14.7.08

Orgulho de ser brasileiro

Curioso como viver no "estrangeiro" (parafraseando as simpáticas senhoras do interior paulista) potencializa o sentimento de orgulho por suas próprias raízes. Talvez isso seja facilmente explicado porque quando estamos longe temos a tendência natural de lembrarmos apenas das coisas boas (alguém aí sente saudades do que é ruim? óbvio que não!) e "esquecermos" os problemas. 

Por outro lado, acabamos por focar nos problemas que estão pertinho de nossa realidade onde quer que estejamos. Sim, curtimos as coisas boas daqui mas nunca deixando de lado aquele sentimento de lembrança do melhor que há na nossa terra natal. Especialmente se este melhor ganha projeção mundial à ponto de orgulhar quem vive no "estrangeiro".

Ao abrir as páginas do The Star e do Globe and Mail de hoje me deparei com uma notícia típica do mundo globalizado dos negócios mas com um toque especial de brasilidade. A Inbev (resultado da união, em 2004,  da belga Interbrew com a brasileira AMBEV) acaba de comprar a norte-americana Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser (responsável pela minha introdução ao mundo saboroso da degustação de cerveja:) por $52 bilhões de doletas americanas!

Embora a maior parte das matérias publicadas por aqui obviamente não mencione, apesar da sede da Inbev ser na Bélgica, o verdadeiro comando desta gigante cervejeira sai mesmo é do Brasil. Carlos Brito é o cara. O engenheiro brasileiro será o CEO da nova empresa. Se a negociação for aprovada pelos orgãos competentes, será a quarta maior empresa de consumo do mundo e a maior cervejaria do planeta! E não é para ter orgulho de ser brasileiro? 

Tudo bem que eu sempre soube da capacidade que os empresários e as grandes empresas brasileiras possuem de fazer negócio e justamente por isso que sob a ótica de quem vivia no Brasil seria apenas mais uma notícia de um  negócio realizado. Entretanto, sob a perspectiva de quem tem que lutar a cada dia, ou melhor, a cada minuto, para provar que é capaz fora do seu país de origem e de sua zona de conforto, a coisa muda totalmente de figura.

Dá orgulho sim de ser brasileiro e ver que temos gente muito boa se projetando mundo afora para que pessoas de outras nacionalidades possam ver. Afinal de contas nós sabemos do próprio potencial!  

E por falar em "breja", leitura boa sobre este assunto é o livro Why Mexicans don't drink Molson da jornalista que tem sobrenome de sopa:) Andrea Mandel-Campbell. Saúde!




5.7.08

Toronto - a faca de dois legumes

Sobreviver ao mês de julho em Toronto, como diria o dito popular distorcido, é "uma faca de dois legumes". De um lado a enxurrada de festas, festivais (abafa o caso que por aqui eles resolvem chamar de festival qualquer reunião de 3 barraquinhas na rua...), atividades outdoor "pipocando" com as temperaturas altas do verão úmido da cidade e de outro tem você - habitante do mosaico multicultural - com suas míseras 24 horas por dia durante dois dias por semana e algumas meras horinhas pós trabalho durante a semana!

Se este é o seu primeiro ano na cidade vai sentir uma urgência em tentar ser onipresente. Aceite, você não vai conseguir ir à todos os eventos nem mesmo se tiver um clone. Ah, mas e onde fica o segundo lado da faca? Que faca? Aquela gente, a de "dois legumes"... O segundo lado está justamente no fato de você, habitante desta cidade que não pára no verão e hiberna no inverno, poder conhecer diferentes atrações a cada ano que passa sem se repetir.  

Aliás, por falar em hibernar no inverno, a autora Margaret Wente do meu atual livro de cabeceira - An Accidental Canadian - Reflecting on my home and (not) native land (que nem é assim uma Brastemp mas dá para passar o tempo e pensar um pouquinho), tem uma explicação para o fato de Toronto ser uma cidade mais workaholic no inverno. Segundo ela, difícil é achar o que fazer com tanta neve lá fora. Eu não necessariamente concordo com ela mas é de se pensar...

Pensar é o que não quero fazer agora, então vou sair já para aproveitar o calor lá fora (morando por estas bandas você acaba se sentindo um criminoso se não o fizer, vai por mim. Após quase dois anos morando aqui eu entendo mas acho que nunca vou me acostumar com esta "obrigação") e dar um pulo no Taste of Lawrence pela primeira vez (no ano passado fui à outros bons e alguns nem tão bons assim. Lembram da faca?). Amanhã? Vou contrariar um pouco a regra de verão  "fique ao ar livre a qualquer custo" e saciar a minha sede de teatro e curtir o Toronto Fringe Festival que traz toda uma programação de 2 a 13 de julho de teatro a no máximo $10! 

FUI.


25.6.08

Sick People!

Desculpem mas este post é um desabafo! Estávamos eu e o marido ouvindo o noticiário e eis que ficamos ambos sem palavras, um olhando para a cara do outro com aquela cara de "eu não acredito no que estou ouvindo"...

Eis que esta semana iniciou-se por aqui em Toronto uma campanha para deixar as mamães à vontade para amamentar seus bebês em locais públicos e restaurantes. Hein!!!! Como assim??? Em segundos ficamos nos perguntando qual seria o problema com o que eu acho ser um dos atos mais lindos, saudáveis e naturais do mundo. 

Bem, se estão fazendo uma campanha é porque as pobres mães se sentiam desencorajadas a amamentar seus filhos a qualquer hora e em qualquer lugar que fosse necessário!

Gente, juro, não acreditei! Para mim, uma mulher amamentando seu filho no metrô, em um restaurante, na rua ou em qualquer lugar que seja é algo tão natural quanto respirar! Mas parece que não são todos que pensam assim. Bem, agora com a tal campanha os restaurantes de Toronto vão ganhar o selo Brestfeeding Friendly. Anytime, Anywhere! 

Alívio para as mamães e bom senso dos donos de restaurantes. Honestamente, precisava de tudo isso? É cada uma!! Desculpem mas eu precisava desabafar e olha que nem mãe eu sou! E como diz a moça do vídeo, se ela tiver que amamentar somente em casa, ficaria em casa o tempo todo! Sem comentários...

 

18.6.08

Contagem Regressiva

Em 87 dias Toronto vai respirar cinema com o início do Toronto International Film Festival e eu já estou em contagem regressiva para acompanhar bem mais de perto o festival deste ano se comparado aos outros dois anteriores desde que aqui cheguei. 

A abertura oficial ficará por conta da estréia mundial do épico de guerra Passchendaele do diretor, roteirista e ator canadense Paul Gross. É a história do Canadá sendo levada por um filho seu para a tela grande e pela bagatela de $20 milhões - dinheiro de pinga para as mega produções de Hollywood. O filme foi rodado em Calgary e Paul Gross conta a história da batalha da Primeira Guerra Mundial que contou com a presença de 50.000 soldados canadenses nos campos de Ypres, na Bélgica. 

Outra estréia que estou louca para conferir é resultado de uma co-produção Brasil-Canadá. Trata-se de Blindness - o filme dirigido por Fernando Meirelles e baseado na alucinada mas muito boa obra de José Saramago - Ensaio sobre a Cegueira. Quem leu o livro sabe do que estou falando e entende o motivo da minha ansiedade. Como diz o meu marido, que também leu o livro, "como alguém teve a capacidade de levar o surreal cenário deste livro para as telas do cinema!!". é marido, vamos ter que esperar para descobrir.

Além de querer conferir tudo, este é mais um evento que desde que cheguei no Canadá já estava na minha lista para voluntariar. Por isso, eu já me candidatei para, em julho, participar do recrutamento de voluntários. Este ano, quem sabe, chegarei ainda mais perto de toda a movimentação que o Festival proporciona para quem, como eu, ama cinema.


13.6.08

Woodstock para crianças!

Como eu já comentei por aqui, voluntariar para o Luminato tem sido uma deliciosa e enriquecedora experiência para mim. Tanto que resolvi dividir tudo por aqui para que, aqueles que moram em Toronto, possam aproveitar também a variedade de atrações que o festival oferece. 

A dica de hoje é para quem tem criança em casa ou até mesmo para aqueles que, como eu, nunca "matou" a criança de dentro de si e é apaixonado pelos pequenos e por tudo que envolve o mundo mágico infantil. E por falar em magia, lá estava eu rodeada por 40 pequeninos com idades entre 2 e 8 anos brincando de trenzinho ao som da deliciosa música Catch that Train de Dan Zanes

Em uma hora e meia de apresentação teve de tudo, festa na Jamaica, música mexicana, passeio de barco. Tudo ao som do banjo, do violão, trompete e violino que apresentaram a música folk americana, jamaicana e mexicana para dentro da roda que se tornou uma verdadeira festa. Ninguém fica parado! Até a gerente da biblioteca - local do meu voluntariado - entrou na roda e as voluntárias (além de mim havia uma Canadense dos seus 50 anos muito animada também) claro precisam participar, este é o grande barato de voluntariar!

No início, era inacreditável de ver a organização dos pequenos todos sentadinhos no chão-  exatamente como havia recomendado a professora - apenas batendo palminhas e mexendo as cabecinhas para acompanhar o som, além de cantar juntos. Mas aí entrou em ação a forma gostosa como o Dan Zanes interage com os pequenos e ninguém mais ficou sentado.

Durante as horas que passei nos bastidores com a equipe do Dan Zanes -  antes de começar o espetáculo - eu pude ter a exata noção do alcance que ele tem não somente com as crianças mas também com os adultos. Ao término do show era mãe com livrinho de estórias do Dan Zanes and Friends para autografar, mãe com criança de colo pedindo para ser fotografada ao lado do ídolo (difícil era saber quem estava mais empolgado se eram as mães ou os pequeninos). Um típico caso de Adriana Calcanhoto e seu também delicioso show infantil Adriana Partimpim - quem está no Brasil e tem a chance de ver não deixe de ir, é uma delícia!

E para os papais e mamães que estão em Toronto ainda há apresentação do Dan Zanes neste fim de semana pelo Luminato. Veja as datas e preço aqui.


12.6.08

BLACK WATCH - Imperdível!

Black Watch arrasou – no melhor sentido da palavra – platéias inteiras no Festival de 2006 em Edimburgo e arrancou elogios da crítica e do público que lotou os teatros por lá. Agora, a tão comentada produção no circuito internacional de teatro chega à Toronto para a estréia Canadense como parte do Luminato (festival este para o qual eu tive o privilégio de voluntariar e a felicidade de, em troca, poder ver de graça espetáculos tão sensacionais como Black Watch). 

Baseada em recentes entrevistas feitas com ex-soldados que serviram no Iraque, a peça conta a história do legendário Black Watch, Regimento Escocês de 300 anos de idade cujo rompimento foi anunciado em 2004 pouco antes de seu batalhão de 800 homens substituir 4.000 cadetes da marinha Norte-Americana em uma das áreas mais sangrentas de conflito no Iraque.

Dramatizado por recentes acontecimentos, Black Watch revela a dura realidade da “Guerra no terror” e o que significa fazer a viagem de volta para casa. A produção de John Tiffany faz o uso poderoso e criativo do movimento e da música. O resultado é um espetáculo VISCERAL, COMPLEXO E DINÂMICO. 

Se você está em Toronto e gosta de grandes produções com temas de Guerra, não deixe de conferir este impactante espetáculo que ainda pode ser visto no Luminato. Há tempos que um espetáculo não me impactava tanto me fazendo sair do teatro de queixo caído e praticamente sem reação. Apenas minutos depois consegui expressar o que senti durante as quase duas horas de apresentação impecável da Cia de Teatro Escocêsa!

O espetáculo contém linguagem inadequada para menores (mamães e papais que me lêem, no próximo post vou falar de outro evento para o qual voluntariei sensacional para crianças), é bem barulhento (vai ser o mais próximo que você vai chegar de um campo de batalha na sua vida – acredite!) e tem também o sotaque “fofo” Escocês mas bem arrastado que em alguns momentos nos impede de entender algumas piadas (sim, há um humor muito bem feito mesmo em se tratando de um assunto tão trágico) mas nada que comprometa o seu entendimento geral da peça. Mesmo assim eu recomendo muito!!! 

A peça está sendo exibida no Varsety Arena na Bloor Street West e a maneira mais fácil de chegar lá é de metrô, você só precisa descer na estação St. George e dá de cara com a entrada do Varsety Arena. Chegue com 15 minutos de antecedência pois se você atrasar não há cristo que vai fazer você entrar para não atrapalhar um trabalho tão bem cuidado. Nada mais justo!

 

 

 


10.6.08

Nomes esdrúxulos

Um dos meus colunistas favoritos do Toronto Star traz hoje um artigo muito divertido! Ok. confesso que seria mais divertido não fosse trágico! Eu dou risada porque não me chamo Xerox, Nausea ou Ipod, meus pais tiveram a sanidade mental de se ater ao tradicional - ufa! 

No penúltimo parágrafo ele até cita alguns exemplos mundo afora incluindo o Brasil. Não sem antes mencionar estudo apresentado recentemente em Vancouver que levanta a tese da possível relação entre nomes incomuns e esdrúxulos com atos criminosos. 

Em tempo - queridos futuros papais e mamães : não inventem moda ao escolher os nomes de seus pequenos em nome da boa sanidade mental dos mesmos. O que há de errado com os lindos e simples João, Maria, Lucas, Leonardo, Carolina, Marcelo, Wagner, Vitor, Ana, Lucia, Luiza, André, Vinicius, Isabel e outros tantos nomes póprios para seres humanos?

Divirtam-se com o artigo. É muito bom!

4.6.08

A Polêmica do IELTS

Impressionada com a fluência e as pitadas de humor inteligente do artigo DARING TO ASK FLUFF QUESTIONS que mencionei no último post, esqueci totalmente que desde abril deste ano o Governo Federal vinha debatendo a possibilidade de exigir que todos os candidatos à imigração passem pela prova do IELTS (hoje, se uma família de 2 ou mais pessoas dá entrada no processo apenas um indivíduo precisa fazer o exame). 

Lendo o jornal de hoje lembrei-me ter sido este o motivo da inspiração do articulista ao escrever sobre o tema aqui já mencionado. A notícia de hoje é a de que Ottawa - a nossa Brasília desde que decidimos viver no Canadá - decidiu voltar atrás na idéia de exigir o IELTS para todo e qualquer indivíduo que dê entrada no processo de imigração. 

Como diz a minha querida vovó, continua tudo como antes no quartel de Abrantes e claro que o jornal não perdeu a oportunidade de dizer que influenciou a tomada de decisão com sua campanha. Leia aqui.


3.6.08

Humor inteligente

Desde que eu me conheço enquanto gente aprecio a perspicácia e, na maioria das vezes, a acidez presentes no humor inteligente daqueles que o administram com maestria! Aliás, acho que estou até sendo redundante ao dizer que aprecio o humor inteligente pois o humor sem esta acidez perspicaz perde a graça, ao menos para mim. 

Conheço algumas figuras que passaram e ficaram em minha vida pessoal me conquistando por conta exclusivamente desta característica além de algumas poucas figuras mais famosas como atores e jornalistas. O fato é que muito mais difícil do que levar a ironia inteligente ao discurso falado é fazer o mesmo com a palavra escrita! E, na minha opinião, foi exatamente esta arte da ironia inteligente que o autor de  DARING TO ASK THE FLUFF QUESTIONS exerceu ao publicar o seu texto no Toronto Star de hoje! 

Impagável - mais ainda para quem já mora no Canadá e já fez o IELTS - a ironia inteligente que Vinay Menon imprime ao seu texto! Não se trata aqui de concordar ou discordar com o que ele fala mas sim de apreciar um estilo de escrita extremamente difícil de ser alcançado e que deve ser admirado. 

Boa leitura!

28.5.08

Software para voluntariar

Em junho de 2007 fomos eu e o marido, ainda como visitantes, ao Luminato (festival de artes realizado em Toronto). Naquela época, eu sequer sabia que aquela era a primeira edição realizada na cidade. Pouco importava. Eu me apaixonei pela qualidade das apresentações e performances além de, é claro, pela enorme quantidade de eventos gratuítos! E, ainda em junho de 2007, disse ao marido que ficaria de olho nas oportunidades de voluntariado neste mega evento e que gostaria muito de voluntariar.

Um ano se passou e estamos às portas da segunda edição do Luminato e eu feliz da vida porque serei uma dos muitos voluntários que fazem do evento a gandeza que ele é! Para tanto, fui à uma famosa "info session" em dezembro do ano passado e fui cadastrada no banco de dados deles, em janeiro deste ano fui para um tipo de entrevista e entrega de currículo e tive a notícia de que fui selecionada para ter o privilégio, juntamente com os voluntarios de 2007 (sim, isso vicia e o povo volta rsrs), a escolher as performances e as atividades para as quais vou voluntariar.

Eu sei, escrevi dois parágrafos e você está se perguntando onde entra o Software neste "causo"? Justamente, como diria Juvenal Antena (sim, é possível ler Machado de Assis, gostar de artes e ser doida por novelas!), esta semana quando fui para um dos treinamentos oferecidos para os voluntários e eis que fui introduzida ao software que algumas organizações nos EUA e no Canadá usam para organizar os shifts (vulgo turnos) e as horas doadas para cada atividade de seus voluntários. Tudo fica hospedado na myvolunteerpage.com


Nesta página está o meu perfil e quantas horas eu dôo para cada organização que quero voluntariar, assim como a minha agenda de turnos com datas, horários e eventos para os quais vou voluntariar. É incrível a facilidade e organização do sistema pois se você vai voluntariar para um grande evento de duas semanas e com tantas atividades como o Luminato, facilita a sua vida demais! Bem, até agora me cadastrei para 3 turnos (Black Watch, Where the Blood Mixes e Dan Zanes and Friends) me interessam muito não somente porque adoro teatro e crianças mas também porque são atividades totalmente relacionadas ao meu perfil e que podem, de quebra, acrescentar sempre no meu currículo Canadense.

Ah, e de quebra, com o meu crachá de voluntária eu vou poder assistir de graça várias peças de teatro e musicais que custarão em torno de $50 para o público.

Fica aí a dica - para voluntariar para os grandes eventos daqui de Toronto fique de olho uns seis meses antes pois a concorrência é grande e a organização impecável!

7.5.08

Não tem preço...

Ouvir o barulhinho bom da chuva fria tropical que cai no quintal da casa dos avós,

Comer bolinho de chuva preparado por quem mais entende – a minha avó Luiza,

Tomar Bohemia “estupidamente” gelada em um clima “estupidamente” quente,

Pisar a areia da praia, sentir o cheiro do mar, comer porção de porquinho junto de grandes amigas (Lê e Cris vocês são demais!),

Rever os grandes amigos e constatar que todos seguem suas vidas em um fluxo perfeito e natural,

Ir ao teatro com alguém muito querido (Lé, é nóis), rir muito e ainda “emendar” em um restaurante Japonês e sair rolando de tanto comer,

Assistir à novela das seis e comentar os detalhes com minha mamãe querida,

Pular feito uma adolescente na cama elástica montada no quintal da afilhada para o seu aniversário e ficar toda dolorida por 4 dias (Rafa, a madrinha te adora!),

Ir à seção vespertina de cinema acompanhada da afilhada, a prima e a mãe, comer pipoca e bater perna com as minhas queridas (Clau, Rafa e Lizete),

Assistir à final do campeonato paulista e ver o Palmeiras campeão rodeada dos meus queridos tios e primos no quintal da vó Olga (Clau, valeu a camisa do Palmeiras que você me deu. Amei!),

Ajudar a cunhada a preparar um jantar mais do que especial na casa do meu querido irmão,

Ofertar apoio àqueles que mais precisam em um momento nem tão feliz assim (vai em paz tio Hélio) mas que nos faz exercer a compaixão em sua plenitude,

Almoçar todo dia com o meu pai e, nas nossas conversas, tentar debater e resolver toda a problemática do mundo e da humanidade,

Ouvir o canto da passarada em um final de tarde sem nenhum compromisso,

Fazer tudo isso, lavar a alma e começar a contar os poucos dias que faltam para voltar para a minha casa, minhas coisinhas e o mais importante para o meu querido marido! Não tem preço...

22.4.08

E a terra tremeu...

Noite tranquila aquela na cidade de Boituva - interior do Estado de SP. Acabara eu de falar com o meu querido marido e matar saudades quando, às 21 horas , logo após desligar a chamada no skype, sinto o chão literalmente tremer! Nossa, pensei cá com os meus botões, tudo isso era saudades do marido!

O forte som do chão vibrando, a mesa do computador balançando, o microfone, por meio do qual eu acabara de falar com o marido, tremendo e o canto da parede vibrando deram a tônica daquele instante. Parei tudo que eu estava fazendo para acompanhar o "fenômeno". Passados alguns segundos pensei comigo mesma - "será que alguma coisa que comi me fez mal? Estou surtando? Labirintite?" até porque não havia mais ninguém alí comigo.

Subi até o quarto da minha mãe (no andar de cima)que assistia à novela e me calei, na esperança de que ela comentasse algo. Ela não disse nada, então pensei - estou surtando mesmo, é grave! No minuto seguinte, no intervalo da novela, a chamada do Jornal da Globo anuncia que às 21 horas daquela noite de 22 de abril um tremor de terra de 5,2 graus na escala Richter foi registrado a 270 km da cidade de SP.

Ah tá! Ufa, que alívio, antes mesmo de ouvir a notícia já estava pensando em marcar uma consulta com o neurologista quando o meu irmão liga dizendo que a cama dele tremeu e se havíamos sentido, a minha mãe que não sentiu (ela estava no andar de cima e do lado oposto da casa) foi logo dizendo que não mas aí eu relatei que sim o chão tremeu aqui também. Bem, ao menos não estou ficando louca, ainda.

14.4.08

Almas que não se separam...

Entra ano, sai ano, mudamos de trabalho, envelhecemos, sorrimos, choramos e lá estamos nós novamente como se nada tivesse mudado! Difícil explicar o que acontece com este elo de mais de dez anos (uns pouco mais outros pouco menos) que nos une sempre e faz com que cada reencontro seja sempre assim, com a sensação de que não nos separamos nunca. É, deve ser mesmo a mente que enbriaga o corpo e relembra sempre que estas almas não se separam nunca!




Queridos, vocês sempre estarão comigo por onde quer que eu vá.
Dani Zuim, obrigada por tão brilhantemente organizar a turnê 2008 e Lé reserva o espaço na areia da praia que aí vou eu!

19.3.08

Reencontrando Bruce

O bom e velho Bruce Dickinson continua o mesmo! Dono de uma voz impecável e feita para o metal. Eu e o marido -na época ainda namorido - tivemos o privilégio de ver o Bruce em sua performance solo no Brasil, em 1999, quando eu gritei e me emocionei com Tears of the Dragons, a minha música preferida da carreira solo do Bruce.

Faltava ver o Bruce no Iron Maiden! Agora sim, pude cantar, gritar e me emocionar com os clássicos do Iron aqui em Toronto no domingo que passou. Acompanhados do vizinho Wander (valeu a parceria vizinho!), fomos curtir o show do Iron Maiden que finalizou a turnê mundial de 2008. Eles só cantaram músicas antigas - a banda nasceu em 1975 e é considerada uma das mais importantes e bem sucedidas bandas de heavy metal de toda a história- e o show é todo cheio de pirotecnia, cenografia e efeitos especiais. 

E claro que não poderia faltar o Ed the Head que estava lá também como em todos as capas de disco da banda e todos os shows. Agora aguardaremos o show da banda da nova geração que aprendemos a gostar mesmo antes de sair do Brasil, o Linking Park (Wander, esta será mais uma parceria de sucesso). Também já fomos a um show deles no Morumbi (Lembra Lé?) antes de deixarmos o Brasil e os caras mandam muito bem. Tomara que eles venham para cá este ano ainda!

Aproveito para desejar uma feliz Páscoa (para aqueles que celebram) e dizer que estamos saindo de férias e este blog também entrará em ritmo "desacelerado" quase parando que umas boas férias merecem. 

Até a volta!
FUI

17.3.08

Vamos ao teatro - para rir muito!

Sábado que passou fomos até a cidade vizinha de Waterloo, com alguns colegas de trabalho do Maurício, conferir a peça "Defending the Caveman" (Defendendo o Homem das Cavernas).


Aclamado pelo público e pela crítica (O New York Times descreveu como "um fenômeno de comédia"), o monólogo que está a mais tempo em cartaz na história da Broadway, corre mundo afora em mais de 30 países (infelizmente para quem está no Brasil ainda não pode conferir o espetáculo) fazendo o público morrer de rir em 15 idiomas diferentes. Mas se você está no Canadá e o espetáculo estiver na sua cidade, não pense duas vezes! É hilário e impagável!


Como não havia mais ingressos na época em que a peça estava aqui em Toronto, fomos até Waterloo e vale muito à pena a viagem de cerca de um hora para você que mora aqui. Escrito pelo Californiano Rob Becker, em 1991, o roteiro hilário e muito verdadeiro (prepare-se para morrer de rir e encontrar muitas verdades também!) parte da premissa que o homem das cavernas e a mulher das cavernas viviam na mais perfeita harmonia porque entendiam bem os seus respectivos papéis. Aí homens e mulheres modernos evoluíram com a sociedade moderna em modos totalmente diferentes, ainda assim trazendo seus instintos básicos dos tempos das cavernas com eles.


A inteligência do roteiro, a extrema competência do ator Michael Van Osch, Canadense nascido em Waterloo, dão ao espetáculo a combinação perfeita para o que chamo de uma verdadeira obra de arte! Simplesmente SENSACIONAL! Sem falar que para um monólogo ser de fato muito bom, eu diria que mais de 50% da responsabilidade está nas mãos do ator. E se o mesmo não é bom, não há roteiro que segure. Aqui, ambos são fantásticos!


O ator começou sua carreira estrelando produções da Broadway como A Few Good Men (espetáculo que, em 1992, virou filme estrelando Tom Cruise, Demi Moore e Jack Nickolson), Lost in Yonkers e A Midsummer´s Night Dream. Recentemente atuou no aclamado video clip American Dream de Casting Crowns.


O espetáculo é para todos aqueles que reconhecem que há diferenças natas entre homens e mulheres e querem rir muuuuito mas muuuito mesmo! Eu havia me esquecido como é bom chorar de tanto rir !

13.3.08

E não é que o Papa é Pop mesmo!

Não aquele papa da velha conhecida música que o Humberto Gessinger tanto cantou nos idos da década de 80 durante a adolescência de qualquer um com mais de 30. Aqui o papa é outro, mais íntimo das meninas por assim dizer, mas tão pop quanto. Isso, aquele mesmo - o papanicolau – que aliás deve morar no inconsciente masculino pois já foi cantado também pelos Titãs na mesma década que embalou a minha adolescência. Quem aí não embalou a “ginecológica” canção Clitóris? (ops, meninos, este post hoje está um tanto quanto feminino!)


Agora voltando a conversinha com as meninas sobre o pop papa, ou melhor o - papanicolau. Esta semana fui, pela primeira vez desde que cheguei aqui, visitar o “dotô” justamente para fazer o famoso e tão importante check up anual ginecológico que inclui o valiosíssimo – e pop – papa. Devo dizer que foi, no mínimo curioso. Tudo certinho e nada de novo pois afinal tratava-se do velho conhecido de toda mulher que preze a sua saúde e tão famoso papa (bendita hora que a medicina resolveu usar como base o latim para todos os seus termos médicos! E não é que o papa chama-se papa por aqui também? Não disse que o papa continua sendo pop
?).

Muito já se discutiu sobre médicos no Brasil e médicos por aqui, por isso não estou nem um pouco a fim de cometer a injustiça de comparar o sistema de saúde privado - digno de primeirio mundo que nós enquanto uma elite tínhamos o privilégio de ter acesso no Brasil - com o sistema público de saúde daqui. A blogueira que melhor dissertou sobre o tema, na minha opinião, foi a Alexandra e se você lê em inglês, sugiro o texto que é, na verdade, a minha opinião sobre o assunto.


Mas voltando à celebridade Papanicolau, confesso que eu estava me sentindo incomodada de ainda não ter ido ao médico por aqui (mesmo que fosse para um check up) ainda e , principalmente, de ter que deixar de lado uma relação de mais de 8 anos com o meu ginecologista lá do Brasil (o Dr. Marcio Jordão é um dos melhores profissionais que eu conheci e quando fui me despedir dele até brinquei que os profissionais que eu mais sentiria falta no Canadá seriam ele, a minha manicure e a minha faxineira! Devo confessar que hoje isso se confirmou verdadeiro rsr).

Entretanto, aqui foi a terra que eu escolhi para viver, moro aqui e fiz esta escolha. Quando fazemos escolhas, fazemos trocas e devemos nos adaptar a elas. Por isso, fiz questão de registrar este momento por aqui. Quebrei mais uma barreira psicológica de imigrante recém-chegado (aquele que está aqui há menos de 3 anos) e devo dizer que estou bem mais tranquila agora que fiz o meu check up ginecológico anual, gostei do médico (formado na universidade de Ottawa e indicação da minha vizinha Liliane. Lili, boa indicação viu?) e claro, constatei que o papa continua sendo pop!


Ao sair da clínica não pude deixar de observar o grande aviso que dizia “Não aceitamos mais pacientes que não falem INGLÊS!” . Pensei comigo, este país é uma loucura mesmo. Um médico Canadense, formado na Universidade de Ottawa, no exercício de sua função, em seu país onde o idioma oficial é o inglês (no caso da províncea de Ontario), precisar colocar este tipo de anuncio!

No mínimo curioso e retrato de um país formado por imigrantes. Agora se você é mulher, brasileira, e chegou aqui com o inglês fluente não se preocupe que a consulta segue bem feitinha, direto ao ponto, o médico é bom, “limpinho”, você apresenta o seu OHIP (o cartão de saúde pública Canadense) entra, faz o que tem que ser feito e sai sem gastar um tostão (claro que pagamos nos impostos).

Devo confessar que nesta hora me senti cidadã de verdade e feliz em saber que o papa continua pop!

7.3.08

Colunista do Brasil News

Estreou esta semana - no jornal voltado à comunidade Brasileira Brasil News - a minha coluna "Saving Money" que - quinzenalmente - vai dar dicas de como viajar mais barato, resenhas de filmes e entretenimento em geral. E tudo isso sempre com o foco em economizar, ou seja, fazer mais com menos. Coisa que todo imigrante vira especialista e nem por isso deixa de curtir as coisas boas da vida.

O primeiro artigo traz a primeira parte das dicas econômicas do roteiro da região de Muskoka onde estive no último feriado de fevereiro. Espero que os leitores do Brasil News e do Era gostem e tirem bom proveito de todas as dicas!

Boa leitura e bom fim de semana à todos!

4.3.08

Chamem os Paramédicos

Queimadura, afogamento, crise de asma, choque anafilático, sangramento de nariz, fratura, hipotermia, angina, ataque do coração, epilepsia, diabetes, pressão alta... e o pulso ainda pulsa! Calma gente, não estou “compondo” a versão 2008 de O Pulso cantada na voz do eterno poeta Arnaldo Antunes não!

Todos estes assuntos e muito mais foram abordados no curso de dois dias - ministrado pelo EMS (Emergency Medical Services) de Toronto - que eu acabei de fazer para me tornar apta à prestar os primeiros socorros, além de fazer todo o procedimento de ressuscitação em bebês, crianças e adultos. Você tem criança em casa, trabalha com crianças ou nenhuma das anteriores? Recomendo este conhecimento mesmo assim.

Simulação de cenários de emergência, “bonecos” adultos para ressuscitar, “bonecos” bebês que acabaram de se afogar e estão ficando sem respiração para ressuscitar, curativos para fazer e ataduras foram apenas um dos muitos exercícios práticos deste EXCELENTE curso que eu fiz e recomendo à todos. O que, à princípio soa como algo banal, na realidade acaba sendo um ato de amor pois 80% dos casos em que você vai aplicar as técnicas de primeiros socorros será com familiares e amigos, 15% em colegas de trabalho e 5% em estranhos na rua. Sim, aqueles que você mais ama serão os maiores beneficiados do seu conhecimento.

Na realidade, eu sempre achei que este é o tipo de conhecimento que todos deveríamos ter. Claro que, em uma situação real, nem todos nós estaremos aptos a de fato agir na real velocidade e ao mesmo tempo com a frieza que a emergência exige. Entretanto, se todos tivessem ao menos o conhecimento vocês concordam que aumentaria o número de pessoas que sequer sabem que poderiam agir e acabariam, em momentos decisivos, se tornando a diferença entre a vida e a morte para outra pessoa?

Sempre achei isso e - ironia do destino – só estou hoje aqui contando tudo para vocês neste blog porque um anjo (né Vitor? Querido, este post é em sua homenagem. Acho que estarei velhinha gagá e ainda me lembrando de como você salvou a minha vida) estava na hora certa, no lugar certo, tomou o controle da situação e- mais importante – sabia o que fazer corretamente, enquanto eu seriamente me afogava com um "estúpido" pedacinho de carne do estrogonofe (passei mais de um ano sem conseguir comer estrogonofe novamente).

Vitor, após terminar este curso eu aprendi que o tipo de afogamento que eu sofri foi o mais severo e não tivesse você literalmente iniciado os procedimentos de primeiros socorros, em no máximo 4 minutos, eu entraria em estado de choque e até chegar à um hospital era morte cerebral na certa. Claro que não pude deixar de lembrar de você o tempo todo quando fazia os exercícios (aqueles mesmos que você utilizou em mim) nos manequins adultos e bebês. Só para constar, o Vitor é o namorado gracinha da minha prima que estava em um almoço familiar - ou seja - o meu caso caiu nos 80%


Voltando ao curso, até o desfibrilador (que aqui em Toronto fica nas caixas brancas em eventos e locais com acesso ao público) eu aprendi a acionar em caso de emergência. Se bem que um FIRST AIDER (é isso que eu sou agora) aqui em Toronto nem sempre precisa chegar aos finalmentes dos primeiros scorros dependendo do caso, pois o tempo de resposta dos PARAMEDICS (você que está vindo para Toronto e tem habilidades nesta área, taí uma excelente dica de profissão por aqui muito valorizada e bem paga) é o mais rápido da América do Norte – em 8 minutos eles estão em cena.

Quer entender a importância do FIRST AIDER (que pode ser você) ? Em caso de choque (falta de oxigênio no cérebro por conta de uma batida, ataque, afogamento, etc) 4 minutos é o tempo máximo que alguém sobrevive e os PARAMEDICS chegam em cena em 8 minutos (expecional tempo considerando uma cidade grande como Toronto.) . Agora faça a matemática. Muitas vidas são salvas e o trabalho mais profissional dos paramédicos só pode ser realizado com sucesso porque antes um FIRST AIDER agiu corretamente na cena do acidente.


E aí ? Pronto para obter ao menos o conhecimento e ajudar a aumentar a amostra daqueles que vão conseguir de fato agir em uma emergência? Como diz a abertura do livro teórico do curso – “Melhor saber primeiros socorros e nunca precisar utilizar ao invés de precisar e não saber”.


Eu recomendo muito o curso, além do que você também vai perceber como há muita desinformação e mitos em torno dos primeiros socorros e que muitos deles são universais do tipo : pasta de dente em queimadura (ARGH@) , manteiga e por aí vai... E você, conhece algum absurdo da sabedoria popular quando alguma coisa sai errado?

27.2.08

NBA - onde a emoção acontece!





Não pude acreditar quando cheguei bem pertinho dos meus ídolos – os jogadores do Toronto Raptors – e assisti pela primeira vez ao jogo da NBA ao vivo!! Eu não pude me conter! Ainda bem que o marido já me conhece muito e está acostumado com tanta empolgação quando eu chego perto dos meus ídolos. Principalmente quando o assunto é esporte.

Eu “babo” mesmo em atletas profissionais independente do esporte, acho a profissão mais linda do mundo você poder se dar ao luxo de ser o melhor no que você faz, se divertir, amar o esporte, ser pago para isso e ainda por cima o seu “trabalho” fazer bem para a sua saúde! Não, tudo de bom!


Claro que esta fórmula mágica é para poucos e ainda bem que é assim. Não fosse assim não teríamos tido o privilégio de termos ídolos como Ayrton Senna, Ronaldinho, Guga (chorei com ele ao ver sua despedida das quadras há algumas semanas), Pelé, Oscar, Hortência, Paula, Bernardinho, Magic Johnson e tantos outros craques profissionais ou não por aí afora.

Aprendi com o meu querido pai, desde pequena, a acompanhar esportes em geral e a apreciar a luta e o empenho dos atletas por um único objetivo: se aperfeiçoar sempre! E nunca mais perdi este saudável hábito de praticar (quando posso e os esportes que me são possíveis praticar rsr) e vibrar com os atletas. A minha paixão pela bola cor de laranja e as duas tabelas também vem de longe.

Na escola (da quinta à oitava série) joguei muito basquete (antes que alguém me pergunte eu sempre fui armadora – aquele jogador mais baixo do time inteiro sabe?) e participei de vários campeonatos regionais. Tudo escolar, nada profissional mas muito gostoso. Depois, na adolescência fui treinar basquete em Sorocaba na escolinha da Minercal – ex time da ex jogadora e craque excepcional de basquete Hortência.


Sabe quando todas as meninas estavam colecionando papel de carta e montando pastas e pastas com centenas de diferentes formas e cores? Então, as minhas pastas continham recortes de jornal que acomapanhavam a carreira da Hortência e da Paula na época de ouro do basquete feminino brasileiro. Sim, aquela época que a TV Bandeirantes (pioneira em transmitir jogos da NBA no Brasil) era o canal do esporte, o Luciano do Vale narrava os jogos de basquete e eu acompanhava todos, inclusive os da NBA por lá. Sim, o tempo passa mas as paixões perduram!

Tudo isso para dizer que acompanhar basquete para mim não é novidade. O marido, que não acompanhava no Brasil, foi contagiado pela minha paixão pois morando em Toronto e tendo um time local que – pela segunda temporada consecutiva - vai muito bem na NBA, fica muito fácil se apaixonar pela liga mais famosa de basquete no mundo todo. Como diz o slogan da própria NBA que é tema da campanha de TV deles que possui inúmeras versões e eu amo todas – "NBA: Where Amazing Happens” (algo como NBA - onde o sensacional/espetacular acontece).

Enfim, acompanhar um jogo destes de pertinho foi emoção pura e após 3 meses de espera (este é o tempo de antecedência em média que você precisa comprar o ingresso na temporada se quiser assistir a algum jogo pois é uma loucura, todos os jogos são lotados. Há torcedor (mais abastado é claro) que compra o pacote para assistir a todos os jogos. Para mim, que já realizei um grande sonho de assistir a um jogo ao vivo, agora sigo a temporada vendo os outros pela NBA-Raptors TV (sim, aqui só passa NBA e nós incluímos este canal no pacote de casa) e acompanhando o Raptors chegarem aos play offs.

Go Raptors Go!

22.2.08

Radicalizando o feriado da Família

Segunda que passou foi feriado aqui em Ontario e fomos radicalizar um pouquinho. Foi também a minha estréia, não apenas em uma estação de ski Canadense mas principalmente no Snowboard. O marido, que já havia tido a oportunidade de esquiar por aqui por conta de eventos da empresa, vivia repetindo que eu precisava ir pelo menos uma vez antes de acabar nosso segundo inverno por aqui. Demorei mas comecei radicalizando!

Desde que chegamos, em setembro de 2006, venho dizendo que o dia que fosse estrear em uma estação de esqui começaria logo pelo snowboard. Coisa de infância, a moleca que nunca deixa de existir dentro de mim. Desde criança sempre quis ser skatista, surfista, estes “istas” que tem uma prancha nos pés e saem voando por aí. Claro que nunca fui nada disso pois sempre ouvia “isso é coisa de menino”, "é perigoso” para o skate, já o surf foi falta de ter morado em cidade litorânea mesmo. Então, o negócio foi ficar vendo pela TV todos os X Games da vida e “babar” no povo voando baixo com suas pranchas.

Pois bem, o tempo passou, já não tenho mais 15 anos e justamente por isso jamais sairei voando como aqueles que sempre praticaram desde pequenos. Entretanto, como nunca é tarde para ao menos sentir o gostinho das coisas nesta vida e dar os primeiros passos, lá fui eu realizar um sonho – me introduzir no mundo dos “istas”, no caso snowboardistas. Dois joelhos roxos, o corpo todo dolorido e muitos (mas muitos mesmo!) tombos depois, estou feliz da vida e posso dizer que o meu esporte preferido na neve é o snowboard. Claro que tive apenas uma aula introdutória - para iniciantes com duas horas de duração - e que ainda tenho muuuuito o que praticar e cair para começar a curtir de verdade o esporte, mas para quem esperou tantos anos por isso, aquelas duas horas ladeira abaixo pareciam um sonho! Isso mesmo ladeira abaixo.

Quando me matriculei no pacote de iniciantes pensei , vamos ficar treinando aqui embaixo na pista dos iniciantes (a mais baixinha) não é mesmo? Ledo engano, ficamos 10 minutos embaixo só para conhecer melhor o novo brinquedinho e aprendar a se locomover sem tirar aquilo dos pés. Eis que a dedicada instrutora – que fazia tudo parecer tão fácil mas é claro que não é! – vira com a cara mais lavada e diz “Agora vamos aprender a subir e descer do lift (as cadeirinhas que nos levam para o topo da montanha).

Até aí pensei, vamos apenas treinar isso. Eis que me dou conta que realmente escolhi o esporte mais radical da neve como lembrou a professora logo na introdução e por qual motivo ficaria o esporte mais radical no baixinho mesmo que fosse na primeira aula? Subir na cadeirinha foi tranquilo e o negócio não parava mais de subir e eu não parava de brincar com a professora “mas você tem certeza de que eu não entrei na aula errada? Estaria eu mesma na aula de iniciantes?” O que mais me preocupava naquele caminho todo era que tudo que sobe tem que descer não é mesmo? Bem, mas eu estava curtindo tanto aquilo tudo que nem me dei conta que teria que descer aquilo tudo com a prancha nos pés, ou seja, sinônimo de muitos capotes e o primeiro foi o mais espetacular de todos, logo ao descer da cadeirinha com a prancha nos pés e o chão rodando .. Claro !

A experiente professora já ia logo nos avisando (estávamos em 5 iniciantes na cadeira) que não havia problema se caíssemos e que era só não levantar a cabeça (pois as cadeirinhas continuariam passando por cima ) e ela logo pederia para reduzir a velocidade e coisa tal.. Seria ela uma vidente antecipando tudo?

Lá fui eu para o chão, levantei-me e o que vejo? Uma longa e alta ladeira aos meus pés... Pois sim, todas as duas horas de aula “iniciante” foram divididas em descer tudo aquilo, o que no caso de iniciantes significa cair e levantar tudo aquilo. A “profe” dividiu a montanha em 4 trechos onde treinamos fundamentos básicos como: uma vez no chão girar o corpo para mudar a direção, levantar sem tirar aquilo dos pés (Senhor Jesus, aja fôlego e força nos braços), virar aplicando pressão na perna para o lado que se quer ir (fácil apenas na teoria), descer de costas (sim, e por incrível que pareça foi a maneira que eu me senti mais confortável e consegui deslizar por mais tempo em cima da prancha sem cair), de frente (aí já complica um pouco mais ), de lado, brecar (báasico) .. enfim .. de tudo quanto foi jeito!

E tudo com o maior profissionalismo, a profe mostrava e nos acompanhava de perto, afinal o grupo era de apenas 5 pessoas e, em muitos momentos, a Brasileira mais atrasadinha (sim porque uma coisa é iniciante Brasileira que passou dos 30 e outra totalmente diferente é iniciante Canadense de 15 anos) ficou com uma profe particular que até me puxar pelas mãos me puxou quando fosse preciso para me dar o primeiro “embalo”.

Ao chegar no final de todo o trajeto parecia que havia passado um trator por cima de mim de tão cansada , dolorida mas muito feliz e realizada que eu estava. Por este inverno já foi a minha cota, até porque estes esportes não saem nada baratinho e o inverno está acabando. E por falar em preço, esta foi outra maravilha de eu ter ido fazer a minha estréia na segunda feira do Family day (o feriado). O marido esquiou , eu “snowbordei” com direito à aula e tudo durante todo o dia pela impressionante quantia de $50!!!

Sim, quando pagamos logo na entrada e a moça entregou a fatura do cartão, o Mauricio ficou sem ação, paralizou. E eu logo fui dizendo "mas moça há algo errado" (claro, pois o preço para os dois seria $100 no mínimo, só o pacote do Snowboard era $60) e ela com a maior naturalidade dizia "não o senhor só precisa assinar" e eu "mas como assim, está faltando o outro pacote". E ela “ é porque hoje é Family Day!” . Bendito dia da Família pensamos nós e fomos felizes da vida esquiar e “snowbordar”.

Taí a dica, no Family Day do ano que vem no - Snow Valley Ski Station em Barrie - dois pagam o preço de um! E assim fechamos o feriado radical felizes da vida, sim porque a parada na estação de esqui foi apenas o último dia do nosso feriado que começou com as trilhas básicas na neve pelas maravilhosas paisagens de neve do Algonquin Park (vejam alguns lances nas fotos abaixo). Os nossos companheiros de aventura da Keep Going – que já estiveram no parque no outono – garantem que a paisagem é tão bela quanto e eu não dúvido!

Aquilo é parque para visitar em todas as estações do ano e vivenciar paisagens completamente diferentes. Aliás, isso é o que eu mais amo de morar acima da linha do Equador. E esta foi mais uma sensacional e divertida aventura “low budget” realizada pela Keep Going! Até o esqui (atividade definitivamente nada de baixo custo) e que não estava no programa de sair baratinho acabou saindo! E que venha a temporada de inverno de 2009 e outro family day para esquiar pela metade do preço!


10.2.08

515 dias sem ele...

Você não fica em frente à TV sem ele, vibra com as emoções do jogo, chora com o romance do filme, se esparrama nele, namora, bate-papo com a vizinha, se aconchega e se, como eu, é um amante de filmes, passa muitas horas de lazer junto dele.

Tem o macio, o não tão comfortável assim, o de couro, de microfibra, preto, vermelho, marrom e por aí vai. Tem para todos os gostos e bolsos, os tamanhos e formatos variam mas ele está sempre lá, presente em todos os lares independente de classe social, raça e credo. Não conhece fronteiras, tem no Japão, no Brasil, na China e no Tibet.

Mas espera aí! Estou falando mesmo dele? O sofá? Sim, aquela mobília integrante da sala que eu quase que me esqueci como era bom me elevar alguns centrímetros do solo e comfortavelmente me acomodar nele! Ah claro! Eis que 515 depois, dois colchões de ar furados e muita almofada jogada no chão, ele voltou para as nossas vidas!
Parece detalhe mas quando se chega como chegamos - com duas malas de roupas cada um e o orçamento apertado pois as coisas todas demoram um bocado para se assentar - eis que o tempo vai passando você vai se aprofundando em um mar de coisas para fazer e prioridades para comprar que não se dá conta – ou melhor se dá conta mas a conta não dá - de que o sofá era parte tão importante de sua vida antes de imigrar.

Bem, a vantagem de tamanha espera é que eu caprichei no meu sofá agora que pude eu mesma - com o suor do meu trabalho - terminar finalmente de mobiliar o apartamento que começamos a montar há um ano, ufa! A sensação que tive ao sentar em frente à TV novamente em um sofá foi a de ser uma total alienígena experimentando novos hábitos em um planeta diferente!

É, imigrar faz isso conosco, é um exercício diário de desapego aos bens materiais até que você tenha novamente condições de acesso à coisas tão básicas, simples e aconchegantes novamente como ele – o ilustre Sofá!

31.1.08

Padrão Globo de Qualidade!

Finalmente o marido resolveu ceder ao capricho da esposa noveleira e assinou a Globo Internacional. Não bastasse o ar de casa nova (nos mudamos na terça e já pedimos a inclusão da Globo no mesmo dia), agora também posso assistir às novelas e o que mais quiser, além é claro de vez ou outra ouvir o sonoro “boa noite” do William Bonner e o jornalismo “elegância” da Fátima Bernardes, sem falar na qualidade de reportagem da Narriman Sible e de todo o time de excelentes jornalistas sempre dentro do padrão globo de qualidade.


Foi uma sensação muito boa e estranha ao mesmo tempo quando sintonizei o canal pela primeira vez. Quando imigramos, tiramos literalmente debaixo de nossos pés todo um mundo de referências e com ele a sensação de raiz. Depois de quase um ano e meio sem ver nada da TV Brasileira, estava lá eu – no que eu sempre considerei uma das melhores terapias de final de dia - dizendo como nos “velhos tempos” que estava na hora da minha novela. Eita sensação boa aquela depois de tanta instabilidade, mudança, pressão, preocupações e todo o repertório incluído no pacote "imigrante"!

Além de voltar a ver bons atores, autores e produtores em ação no que vem a ser a melhor teledramaturgia do mundo, de vez em quando mato a vontade de assistir a um dos melhores padrões de jornalismo do mundo. Não aguentava mais ver repórter fantasiado para cobrir matérias “temáticas”, moça do tempo que grava passagem usando óculos escuros, improvisa demais, cabelo que cai na cara, e por aí vai, padrão de qualidade zero.

Aí vocês vão dizer, mas Paula há a rede Canadense CBC, a Britânica BBC e a Norte-Americana CNN que fazem um bom jornalismo. Ok, vá lá, mas mesmo estas mais “sérias” não apresentam as matérias com a mesma qualidade e o próprio enfoque que dão não é o mesmo (estou falando das matérias de mundo passíveis de comparação). Ok, a minha eterna alma de jornalista e o fato de ter convivido a vida inteira com a imprensa Brasileira e gostar muito de comparar técnicas de reportagem fazem com que eu seja um pouco mais “cri-cri” com isso.

Independente de qualquer coisa, o fato é que agora vou poder saciar a minha vontade de novelinha para desestressar do dia a dia (Desejo Proibido é deliciosa e logo se vê a marca do bom humoer e qualidade de roteiro do Walter Negrão), ouvir o Boa noite do William Bonner quando quiser e de quebra não me sentir um “Alien” total quando for visitar o Brasil!

Agora já viu a briga que vai ser aqui em casa para ficar em frente à TV no horário nobre! Já tive até que jurar que, em dia de jogo do Raptors pela NBA, não assisto a novela. Ah marido, esta foi fácil, o Toronto Raptors se tornou a minha paixão Canadense desde que eu desisti de tentar gostar de Hoquei por não conseguir enxergar nada de esportivo no “teatrinho” de brigas em torno do esporte Canadense. Agora deixa eu ir que está na hora da minha novela!





25.1.08

Com a casa de pernas para o ar

Fiquem tranquilos que eu não abandonei o blog não e dezenas de posts já estão todos prontos em minha mente - sobre as muitas reflexões que tenho feito nas últimas semanas em torno das dificuldades que estão todas incluídas no pacote imigração - voltarão à tona assim que o furacão terminar de passar!

Já estávamos com tudo acertado para a mudança de apartamento no sábado dia 2 de fevereiro e eis que o "belezura" do proprietário do apartamente em que estamos agora resolve que teremos que sair antes do dia 31 de janeiro mais conhecido como semana que vem.

Resultado, a mudança vai acontecer na terça que vem. Eu mal consigo achar o chão do apartamento de tanta caixa espalhada pelo meio do caminho e vamos em frente que atrás vem gente.
Assim que a poeira baixar um pouquinho novamente volto a refletir por aqui pois assunto é o que não falta e eu morro de saudades de poder registrá-los aqui.




Inté...

6.1.08

A segunda virada de ano no Canadá

As imagens falam mais do que mil palavras! Kati, Peter, Lou, Don, Jeff, Renan, Gabriel e marido vocês são tudo de bom e este foi mais um momento inesquecível e maravilhoso passado juntos!

Se depender da maneira como entramos 2008, tenho certeza que cada um de nós terá muito o que celebrar até a próxima virada!

Obrigada queridos! Já dizia uma outra grande e muito especial amiga: "Quem tem amigo não morre pagão!" (Caldeirinha, esta foi uma homenagem à você, saudades!)


31.12.07

Crônica de Ano Novo ou de Ano Velho (como preferir!)

2007 vai ficar marcado em minhas entranhas como o ano do PERTENCER. Ligado anteriormente apenas à possessões materiais e até mesmo à equivocados e irreais sentimentos de posse, repenso o PERTENCER que - ao fechar deste primeiro ano completo em terras estrangeiras – carrega uma outra dimensão de significados quando busco PERTENCER.

Nunca antes entendi tão de perto este estado PERTENCER. Aí vocês vão pensar “claro que sim Paula, em alguns momentos de sua vida você viveu o PERTENCER. Lembra quando desejou fazer parte do clube das meninas mais populares do colégio, da fanfarra da escola para tocar no 7 de Setembro, do grupo de moleques que “voava” em seus skates sem nem mesmo se preocupar com o próximo esfolar de joelhos?”. Verdade, lhes respondo. Sim, já senti o PERTENCER antes, inclusive com a implícita prerrogativa do “Não” embutido na condição de PERTENCER o que – em tese – deveria ter sido ainda mais difícil de carregar.

Olhando para trás não me parece que estes momentos “PERTENCER” tenham sido tão significativos quanto o PERTENCER do agora enquanto estrangeiros na terra de outrém. Caso contrário, certamente teriam eles deixado marcas profundas em mim. Alguem aí pode me explicar porque tudo que acontece de ruim ou forte (se assim o preferir) em nossa infância carregamos conosco sempre? Daí eu levar tão à sério o que falo perto de uma criança e como ajo ao seu redor.

Enfim, voltando à vida adulta que não me deixa parar de tentar entender o motivo pelo qual este PERTENCER de agora enquanto imigrante é algo tão mais forte! Já dizia o sábio e bom vernáculo da língua portuguesa que quem PERTENCE, pertence à algo ou à alguém. Daí a minha inquietação!

Aí viriam vocês novamente dizer “mas Paula, você pertence ao seu universo, ao seu país, à sua cidade, bairro, conjunto de regras, etc e tal” e eu vos replico “não, tudo isso ficou para trás, PERTENCIA ao que antes virou hoje. Ao não imigrante que virou imigrante, ao singular que virou plural, ao “preto e branco” que virou uma infinidade de cores se misturando em uma profusão de sensações, tatos e fatos.

Então PERTENCER à que? E quando o PERTENCER não mais basta e você chega a conclusão que o que foi não mais será e o que é ainda pode, quem sabe um dia vir a ser PERTENCIDO por alguém ou por algo?

Somos imigrantes enquanto procuramos PERTENCER, mas pertencer à o que exatamente? À um País? À um conjunto de valores? Normas e condutas? À uma cidade, um bairro? Silêncio...

PERTENCE quem busca, almeja, alcança e volta a buscar, almejar e alcançar. Acho que é isso! Hoje, no último dia do ano estive fazendo uma retrospectiva do ano que se vai -mais conhecido como 2007 - e não pude evitar de chegar à seguinte conclusão: ao chegarmos em Toronto dia 14 de setembro de 2006, atingimos uma meta previamente planejada e que PERTENCIA aos nossos sonhos. Continuando a linha de raciocíncio, surge o corolário de que fizemos muito (mas muito mesmo, coisas antes inpensáveis!) e conquistamos muito no ano que passou.

Conquistamos à duríssimas “penas” e não raras vezes com fortes emoções e desgastes emocionais envolvidos mas conseguimos muito. Eis que nos encontramos hoje aqui morando muito bem, ambos empregados em seus ramos de atuação e com saúde graças a Deus. E somos muito gratos à tudo e sabemos bem agradecer à cada nascer do dia!

Mas aí vem a natureza do ser humano – ao menos eu sou assim – e me obriga a ter um diálogo comigo mesma “Ninguém melhor do que eu sabe a luta que foi para conseguir tudo que somos e temos hoje além do exato tamanho das dificuldades enfrentadas para conseguir algo. Entretanto, eu acabo o meu ano me perguntando, uma vez conseguido tudo isso e agora 2008?”

Na condição de estrangeiros em terra de outrém, continuamos a busca – que por muitas vezes parece infindável – por PERTENCER e mais importante ainda PERTENCER como e à que? Não há dúvidas de que o nascer de um novo ano nos dá o gás e o fôlego suficientes para prosseguirmos PERTENCENDO sem jamais perder de vista o que nos foi cabido PERTENCER!

2008 aqui vamos nós na busca incessante por PERTENCER e buscar e seguir...

Um equilibrado ano novo para todos que me lêem, sim equilibrado, pois não há nada neste mundo que não carregue consigo as duas faces da moeda, o positivo e o negativo, o bom e o ruim, o belo e o feio, a saúde e a doença, o riso e o choro, a lua e o sol, a vida por fim!

*PS – O Ministério da Saúde do Intelecto Não recomenda tentar isso em casa. Refletir sobre a condição humana pode causar sérios danos às sinapses cerebrais! (Não custa nada avisar àqueles que ainda não cultuam o hábito da reflexão e se você é um caso perdido como o meu, bem vindo ao clube:)

23.12.07

O segundo Natal no Canadá

Graças aos queridos Katiane e Peter que gentilmente cederem o aconchego de seu lar e corações, pudemos realizar ontem - sábado 23 de Dezembro - a nossa ceia "antecipada" de Natal. Desta maneira aqueles que - como os anfitriões possuem família aqui no Canadá - poderão passar a noite de natal com seus familiares e nós pudemos ter o nosso momento de aconchego e "cheiro" de natal no ar mesmo estando longe dos queridos que ficaram no Brasil!

O momento auge da nossa ceia foi a entrada triunfante do Papai Noel - conhecido por aqui como Santa Claus - pois ninguém esperava que o tão ocupado bom velhinho fosse aparecer por lá! E este "Santa" eu posso garantir que era o verdadeiro, Canadense e habitante do Polo Norte, o Papai Noel mais verdadeiro que já tivemos. E para completar a magia do Natal a linda Sofia estava lá - sim porque Natal sem criança não é Natal.

Queridos Katiane e Peter, este post é uma homenagem à vocês donos de corações do tamanho do mundo e merecedores de tudo de melhor! Disse ontem e repito publicamente aqui que Deus abençoe vocês e que nunca falte nada neste ambiente lindo que é o lar de vocês. Um Feliz Natal e obrigada por tudo queridos!

Aproveito a ocasião para desejar à todos que me lêem os meus mais sinceros votos de paz de espírito e um Feliz Natal! Alguns lances do nosso segundo Natal no Canadá. Quem sabe no próximo ano conseguimos ir para o Brasil, enquanto isso vamos vivendo o melhor daqui, as pessoas especiais como a Kati e o Peter que tem cruzado o nosso caminho desde que aqui chegamos.




16.12.07

A maior tempestade de neve dos últimos dez anos!

E lá fomos nós hoje - domingo 16 de dezembro de 2007 - caminhar pela vizinhança em meio à maior tempestade de neve que já caiu nos últimos dez anos aqui no Canadá!

Eu não poderia deixar de dividir as imagens impressionantes. E nós que pensamos ter visto neve no último inverno. Que nada! Isso sim foi uma tempestade de respeito! E agora entendo muito bem quando as minhas queridas colegas Canadenses de sala de aula me diziam que eu ainda não havia visto nada! Agora sim, podemos dizer que vimos uma real tempestade de neve. Confiram as imagens e para as legendas é só deixar o cursor sobre a imagem.

Finalmente terei o meu tão sonhado aniversário e natal brancos! Alguém tem alguma dúvida?



15.12.07

33 anos de vida!

Enquanto todos celebram o início de um novo ciclo no mundialmente famoso Primeiro de Janeiro, eu começo mesmo o meu novo ano um pouco antes. Renasço a cada ano no dia 17 de dezembro - mais conhecido como meu aniversário - ou o dia em que minha querida mãe foi para a maternidade do Hospital Samaritano em Sorocaba dar à luz.

O segundo aniversário fora do País de origem e das minhas raízes – será que as tenho ou tive um dia? (quem sabe no meu aniversário de 43 anos eu consiga responder estas e mais outras questões que tenho feito para mim mesma) – vem cheio de significados para mim.

Sempre gostei muito e vou continuar gostando de fazer aniversário por este turbilhão de reflexão e renovação de mim mesma que a cada ano que passa acontece. Não há dúvidas de que a experiência profunda e emocionalmente marcante da imigração ajuda a acentuar ainda mais este cenário.

Olhar para trás e lembrar de quando eu tinha os meus 20 anos e me projetava para onde estou hoje me deixa ao mesmo tempo orgulhosa de mim mesma, ansiosa e pronta para começar a projetar os meus próximos dez anos! Quem eu quero ser, como quero estar, que valores quero continuar carregando comigo, quais não valem o meu esforço e, mais importante, que estilo de vida quero ter para mim daqui há dez anos?

Para muitas das perguntas que tenho feito no decorrer da minha vida e que sempre me projetaram para onde eu queria chegar – afinal de que adianta você caminhar se não sabe para onde o caminho vai te levar? – eu já tenho respostas. Sim, comecei a agir hoje para determinar como quero estar – e não ser ou ter - aos 43 anos de idade.

A primeira providência que já tomo há uns cinco anos, e que continuo tomando e ficou mais forte ainda com a experiência da imigração - é a de acordar todas as manhãs me lembrando da MORTALIDADE – da minha e dos queridos (à minha volta, distantes, que já se foram e os que ainda virão).

Mortalidade esta que me dá – ao contrário do que quer fazer crer a vã filosofia – um maior prazer em viver cada pequeno momento da vida como um lindo amanhecer de verão, enxergar a beleza das pequenas coisas - principalmente da natureza (seja ela chuva, neve, sol, nuvem, pássaro ou vento)- como algo muito superior a toda a ganância e audácia que o ser humano consegue colocar em prática como uma forma de auto-engano diante de sua propria pequenez e mortalidade.

Faço pequenas coisas hoje – há dois dias antes de completar 33 anos de idade – para que elas me levem onde eu quero estar e como eu quero me sentir daqui há dez anos. Não, nada concreto como cidade, País ou até mesmo endereços que estarei. Entretanto, algo que me leve ao estado de espírito que quero preservar - independente do passar dos anos.

Sim, estou falando de equilibrio, paz, coerência de atitude com discurso , zelo com as palavras e plenitude do ser! O melhor de tudo é perceber que a cada aniversário que passa se separa dentro de mim o EU sou do EU não sou.

Feliz Aniversário para mim e que os primeiros dias dos meus próximos dez anos sejam dignamente sentidos e me tornem um ser humano melhor a cada dia. Senão, de que vale a nossa breve, passageira e mortal existência ?

Um Maravilhoso fim de semana à todos!

9.12.07

Com a casa nas costas... de novo!

Há duas semanas que não faço outra coisa senão lembrar da minha querida sogra que dizia sempre ter a "casa nas costas" mencionando o fato de que estava sempre preparada para as várias mudanças que por ventura acontecessem na vida dela. Não sem motivos me lembrava da sogrinha.

Agora em dezembro acabou o contrato de um ano de aluguel que assinamos ao entrarmos com apenas 4 malas em nosso primeiro cantinho em Toronto. Ao tentarmos prolongá-lo por mais um ano, eis que o proprietário resolve vender o imóvel. E lá vamos nós de novo.

Sei que isso é perfeitamente normal, tanto que já aconteceu com vários dos nossos vizinhos por aqui. Entretanto, como passamos por tantas mudanças desde que chegamos, a sensação de passarmos por intermináveis etapas antes de nos aquietarmos não é das mais agradáveis. Desta forma, vamos à lei do mínimo esforço - estamos trabalhando para nos mudarmos dentro do mesmo prédio ou no máximo atravessar a rua para os prédios vizinhos.

Já temos alguns apartamentos em mente e na terça-feira vamos nos encontrar com a nossa corretora para quem sabe fecharmos algo por aqui mesmo na vizinhança (North York) e se tudo der certo nesta semana mesmo já sabemos para onde vamos pois precisaremos mudar até no máximo em janeiro.

No que depender de mim, já passaremos o natal em novo cantinho. Aliás, Natal? O que é isso? Eu mal estou me dando conta de que uma semana antes do natal - mais conhecida como semana que vem - será o meu aniversário! Tudo que eu quero neste momento é me aquietar. E lá vamos nós desmontar a casa, colocá-la literalmente nas costas, atravessar a rua (na pior das hipóteses) e montar o segundo cantinho no Canadá.

Fazendo umas continhas básicas, no Brasil eu já havia encarado 6 mudanças em 12 anos - o que a boa matemática diz que dá 1 mudança a cada 2 anos da minha vida. Tudo bem que o intuito é trabalhar para que esta média caia e nós nos assentemos, mas parece que o estado constante de "casa nas costas" é algo que ainda vai durar mais um pouco em minha vida! Quando vamos diminuir as andanças de um canto para o outro? Como dizia o caboclo - só Deus sabe! Enquanto isso vou colocando em prática a experiência que adquiri em meio à tantas mudanças.

Excelente semana à todos.

2.12.07

Show do Iron Maiden em Toronto aí vamos nós!

Aqui em casa já estamos em contagem regressiva para ver o show do Iron Maiden que vai acontecer dia 16 de março aqui em Toronto.

Graças ao vizinho Wander, fornecedor de carona para o trabalho e também apreciador de um bom metal, claro que já estamos com os ingressos em mãos para ouvir a incofundível voz do Bruce Dickinson ecoar no Air Canada Centre.

O show em Toronto encerrará a primeira etapa da Tour mundial de 2008 após ter já passado por São Paulo e Porto Alegre no Brasil.

Será o primeiro show do Iron Maiden que vamos e por isso estamos contando os dias. Há mais de 6 anos vimos o show do Bruce Dickinson - o que já é digno de nota - em sua carreira solo no Brasil. Isso nos tempos áureos em que eu fazia assessoria de imprensa para as casas de shows no Brasil e tinha o privilégio de ver todos estes shows de graça:)


"Your time will come..." E que venha o Iron Maiden!

24.11.07

Um passo de cada vez

E a nossa casa está mais feliz! Após um ano nas "mãos" dos agentes que sugam metade do real valor de um empregado para seu próprio lucro, o marido finalmente conseguiu a vaga de funcionário da Rogers.


Em tese, como "contractor" deveria se ganhar mais que funcionários uma vez que não há vínculo empregatício nenhum com a empresa, benefícios e encargos mas claro que não foi isso que aconteceu não é mesmo? Imigrante, primeiro emprego por aqui e por aí vai. Nem mesmo o fato de ele trazer 7 anos de experiência de Ericsson (exatamente o que a Rogers precisava) não foi motivo suficiente para os "agentes-suga" deixarem de baixar o real valor do Mauricio no mercado de trabalho.

Nada que um ano de luta e comprovação do real valor não fizessem com que a gerente dele o reconhecesse suficientemente para recomendá-lo para uma vaga para outro departamento mas agora como funcionário.
Resultado, a partir de dezembro, alem de o marido estar mais feliz e merecidamente melhor reconhecido, a nossa internet vai ficar mais veloz, a minha TV vai ganhar muito mais canais de filmes, passarei a receber semanalmente a Macleans a minha revista preferida e tudo isso porque agora o marido é funcionario Rogers e passará a usufruir de todos os descontos do grupo - Eba!.

Parabéns querido, você merece isso e muito mais e espero que em um ano seja a minha vez de dar mais um passo em direção à minha própria evolução no trabalho que apenas começou há dois meses.

17.11.07

O primeiro Prêmio do ERA

É com muita honra que o ERA recebe da Thelma o prêmio Escritores da Liberdade criado por este blog aqui!

Além de agradecer a indicação da Thelma, enfatizo que escrevo porque gosto, escrevo para sentir, expressar, canalizar, criar asas, ser livre. Daí eu achar o nome deste prêmio muito apropriado aos que escrevem. Já diz o velho e sábio ditado "O espaço em branco aceita tudo" Quer maior liberdade que esta?

Ter o privilégio de receber o Prêmio Escritores da Liberdade me dá o direito de repassar o prêmio para os meus 5 blogs favoritos:

Building Bridges da Alexandra pela sagacidade e fluidez expressos nos textos sobre os mais variados assuntos

CanadaBoa dos meus vizinhos Luly e Wander pela simplicidade e humor presentes nos textos do cotidiano do imigrante.

Unzip Canadá da Nanny que traz as mais engraçadas e bem boladas analogias da blogosfera, a começar pela descrição do Blog.

Familia Saltense no Canadá simplesmente gostoso de acompanhar esta família que esta prestes a aumentar!

Vou pro Canadá do Gean que não raras vezes fala tudo que o imigrante precisa ouvir e ninguém antes escreveu!

Enfim, a blogosfera é cheia de coisas boas e interessantes para acompanhar mas estes são os meus preferidos e por isso merecedores do Prêmio de Escritores da Liberdades. Parabéns aos novos ganhadores!




13.11.07

Me iniciando no tão sonhado mundo Apple

Eis que finalmente eu entro para o tão sonhado, fashion e maravilhoso mundo Apple!

O marido é testemunha que desde os tempos de Brasil eu era louca para ter um iMac ou qualquer coisa que me abrisse as portas para o mundo Apple. No Brasil? Impossível, caro, distante, coisa de filme. Aliás, todo filme que assistia e via um Mac ia logo dizendo que o meu sonho era ter um computador "fashion" daqueles.

Não, eu ainda não comprei um iMAC - ainda!

Entretanto, entrei com o pé direito neste mundo sem volta (ao menos para mim o é:) me dei de presente um Ipod Touch. O brinquedinho é o máximo! Como o próprio nome diz é tudo pelo toque, não há botões.

Lembro-me repetindo para o marido - em setembro de 2006 quando nos mudamos para cá - que com o meu primeiro salário Canadense compraria um Ipod e foi o que fiz. Só não imaginava na época que compraria algo que vai além de um Ipod - o Ipod Touch! Eis aí o lado positivo de eu ter demorado tanto para arrumar o meu primeiro emprego. Neste meio tempo a tecnologia evoloiu muuuuuito e agora tenho um brinquedinho bem mais interessante em mãos!

Quando a vendedora da loja da Apple me perguntou se era o meu primeiro Ipod e eu respondi que sim, ela logo soltou - "You jumped to the top!" Vamos dizer que ela tem razão e mal sabia ela o quanto esperei para viver o que aqui estou vivendo... O sofá? Ah é verdade, ainda não temos sofá! Mas quem precisa de sofá quando se adquire o seu primeiro Apple?

Boa semana pro ceis!

4.11.07

O primeiro Halloween de verdade!

Embora este tenha sido o nosso segundo Halloween aqui no Canadá, foi o primeiro que realmente vivemos e aproveitamos da maneira que o Canadense gosta e sabe fazer muito bem! Isso porque no ano passado estávamos em nosso segundo mês aqui em Toronto e ainda muito tensos, perdidos, desempregados e tudo aqui que está incluído - e já pago - no pacote primeiros meses de imigração.

Este dia 31 de outubro já começou muito bem com a minha participação no concurso de Pumpkin (as famosas abóboras decoradas) lá no trabalho. Claro que eu não poderia deixar de participar de tamanho evento logo no meu primeiro mês até para conhecer melhor todos por lá em um ambiente mais descontraído e muito gostoso. E até que não sofri muito para fazer a minha Pumpking Palhaço mas obviamente que me detive às formas básicas dos triângulos invertidos para os dentes e olhos seguindo as preciosas dicas da minha sogrinha talentosa.

Adorei a bagunça e quem sabe ano que vem me arrisco mais! A melhor parte é enfiar as mãos dentro da abóbora para tirar toda a meleca depois de terminar a arte!

O comitê de atividades sociais da Redknee decorou um salão digno de Halloween (confiram as imagens no slide – tem legenda é só colocar o cursor sobre a imagem que ela aparece) onde aconteceram os concursos de fantasia e das abóboras. Tinha de um tudo, os docinhos, fantasmas, assombração, bruxas e até efeitos especiais!

Se eu ganhei algum concurso? Claro que não né gente! Tinha cada obra de arte nas abóboras que mais pareciam ter sido esculpidas por artistas profissionais, o povo leva muito à sério e fica tudo muito lindo! Entretanto, eu ganhei muitos sorrisos e novos amigos ao ficar enfatizando que eu era apenas uma iniciante com uma versão Brasileira da Pumpking e que por isso mesmo todos tinham que votar na minha abóbora para dar apoio aos recém-chegados na empresa. Diversão garantida.

Ah, o "Jason" aí da foto sou eu (só para relembrar os meus 13 anos de idade quando assisti todos os filmes Sexta-feira 13. Hoje não posso nem chegar perto de filme de terror) com alguns dos meus colegas de departamento. Para completar, à noite fomos dar a volta no bairro para acompanhar a molecada batendo nas portas para o “trick or treat” e conferir a decoração dos jardins das casas na vizinhança (alguns destaques no slide).

O pessoal capricha muito e vale à pena o passeio, sem contar que a gente aproveita e bate um papo com os vizinhos que estão todos muito receptivos orgulhosos de seus jardins enfeitados. Ano que vem certamente faremos tudo de novo, com a diferença de que a minha abóbora não será mais de iniciante – quem sabe me arrisco a desenhar algo mais arrojado nela!


21.10.07

Lendo e Pensando a barganha da imigração

“I would say that it’s a bargain we make with this nation, and that this nation makes with us, and both sides have to live up to the bargain… We will work hard and try to learn your customs and peculiarities, cope with your winter and our children will be Canadian. And you will treat us equally, fairly; you will not treat us differently simply because of our accent, language or the country we came from”.

O depoimento acima foi extraído da edição de maio de 2007 do tablóide Canadian Immigrant. Além de indicar esta boa leitura para quem está chegando e sofrendo com todas as dificuldades inevitáveis do começo para se estabelecer por aqui, estive lembrando o quanto refleti na época em que li a opinião da Iraniana-Canadense Ratna Omidvar ao afirmar que o estabelecimento do imigrante no Canadá é uma frágil barganha entre o mesmo e o País.

Tenho lido o Canadian Immigrant (a publicação é gratuíta e distribuída todos os meses nas estações de metrô de Toronto) desde que cheguei no Canadá e quando li o trecho da entrevista acima estava começando o meu co-op (pagando para trabalhar e ser tratada como “iniciante/estudante” mesmo tendo 7 anos de experiência no que estava fazendo) e já sentindo na pele a frágil barganha da qual a entrevistada falava.

Sim, pensava eu, ela tem toda razão, fazemos sim uma barganha e da muito frágil com o País quando aqui chegamos. Estava eu lá – em maio quando ela deu a entrevista – dando a minha parcela da barganha no Co-op que mais tarde faria com que eu começasse a ser chamada para as entrevistas que me levaram ao meu emprego de verdade (agora pago e sem ser tratada como estudante/iniciante no que faço).

Aliás, esta prática de nivelar todos os imigrantes que aqui chegam por baixo e os tratá-los como inépcios (e aí estou falando do sistema todo da imigração desde os cursos do governo até os co-ops da vida) seria bem melhorada na minha opinião se, de todos os profissionais envolvidos em receber os imigrantes e dar as primeiras orientações, fosse exigida a leitura do excelente livro que estou lendo agora – The Emerging Markets Century. How a new breed of World-Class Companies is overtaking the World.

Eu não pude evitar a correlação quando Antonie van Agtmael – autor do livro e criador do termo Emerging Markets que substituiu o pejorativo Third World – abre o livro contando que em 1974 – em uma das palestras no Bankers Trust Company em Nova York – ele ouviu a seguinte afirmação “There are no markets outside the United States!” (não há mercados fora dos EUA).

Embora a afirmação tenha sido feita há mais de 30 anos, parece que hoje ainda há na America do Norte (e aí incluo o Canadá especialmente no trato com seus “qualificados” imigrantes) quem esqueça da excelência mundialmente comprovada de países como India – que está entre os 6 únicos países no mundo capaz de construir satélites - China, México, Argentina, Brasil, Russia. Só para ficar em alguns exemplos.

Será que os profissionais dos projetos de apoio ao imigrante que recebem engenheiros e profissionais Indianos, Chineses, Brasileiros e Russos já ouviram falar do BRIC? Aposto que não! O que isso tudo tem que ver com os profissionais imigrantes que chegam de todas estas partes do mundo e são tratados como se para trabalhar no Canadá tivessem que morrer e nascer de novo? Simples, estes profissionais estão vindo de verdadeiros centros de excelência em diversas áreas de negócios e ler este livro dá uma lista infinita de exemplos como a Mexicana Modelo que vende mais cerveja (Corona) para Americanos do que a Heineken, o fato de a Inbev-Ambev (maior fabricante de cerveja do mundo que deixou as “velhas” cervejeiras Européias impressionadas com a eficiência dos parceiros Brasileiros). A lista não tem fim.

Claro que para tudo há exceções mas na minha opinião bastaria um pouco mais de conhecimento sobre o que o mundo “emergente” tem realizado na esfera empresarial nas últimas décadas - independente de fortes crises econômicas, pobreza e corrupção – para se ter uma melhor noção de que os profissionais que aqui estão chegando tiveram uma boa base educacional e principalmente capacidade de superação perante às adversidades. Acho que dá para mudar um pouquinho a presunção de que não há vida inteligente fora do Canadá não? Pois é mais ou menos assim que a lavagem cerebral acontece até que você consiga entrar para o mercado de trabalho. Não que não dê para sobreviver, eu sobrevivi, muitos sobreviveram e você também pode mas que poderia ser diferente, ah isso poderia!.

O livro The Emerging Markets Century é um bom começo.

Excelente semana e boa leitura!