para que elas me levem onde eu quero estar e como eu quero me sentir daqui há dez anos. Não, nada concreto como cidade, País ou até mesmo endereços que estarei. Entretanto, algo que me leve ao estado de espírito que quero preservar - independente do passar dos anos.
Sim, estou falando de equilibrio, paz, coerência de atitude com discurso , zelo com as palavras e plenitude do ser! O melhor de tudo é perceber que a cada aniversário que passa se separa dentro de mim o EU sou do EU não sou.
Feliz Aniversário para mim e que os primeiros dias dos meus próximos dez anos sejam dignamente sentidos e me tornem um ser humano melhor a cada dia. Senão, de que vale a nossa breve, passageira e mortal existência ?
Um Maravilhoso fim de semana à todos!
9.12.07
Com a casa nas costas... de novo!
Agora em dezembro acabou o contrato de um ano de aluguel que assinamos ao entrarmos com apenas 4 malas em nosso primeiro cantinho em Toronto. Ao tentarmos prolongá-lo por mais um ano, eis que o proprietário resolve vender o imóvel. E lá vamos nós de novo.
Sei que isso é perfeitamente normal, tanto que já aconteceu com vários dos nossos vizinhos por aqui. Entretanto, como passamos por tantas mudanças desde que chegamos, a sensação de passarmos por intermináveis etapas antes de nos aquietarmos não é das mais agradáveis. Desta forma, vamos à lei do mínimo esforço - estamos trabalhando para nos mudarmos dentro do mesmo prédio ou no máximo atravessar a rua para os prédios vizinhos.
Já temos alguns apartamentos em mente e na terça-feira vamos nos encontrar com a nossa corretora para quem sabe fecharmos algo por aqui mesmo na vizinhança (North York) e se tudo der certo nesta semana mesmo já sabemos para onde vamos pois precisaremos mudar até no máximo em janeiro.
No que depender de mim, já passaremos o natal em novo cantinho. Aliás, Natal? O que é isso? Eu mal estou me dando conta de que uma semana antes do natal - mais conhecida como semana que vem - será o meu aniversário! Tudo que eu quero neste momento é me aquietar. E lá vamos nós desmontar a casa, colocá-la literalmente nas costas, atravessar a rua (na pior das hipóteses) e montar o segundo cantinho no Canadá.
Fazendo umas continhas básicas, no Brasil eu já havia encarado 6 mudanças em 12 anos - o que a boa matemática diz que dá 1 mudança a cada 2 anos da minha vida. Tudo bem que o intuito é trabalhar para que esta média caia e nós nos assentemos, mas parece que o estado constante de "casa nas costas" é algo que ainda vai durar mais um pouco em minha vida! Quando vamos diminuir as andanças de um canto para o outro? Como dizia o caboclo - só Deus sabe! Enquanto isso vou colocando em prática a experiência que adquiri em meio à tantas mudanças.
Excelente semana à todos.
2.12.07
Show do Iron Maiden em Toronto aí vamos nós!
Graças ao vizinho Wander, fornecedor de carona para o trabalho e também apreciador de um bom metal, claro que já estamos com os ingressos em mãos para ouvir a incofundível voz do Bruce Dickinson ecoar no Air Canada Centre.
O show em Toronto encerrará a primeira etapa da Tour mundial de 2008 após ter já passado por São Paulo e Porto Alegre no Brasil.
Será o primeiro show do Iron Maiden que vamos e por isso estamos contando os dias. Há mais de 6 anos vimos o show do Bruce Dickinson - o que já é digno de nota - em sua carreira solo no Brasil. Isso nos tempos áureos em que eu fazia assessoria de imprensa para as casas de shows no Brasil e tinha o privilégio de ver todos estes shows de graça:)
24.11.07
Um passo de cada vez
Em tese, como "contractor" deveria se ganhar mais que funcionários uma vez que não há vínculo empregatício nenhum com a empresa, benefícios e encargos mas claro que não foi isso que aconteceu não é mesmo? Imigrante, primeiro emprego por aqui e por aí vai. Nem mesmo o fato de ele trazer 7 anos de experiência de Ericsson (exatamente o que a Rogers precisava) não foi motivo suficiente para os "agentes-suga" deixarem de baixar o real valor do Mauricio no mercado de trabalho.
17.11.07
O primeiro Prêmio do ERA
Além de agradecer a indicação da Thelma, enfatizo que escrevo porque gosto, escrevo para sentir, expressar, canalizar, criar asas, ser livre. Daí eu achar o nome deste prêmio muito apropriado aos que escrevem. Já diz o velho e sábio ditado "O espaço em branco aceita tudo" Quer maior liberdade que esta?
Ter o privilégio de receber o Prêmio Escritores da Liberdade me dá o direito de repassar o prêmio para os meus 5 blogs favoritos:
Building Bridges da Alexandra pela sagacidade e fluidez expressos nos textos sobre os mais variados assuntos
CanadaBoa dos meus vizinhos Luly e Wander pela simplicidade e humor presentes nos textos do cotidiano do imigrante.
Unzip Canadá da Nanny que traz as mais engraçadas e bem boladas analogias da blogosfera, a começar pela descrição do Blog.
Familia Saltense no Canadá simplesmente gostoso de acompanhar esta família que esta prestes a aumentar!
Vou pro Canadá do Gean que não raras vezes fala tudo que o imigrante precisa ouvir e ninguém antes escreveu!
Enfim, a blogosfera é cheia de coisas boas e interessantes para acompanhar mas estes são os meus preferidos e por isso merecedores do Prêmio de Escritores da Liberdades. Parabéns aos novos ganhadores!
13.11.07
Me iniciando no tão sonhado mundo Apple
O marido é testemunha que desde os tempos de Brasil eu era louca para ter um iMac ou qualquer coisa que me abrisse as portas para o mundo Apple. No Brasil? Impossível, caro, distante, coisa de filme. Aliás, todo filme que assistia e via um Mac ia logo dizendo que o meu sonho era ter um computador "fashion" daqueles.
Não, eu ainda não comprei um iMAC - ainda!
Entretanto, entrei com o pé direito neste mundo sem volta (ao menos para mim o é:) me dei de presente um Ipod Touch. O brinquedinho é o máximo! Como o próprio nome diz é tudo pelo toque, não há botões.
Lembro-me repetindo para o marido - em setembro de 2006 quando nos mudamos para cá - que com o meu primeiro salário Canadense compraria um Ipod e foi o que fiz. Só não imaginava na época que compraria algo que vai além de um Ipod - o Ipod Touch! Eis aí o lado positivo de eu ter demorado tanto para arrumar o meu primeiro emprego. Neste meio tempo a tecnologia evoloiu muuuuuito e agora tenho um brinquedinho bem mais interessante em mãos!
Quando a vendedora da loja da Apple me perguntou se era o meu primeiro Ipod e eu respondi que sim, ela logo soltou - "You jumped to the top!" Vamos dizer que ela tem razão e mal sabia ela o quanto esperei para viver o que aqui estou vivendo... O sofá? Ah é verdade, ainda não temos sofá! Mas quem precisa de sofá quando se adquire o seu primeiro Apple?
Boa semana pro ceis!
4.11.07
O primeiro Halloween de verdade!
Este dia 31 de outubro já começou muito bem com a minha participação no concurso de Pumpkin (as famosas abóboras decoradas) lá no trabalho. Claro que eu não poderia deixar de participar de tamanho evento logo no meu primeiro mês até para conhecer melhor todos por lá em um ambiente mais descontraído e muito gostoso. E até que não sofri muito para fazer a minha Pumpking Palhaço mas obviamente que me detive às formas básicas dos triângulos invertidos para os dentes e olhos seguindo as preciosas dicas da minha sogrinha talentosa.
Adorei a bagunça e quem sabe ano que vem me arrisco mais! A melhor parte é enfiar as mãos dentro da abóbora para tirar toda a meleca depois de terminar a arte!
O comitê de atividades sociais da Redknee decorou um salão digno de Halloween (confiram as imagens no slide – tem legenda é só colocar o cursor sobre a imagem que ela aparece) onde aconteceram os concursos de fantasia e das abóboras. Tinha de um tudo, os docinhos, fantasmas, assombração, bruxas e até efeitos especiais!
Se eu ganhei algum concurso? Claro que não né gente! Tinha cada obra de arte nas abóboras que mais pareciam ter sido esculpidas por artistas profissionais, o povo leva muito à sério e fica tudo muito lindo! Entretanto, eu ganhei muitos sorrisos e novos amigos ao ficar enfatizando que eu era apenas uma iniciante com uma versão Brasileira da Pumpking e que por isso mesmo todos tinham que votar na minha abóbora para dar apoio aos recém-chegados na empresa. Diversão garantida.
Ah, o "Jason" aí da foto sou eu (só para relembrar os meus 13 anos de idade quando assisti todos os filmes Sexta-feira 13. Hoje não posso nem chegar perto de filme de terror) com alguns dos meus colegas de departamento. Para completar, à noite fomos dar a volta no bairro para acompanhar a molecada batendo nas portas para o “trick or treat” e conferir a decoração dos jardins das casas na vizinhança (alguns destaques no slide).
O pessoal capricha muito e vale à pena o passeio, sem contar que a gente aproveita e bate um papo com os vizinhos que estão todos muito receptivos orgulhosos de seus jardins enfeitados. Ano que vem certamente faremos tudo de novo, com a diferença de que a minha abóbora não será mais de iniciante – quem sabe me arrisco a desenhar algo mais arrojado nela!
21.10.07
Lendo e Pensando a barganha da imigração
O depoimento acima foi extraído da edição de maio de 2007 do tablóide Canadian Immigrant. Além de indicar esta boa leitura para quem está chegando e sofrendo com todas as dificuldades inevitáveis do começo para se estabelecer por aqui, estive lembrando o quanto refleti na época em que li a opinião da Iraniana-Canadense Ratna Omidvar ao afirmar que o estabelecimento do imigrante no Canadá é uma frágil barganha entre o mesmo e o País.
Tenho lido o Canadian Immigrant (a publicação é gratuíta e distribuída todos os meses nas estações de metrô de Toronto) desde que cheguei no Canadá e quando li o trecho da entrevista acima estava começando o meu co-op (pagando para trabalhar e ser tratada como “iniciante/estudante” mesmo tendo 7 anos de experiência no que estava fazendo) e já sentindo na pele a frágil barganha da qual a entrevistada falava.
Sim, pensava eu, ela tem toda razão, fazemos sim uma barganha e da muito frágil com o País quando aqui chegamos. Estava eu lá – em maio quando ela deu a entrevista – dando a minha parcela da barganha no Co-op que mais tarde faria com que eu começasse a ser chamada para as entrevistas que me levaram ao meu emprego de verdade (agora pago e sem ser tratada como estudante/iniciante no que faço).
Aliás, esta prática de nivelar todos os imigrantes que aqui chegam por baixo e os tratá-los como inépcios (e aí estou falando do sistema todo da imigração desde os cursos do governo até os co-ops da vida) seria bem melhorada na minha opinião se, de todos os profissionais envolvidos em receber os imigrantes e dar as primeiras orientações, fosse exigida a leitura do excelente livro que estou lendo agora – The Emerging Markets Century. How a new breed of World-Class Companies is overtaking the World.
Eu não pude evitar a correlação quando Antonie van Agtmael – autor do livro e criador do termo Emerging Markets que substituiu o pejorativo Third World – abre o livro contando que em 1974 – em uma das palestras no Bankers Trust Company em Nova York – ele ouviu a seguinte afirmação “There are no markets outside the United States!” (não há mercados fora dos EUA).
Embora a afirmação tenha sido feita há mais de 30 anos, parece que hoje ainda há na America do Norte (e aí incluo o Canadá especialmente no trato com seus “qualificados” imigrantes) quem esqueça da excelência mundialmente comprovada de países como India – que está entre os 6 únicos países no mundo capaz de construir satélites - China, México, Argentina, Brasil, Russia. Só para ficar em alguns exemplos.
Será que os profissionais dos projetos de apoio ao imigrante que recebem engenheiros e profissionais Indianos, Chineses, Brasileiros e Russos já ouviram falar do BRIC? Aposto que não! O que isso tudo tem que ver com os profissionais imigrantes que chegam de todas estas partes do mundo e são tratados como se para trabalhar no Canadá tivessem que morrer e nascer de novo? Simples, estes profissionais estão vindo de verdadeiros centros de excelência em diversas áreas de negócios e ler este livro dá uma lista infinita de exemplos como a Mexicana Modelo que vende mais cerveja (Corona) para Americanos do que a Heineken, o fato de a Inbev-Ambev (maior fabricante de cerveja do mundo que deixou as “velhas” cervejeiras Européias impressionadas com a eficiência dos parceiros Brasileiros). A lista não tem fim.
Claro que para tudo há exceções mas na minha opinião bastaria um pouco mais de conhecimento sobre o que o mundo “emergente” tem realizado na esfera empresarial nas últimas décadas - independente de fortes crises econômicas, pobreza e corrupção – para se ter uma melhor noção de que os profissionais que aqui estão chegando tiveram uma boa base educacional e principalmente capacidade de superação perante às adversidades. Acho que dá para mudar um pouquinho a presunção de que não há vida inteligente fora do Canadá não? Pois é mais ou menos assim que a lavagem cerebral acontece até que você consiga entrar para o mercado de trabalho. Não que não dê para sobreviver, eu sobrevivi, muitos sobreviveram e você também pode mas que poderia ser diferente, ah isso poderia!.
O livro The Emerging Markets Century é um bom começo.
Excelente semana e boa leitura!