23.8.07

O Primeiro Voluntariado Canadense

Rafael (de vermelho) na largada. Abaixo (da esquerda para a direita) Eu e a Liliane checando os dados e o marido recebe os "sem fôlego". A mulher de camiseta branca ao lado da Liliane (de vermelho) é a Sargenta da Polícia de Toronto (oh oh).











Domingo que passou vivemos nossa primeira experiência como voluntários aqui no Canadá. E que experiência! Certamente este foi apenas o primeiro de muitos voluntariados por aqui pois é impressionante a profissionalização do trabalho voluntário na terra do gelo (aliás, as temperaturas já começaram a baixar para a minha alegria!).

À convite do Rafael e da Liliane (sim, a KEEP GOING leva sua equipe para o trabalho voluntário nas horas vagas!) fomos doar a nossa manhã de domingo para a causa do câncer de próstata e receber muito em troca. A natureza em volta (a corrida foi na Toronto Island), o sorriso ingênuo das crianças, o abraço carinhoso do pai em seu filho, a simples reunião de pessoas, a doce menina que do alto de seus doze anos canta à capela o hino do Canadá e o mais novo participante da corrida que aos cinco meses recebe sua medalha (a mamãe dele correu com ele no carrinho).

A equipe da Keep Going se dividiu em receber os corredores na linha de chegada (Maurício), marcar a ordem de chegada (esta que vos escreve), computar o tempo (Liliane) no final e entregá-los ao organizador da 52 Division Bill Harper Memorial Run. Sem falar do atleta da equipe – o Rafael correu pelo segundo ano consecutivo. Trabalhando conosco ainda havia mais duas pessoas na mesa.

Como toda boa confraternização em torno de uma causa, teve também comes, bebes e sorteio de vários excelentes brindes . Entre eles 3 Ipods (não foi desta vez que eu levei o meu pois a pessoa escolhia o prêmio por ordem do sorteio). Entretanto, alugns números depois eu fui até lá e escolhi uma linda e muito útil jaqueta da Rogers para usar nas minhas práticas esportivas.
Não foi sorteado? Não tem problema não, antes deste sorteio principal todos os voluntários puderam chegar até uma mesa com brindes “inferiores” e voltei de lá com uma sacolinha deliciosa de produtos Body Shop (para mim, juntamente com a Victoria Secret as campeãs do cheiro bom em cosmético adulto. E claro que Johnson's Baby é imbatível na categoria bebês!) .

Sem mencionar que para pessoas como eu que estão procurando trabalho, voluntariar é uma excelente oportunidade para conhecer pessoas, além de ter ajudado e me divertido muito é claro! Abafo o caso que trabalhamos o evento todo ao lado da "Sargenta" da Polícia de Toronto sem saber. Fui descobrir isso no fim do evento quando ela veio agradecer a eficiência (Ufa!) da turminha da KEEP GOING rsrs . Já deveria eu ter imaginado isso pois metade das pessoas que estava lá era da Rogers Cable (patrocinadora) e a outra metade da Polícia de Toronto (idealizadora do evento) ai que "meda"!

Confiram acima alguns lances do trabalho da equipe voluntariando no evento, mais um braço do grupo de empresas da KEEP GOING turismo. Precisando de voluntários é só contatar a nossa central!






16.8.07

O currículo invisível

Embora logo que cheguei aqui, em setembro de 2006, não me foram dados oficialmente os poderes de Sue Storm – a mulher invisível – o meu currículo como que em um passe de mágica tornou-se invisível criando e projetando poderosos campos de força repelente aos departamentos de Recursos Humanos das empresas presentes no Canadá.

Fantasia vinda direto dos quadrinhos da Marvel? Incompatibilidade de gêneos entre mim e os “gerenciadores do fator humano”? Complô maquiavelicamente elaborado pelo Doutor Destino – vulgo Victor Von Doom – contra a minha pessoa? Claro que nao!

Apenas o caminho natural (duro, mas natural) de qualquer imigrante que chegue pelas bandas de cá com o meu perfil (pessoal, professional e patológico:). Tanto que, nove meses depois (ops! trata-se de uma gestação com complicações no meio do caminho, parto realizado com fórceps e tudo mas que acabará gerando um lindo e mais consistente resultado!) eis que cai a capa invisível que pairava sobre meu currículo e sobre mim mesma enquanto profissional competindo na minha área de atuação por aqui!

Em um período de menos de dois meses (julho/agosto 07), após os 9 meses de uma gestação complicada, é que a “brincadeira” está começando! Nunca participei de tanto processo seletivo (ou melhor, antes nunca sequer chamada para entrevistas eu era), pesquisei tanto empresas para a preparação das boas entrevistas que finalmente estão acontecendo – e todas na minha área em boas empresas! Esta semana mesmo estou ocupada com dois processos paralelos. Sinal dos tempos!

Claro que o fato de fazer entrevistas não signifca o emprego em si mas a lógica mais pura que conheço é a de que sem fazer entrevistas o trabalho não vai surgir é nunca! E quem está por aqui sabe bem o que é ficar meses e meses investindo em vários estratagemas que - no início são apenas investimentos à longo prazo - e nada acontecer momentâneamente.

É isso, passei para celebrar esta minha nova etapa por aqui e relembrar que a sabedoria popular novamente é muito bem aplicada ao imigrante que aqui chega – “O Tempo é o SR. Da Razão!” Quanto à emoção, bem, para estas usamos nossos poderes de Sue Storm e projetamos poderosos campos de forças – de presença, psicológica, física, mental, intelectual e todas as forças que o vocabulário permitir juntar para continuar caminhando sempre!

Um excelente fim de semana aos queridos que me acompanham nesta jornada!

8.8.07

Seguindo a rota das Baleias

Feriado que passou a equipe da Keep Going (Katiane e Peter sentimos sua ausência e nos divertimos por vocês!) se juntou novamente para explorar mais um cantinho deste país de proporções continentais e paisagens de tirar o fôlego.

Desta vez o sempre econômico e eficaz Golfinho do Rafael rodou 2.201 km (entre ida e volta) para nos levar até o Saguenay-St.Lawrence Marine Park ou Parc Marin du Saguenay-Saint-Laurent (como preferem os Quebequenses) situado ao norte da cidade de Quebec.

O encontro do Rio São Lourenço com o fiorde Saguenay – o único fiorde navegável da America do Norte – não somente cria um ambiente rico em plankton perfeito para sobrevivência das baleias como também uma encantadora paisagem única dos fiordes.

Chegar até onde chegamos e não fazer o passeio de barco que leva para apreciar o balé das baleias é como ir à Roma e não ver o Papa - se bem que eu fui até Roma, não vi o Papa e a cidade me pareceu linda do mesmo jeito..rs – então para melhor dizer é pior que ir à Roma e não ver o Papa.

E lá fomos nós para o que seria um dos mais encantadores passeios ecológicos que já fiz. Claro que a equipe aventureira da Keep Going escolheu o Zodiac (menor, mais veloz e que proporciona um contato vamos dizer mais próximo com a água e a natureza ao redor).

Para chegar até a zona de observação das baleias o piloto faz manobras radicais em alta velocidade pegando carona inclusive nas ondas deixadas pelo rastro do barco maior e mais lento (opção para os que não curtem tanta adrenalina nem tampouco o contato mais “íntimo” com a água). Tudo de bom! Vento no rosto, reflexo do sol nas águas do imponente São Lourenço, rochas formadas pela glaciação que cobriu parte da America do Norte há mais de mil anos e para completar elas – as baleias!!

Como são espécies ameaçadas de extinção há todo um cuidado e regras que os barcos seguem para proporcionar momentos indescritíveis ao eco-turista – chegar a pouco mais de 200 metros das baleias. A partir daí nenhum barco mais passa.

A única vez na minha vida que chegei tão perto de uma baleia foi no show da Orca no Playcenter e vamos combinar que não há nada de ecológico em ver o bichinho lá em cativeiro sendo treinado para abanar o rabinho para a platéia. Tudo bem que, na época, fez a minha alegria e a de muitos. O fato é que observar a natureza e os animais em seu ambiente natural, como já escrevi por aqui, sempre me leva para mais perto de algo muito superior ao meu próprio entendimento me trazendo momentos sublimes de paz interior e realização!

Para fazer este passeio dormimos no vilarejo de St.Simeon que não sem motivos se auto-denomina a capital das baleias. Isso porque a não menos charmosa, entretanto mais agitada e turística Tadoussac, estava com seus hotéis e pousadas todos ocupados. Com isso, ficamos no quarto mais barato da viagem inteira com vista para o rio e tudo em outro cais de onde também partem os passeios para observar as baleias.

Depois de brincar de Pinochio (não fomos engolidos pelas baleias mas chegamos bem pertinho delas), começamos a voltar para a parte mais urbana do passeio e fizemos a visita à Quebec City e Montreal. Nesta última, outro ponto auge do passeio – a entrada e a volta completa no circuito de fórmula 1 de Montreal (confiram estas e outras imagens da viagem no nosso álbum de fotos ao lado).

Sem dúvida esta foi mais uma excepcional realização da equipe Keep Going e agora que estou com minhas energias renovadas para voltar para a labuta diária de imigrante repito o slogan criado pelos donos da agência :

“Canadá guenta nóis!!”







1.8.07

O Reencontro com as magrelas




Domingo que passou fomos conhecer a Toronto Island. Ufa, quase que completamos um ano (em setembro) de Toronto sem conhecer este pedacinho do paraíso em plena metrópole. Não poderíamos ter realizado nossa primeira visita de maneira melhor!

E graças aos amigos e vizinhos Liliane e Rafael, que gentilmente nos cederam suas bicicletas que, por sua vez foram conscientemente deixadas por um bom cidadão no lixo reciclável (sim elas estavam no lixo! Adoro esta cidade!), pudemos aproveitar ao máximo o passeio pela Ilha.

Confesso que pedalar pela primeira vez, em meio ao trânsito (antes de chegar à Ilha) e no mundo civilizado onde os carros respeitam a bicicleta e vice-versa, foi uma estranha mistura entre o total pânico e desespero (de alguém que nos seus últimos dez anos lutava pela sobrevivência e rezava para não ser atropelada em qualquer cirscunstância no trânsito de SP) e a completa sensação de felicidade pois agora esta é a minha realidade.

Apenas uma questão de tempo para me habituar com o que é correto e me desapegar do caos!
Auge do passeio - a sensação de levar as bicicletas no metrô! Não tem prêço!
Aproveitamos o domingo que estava acontecendo por lá o Brazil Fest para revermos nossos amigos Peter e Katiane, Don e Lourdes.

Bem, pelos nomes já dá para ter uma idéia mas está lançado o desafio para quem reconhecer na foto acima os Canadenses “disfarçados” de Brasileiros...
Ah, antes que a minha fama de "Heleninha Roitman" ganhe proporções inexistentes, adianto que a cachaça que está em minhas mãos é da Katiane que tirou a foto (sorry, my friend!). Até porque eu sou chique benhê, o meu negócio é uma cervejinha!

Conhecer a Ilha toda pedalando foi mais uma oferta da KEEP GOING, a minha agência de turismo independente e low cost preferida - resultado de uma parceria de sucesso com os donos das magrelas e que só dá bons frutos..rsrs


O próximo destino já está marcado para sexta agora (feriado por aqui) ao norte de Quebec. Aguardem a publicação do roteiro "low cost" na semana que vem.


Bom feriado aos que aqui estão e bom fim de semana aos que estão no Brasil!

27.7.07

A indústria da imigração - reflexões

Mencionei no post anterior sobre a indústria que gira em torno do imigrante aqui em Ontario. No entanto, fiz isso meramente levando em conta minhas próprias percepções e experiências em quase onze meses como “alvo” dela - a indústria. Sequer imaginava eu que, um dia depois, leria a constatação do que venho repetidas vezes dizendo e me questionando desde que cheguei.

Logo nas primeiras semanas de qualquer imigrante que chega nas mesmas condições que chegamos, ou seja, com duas malas de roupas, economias, uma mão na frente e outra atrás como se diz na minha terra – o pobre se vê em meio à um turbilhão de siglas e centros comunitários prontos a ajudar. E sim, de fato eles ajudam e muito!

O ponto não é este. O caso é que, conforme o tempo vai passando, vamos percebendo que na realidade estes centenas de centros comunitários (Costi, NoW, Job Start, JVC, ACCES, isso só para ficar nos mais famosos) fazem exatamente a mesma coisa e possuem a mesma idéia. No final das contas, estão todos lutando por fundos repassados pelo governo para garantir sua existência. Até aí, sem problemas, estão “na deles” para usar a gíria dos adolescentes.

O que não sai da minha cabeça desde que cheguei, ou melhor, uns 4 meses depois e de frequentar dois dos programas, entender o emaranhado de siglas e propósitos, é a seguinte questão – “Por que é tudo tão pulverizado? A causa é nobre, as intenções boas e o dinheiro existe. Entretanto, porque não juntar forças e orçamento e unificar um pouco mais?”

Ajudaria os pobres dos imigrantes que ficam mais perdidos do que "cego em tiroteio" em sua primeira semana – fato que, no nosso caso, só foi amenizado porque o marido em nosso terceiro dia por aqui foi até o Centro de Informação Comunitária Brasil Angola do Gean que faz um trabalho digno de nota por lá – e principalmente otimizariam os recursos humanos e financeiros injetados.

Eis que pela manhã me deparo com a notícia de que o ministro da pasta da Imigração e Cidadania Canadense - Sr. Mike Colle – acaba de retirar-se do cargo à 11 semanas das eleições de Ontario devido à um “probleminha” na administração do repasse de verba aos chamados centros comunitários multiculturais!

Ponto positivo disso tudo? Estamos no Canadá e, desde que o jornal Toronto Star começou a série (que este blog vem acompanhando de perto) focando este problema, as coisas vem estourando o que culminou no fato de hoje. O que certamente vai colocar o assunto em voga para debate.

Outro ponto muito positivo? Nunca aproveitei tão bem um verdadeiro período sabático "forçado" em favor do meu Ócio Criativo como tão bem batizou Domenico de Masi em um de seus melhores livros de mesmo nome.

Ótimo fim de semana!

25.7.07

Cutucando a "ferida" - Reflexões

O economista chefe do Toronto Dominion Bank, Don Drummond, deu hoje uma entrevista ao jornal Toronto Star como poucos já deram - ao menos nestes quase onze meses de minha nova vida por aqui.

O executivo toca em uma "ferida" que, sinceramente, deveria ser mais "cutucada" por formadores de opinião como ele. O chavão - "O imigrante é a chave do sucesso para o desenvolvimento da economia Canadense" - quase que cristalizado em todas as matérias, entrevistas e, principalmente material promocional de escolas e toda a indústria que gira em torno dos imigrantes por aqui.

Eu nunca, em nenhum momento dos quase dez anos de sonhos e planejamentos para chegar onde estou hoje, cheguei nem sequer perto de ter como o motivo da mudança a minha carreira!

Claro que, uma vez que cheguei estou me esforçando o máximo e fazendo de um tudo para me recolocar no que gosto de fazer. Entretanto, quando perceber que vou começar à bater cabeça mudo de rumo sem nenhum problema . Afinal de que valem todos os meus outros dons e paixões? Para serem utilizados quando necessário. Entretanto, seria egoísmo demais da minha parte tratar e pensar nisso como apenas um "problema" particular.


Daí eu ficar sempre refletindo. Trata-se de uma análise mais macro que apenas somos capazes de fazer quando vivemos aqui e conforme o tempo vai passando. Quando li este artigo pensei – admiro este diretor! Me deu vontade até de escrever um e-mail para ele elogiando a iniciativa, aliás acabo de decidir que vou fazer isso.


É senhor Drummond, eu também não entendo!

Boa leitura à todos!

24.7.07

Life-Long Learning

Três palavrinhas, três “Ls” e inúmeras conotações! Pergunte ao gerente de Recursos Humanos de qualquer multinacional e ele vai dizer que trata-se das 3 palavrinhas mágicas que ele quer ouvir de todo candidato à uma vaga. Leia os panfletos publicitários de cursos de especialização no Brasil e verás “Educação continuada” – os “continuing education courses” daqui.

Traduza literalmente (aprendizado por toda a vida) ao caboclo da roça e ele vai dizer – “Vivendo e apredendo!” e eu venho acrescentar à sabedoria matuta do caboclo a palavrinha mágica SEMPRE! Se no Brasil que, em tese, a minha situação estava relativamente confortável e “estável” (questionável), já era parte integrante da minha filosofia de vida o “Life-long learning” e o fazia com prazer. Agora então faz até mais sentido!

A verdade é que a equação livros + sala de aula + professor sempre exerceu sobre mim um forte poder de sedução, quase que magnético! Por toda esta minha inquietação com o aprendizado, aos 7 anos de idade estava lá eu nas salas do FISK cantando one little two little three little indians...e lá fui eu até os meus 15 anos passando por todos os livros imaginaveis de lá. Nunca mais parei. Depois veio a influência de um professor que falava francÊs na faculdade e lá fui eu para os quase quatro anos de Aliança Francesa. Não muito tempo depois fui para o Instituto Italiano de cultura aprender a origem dos meus antepassados.

Veio a vida adulta e a carreira foi tomando rumo para o que é hoje a minha paixão – Comunicação empresarial. Trabalhava PARA e com marketing (e não EM marketing como quase o mundo todo confunde) então vamos fazer um curso para entender de marketing e “falar a mesma língua” lá fui eu para os cursos de educação continuada da ESPM e da FGV. Essa sou eu! Louca, alucinada? InfluÊncia de muito professor na família? Freud deve ter alguma teoria, que eu ainda não li, para explicar isso. Mas quem quer explicação científica se eu mesma já tenho a minha. Estudar, ler e conhecer para mim são verdadeiras paixões e estão longe de ser um sacrifício! Funcionam como terapia, sério!

E nada melhor do que uma "terapiazinha" para o meu momento atual. Dez meses após minha chegada, de ter feito um curso de writing skills no Seneca só para ter certeza que a escrita está apurada, ter feito todos os cursinhos para o imigrante possíveis e imagináveis, Co-op, trabalho de graça, "Canadian experience" e tudo mais, chegou a hora de eu fazer um curso na minha área profissional!

Após meses de pesquisa, muita leitura para entender o sistema de compra de cursos à granel dos Colleges de Ontario, muita troca de informação com profissionais da minha área aqui em Toronto que foram unânimes em afirmar ser o programa do HUMBER college o mais famoso entre os meus potenciais empregadores e o melhor na minha área, começo em agosto o Certificate in Corporate Communications Program. Em um ano, após cursar 7 matérias obrigatórias terei não somente o certificado (uma especialização) mas ampliado a minha rede de contatos na minha área e o meu conhecimento claro. Além de ter feito a minha terapia do conhecimento para ajudar a controlar a ansiedade enquanto o tão sonhado primeiro trabalho remunerado na minha área não chega!

Não vejo a hora! Estou feito criança no primeiro dia da escola que já quer comprar a lancheira, o caderno e o livro novo, o lápis, a borracha e o apontador. Só falta eu querer também o lápis de cor com 36 cores que tinha o verde-piscina que todos queriam na minha época ahaha...

19.7.07

Pesquisa acadêmica direcionada à comunidade Brasileira

Por meio do blog do Gean, tomei contato com o trabalho de pesquisa que a Iara Costa está conduzindo como parte dos requisitos para que ela obtenha o seu diploma de mestrado em psicologia e aconselhamento pela Universidade de Toronto.

O estudo tem por objetivo investigar como o modo pelo qual os imigrantes Brasileiros se adaptam ao Canadá influencia a ocorrência de sintomas de depressão. Eu já fiz a minha parte respondendo ao estudo e você também pode ajudar. Para tanto basta preencher os seguintes critérios:

Ser Brasileiro/a e imigrante de primeira geração no Canadá
Já ter se tornado cidadão/ã Canadense ou ser residente permanente do Canadá (imigrante com documentos, ou refugiado/a, ou aguardando pedido de refúgio)
Morar na Área da Grande Toronto (GTA)
Ter pelo menos 16 anos de idade
Falar Português ou Inglês

Basta acessar o link http://www.surveymonkey.com/brazil

Futebol Poliglota

Sai hoje o adversário Argentino (ops!) da já finalista República Tcheca pelo Campeonato Mundial Sub-20 que esta sendo realizado aqui no Canadá e acompanhado de perto por esta apreciadora de um dos esportes mais democráticos do mundo. Basta uma bolinha de meia, um campinho de terra batida, duas riscas de gol no chão e lá estão, no mínimo, 22 pessoas se divertindo enquanto praticam esporte!

O jogo entre Argentina e Chile aponta para a vitória do arqui-rival e, consequentemente, para o sexto título (quarto dos últimos seis campeonatos) do país que consagrou “Dieguito” e o mesmo fez e ainda faz bastante esforço para se “desconsagrar” perante o mundo. Vamos combinar que imagem de atleta é o que menos vai ficar do que um dia foi um dos maiores jogadores do mundo!

Pevisões à parte, o fato é que morando em Toronto o futebol também ficou poliglota o que eu adoro! Temos acompanhado todo o campeonato pelas telinhas da CBC e da TLN o que significa uma verdadeira babel no que diz respeito aos idiomas dos narradores e também dos comentaristas!

A TLN (Telelatino) é um caso à parte e me diverti muito assistindo as partidas por lá. Assisti jogos com narração em espanhol (divertidíssimo o entusiasmo do narrador. Pelota para lá, pelota para cá), em italiano (não tão divertido mas com o mesmo entusiasmo e o meu intersse pessoal em recordar da penúltima copa do mundo quando estava na Italia e aprendi todos os termos em italiano) e o clássico estilo de narração britânico pela CBC que, muitas vezes, mais se parece com as legendas da Folha de S.Paulo em sua obviedade de ser! Foto com cachorro atravessando a avenida e a seguinte legenda: “Cachorro atravessa a avenida” Faça-me o favor! Até bandeira de objetividade em jornalismo tem limite, tudo nesta vida tem limite! Acho o caso da Folha até pior que a narração no futebol.

Até porque com a narração em inglês só tenho a ganhar com a apuração do ouvido e saber depois comentar em mesa de boteco em inglês os lances do jogo. Agora divertido mesmo é ouvir o narrador Mexicano dizer GoLaço , Golaço , Golaço.. em um som todo característico, além das expressões em espanhol que apesar de entendermos soam muito engraçadas pelo fato não as usarmos naquele contexto. É tudo de bom !

Nos jogos do Brasil pela Copa América então foi o auge! Que tal assistir à uma partida do Brasil com transmissão em espanhol e comentários em Português? Pois é, O TLN transmitiu jogos com o divertidíssimo e empolgado narrador Mexicano e o comentarista Brasileiro. O interessante é que eles não interagiam, um narrava, dava espaço e o outro entrava falando português muito surreal! Adoro morar aqui! O canal telelatino está se superando em sua salada de idiomas no mesmo jogo!


Agora, a única coisa que irrita mesmo destas transmissões é que, quando você menos espera, eles cortam o jogo no meio e entra um comercial! E é muito amador! Não raras vezes o narrador está falando e, sem sequer perceber, é cortado no meio para a inserção de um comercial que ocupa a tela cheia e você lá perdendo lances importantes do jogo! Ai os padrões de qualidade Globo! Ai se eles fizessem isso com os jogos de Hockey!

Quanto à final do Sub-20, antes que alguém me pergunte para quem vou torcer já vou logo dizendo que todas as minhas opções de torcida foram saindo uma a uma (Canadá, Brasil, Estados Unidos e Espanha). Entretanto vamos aguardar para assistir um bom futebol dos arqui-rivais mas não me peçam para torcer para eles não! Até apreciar um futebol bem jogado tem limite!


Ah! e o futebol Canadense? Pelo que tenho acompanhado das crônicas dos analistas por aqui, o quente mesmo é o futebol feminino Canadense que promete ao disputar o mundial Sub-20 que começará na China agora em Setembro. Taí outra coisa que eu adoro daqui, a mulherada jogando é valorizada. Elas jogam, fazem matérias, elas aparecem na TV, escolinhas de meninas jogando bola aparecem na TV - o máximo!

13.7.07

Na TV, nem tudo é o que parece ser!

Estava lendo o Betsy's PR Recruiting, um dos vários bons blogs que acompanho sobre o meu mercado de trabalho aqui no Canadá, quando, ao deparar-me com o post "BBC job interview error - Oldie but Goodie", não pude conter um ataque de riso sobre a situação em que o pobre coitado que se dirigia para uma entrevista de trabalho - por si só uma situação naturalmente tensa - foi exposto!

Se eu fosse o responsável pelo processo de contratação o teria contratado na hora devido à sua extrema flexibilidade e poder de adaptação à situações inesperadas, apesar de sua impagável expressão quando a repórter começou a entrevistá-lo no lugar de outra pessoa!

Para terminar a semana com bom humor!

Tenham um excelente fim de semana!

11.7.07

Formatura no CanEX - mais um passinho para frente








Juntamente com o final do meu estágio não remunerado de 4 meses que me deu a tão acalamada “Canadian Experience”, acabaram as sessões de toda segunda-feira de manhã que eu, carinhosamente, apelidei de reunião dos A.A.A. Carinhosamente devido ao importante papel emocional que este contato e troca de informações com outros imigrantes, na mesma senão em pior situação que a sua, exerce sobre você .

O Maurício até dizia que os dias em que eu voltava desanimada por algum movito em meio à saga na luta pelo meu espaço era porque eu não tinha ido para as reuniões de segunda (perdi apenas duas por conta de outros compromissos) e ele tinha razão!

Entretanto, no dia 25 de junho, a turma que riu, sofreu e chorou (é cada história que realmente se vai às lágrimas!) junto reuniu-se para celebrar o final do programa – sim, mais uma formatura. Será que agora já posso ir para o kindergarten? – e para receber os certificados.

Por falar em ceritificados, não contente em receber um eu recebi dois! Os professores criaram alguns prêmios especiais para os destaques da turma (chique não? Definitivamente eu posso ir para o kindergarten!) e entre eles havia um para a melhor apresentação em power point realizada durante o curso. Foi este que recebi (abafo o caso que em 7 anos de carreira no Brasil eu fazia apresentação de power point de baciada) e tem mais? E esta é a melhor parte! Por ter realizado a melhor apresentação em power point eu ganhei um gift-card da Chapters no valor de $25 !! Saí pulando de alegria pois compraria meu primeiro livro Canadense IUPI!! Após dez meses comprando apenas comida e coisas para a casa finalmente a recompensa!

Comprei, já estou lendo e recomendo para aqueles que querem enteder um pouco mais sobre o “Canadian Way” e o que faz do Canadense o que ele é, o livro The Unfinished Canadian – the people we are do jornalista e autor Canadense Andrew Cohen também autor do best seller While Canada Slept que já está na minha lista. Quem sabe ganho outro prêmio em um outro curso para passar do kindergarten para o pré-primario! Como este livro acabou de ser lançado completei os $25 do cartão que ganhei com $6 doletas – Excelente negócio!

9.7.07

O imigrante bebê

Havia prometido há dois posts que contaria um pouco mais sobre a entrevista que dei para um autor Canadense que está escrevendo um guia para Newcomers – como são conhecidos os imigrantes com até 3 anos de vida no Canadá – e que será publicado pela Oxford.

Ao deparar-me, em minha leitura diária dos jornais de Toronto, com o último artigo da série do Toronto Star sobre estratégias de políticas de imigração, lembrei-me da longa conversa que tive com o autor do livro a ser lançado e que foi desencadeada pela seguinte pergunta que ele me fez – “Qual o conselho você daria para o candidato à imigração que está em seu país de origem se preparando para chegar?”

Ainda brinquei repetindo o velho e sábio dito popular: “Se conselho fosse bom não daríamos, venderíamos” e fui mais longe ainda lembrando-o que conselho é uma forma de nostalgia então não costumo dar a não ser quando requisitada. Era o caso, ele realmente queria ouvir o que eu tinha para falar. Ok, então senta que lá vem história!

Claro que não posso falar por todos os imigrantes do mundo que chegam das mais diversas nacionalidades e costumes, nem tão pouco – na maioria dos assuntos - por todos os Brasileiros que chegam pois apesar de termos crescido na mesma cultura trazemos conosco percepções, experiências e consequentemente diferentes valores perante à vida. Entretanto, duas coisas eu digo que para nós Brasileiros – especialmente aqueles que chegam e são da área de Humanas – duas coisas chocam bastante no começo, ao menos para mim chocaram e foram difíceis de administrar: ser tratado quase o tempo todo como criança/bebê e ter que trabalhar de graça para “provar” que você tem “experiência” na área em questão que você está querendo atuar por aqui.

Antes que os meus queridos e especiais leitores me lembrem que trabalhar de graça não é o fim do mundo e que muitos já fizeram estágios gratuítos no Brasil enquanto estavam na faculdade, vou logo me adiantando que trata-se de algo totalmente diferente! A relação é outra, a sua situação é outra e muito mais delicada! E sim, há várias situações desta durante a faculdade no Brasil – o que faz todo sentido pois você realmente não tem a experiência em questão – aqui não é exceção, é regra. Então, ou você entra no sistema ou você entra no sistema para ganhar a Canadian Experience. Se esta é a melhor maneira de receber o imigrante “qualificado”? Como eles gostam de dizer aqui – DEBATABLE!

Entretanto, como o foco deste post não é o trabalho gratuíto e nem muito menos ir contra o sistema (afe, que coisa de adolescente revoltado..rsrs) até porque eu fiz tudo direitinho como precisa ser feito e bem gradativamente já estou colhendo resultados decorrentes dele, mas sim responder a pergunta do autor Canadense e dividir com vocês qual foi a minha resposta, aí vai.

Anota aí moço, dizia eu, os muitos guias que tenho visto no mercado direcionados para este público perdem muito tempo com questões muito básicas e quase que sem relevância – se comparadas às reais dificuldades enfrentadas no começo – como por exemplo dizer que o Canadá é um país muito frio e isso pode ser um problema para a adaptação dos imigrantes que chegam de países onde não há o frio do Canadá!!!!!!! E como diz a minha mais nova e divertidíssima amiga Katiane, com aquelas dicas super ultra mega úteis do tipo “Olha meu bem, traz um casaquinho porque aqui faz frio viu?”

HELLOOOO!!! O ser humano que planeja uma mudança de vida tão drástica como esta há de saber a posição geográfica do Canadá e as consequências climáticas disso! AFE! Não que não haja necessidade de colocar este tipo de informação nestes guias, mas o assunto é tratado como se fosse o principal entrave para nós que aqui chegamos quando na realidade o buraco é bem mais embaixo.

Quando será que os guias, instituições e até mesmo as palestras dos orgãos oficiais que são dadas mundo afora “convidando” a galera para imigrar, vão começar a tratar de assuntos um pouco mais sérios e que seriam de extrema valia para quem está se preparando para um movimento tão importante e sério de suas vidas?

É simples, é só começar a explicar como funcionam os Co-ops, que se quando você chegar a sua área não estiver em tanta demanda assim o sistema que você certamente seguirá para entrar no mercado é este, etc e tal...E que, mesmo com demanda (eu mesmo vejo vaga na minha área toda semana) quando você (nós da área de humanas) chega você precisará sim colocar no seu currículo a “Canadian experience” independente de sua experiência anterior, onde você trabalhou, estudou e se o que você fazia no seu país de origem é tão universal que é feito exatamente da mesma maneira aqui (meu caso) e mesmo assim você, caro imigrante, vai precisar da Canadian experience (vulgo trabalho de graça, etc e tal). É isso!

Outro coisa muito comum por todos os lugares onde você passa desde que chega, é o equívoco gigante em confundir o estatus de novo no país (newcomer) com novo na vida! Há uma importante e grande diferença nisso. Daí a minha resposta para o autor do novo guia ter sido esta. Meu conselho? Esteja consciente de que você, no começo, será tratado como um bebê e muitas vocês se sentirá um acéfalo, além de precisar entrar no sistema "Canadian experience" que envolve alguns sacrifícios emocionais.

No meu caso, maravilha porque quando saímos do Brasil já sabíamos que eu demoraria bem mais para ter uma renda por aqui (isso na minha área porque trabalho é o que não falta e fome ninguém passa neste país!) e o maridão conseguiria trabalho na área dele (Engenheiro de Telecomunicações) nos 3 primeiros meses e foi exatamente o que aconteceu!

Agora estou escrevendo isso e tocando neste assunto porque fico pensando nas pessoas que - ou vem sozinhas e são da área de humanas ou o casal mesmo mas que , ao invés de ser como o nosso caso, ambos estariam na minha situação. E aí? Claro que sabendo disso tudo antes lá do país de origem daria a estas pessoas muito mais preparo para a “bucha” inicial. E, ao contrário do que muitos podem pensar, isso não faria aqueles que realmente querem lutar por uma nova vida aqui desisitirem do sonho. Ao contrário, ganhariam os imigrantes, a sociedade Canadense que teria os mesmos economicamente ativos em um tempo mais curto. E aqueles que desistissem seria porque realmente chegaram a conclusão que não teriam forças emocional e financeira suficiente para aguentar o tranco. À isso chamo serviço público.

Daí a minha resposta ao autor – Parem de tratar o imigrante como se ele fosse bebê e coloquem nos guias o sistema dos co-ops e da Canadian experience. Se ele vai me ouvir e publicar? Não sei, o que sei é que fiz a minha parte. Ele perguntou e fiz a análise e o próprio ainda finalizou a entrevista dizendo: "Sabe, só hoje você é a terceira que menciona a mesma coisa! Preciso pensar seriamente neste assunto". Eu pensei – mas claro que não disse – AH VÁ!!

Boa semana á todos!

3.7.07

Explorando o noroeste de Ontario no feriado

O nosso primeiro feriado em comemoração ao Canada Day não poderia ter sido melhor. Marcou a nossa volta às trilhas e ao estilo de viajar que mais amamos: o de viajantes independentes com mapas na mão, pé na estrada e espírito explorador. Melhor do que viajar desta maneira só viajando acompanhado de outro casal que aprecia e tem como hábito o mesmo estilo de viajar.

Todo o trabalho de pesquisa do roteiro extremamente bem calculado e inesquecível foi mais uma realização da agência KEEP GOING (Rafael, vou querer comissão pelo reposicionamento de mercado com a criação do novo nome agora mais global J!) que tem como sócios proprietários os vizinhos e companheiros de aventuras Rafael e Liliane (sendo esta sócia majoritária com 51% das ações na TSX e Nasdaq). Esta foi mais uma excelente parceria casal!

Para que outros viajantes independentes tenham o mesmo privilégio de botar o pé na estrada, vou dividir os destaques do roteiro. A começar pela grande estrela da viagem – o Golf do Rafael rodou os 1.205 km com apenas um tanque de diesel custando para tanto míseros $53 dolares! Se alguém me contasse eu não acreditaria! Medalha de ouro em economia para este carro.

Três dias depois de momentos hilários, paisagens de tirar o fôlego (confiram os destaques no segundo álbum de fotos do blog), travessia de barco, colheita de blueberries e o momento auge do encontro com o urso – o black bear - em seu habitat natural graças aos olhos atentos do Maurício e a velocidade de reação do Rafael, cá estamos de volta à Toronto com as energias renovadas!

Saímos de casa às 5h30 da manhã do sábado com direção ao Killarney Provincial Park que fica à nordeste da Peninsula de Bruce que, por sua vez é banhada à leste pelo círculo da Baia Georgiana (formada pelo Lago Huron). Daí o amigo americano que fiz no barco dizer que estávamos fazendo o “big circle” ou seja, a volta na baia formada pelo lago Huron.

No Killarney fizemos a trilha The Crack e, entre ida e volta, “investimos” 4 horas de nosso tempo e disposição física por lá. Não fossem os pontos íngremes da trilha de 6 km para atingir o pico das brancas e maravilhosas pedras espalhadas pelo caminho, a trilha poderia ser considerada fácíl. Entretanto, o parque classifica a trilha como difícil devido aos pontos íngremes de escalada. Quanto mais se sobe e se chega perto de “deus” (sim, porque independente de qualquer crença, para mim, quando atinjo estes pontos nas trilhas chego mais perto do que quer que seja que você queira chamar de algo superior à nós mesmos. Pode até ser a natureza em si! Puro êxtase!) melhor é a vista. E no meio do caminho dá-lhe colheita de blueberries!

Após tanto esforço físico vale a parada para o almoço no tradicional e famoso Fish ‘n’ chips da marina de Killarney. Apreciados os carnudos e apetitosos peixes e fritas sequinhos, seguimos para Sudbury onde nos instalamos, jantamos e passamos nossa primeira noite. Em Sudbury visitamos o Big Niquel e as instalações da INCO-CVRD.

No segundo dia nos deslocamos para South Baymouth para a travessia à bordo do Chi-Cheemaun para um encantador passeio de duas horas até Tobermory na Peninsula de Bruce, prontos para explorar o Parque Nacional da Península de Bruce. Aqui o meu marido teve seu primeiro contato com um réptil Canadense : a Eastern Massasauga Rattlesnake - uma das mais de 180 espécies em risco de extinção em Ontário. Novamente os olhos sempre atentos do Maurício para a fauna. Confesso que durante as viagens em meio à natureza os meus olhos se encantam muito mais com a flora. Especialmente a paisagem que vi no Bruce National Park! Claro que o urso lá no primeiro dia de viagem foi exceção! Isso tudo na trilha em volta do Cyprus Lake acompanhada de magníficas vistas e penhascos da Georgian Bay.

Não contentes em chegar ao extremo norte da Península, lá fomos nós, levados pelo “comandante” Rafael e sua fiel escudeira Liliane, para o Dyer Bay e Cabot Head Lightstation - ponto extremo da Península (o caminho até lá vale a paisagem e mais um centímetro além do que estávamos só de barco mesmo). Passamos a segunda noite em Owen Sound.


No terceiro e último dia do roteiro já estávamos descendo em direção ao sul novamente e fomos parando para conhecer as praias de lago de Ontario: Sauble Beach (poderia ser qualquer cidadezinha do litoral norte de SP exceto pelo ausência de salubridade e no diferencial de temperatura da água por razões óbvias de localização geográfica!). Até caminhar na beira da “praia” com os pés na água eu caminhei. Passamos pela badalada estação de esqui Blue Mountain que, no verão, estava em plena atividade com os campos de golf e hotéis cheios de hóspedes devido à bela localização, Collingwood, Wasaga Beach, Barrie e finalmente Toronto.

Excelente passeio independente pelo interior e “litoral” de Ontario. Se você é como nós que ama uma trilha em parques, além de um estilo mais independente e consequentemente mais barato de viajar, estando em Ontario não pode perder este roteiro nota DEZ!

Procurou pela foto do urso e não encontrou? É, nós também lamentamos a viagem inteira termos perdido o momento celebridade do urso (o carro que passou uns dois minutos antes de nós teve mais sorte para fotografar). O único lugar que ficou gravado para sempre a imagem do primeiro urso que vimos em seu habitat natural (em zoologico não vale) foi em nossas mentes de viajantes independentes. Daí eu amar tanto viajar e ter certeza de que é o melhor investimento que podemos fazer com nossas economias - o que vimos e vivemos vai conosco para sempre. Ninguém tira de nossas memórias, nunca!

22.6.07

Vida de cão

No que depender da Air Canada, a partir de 15 de julho deste ano, os passageiros não poderão mais carregar consigo seus fiéis "amigos" animaizinhos em vôos domésticos pelo País.

Quanto aos vôos internacionais e do Canadá para os Estados Unidos, a Air Canadá está aguardando apenas o deferimento da Canadian Transportation Agency (reguladora do transporte aéreo no País)para impedir que passageiros carreguem seus bichinhos de estimação consigo. Gatos, cachorros e outros animais terão que ser "despachados" nos aviões de carga e não mais de passageiros.

Motivo? Devido ao crescente aumento no número de passageiros "humanos":)transportados e, consequentemente o aumento no volume de malas, detectou-se a necessidade de um rearranjo nas prioridades dentro da aeronave de passageiros.

Imagina a diplomacia com que a Air Canada precisa tratar o assunto! Eu é que não queria estar na pele deles! Até porque vai explicar para alguém que não tem animal de estimação que não há espaço para a mala da pessoa em questão porque há containers carregando animaizinhos de outrem. E, ao mesmo tempo, vai explicar para os aficcionados em seus animais de estimação que eles não precisam viajar no compartimento de bagagem da aeronave e que podem perfeitamente viajar com a carga?

Semana que vem vou começar a contar um poquinho da minha experiência com a famosa "experiência canadense" e os resultados dela uma vez que termino o meu estágio hoje!

Tenham todos um excelente fim de semana!

15.6.07

mão de obra qualificada x mão de obra não qualificada


O eterno dilema que tanto atormenta estudiosos e condutores de políticas de imigração vem esquentando os debates na mídia Canadense. O Financial Post de hoje traz uma matéria que trata da dissonância entre o sistema de imigração Canadense que privilegia uma mão de obra mais "acadêmica" por assim dizer e a crescente demanda no país pela mão de obra menos "acadêmica" (longe de precisar de diploma para sua execução).


Não sei se o termo que escolhi para traduzir o "lower-skilled x high skilled" é o mais apropriado mas de qualquer maneira, na prática, o que acaba querendo dizer mesmo é que a pontuação do sistema de imigração é muito centrada em diplomas enquanto que o grande volume na necessidade de mão de obra, na realidade, não tem relação direta com a academia. Esta é a principal crítica dos que defendem uma reforma no sistema.


O artigo lembra que o que hoje está mais grave na províncea de Alberta devido ao estupendo crescimento do setor de energia e acrescenta que o dilema se espalhará logo logo para todo o país. Vale a leitura de mais um dos muitos artigos que tenho acompanhado na imprensa nacional sobre este assunto.

Eu, pessoalmente, ainda não tenho nem tempo suficiente aqui no país e nem mesmo autoridade para chegar a uma conclusão sobre qual seria o ideal balanço desta equação. Entretanto, como gosto bastante do assunto, tenho lido e observado de perto, de uma coisa agora eu tenho certeza: a decisão de imigrar deve ser encarada como "viver a experiência de imigrar, viver em outro país com melhor qualidade de vida e melhor desenvolvimento humano" pois se ela estiver única e exclusivamente calcada em desenvolvimento de carreira pode acabar dando com os burros na água não por incompetência de quem imigrou e muito menos por falhas no sistema de imigração mas simplesmente como resultado de uma das leis mais antigas - e por vezes draconiana - da economia: a lei da oferta e da procura.


Bom fim de semana à todos!


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14.6.07

Ao meu pai "Canadense"

Calma pai! Não adotei um pai gringo não! Você é insubistituível e sempre será o pai que eu tanto amo! Acontece que domingo - (17 de junho) - todos os filhos Canadenses celebram o dia dos pais. Diferentemente do Brasil, aqui na América do Norte (os EUA também comemoram nesta data) o dia dos pais acontece no terceiro domingo de junho e foi criado por Sonora Smart Dodd de Spokane em Washington nos Estados Unidos.

Dodd mobilizou as igrejas locais a instituir o dia dos pais em homenagem ao seu pai – veterano da guerra civil que criara 5 filhos sozinho após a morte de sua esposa – e escolheu o dia 19 de junho de 1910 (aniversário do pai dela) como a primeira celebração do dia dos pais na Amércia do Norte. Foi aí que começei a pensar que eu, na condição de imigrante que adotou o Canadá como casa mas tenho a minha origem e meu pai no Brasil, em que data devo celebrar? A reflexão não durou um segundo! É claro que nas duas! Os pais merecem, ao menos o meu sim.

Pai, obrigada por sempre ter me mostrado com ações e exemplos os verdadeiros e reais valores a serem perseguidos nesta vida. Hoje, sei que muito do que eu sou e faço trago das suas simples mas genuínas atitudes que eu cresci acompanhando. Pai, eu sempre disse isso à você mas vou continuar repetindo sempre que se hoje eu tenho a capacidade intelectual, emocial e financeira de seguir em frente – com os meus próprios pés – devo quase tudo ao seu exemplo.

E ele vai continuar dizendo – em sua infinita humildade – que é muito mais a minha personalidade do que a sua participação mais do que ativa no meu desenvolvimento emocional. Tá bom vai, para ninguém brigar vamos dizer que é meio à meio (e que ele não nos leia (risos) – não é não! Bem esta persistência nas minhas crenças de quem será que eu herdei hein Papis?).

Só para ilustrar um pouquinho o que falo. Pai você lembra? De uma foto nossa à beira da piscina no quintal da vó Luiza em que você está lendo o Estado de S.Paulo e eu - ao seu lado - em uma cadeirinha para alguém de 4 anos de idade segurando uma folha do mesmo jornal querendo te imitar? CONHECIMENTO...

De quando um amigo seu deixou em casa uma mobilete e eu, do alto dos meus 12 anos de idade, louca para dar uma voltinha (sempre adorei motos e afins) e você me proibiu expressamente pois não tinha habilitação (mesmo não precisando para dirigir estas coisinhas.. todos tinham naquela época) e o veículo era de alguém que havia deixado em nossa confiança? Que se acontecesse algo, bla, bla, bla.. CONFIANÇA..

Por volta dos meus 15 anos quando queria porque queria estudar nos Estados Unidos (sempre o exterior!) ao invés de fazer festa de quinze anos (e o meu avó até teria condições de ter me mandado) e você me mostrou que se eu realmente quisesse algo teria que ter condições e lutar por e que o dinheiro eu poderia conseguir mais tarde e até viajar o mundo (lá fui eu mais tarde viajar o mundo. Você estava certo pai!) e que tudo que conquistamos por nós mesmos tem mais valor? CONQUISTA E INDEPENDÊNCIA...

Aos 18 anos quando estava em um carro que capotou seriamente (ali todos renascemos) e ao chegar em casa - após ter passado a madrugada na delegacia - ao invés de simplesmente esbravejar e passar um eterno sermão por conta da ocorrido (estavamos em uma festa no sitio até altas horas e é lógico que o motorista estava alcoolizado) você simplesmente disse “Avalie bem as consequencias de seus atos de antemão. Cada ato de irresponsabilidade que você cometer nós enquanto pais vamos ficar muito tristes mas quem vai carregar as consequencias pela vida toda é você (isso quando carregar porque no caso de um acidente como este poderia não estar aqui para contar. Lição aprendida)”, boa noite filha. RESPONSABILIDADE E CONSEQUENCIA...

Daquela prova de rios (o meu pai foi meu professor de geografia nos três anos de colegial) que eu troquei todos os afluentes do rio Amazonas e voltei para casa com uma nota vermelha e ao reclamar (em casa claro) você apenas me disse – “Filha, quando se estuda e leva à sério qualquer assunto, cometer erros em provas é a melhor maneira de aprender”. E assim na vida não é mesmo ? APRENDENDO COM OS ERROS.. NINGUÉM É PERFEITO.

E se eu continuar a lista não tem fim de quantas vezes, com palavras e atos totalmente apropriados ao contexto das situações, o meu pai me ajudou a ser o que sou hoje. Obrigada meu pai, te amo muito!

E a todos os pais (os que estão aqui Mauro e Alessandro), e os que estão no Brasil, a nova geração de pais (Rodrigo – o pai dos lindos Vitor e Vinicius – lindo o que você e a Viviane fazem com os seus filhos) o meu mais profundo respeito e reconhecimento por esta nobre função que muitas vezes é tomada como fluxo normal e natural das coisas e da vida mas que , na verdade, guarda em si muito de responsabilidade e comprometimento.

Vocês pais, não tem noção de quanto influenciam (positiva ou negativamente) a vida de seus filhos! Parabéns e sucesso à todos os pais nesta árdua tarefa de CRIAR!

**RECADO para a Renata Lima - Eu adoraria poder te ajudar. Entretanto, você não deixou o seu e-mail para que eu possa responder sua dúvida. No aguardo.

12.6.07

Na toada do batuque Brasileiro

Fim de semana agitado este que passou! Aliás, desque as temperaturas começaram a atingir a casa dos dois dígitos – como eles gostam de dizer aqui – não há fim de semana que não seja agitado, você só fica parado se quiser!

Passamos a tarde e a noite de sábado no Harbourfront Centre curtindo o Carnavalissima – dois dias inteiros com o que há de melhor dos carnavais do mundo – e claro que o Brasil estava muito bem representado! Teve uma sensacional exibição do grupo de Axe de capoeira e para variar eu fiquei “babando”. Tenho uma paixão platônica não é de hoje com esta arte marcial (bem, mas isso já é assunto para um próximo post)!

E para culminar a noite de sábado, à beira do lago Ontário – agora com vida como diz o meu marido que lembrava do mesmo lago congelado no inverno – duas deliciosas apresentações para alguém que como eu tem sangue afro e não fica parada com um batuque e uma percussão.
A escola de samba de Toronto trouxe os sambas de enredo de escolas de SP e do Rio, além de enredo que eles mesmo criaram para Toronto. Excelente trabalho!

É gostoso ver iniciatiavas como esta fora do nosso país de origem. Neste instante em que meus pés insistiam em não ficar no chão, eu pensei muito nos meus tios e primos batuqueiros (do lado da família do meu pai). Tio Junior, Daniel, Edmar, Lucas,Tio Pelé, Cumpadre Claudio e trupe - senti vocês junto comigo no ecoar da bateria e no delicioso som do cavaquinho! Saudades de vocês.

E como se não bastasse capoeira, samba enredo e comida muito boa – havia barracas de comidas do mundo e batemos um PF (prato feito) bonito de bisteca, arroz e banana assada na barraca do Equador – a noite finalizou com o show do OLODUM.
Nem preciso dizer que pulei e dancei feito uma macaquinha não é mesmo?

Não, não, o meu marido não perdeu o juízo e sambou comigo não, podem ficar tranquilos que ele continua bem do juízo. Ele apenas seguiu os cerca de 10% de gringos que estavam apenas ouvindo o som da Bahia e euzinha acompanhava os outros 90% de brasileiros que agitavam bandeiras, pulavam e ecoavam juntos as músicas do OLODUM. Energia pura!! Soltei todos os bichos e o mais curioso é que nunca havia visto um show do OLODUM quando estava no Brasil e acabei por curtir aqui à beira do lago Ontario que trazia uma brisa deliciosa da noite de quase verão em Toronto!

E quanto gastamos para tudo isso? $ 16 com os dois PFs na barraca do Equador e $1,50 no Churros na barraca do México que comi (nunca havia parado para pensar que o Churros é Mexicano. Estava uma delícia, a única diferença é que o original Mexicano não coloca aquele recheio que há no Brasil e sempre achei enjoativo. Trata-se apenas da massa frita!).


Os shows? Todos de graça! Me acabei!

4.6.07

Junho - Aberta a temporada de festivais na cidade

Não é segredo para ninguém que o verão não é, nunca foi nem nunca será a minha estação preferida do ano não somente porque o meu nariz sofre mais (aqui mais ainda por se tratar de um verão úmido) mas também porque sou uma pessoa calorenta por natureza. Entretanto, como a minha filosofia de vida manda tirar proveito do lado bom de tudo, este fim de semana botamos nosso bloco nas ruas de Toronto para tirar o máximo de proveito do que a cidade tem para oferecer de melhor no verão – os muitos festivais para todos os gostos e bolsos!

Como parte da programação do LuminaTO, aconteceu sábado à noite a inauguração do novo espaço do ROM e para comemorar, durante todo o domingo a visita à todo o acervo do museu foi de graça. Para tanto, bastava ir até o museu no dia anterior, programar a hora da sua visita e pegar o ingresso. Foi o que fizemos.

Uma vez que pegamos nossos ingressos para domingo e já estávamos por lá em um sábado lindo, resolvemos explorar o Queens´s Park que fica ao lado do museu. E qual não foi a nossa surpresa ao nos depararmos com o International Drumming Festival. Um prato cheio para pessoas como eu que possuem não somente o “pé mas o corpo inteiro na cozinha” e adora um batuque (devo ter sido negra em outra vida se é que elas existem!).

Passamos a tarde no parque em meio à rodas de percussão, comidas afro e barraquinhas de artesanato. Em um determinado momento eu me peguei salivando e pensando – “Um calor destes bem que poderiam vender uma cervejinha aqui não!” e no mesmo instante o Mauricio observa uma área cercada em torrno de uma barraca com mesinhas à sua volta (tipo um barzinho mesmo ao ar livre). Ao entrarmos pelo portão aberto do “chiqueirinho” eis que nos deparamos com a seguinte placa – Não é permitido bebida alcóolica além deste ponto!

UFA, há esperança para os “pingaiada” como se diz na minha terra! Havia cerveja gelada sendo vendida. A única interessante e curiosa situação é que os “manguaça” tem seu próprio cercadinho nos parques e claro que todos respeitam! Muito bom! Finalizamos o sábado com o sensacional show de abertura da nova ala do museu.

Para o show, estavam presentes o Premier (seria equivalente ao nosso governador), a chiquetéssima e elegantéssima da governadora geral (que representa o Primeiro Ministro e a rainha neste tipo de evento) e uma comportadíssima multidão que assistiu à uma hora de apresentação gratuita dos mais variados gêneros musicais!

Ponto auge deste show – lá pelas tantas em meio ao magnífico show dos tenores canadenses, toca o celular de uma moça ao meu lado e ela começa a falar alto (alto mesmo no celular e não desliga nunca!) Eu já estava ficando incomodada mas fiquei na minha quando ouço um homem muito bravo gritar para ela – "Shut this stupid phone off!@@@!!" e ela na hora desligou e se desculpou. É isso o que eu mais AMO por aqui! Estávamos em um evento gratuito, ao ar livre e mesmo assim o senso de coletivo e o respeito ao outro permanecem e os poucos que insistem em quebrar esta ordem pagam um MICÃO daqueles!! AWESOME!

No domingo à tarde voltamos para visitar o ROM com o ingresso de graça que havíamos marcado para as 13h e a visita vale muito à pena! Pelo início da temporada de festivais, os fins de semana prometem e o melhor de tudo é a quantidade de eventos gratuitos e de qualidade! E que venham os festivais italiano, grego, asiatico, brasileiro, etc.. Não vou perder um!

1.6.07

"Perdidos na selva da imigração" - mais um artigo retirado do Toronto Star

Como diz o próprio artigo, publicado no Toronto Star de 28 de May e escrito por Carol Goarl, acertar em políticas de imigração nunca foi algo fácil desde que o mundo é mundo. Entretanto, cometer erros nesta esfera pode facilmente significar - em um longo prazo - uma queda na economia e no padrão de vida. E um país que - até 2011 - terá 100% do crescimento de sua força de trabalho oriundo de imigrantes, segundo afirma a colunista, não pode arcar com estes erros à longo prazo.


Um ótimo fim de semana e boa reflexão à todos!

Lost in the immigration jungle
Quick fixes have a nasty habit of breeding long-term problems.

Naomi Alboim of Queen's University, an expert on immigration policy, fears that is what is happening in Canada now.

In Ottawa, the Conservatives are pouring millions of dollars into makeshift schemes to alleviate labour shortages, without considering the risks of becoming dependent on a steady influx of temporary foreign workers.

At Queen's Park, the Liberals are pouring billions of dollars into post-secondary education, without requiring universities to supplement their full degree programs with bridge training for immigrants who need to fill the gaps in their qualifications.

At the local level, senior governments are starving the non-profit groups that know how to integrate immigrants into the community.

There are dozens of initiatives, but no overall plan. There are dozens of stakeholders, but no shared vision.

"If we continue to develop immigration policies in isolation, we could end up hurting or restricting our broader goals for Canada," Alboim told a roomful of politicians, bureaucrats and policy analysts recently.

Alboim is not one of those academics who pores over statistics and studies and theorizes about what should be done.

She's out in the community, working with immigrants and social agencies. At the same time, she understands the constraints that policy-makers face. She worked in the senior ranks of the public service at both the federal and provincial levels.

What worries her, as Canada approaches 2011 – the year when immigrants will account for 100 per cent of the country's workforce growth – is that no one seems to be thinking beyond the exigencies of the moment:

Bringing in thousands of foreign temporary workers might appease employers who can't wait the five to six years it normally takes to get a skilled applicant into the country. But it reduces their incentive to hire and train the underemployed Canadians (foreign and native-born) who are already here.

Raising Canada's immigration target (Ottawa is aiming to admit 265,000 permanent residents this year – 15,000 more than last year) might seem like a rational response to an aging workforce. But with a backlog of 500,000 unprocessed applications, the immigration department clearly can't handle its current workload, let alone a larger one. It takes an average of 5.3 years to get an application processed in Beijing, longer in Hong Kong, Moscow and New Delhi.

Permitting Canadian-educated foreign students to stay and apply for permanent resident status might look like a good way to boost the supply of well-trained workers. But it turns universities and colleges into a shortcut into Canada for would-be immigrants and encourages the creation of quick-buck vocational schools.

Allowing each province to nominate immigrants, based on its workforce needs, might sound like regionally sensitive planning. But it leaves the country with a bewildering patchwork of admission criteria and prevents newcomers from moving freely once they arrive in the country.
"We need to think in terms of a pan-Canadian immigration framework that flows from a vision of Canada's future and the values we share," Alboim said.

She acknowledged that there is a lot of goodwill in the system. She also gave Prime Minister Stephen Harper credit for investing $13 million in a new Foreign Credential Referral Office and earmarking $500 million a year to provide job training for people who don't qualify for employment insurance (many of whom are immigrants).

But Ottawa needs to do more than add new tools to the cluttered mix of policy instruments that exists now, Alboim stressed. Its role is to set priorities, provide leadership and ensure that everybody is pulling in the same direction.

Getting immigration right has never been easy. But getting it wrong – the usual result of lurching from one expedient to the next – will mean a shrinking economy, a drop in living standards and a loss of vitality.

Canada can't afford to be slapdash about its future.

31.5.07

Salsicha ou perna de rã?

Quem conhece Toronto sabe que bastou esquentar para os carrinhos de cachorro-quente se multiplicarem pelas ruas da cidade. O que muitos não sabiam – incluindo esta que escreve – é que o fato de apenas haver barraquinhas da famosa iguaria na cidade é resultado de legislação provincial.

Justamente por isso teve início ontem, na prefeitura de Toronto, a luta política por trazer uma maior variedade de “comida” vendida em barraquinhas pelas ruas da cidade. Até coletiva de imprensa John Filion (o city councillor e membro do conselho de saúde) realizou na prefeitura para promover sua “plataforma” de inclusão gastronômica por assim dizer.

Na ocasião da coletiva dois conhecidos e renomados chefes de cozinha realizaram e ofereceram um tradicional prato de Singapura composto de arroz, ervas, vegetais e perna de rã assada que, segundo os chefes, poderia ser vendido nas ruas também. Tudo para provar que em uma cidade tão multicultural como Toronto a “comida” de rua precisa ir além do dogão. “Quantos turistas voltam para casa e dizem aos seus familiares e amigos: Você precisa experimentar o cachorro-quente de Toronto!”, argumentou John Filion.


Se a legislação de alimentos na províncea de Ontario mudar, no verão de 2008 poderemos encontrar as perninhas de sapo assada pelas barraquinhas também. Conheço muita gente que mesmo nunca tendo comido um dogão de carrinho (ai que delícia!) faria campanha para que as perninhas de rã não ganhassem as ruas de qualquer cidade, apesar da pobre da rã oferecer uma carne saborosa.
Eu, na qualidade assumida de boa de garfo, aprovo a convivência pacífica entre o dogão e a rã sem problema!

E você acredita que o que é vendido nas ruas de uma cidade reflete sua cultura?

29.5.07

A China é aqui!

Deus abençoe os Chineses!

Começo este texto de hoje homenageando este povo – e aqueles que dele descendem - de cultura e sabedoria milenares só para não perder o hábito de usar o meu bordão (que surgiu há anos no Brasil e usava sempre após uma saborosa refeição japonesa! Yummy!) agora transportado para os inventores do papel.


Deus os abençoe e que eles continuem imigrando em massa e continuem operando seus restaurantes em cidades como Toronto! Tá bom, sei que nem todos os lugares chineses do mundo são os melhores para se comer mas espere até você entrar no Congee Queen!
Uma vez que você, amante das iguarias chinesas, entrar lá vai querer voltar com bastante frequencia!

Na sexta-feira antes do feriado que passou, fomos jantar com nossos amigos, vizinhos e consultores para assuntos de locais e serviços com "óootema relação custo-benefício" Liliane e Rafael e aprovamos a pedida!
Além de um ambiente aconchegante e até um pouco sofisticado de ser, o restaurante oferece uma saborosíssima comida à INACREDITÁVEIS preços !!!

O nosso jantar para 4 pessoas (eu e o Mauricio tomamos cerveja e tudo) ficou na bagatela de 40 doletas! Inacreditável pelo que o restaurante oferece!
E antes que alguém queira saber se comemos um dos patinhos assados pendurados na vitrine do local, digo que desta vez fomos nas indicações de quem já conhecia o restaurante e comemos muito bem, além de ter experimentado a tradicional sopa chinesa à base de arroz carinhosamente apelidada pela Liliane de sopa de doente.

Mas os patinhos pendurados que nos aguardem que ainda vamos voltar várias vezes para o Congee Queen!

25.5.07

Para refletir - artigo extraído do Toronto Star de 24 de maio

Não costumo fazer isso por aqui (reproduzir artigos dos jornais de Toronto na íntegra e em inglês). Entretanto, o artigo abaixo (peço desculpas aos familiares que não entendem inglês) trata, na minha opinião, de uma das mais importantes e críticas situações que fatalmente fará parte da vida do imigrante logo na sua chegada por aqui - Recomeçar profissionalmente não somente em hierarquia mas também em salário.

Aí há dois cenários possíveis:

1- Você atua em áreas técnicas em alta demanda como TI (tecnologia da informação), Telecom (desenvolvimento de software, hardware, etc)e logo arruma emprego na sua área (foi o caso do meu marido graças ao bom deus e ao nosso planejamento que já previa isso) mas mesmo assim o primeiro emprego ainda não paga o seu real valor de mercado.

2- Você, como eu e tantos outros que conheço por aqui, atua em áreas de menor demanda e mais "humanas" e passa por todos os cursos do governo, co-ops (estou no último mês do meu), trabalha de graça e tantas mais para provar para o empregador Canadense que você é capaz de fazer exatamente o que fazia no seu país de origem por aqui (meu caso).
Isso para citar os melhores cenários que é o que temos visto por aqui na qualificada amostra de brasileiros ao nosso redor!

Muitos me perguntam se isso tudo vale à pena e a resposta de um milhão de dólares é -Cada um sabe de si. No nosso caso digo que valeu e tem valido muito sim! Pois embora estejamos no caminho certo atuando nas mesmas áreas em que atuávamos no Brasil (meu marido telecom e eu assessoria de imprensa) isso tem sido uma consequência da luta diária por aqui pois o fator principal mesmo da mudança e que justifica tudo isso sempre foi e vai continuar sendo a qualidade de vida (e isso há de sobra por aqui!).


Agora para aqueles que se incomodariam (ou até mesmo não teriam reserva suficiente para segurar meses de trabalho gratuito, etc)com este começo de desapegos, sacrifícios e retrocessos é bom fazer uma excelente preparação emocional que a rapadura é doce mas não é mole não!

Boa leitura e ótimo fim de semana!

Helping newcomers overcome barriers

Janis Foord Kirk - Toronto Star

May 24, 2007

Theresa McPherson has mustered all her energy to reinvent herself for life in Canada since emigrating from Jamaica in 2004.

“It takes a winning spirit, I believe. A lot of people allow the rejections to get them down. They allow negative thoughts and negative people to steal their energy when they need it to fight this game, to get into the workplace. And it is a fight, you need all the energy that you can muster.”

So says Theresa McPherson, who has mustered all her energy to reinvent herself for life in Canada since emigrating from Jamaica in 2004.

My last column on April 21, “ Canada a struggle for many newcomers,” examined the barriers internationally educated immigrants like McPherson encounter as they look for work. Today, a closer look at what they can do to overcome these barriers.

McPherson agreed to share her story and add her advice to the counsel that follows if I agreed to protect her privacy by changing her name.

Preparation : “As any new immigrant does before coming here, I did a lot of research,” says McPherson.

“I'd never lived here, spent any extended time here. So I tried to learn everything I could to prepare myself.”

Contrary to what McPherson believes, says Rhonda Singer, president of the Progress Career Planning Institute in Scarborough, professionals who move to Canada don't always prepare as well as they could.

“We researched to find out where these professionals got their information before coming to Canada ,” Singer says. “And we discovered that the number one source is friends and family.”

The problem with this, she adds, is “friends and family are not up-to-date on the Canadian labour market.”

Researching Canada from afar has never been easier, thanks to a vast reservoir of online information. Citizenship and Immigration Canada's website (cic.gc.ca), for example, includes a step-by-step Newcomer's Guide at cic.gc.ca/english/new comer/guide/index.html.

However, online research will only do so much. If possible, Singer says, professionals considering a move to Canada are wise to visit the city in which they hope to live. “Try to make some connections in your professional association,” she advises. “Gather as much information as you can and take it home with you to absorb later.”

Another reason to visit, according to Josh Frohwein, who says he interviewed hundreds of immigrants while working as a recruiter, is to “find out if you can handle our famous Canadian winters, especially if you come from a hot country where you have never seen snow,” he writes. “You may find that Canada is not for you, but it's better to learn it by way of a vacation.”

Community Resources : Literally hundreds of community service agencies specialize in helping new settlers. For a list of some of them, go to cic.gc.ca/ english/newcomer/welcome/ wel-20e.html.

Many who work in these agencies are immigrants themselves. They provide counselling, workshops and access to computers as well as referrals to language training, credential assessment, mentor programs and employment services.

They also offer moral support. “When I was at my lowest, feeling so dejected and rejected, they would call me or email me,” McPherson recalls. “It meant a lot, having people say, ‘You can do it'.”

Realistic Expectations : Despite published projections of skills shortages, Canada 's labour market is highly competitive and it takes time to find a good job.

“It can be hard for Canadians to find work,” Singer points out. “I know senior people, professionals, who take six months to a year, and they at least understand the system, know the associations and have some sort of framework.”

It's also true, Frohwein notes, that “no experience, no job” is a common refrain in the Canadian workplace.

Everyone starting out hears it, he says, even those born and raised here.

Patience : Prepare for a lengthy transition process, advises Daisy Wright, author of No Canadian Experience, eh? (WCS Publishers) nocanadianexperience- eh.com.

People like McPherson, “who take advantage of all available resources, who have goals and a sense of how to get there and who persevere, usually find their way in two years,” says Wright, a career specialist and an immigrant herself.

And it can take longer, she acknowledges, for immigrants who have to learn the language or who find themselves in a prolonged certification process.

Attitude : “At first, I was angry and disappointed,” says Mc- Pherson, of her early days in Canada when no one seemed willing to give her a chance. “But then I stepped back and realized that pushing back on the system would not get me anywhere, because the system was not going to yield to me. I realized that I had to get inside the circle and understand the system to move ahead. And that's exactly what I did.”

Survival Jobs : Getting inside the circle, as McPherson calls it, often means taking what's known as a “survival job.”

“Since I couldn't get in at my level, I took an entry level job in a retail telecom store,” she explains. “I walked in, asked if they were hiring, met the manager and in a week I had the job. I stayed there for nine months, because I realized that there was something I had to learn.”

Among the lessons learned, she says, was an understanding of the social niceties that dictate the success or failure of workplace relationships, a clear sense of Canadian consumers and how business is done in this country. “It's a whole different ball game than I was used to,” she admits.

The Experience Advantage : One problem with survival jobs, Singer says, is “that once you have positioned yourself at the low level, it's very hard to build your way back up.”

McPherson has seen this first hand. “I know people who've taken a survival job and become stuck,” she says.

“You're afraid to let go of what you have. You start to figure that this is all you can do. Your self esteem drops and drives out all the ambition you came here with.

“I didn't have any intention of doing that,” she adds, emphatically. “Once I learned what I needed to learn, I quit my job. I was unemployed for five months. But this time the responses were completely different. I got calls from employers because I had some experience with a reputable company. “I learned that once you add some Canadian experience to your resumé, doors will open.”

McPherson is now an immigrant success story. She works as a business development officer with “a fantastic organization,” she says. “I love it, although it's still not at the level I should be, given my background. But now I'm on the inside looking out.”

In my next column: Helping and welcoming internationally educated professionals.

Janis Foord Kirk is a public speaker and author of Survivability, Career Strategies for the New World of work. Write to her c/o Business, the Toronto Star, 1 Yonge Street, M5E 1E6 . E-mail: janis@survivability.net

24.5.07

Projeto BRASIL MOSTRA TUA CARA

Saber quantos brasileiros estão vivendo na província de Ontario. Este é o objetivo do estudo que está sendo realizado através da University of Western Ontario e coordenado pelo Centro de Informação Comunitária Brasil Angola.

O projeto chama-se BRASIL MOSTRA TUA CARA e visa coletar informações sobre os brasileiros que moram na província de Ontário. O motivo da pesquisa é que até hoje não se tem nenhuma informação clara sobre quantos somos, onde moramos, o que fazemos, etc.

Portanto, se você mora na província de Ontario ou conhece alguém que mora mande um e-mail para seu amigo e fale desse projeto. O objetivo é coletar no mínimo 1000 participantes.

Saiba mais sobre o projeto clicando neste link:
http://centrobrasilangola.org/brasilmostratuacara/chamada.asp

Eu já fiz a minha parte respondendo a pesquisa e reproduzindo a divulgação por aqui. Colabore você também!

23.5.07

Viagem à Ottawa e o presente da Rainha




Segunda que passou foi feriado nacional no Canadá em comemoração ao aniversário da Rainha e lá fomos nós para Ottawa à convite dos nossos amigos e vizinhos Liliane e Rafael (ótima pedida casal! Adoramos viajar com vocês!).

Em oito meses de Canadá, esta foi a nossa primeira viagem pelo país que resolvemos chamar de casa e depois de tanta ralação e tensão (eu principalmente estou em um momento de transição do trabalho de graça (co-op) para o possível primeiro salário. Aguardem próximos capítulos) ter Ottawa linda aos nossos pés debaixo de dias cheios de sol e rodeados de tulipas é o que eu poço chamar de um verdadeiro presente dos deuses!

Agora presente mesmo nos deu a Rainha Elizabeth. Sim, ela mesma. Como estávamos visitando o Parlamento Canadense exatamente no dia em que o país comemora seu aniversário, ela permitiu que todos os visitantes daquele dia fotografassem a biblioteca do Senado! Se você é como eu que não pode ver um livro que pira e ama uma biblioteca então vai entender o meu êxtase quando entrei lá! Para mim a biblioteca é o auge da visita ao Parlamento mas todo o resto vale muito à pena também.

Outra diversão à parte da viagem foi que ficamos hospedados em um Holiday Inn em Gatineau (na províncea de Quebec à 2.5 km do centro de Ottawa em Ontário) e a todo momento atravessávamos a fronteira entre as duas provínceas.

É surreal como a gente cruza a fronteira e estamos em outro "país", outro idioma, outra cultura e tudo. Aí aproveitamos para comer nos bistros e restaurantes totalmente influenciados pela cultura francesa para sofrimento do pobre do Maurício – único de nós que não fala francês – e das garçonetes. Deixamos as pobres loucas pois eu, o Rafael e a Liliane falávamos em francês, elas respondiam e aí vinha o Maurício falava em inglês e elas voltavam em inglês.

Nos divertimos muito com o troca-troca do idioma e com o figura do meu Marido. Aí para compensar o Maurício fomos visitar o Museu de Guerra (justamente no único dia nublado e chuvoso do feriado) que ele tanto queria ver. O meu marido ama história de guerra, lê tudo e parecia uma criança naquele gigante museu! Jesus! Passamos 4 horas lá dentro para andar os 4 pavilhões e saí de lá zonza de tanta informação.

Para quem gosta de história e principalmente história das guerras do mundo o museu vale muito à pena, é bem interativo e tem muito arsenal. Até o carro do Hitler apreendido pelo exército Americano está lá.

O Rideau Hall (residência da Governadora Geral do Canadá) também é um passeio muito interessante. Só os jardins com mais de 10 mil árvores (muitas delas plantadas por políticos do mundo todo. Até o FHC plantou árvore lá) em torno da residência valem o passeio mas também entramos na residência da Governadora em um tour (de graça) muito interessante.

Além de termos passados dias agradáveis com nossos amigos, voltamos para casa com um conhecimento muito maior sobre a história e o funcionamento do sistema político Candense. Amei!

E esta foi a viagem das curiosas coincidências. Na ida, ao pararmos na estrada para o café da manhã, encontramos a Ana Célia, o Alessandro e o Henrique no Tim Hortons. No jantar, no mesmo sábado, eis que estamos sentando em uma das duzentas mesas do MarketPlace no centro de Ottawa e ao mesmo tempo sentam ao nosso lado os nossos vizinhos Luci e Rogerio e Carol e Fernando. Eita mundão de deus pequeno! Eita feriado inesquecível...

16.5.07

Um ano de Era do Gelo

Maio de 2006 não foi um maio qualquer em minha vida (digo minha pois as datas do Maurício foram outras). Há um ano eu pedia demissão do trabalho, começava o aviso prévio e criava este blog.

E pensar neste primeiro ano de "Era" me fez voltar lá para trás meio que em uma retrospectiva e sentir que, apesar de todos os sacrifícios e esforços devotados ao projeto, estou cada vez mais certa do que fiz. Neste maio também comemoramos 8 meses de Canadá e claro que temos altos e baixos afinal de contas seria mentira se dissesse que é fácil lidar com as consequências emocionais de "largar tudo" e começar tudo do zero, principalmente neste primeiro ano.


A Luly bem escreveu certa vez em seu ótimo blog que para realizar este sonho de imigrar nós primeiro temos que dar alguns passos para trás para só depois de algum tempo (e aí varia de pessoa para pessoa mas em média pelo menos de um a dois anos eu diria) darmos os passos para frente novamente. Digo materialmente e profissionalmente falando pois em qualidade de vida demos zilhões de passos para frente sem dúvida nenhuma.

Aí lembrei-me do que gostaria de compartilhar com aqueles que estão se preparando aí no Brasil para este gigante projeto. O verdadeiro dia "D" do imigrante acontece quando se pede demissão (no meu caso de um ambiente de trabalho que sempre gostei muito e não tinha a menor intenção de deixar tão cedo não fosse o sonho maior de estar aqui) . Aí sim oficialmente começa a saga e a "ficha cai". Daí o nascimento do "Era" em maio de 2006.

Este blog nunca teve e continua não tendo pretensão nenhuma de ser algo didático ou até o que se pode considerar uma prestação de serviço. O Era nasceu da combinaçao entre a minha paixão por escrever e a praticidade em deixar os familiares e amigos informados sobre nossa vida no Canadá. Portanto, aqueles que vem me acompanhando neste tempo já devem ter percebido que realmente se trata de um "diário" (no formato e não na frequência) onde eu venho aqui ao menos uma vez por semana escrever um pouco sobre meus sentimentos, sacrifícios, momentos e afins.

Hoje, o que começou como o meu "querido diário" acabou por me proporcionar uma deliciosa experiência em receber comentários e até mesmo elogios de pessoas que eu sequer conheço. Além de poder ter conhecido pessoalmente os novos amigos daqui. Gostaria de aproveitar o primeiro aniversário do Era para agradecer aos carinhosos comentários e elogios que recebo sempre.


E quando perguntada se ao deixar tudo para trás no Brasil (trocando o certo pelo incerto) não deu uma pontinha de dúvida quanto ao que estávamos fazendo a resposta só pode ser uma - Dar, até deu mas não queriamos viver nossas vidas com a insuportável presença do "SE"... Fizemos um trato de não chegar aos 60 um olhando para o outro tentando imaginar como teríamos nos saído se tívessemos feito o que realmente queriamos enquanto ainda tinhamos força e juventude para tal! E isso é o que nos mantêm firmes e fortes na nossa luta por aqui, não carregamos o SE conosco!

10.5.07

Conhecendo a MPC

Mesmo antes de deixar o Brasil, já curtia e conhecia um pouco de MPC mas agora que moro no Canadá ficou bem mais gostoso e fácil entrar em contato direto com bons nomes do gênero.

E antes que alguém pense que estou falando sobre algo de comer, vou logo explicando que MPC é o apelido carinhoso que dei para denominar todo cantor (a) e banda de origem Canadense, vulgo Música Popular Canadense.

Ainda em solo Brasileiro ouvia alguma MPC mas sempre aquelas mundialmente conhecidas como Avril Lavigne (meu lado adolescente skatista de ser) e Rush (o Rock'n Roll que nunca morre dentro de mim).

Sem falar em uma das minhas bandas favoritas (muito famosa aqui em Toronto - afinal os caras são daqui - mas muito pouco conhecida no Brasil) que me foi apresentada pela Bruna : o Barenaked Ladies (Bruninha, sempre levarei comigo suas deliciosas sugestões musicais de bandas antes para mim desconhecidas e mais alternativas. Até hoje quando quero me animar ligo o som bem alto no Millencolin e é tiro e queda!).

Sim, sou com música assim como sou com culinária, cerveja e povos do mundo - adoro experimentar/conhecer. Mesmo que seja para depois chegar à conclusão que não é para mim. E foi em uma de minhas andanças pelos bastidores da TV Canadense que tive o privilégio de conhecer a Feist (cantora Canadense dona de uma voz de veludo que acaricia os ouvidos!) e assistir à passagem de som que ela fez com sua banda para entrar ao vivo no Breakfast TV (acordar às 5 da manhã para trabalhar tem suas vantagens!).

O som da Feist é para quem curte uma mistura de jazz, bossa nova e algo que chega perto de um indie rock. Embora alguns críticos tenham dito que no álbum Reminder (lançado no país todo esta semana, daí a ida para a TV) há muitas músicas que os amantes do gênero chamariam de mais suaves e os que já não gostam muito diriam que dão sono (tudo é uma questão de interpretação e gosto), eu gostei bastante da moça - digo do som dela e sua banda.

Quem gosta de Norah Jones (Leslie, adivinha em quem eu pensei enquanto assistia a passagem de som?) certamente vai gostar da Feist. Fica a dica de mais uma MPC para os leitores do Era que também é cultura - totalmente parcial mas é! Bom fim de semana à todos!



6.5.07

Nos bastidores da TV Canadense

Esta semana está fazendo dois meses e duas semanas que estou trabalhando na Parallel Communications (agência de comunicação e assessoria de imprensa no Brasil e Public Relations agency por aqui). Profissionalmente falando, a experiência tem sido muito valiosa pois embora o trabalho em si seja o mesmo que exercia no Brasil, o conhecimento da mídia canadense e dos contatos que surgem com ele só acontecem trabalhando por aqui.


E por conta de ossos do ofício, já comecei as minhas andanças pelos estúdios de TV Canadense acompanhando cliente em gravação de entrevista/matéria. Em dois meses de trabalho acompanhei três produções em duas emissoras diferentes.Todo assessor de imprensa sabe como isso é natural e parte rotineira do trabalho. Entretanto, o curioso é que no Brasil como a minha carreira nos últimos 4 anos estava mais focada para comunicação empresarial (dentro da Johnson & Johnson), o meu dia a dia estava muito mais ligado aos jornais de negócios e revistas de beleza.

Fiz muita TV quando trabalhei em agência mas sempre acompanhando a equipe no local do evento (os desgastantes links do Bom dia SP que tiravam todo assessor de imprensa da cama antes das 5 da manhã) mas isso há mais de 5 anos. O que está acontecendo aqui no Canadá é muita gravação e link (sim, aqui também já saí da cama 5 da manh para acompanhar cliente no BT ao vivo) direto no estúdio. Ok. Até aí tudo normal e rotineiro para o assessor de imprensa mas apenas para o assessor de imprensa.

Já havia me esquecido deste fascínio que a TV exerce nas pessoas, inclusive nos Canadenses. Uma das entrevistas ao vivo que acompanhei foi no Breakfast Television (o programa daqui que tira o assessor de imprensa da cama às 5 da manhã) em uma segunda-feira e por conta disso passei um e-mail avisando os professores do CanEX que faltaria da aula (durante o placement você precisa frequentar a escola toda segunda-feira ao invés de ir ao trabalho, ou seja, você trabalha 4 dias e vai para a escola 1) porque estaria em estúdio.

Pois bem, na segunda seguinte quando voltei para a escola fiquei sabendo que os professores tinham passado um aviso para a escola inteira (aqueles de auto-falante sabe?) informando que uma das "estudantes" estaria na TV. Resultado: tive que dar uma palestra sobre como tudo funciona em uma gravação no estúdio e tudo mais. Entretanto, o mais hilário mesmo foi a alegria e o entusiasmo com que os professores chegavam para mim e perguntavam: "Você conheceu o homem do tempo?? falou com o Frankie e com a Dina (os apresentadores)? Eu os assisto toda manhã!"

Pareciam crianças empolgadíssimas querendo saber todos os detalhes! E eu na naturalidade de todo assessor de imprensa respondi que sim que havia conversado com todos eles (confesso que por dentro estava também controlando a minha própria empolgação com tudo isso pois apesar de 8 anos fazendo isso no Brasil e conhecendo todos os famosos de lá também , agora é bem diferente em outro país, outro idioma, etc). Isso foi na primeira vez que fui para a TV.

Na segunda vez que fui para o mesmo programa, apareci em um rápido lance nos bastidores (os apresentadores tem mania de conversar com quem está nos bastidores - produção e assessores que estão acompanhando os entrevistados), o meu marido me viu na TV e falou no trabalho dele. Ah! foi o mesmo furduncio , a companheira de trabalho dele entrou na internet e baixou o video do dia. A TV realmente exerce um fascínio muito grande nas pessoas acho que por parecer algo meio inatingível, como se os apresentadores e repórteres destes programas não fossem humanos ou sei lá.