19.6.11

As duas pontas da vida

Naquela manhã de quarta feira eu voltei para casa pensando em como as crianças e os idosos são seres que estão em outro patamar. Bem mais próximos de Deus do que todos nós que já não somos mais crianças e ainda não somos idosos. Quando saí de casa pela manhã nem sequer imaginava que iria experimentar uma das mais ricas e restauradoras experiências da minha vida desde que aqui cheguei em terras canadenses.

O que era para ser apenas mais uma manhã de atividades com o meu filho se tornou um remédio para a alma. Seria a primeira vez que iriamos àquele centro. Até então frequentavamos, eu e meu querido filhote, todos os programas da biblioteca e do centro comunitário. Entretanto, o da biblioteca havia terminado e só voltaria após o término do verão, então fui atrás de outro. E uma busca no Google me levou até lá.

O lá era próximo. Muito próximo de casa. Questão de passos largos e, em 10 minutos, eu estava lá. Logo na entrada, estavam os vovôs e vovós canadenses do Arthur (sim, porque depois dessa experiência voltamos lá toda semana) para nos receber com um largo sorriso e brincadeiras com o Arthur. Lá dentro, em uma sala, nem tão grande que intimidasse e nem tão pequena que não fosse aconchegante, um grupo de mães e seus pequenos brincavam e conversavam, orientados por uma coordenadora do programa, como se estivessem em seus lares. A atmosfera era de puro entrosamento.

Comecei a conversar com as mães, enquanto o Arthur explorava os livros e brinquedos espalhados pelo chão, e fui percebendo que aquele grupo se reunia há anos! Uma estava lá desque que o filho mais velho de 3 anos nasceu, outra há cinco anos...O grupo, que se reunia em outros locais, agora segue a coordenadora e viaja quilômetros para se encontrar uma vez por semana.

Passados uns dez minutos ali, naquela atmosfera já muito agradável aconteceu a magia. Começaram a chegar, um a um, em suas cadeiras de roda ou andadores, os vovôs e vovôs canadenses do Arthur. Enquanto isso as atividades seguiam seu rumo, teve música, brincadeira, lanchinho, tudo como em uma escolinha. E os vovôs e vovós começam a interagir com o meu filho. Fiquei de canto, um pouco afastada dele, só vendo tudo anestesiada pelo remédio que a minha alma estava recebendo!

Uma das vovós só faltou colocar o Arthur no colo, brincava com ele e ele respondia com sorrisos e sinal de jóia para ela. Enquanto as outras crianças brincavam com os brinquedos, meu filhote se divertia com os vovôs e vovós e eu recebia um banho de acalanto e uma sensação deliciosa e quase mágica de puro prazer!

Que idéia simples e ao mesmo tempo tão genial! Colocar um programa para crianças para funcionar dentro de um asilo! Colocar em contato as duas pontas da vida (o início e o fim) parece fazer o tempo parar e tudo ficar pequenino! Quanta sabedoria no olhar de um idoso e quanta sinceridade nos olhos de uma criança! Pronto, a mistura perfeita para dar um remédio para a alma daqueles meros mortais, assim como eu, que estamos no meio do caminho tentando manter a sinceridade e a pureza da criança e adquirir a sabedoria do idoso!

Ponto para o governo de Ontario que traz qualidade para os programas desenvolvidos pelo Ontario Early Years Centres e ainda tem essa sacada de colocar um de seus centros para funcionar dentro do asilo.

13.6.11

Vovô Paulo



Com a proximidade do dia dos pais aqui no Canada (19 de junho) resolvi colocar esse vídeo do meu filhote para homenagear o meu pai querido lá no Brasil!

A todos os pais desse mundo a minha mais sincera homenagem e, em especial, o meu muito obrigado a dois homens muito importantes e que me deram os dois bens mais preciosos que possuo: um deu a minha vida (obrigada pai) e o outro me deu a vida do meu filho (valeu marido)!

Marido e Pai vocês são especiais!
Nós te amamos!
Paula e Arthur.

25.5.11

Cidadania canadense: o exame

Terça-feira que passou não foi uma qualquer. Marido e eu demos mais um importante passo em direção ao sonho de uma vida! Fizemos o exame para a cidadania canadense. Duas semanas antes, na minha caixa de correio, o envelope do departamento de imigração e cidadania do governo canadense me dizia que havia chegado a hora!

Aquele envelope eu não abri. Eu o destruí tamanha era minha ansiedade em ler o que ali dizia: " Notice to write the citizenship test" dizia o dito cujo. Uma hora da tarde do dia 24 de maio de 2011, prédio do governo canadense na St. Clair, centro de Toronto, eramos eu, meu marido e mais ou menos uns 50 e tantos candidatos à cidadania canadense.

Carteiras de grupo escolar e, à nossa frente, a mesa dos examinadores. Eram três: a sorridente moça dos cabelos longos e dentes tão brancos que seu sorriso não passava desapercebido, o muito educado moço careca que daria todas as instruções e uma outra não menos simpática e educada cidadã.

"Somos dois grupos hoje aqui..." Iniciou o moço careca enquanto eu não conseguia parar de pensar que era verdade! Sim, eu estava ali! "Um grupo das pessoas com mais de 55 anos de idade que serão chamadas primeiro para a conferência dos documentos e não precisam fazer o exame", prosseguia ele. "E outro de 18 a 54 anos de idade". Com isso deu-se inicio o que só terminaria as 3:30 da tarde.

Nunca estive tão feliz em esperar para cumprir uma tarefa. E a espera acontece devido a checagem de todos os documentos e a pequena entrevista que acontece individualmente, começando pelo grupo dos mais velhos. Uma vez checado os documentos de todas as pessoas na sala, processo que foi da 1 da tarde até as 3, dá-se início ao teste em si.

A prova é composta de 20 perguntas das quais precisamos acertar 15 em trinta minutos. Não é feita no computador mas sim com um livrinho de folhas de sulfite com as perguntas e você transfere as respostas para uma cartela semelhante a dos vestibulares (aquelas de pintar bolinhas com o lapis sabe?).

Para quem já mora no Canadá há mais de três anos (requisito mínimo para dar entrada ao pedido de cidadania), assiste TV e ou lê jornal, além de ter lido o study guide não deve ter grandes dificuldades na prova. Além disso, os simulados online como esse aqui ajudam a praticar um pouquinho se achar necessário.

Fora isso, é fazer o exame, esperar a carta verde (a que recebemos para convocar para o exame é pink e a de aprovação é verde) e ser convocado para a cerimônia de entrega da cidadania. Segundo o examinador, a carta deve chegar em no máximo dois meses. E é isso que estou fazendo agora, esperando a carta verde.

Lembram do moço careca? 3 e 20 da tarde quando eu entregava a minha cartela de respostas e já me preparava para sair ele vira para mim e susurra (para não atrapalhar o povo que ainda fazia o exame) "Então quer dizer que você é brasileira! Você sabe fazer pão de queijo?" Digo: "Sim, mas como você sabe?" Vira o simpático moço careca e responde: "Sou português e adoro pão de queijo"..

E assim foi minha grata experiência ao fazer um dos testes mais importantes, mas nem por isso um dos mais difícieis, da minha vida! E que venha a carta verde!



13.5.11

caderno, estojo e caneta na mão.

Estojo? Caneta? Caderno? Ok pessoal, eu sei que em plena era digital em que estamos todos conectados aos nossos laptops, notebooks e smartphones eu devo ser um dos poucos seres estranhos que, ao ir para a escola, adoro meu estojo (de preferência cheio de canetas coloridas) e meu velho e bom caderno!

Claro que tambem fui pega pelo bichinho das redes sociais e dos smartphones (esse e um capitulo a parte que vai render outro post)! Mas não ao ponto de abandonar meus queridos caderno e estojo colorido para ir a escola. Mas espera um pouco...Ir para a escola?

Criar um filho, cuidar da casa, do marido, do corpo, do lazer e ainda nas horas vagas escrever por puro deleite ja não esta mais do que suficiente para me manter ocupada? Aparentemente não e la vou eu para a escola de novo. Começo meu curso em 2012 então mais para frente conto mais detalhes por aqui pois esse vai ser meio que um divisor de aguas na minha saga "imigrante tentando achar o seu caminho em meio a PEA (vulgo população economicamente ativa) " episodio 1289.

Por hora passei para dar a dica de uma excelente ferramenta para quem vem para o Canada e quer fazer um "college". Melhor dizendo para quem vem para a provincea de Ontario. O portal Ontario Colleges vale muito a pena mesmo que seja apenas para estudar as alternativas e entender o sistema dos colleges que por aqui sao muito famosos e valorizados.

Outra boa fonte para entender melhor o sistema (inclusive no item ajuda financeira para estudar) e o site do Ontario Ministry of Training, Colleges and University. Lembro de quando cheguei por aqui nos idos de 2006 e, pela primeira vez, fui procurar o meu primeiro curso em terras canadenses. Fiquei um bom tempo so tentando entender como funcionava o sistema.

Ok pessoal. Ambas as ferramentas sao online e acesso pelo meu laptop ou ate mesmo via meu "smartphone". Sou muito online sim e adoro o que a internet fez com nossas vidas. Ainda assim, na hora de anotar o que o professor diz, não dispenso o meu bom e velho caderno e minhas canetas coloridas! Então caderno, estojo e caneta na mão e vamos estudar!

*PS - o acento agudo do meu teclado desapareceu! Que aflição escrever assim mas o dia que ele voltar corrijo o texto.










18.4.11

Centros Comunitários

Lá se vão quatro anos e meio vivendo no Canadá e sempre morando bem pertinho dos Centros Comunitários (os "community centres" como eles chamam aqui:)! Percebi que não consigo mais morar longe dessas maravilhas que são um verdadeiro complexo de biblioteca, piscina, salas de ginástica e muito mais.

Há três semanas nos mudamos de Toronto para Mississauga e, ao procurar a nova casa, coloquei como prioridade ter um desses centros à uma distância que eu possa ir à pé de casa. E assim o fiz! Os últimos quatro anos morei a cinco minutos à pé do North York Civic Centre que virou minha segunda casa! Mesmo antes de o Arthur nascer eu não saia de lá tanto para atividades como palestras quanto para biblioteca. Depois que o Arthur nasceu então passava mais tempo lá do que em casa mesmo!

Mudei de casa, de cidade mas não de estratégia. Hoje estou à dez minutos à pé do Erin Meadows Community Centre. E novamente minha segunda casa. É lá que levo o Arhtur toda semana para o "Storytime" , é lá que empresto livros, vou à biblioteca, levo o Arthur para a natação e é lá que faço as minhas aulas de Cardio Kickboxing, encontro pessoas, faço amigos.

E o melhor de tudo é que faço tudo ou por um preço bem acessível ou gratuitamente como acontece com várias atividades. E a qualidade das instalações e dos programas é garantida! Não é para se apaixonar? Eu mudo de endereço mas os centros comunitários vão comigo para minha felicidade!

31.3.11

Pão Francês

Não acreditei. Fiquei perplexa. Passada mesmo, acho que de tanta felicidade e cansaço ao mesmo tempo! Cansaço porque aquele era nosso primeiro sábado (digo dia) na casa nova e eu só fazia desempacotar mudança (ainda estou fazendo mas bem menos). Felicidade porque o marido trazia da rua o meu amado, delicioso, gostoso e imbatível Pão Francês!!!!

Naquele dia faltou apenas a mortadela no meio dele (o meu querido pãozinho) mas foi queijo branco mesmo e eu me ludibriei dizendo a mim mesma que era mais saudável. Ok, saudável mas não mais gostoso. Enfim, quando dei a primeira mordida o meu paladar quase não acreditou que estava de fato comendo um verdadeiro pão francês, não um fajuto como muitos que já vi por aqui.

Aquele mesmo, sagrado de toda manhã e que, desde que nos mudamos para o Canadá, perdeu lugar para o famijerado pão de forma, que tem lá seu charme mas nunca vai chegar perto de um real e legítimo pão francês. Esse sim, vai bem com tudo!

E quando pensava que minha felicidade estava completa o marido me traz a informação que ao atravessar a rua, em nosso novo endereço, há uma padaria de verdade! Não um Tim Hortons nem um Starbucks, uma P - A - D - A - R - I - A! Coisa dos Portugueses que aqui habitam graças a Deus!

O nome do paraíso na face da terra? BRAZIL BAKERY:) Eu sei, engraçado mas não importa. Aliás se pararmos um pouquinho para pensar vamos perceber que o conceito da padaria brasileira foi mesmo trazido pelos Portugueses, então no frigir dos ovos as padarias brasileiras são na verdade de origem portuguesa, mas como disse não vamos brigar por isso vamos é aproveitar que depois de tanto tempo vou poder abandonar o famijerado pão de forma e voltar para o meu lindo, delicioso e tudo de bom pão francês . Bom sem contar nas coxinhas, nos bolinhos de bacalhau e nos diversos outros tipos de pães que há ao meu alcance agora.

Tudo bem vai, acho que isso de ter padaria de verdade do outro lado da rua não vai prestar. Só não estou mais preocupada porque agora tenho lances de escada para subir e descer o dia todo e um filho de um ano e 3 meses que mais parece uma maquinha de sugar energia da mãe dele! Então tá tudo certo:)

Detalhe, quando viemos ver a casa para alugar nem sequer percebi que havia esse oasis do outro lado da rua!

18.3.11

Não entendo.

Lendo a Macleans da semana passada me deparei com uma matéria interessante e que diz respeito à realidade de muitos imigrantes. Aliás, tudo fica mais curioso quando nós mesmos somos objeto de observação. Não acham? Sempre que leio algo sobre o assunto, o faço com mais propriedade e me sinto melhor preparada para chegar a uma conclusão, uma vez que eu mesma sou uma imigrante.

Na realidade, a matéria em questão fala sobre pessoas que se casam com alguém de nacionalidade diferente da sua e que, por razões óbvias, decidem morar no mesmo país do cônjuge. Ilustra o caso de uma britânica que resolveu vir morar no Canadá para ficar ao lado do noivo canadense. Tudo bem que essa não é exatamente a minha realidade, pois meu maridinho é "made in Brazil" mesmo:) mas o que achei interessante compartilhar, principalmente com aqueles que estão chegando (independente de casados com canadense ou não), é a história da britânica que, advogada em seu país de origem, aqui só conseguiu até hoje ser recepcionista de um escritório de advocacia.

Não há demérito nenhum nisso, mas o ponto que gosto sempre de enfatizar é que o fato de ser casada com canadense, e, principalmente ter um inglês fluente (inquestionável no caso de uma britânica) não lhe garantiu o emprego no nível que ela imaginava e-ou merece. Como ela mesma cita na matéria, na época que chegou o que o Canadá precisava mesmo era de motoristas de taxi e "dançarinas exóticas (ops)". Tá já sei, ela é advogada e precisa estudar as leis canadenses blablabla... ok precisa sim, mas a ferida é muito mais profunda que isso e esse é só um exemplo "meigo" comparado a outras realidades bem mais duras.

Digo e repito não para desencorajar ninguém mas sim para dar forças. Até porque, não raras vezes, os recém-chegados sentem-se depreciados por conta do inglês que falam ou até mesmo em razão das "lavagens cerebrais" que são maquiadas em meio aos cursos oferecidos (pelo governo) ao imigrante e que fazem muita gente boa se sentir depreciada ao chegar aqui. Mas isso é assunto para uma série de posts que pretendo fazer um dia...Apesar de eu não ser mais uma recém-chegada há coisas que vivenciei quando aqui cheguei que faço questão de registrar um dia para ajudar outros a entender melhor o "sistema".

Saber do real cenário significa ter mais ciência do que está fazendo e mais forças para lutar. Afinal, como sabiamente escreveu Clarice Lispector: "Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras..."

Sempre achei , e continuo achando, que mais transparência por parte das instituições canadenses no que o imigrante, em sua grande maioria, vai de fato encontrar quando chega não machucaria ninguém! E matérias como essa, ainda que pontuando casos mais específicos, acabam dando uma pequena idéia do que realmente acontece. Pequena. Até porque parafraseando Clarice Lispector novamente: "...Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais, mas pelo menos entender que não entendo..."

10.3.11

Mudança à vista.

De repente me vejo rodeada de caixas por todos os lados. Dia desses quase perdi meu filho em meio a tantas caixas:) Os tiozinhos que descarregam as frutas e legumes no mercado da vizinhança já ficaram meus amigos. Todo dia apareço por lá e pego 4 caixas com eles. É o que consigo carregar, além do carrinho e do Arthur:) De grão em grão...

Ontem o meu filho parecia um retirante voltando para casa. Era caixa por todos os lados do carrinho dele, oh dó! Há uns dias que, ao chegar por volta de oito horas da noite, sinto meu corpo todo reclamar. Parece que carpi o dia todo na roça de tanto que tenho trabalhado por aqui. Afinal apesar de já ter me mudado algumas vezes, essa é a primeira que me mudo com um pequenino junto. O trabalho físico é dobrado mas estou feliz, muito feliz! Como nunca estive... Vamos nos mudar!

Dezenove de março é o dia ! Dormiremos inverno, acordaremos primavera. Quão romântico, inspirador e renovador é isso? Essa não é uma mudança qualquer. Não apenas uma mudança física, de um prédio para uma casa. Trata-se de mudança de espírito, de luz, de energia. Afinal, após 15 anos morando em apartamento vou finalmente voltar para uma casa!

Que delícia! Vamos morar em uma daquelas casas dos filmes que eu assistia quando menina e sempre dizia ao meu pai que quando crescesse moraria em uma delas. Em meu imaginário de menina as casas que via nos filmes americanos (sem muro e sem portões) representavam toda a liberdade que habitava o meu ser. Eu cresci, casei, imigrei, gerei um sonho (meu filho), tenho saúde e uma família linda! O que mais posso querer? Que cada um que me lê agora, ou melhor, que cada ser que habita o planeta terra, sinta a mesma felicidade que estou sentindo. Apenas isso.

Ah, vamos morar em Mississauga, em uma casinha honesta e compacta (do jeito que eu queria, afinal sou eu mesma quem faço a faxina:) nessa região aqui.

22.2.11

Quarta melhor do mundo

Há quatro anos e meio adotei Toronto como a cidade do meu coração, a minha cidade. Assim como havia aprendido a amar São Paulo, com seus problemas e encantos, aprendi a amar Toronto também com suas belezas e desafios.

Adotar uma cidade e aprender a amar o lugar onde moramos é algo que nem sempre acontece da noite para o dia. Agora que fica mais fácil quando moramos na quarta melhor cidade do mundo, segundo levantamento do Economist Intelligence Unit, ah isso fica! Toronto aparece em quarto lugar perdendo apenas para Vancouver, também no Canadá, Melborne e Viena.

O interessante é observar que das 10 primeiras colocadas, 7 são cidades da Austrália e do Canadá e ambos são os únicos países no mundo que possuem um programa oficial de recrutamento de imigrantes mundo afora. Deve ser por isso que nós imigrantes abrimos mão de tanta coisa e encaramos tanta luta (porque não é fácil se estabelecer em outras terras), ou seja, em nome de toda essa qualidade.

É, parece ser uma troca que tem dado certo. Os governos (no caso da Austrália e do Canadá) entram com as melhores cidades para se viver no mundo e nós imigrantes entramos com muito suor, sangue (sim, porque literalmente damos o sangue para nos inserirmos na sociedade escolhida) , lágrimas e....o privilégio de viver em uma dessas cidades com muita qualidade de vida.

Parabéns Toronto! Parabéns Canadá!

16.2.11

Prazo de validade vencido

Venceu o meu prazo de validade para morar em apartamento. É gente! A sua lata de sardinha e o seu pão não possuem data de validade? Nós também...bem, eu pelo menos tenho e o meu venceu, expraiu, expirou, enfim acabou mesmo!

Na verdade não é de hoje que venceu o meu prazo para morar em apartamento, mas antes de ter filhos (e no meu caso um filho muito ativo e moleque graças a Deus) vamos adiando, adiando, adaptando, "gambiarrando" (gerundio para a ação de fazer gambiarras:) O bom e velho empurrar com a barriga. E quando você mora onde moramos há quatro anos aí sim que você vai adaptando mesmo. O lugar vale o sacrifício!

Moramos no paraíso dos pedestres! Explico: moro em uma região onde tudo, mas absolutamente tudo mesmo está ao seu alcance a pé, sem precisar de carro (o que para mim é o paraíso)! Ah, se há alguma coisinha que vc precisa fazer e que não está aqui aos seus pés, há duas (eu disse duas) estações de metrô a cinco minutos à pé! Ou seja, é o paraíso para quem, como eu, detesta depender de carro para fazer tudo e adora caminhar! Paraíso caro é verdade, mas o paraíso. Paraíso onde espaço é luxo! E eu preciso de espaço, meu prazo venceu gente!

Para se ter uma idéia do que estou falando, dê uma fuçada no Walk Score (um site muito legal que descobri agora nas minhas pesquisas por casa para morar). O site mede a "walkability" (ou seja, o quanto você pode fazer tudo à pé ou não) de um endereço. A ferramenta é muito útil para procurar um novo endereço para morar. E para o meu atual endereço ele dá "Walker's paradise", em uma escala de 0 a 100 o meu atual endereço alcança 97! E é de fato o paraíso nesse sentido.

Bem mas chegou a hora de trocar o paraíso do pedestre por mais E-S-P-A-Ç-O porque senão daqui a pouco vamos ter que sair do apartamento, eu e o marido, para o Arthur morar sozinho com toda a tralha que acompanha uma criança:)

No momento estou naquela parte chata de procurar uma casa para morar mas ja já acho nosso novo canto e claro que sei que vou trocar o paraíso do pedestre por algo um pouco mais dependente do carro (afinal a cultura da américa do norte é muito centrada no carro então não há como fugir muito disso se quiser morar em casa dentro do seu orçamento por aqui). Mas há sim como achar o meio termo e eu estou encontrando isso em Mississauga que ainda de quebra vai ficar bem mais perto do trabalho do marido. Tenho visto casas por lá onde chego em uma escala de 57, 60 no Walk Score, o que dá algo como "somewhat walkable" pagando o mesmo aluguel do nosso apartamento aqui com muuuuito mais espaço!

Enfim, e dá-lhe pesquisa, dá-lhe andanças... pois até o final de março vamos mudar e eu não vejo a hora! Já sei gente, vou tirar neve de frente da calçada, vou ter mais espaço para limpar mas vou também ter mais armários, quintal , jardim, horta e tudo que tiver direito e que já estava com muuita saudades desde que saí de uma casa, no interior de São Paulo, para ir para faculdade na "capitar" e onde começou a minha longa estrada de morar em apartamento. Afinal são 15 anos morando em apartamento para agora, finalmente, voltar às origens e curtir muito o meu novo momento casinha, maridinho e filhinho com um quintal para cuidar! Estou muito feliz e queria dividir esse momento com todos. Assim que achar a minha casinha volto aqui para contar. Agora embora pesquisar.

31.1.11

Voltei

Após uma temporada literalmente fora do ar, volto para o meu querido blog. Estive fora uns dias é verdade, entretanto, estava eu vivendo momentos deliciosos, marcantes e especiais de nossas vidas junto de pessoas muito queridas em um momento chamado férias!

Teve férias no Brasil com direito a batizado do Arthur, festa de aniversário de um ano do meu filhote, passeio em parque aquático, casa de vó, pastel, chuva tropical, torrencial, humidade extrema do ar, calor quase impraticável, filho com pipocas na pele de tanto transpirar e mãe doente por conta do calor, mas teve também muito aconchego, filho feliz em meio a tantos tios, primos, vovôs e vovós...

Teve comilança, quebra de rotina, festa, bate papo, café da tarde na tia, mergulho na piscina do cumpadre, filho aprendendo a falar GOL de tanto que o vô assiste canais de esporte, presença de amigos queridos e de longa data, riso, choro (de emoção no batizado do filhote)... Enfim, de tudo um pouco!

Há uma semana voltei para casa. Ah, que bom voltar! Sempre digo isso e repito, passear, viajar, férias, casa de mãe, tudo isso é muito bom sempre, mas voltar para casa é melhor ainda! Sempre achei também que as férias, ou qualquer outro período sabático que queira, servem justamente para valorizarmos mais ainda nosso estilo de vida, nossa rotina. Ah, a minha rotina que bela companheira é ela! Gosto de quebrar de vez em quando claro (e para isso servem as férias) mas voltar e reestabelecê-la (a senhora rotina) não tem preço!

Então, em sendo esse o primeiro post de 2011 aproveito para desejar um feliz ano para todos que me leem e desculpar a ausência longa mas eu estava muito ocupada quebrando a minha rotina:) E agora que ela se reestabeleceu, fica bem mais fácil voltar aqui e escrever, pensar, divagar, contar, concluir ou apenas desabafar!

Um excelente ano a todos que me leem!

27.11.10

Férias no Brasil

Passei para contar que em cinco dias eu e o Arthur (marido vai depois) embarcamos para a nossa temporada de férias no Brasil. Como volto só em janeiro, esse blog deve ficar um pouco às moscas por uma "ótema" causa!

Desde que me mudei para o Canadá, em setembro de 2006, nunca mais passamos o natal no Brasil, ou seja, eu já estava totalmente acostumada ao natal branco, com muita neve e gelo. Esse ano vamos mudar um pouco a paisagem. Vai ser uma festa só! Vamos batizar o Arthur, vai ser a festa de um aninho dele tudo em volta de muita gente querida.

E como já estamos em ritmo de férias de verão, queria dividir com vocês esse video dessa criança que vimos semana passada no Fantástico. Tudo de bom o figurinha que se acalma com reggae!

E viva as férias, o verão brasileiro, o sol, a praia, o pastel, bohemia gelada, restaurante por quilo, a picanha do Juarez, pão de queijo, chuva tropical, bolinho de chuva, o quintal da vó, a conversa jogada fora, manicure toda semana, comida de mãe, os amigos, a família e tudo de bom que vem junto!

11.11.10

Honrando o sacrifício no serviço militar

A semana de 5 a 11 de novembro aqui no Canadá é dedicada a honrar homens e mulheres que sacrificaram suas vidas no serviço militar. Hoje, em especial, dia 11 do mês 11 as 11 horas, dois minutos de silêncio são observados em todo o país para prestar tributo aos homens e mulheres que deram suas vidas na primeira guerra, na segunda guerra mundial, na guerra da Coreia, no conflito do Afeganistão e em missões de paz. Também conhecido como dia dos veteranos nos EUA, o tributo foi introduzido em 1919 e marca o fim da primeira guerra mundial que aconteceu, um ano antes, as 11 horas do dia 11 de novembro.

Desde o meu primeiro ano aqui no Canadá, em 2006, faço questão de acompanhar o desfile e a cerimônia dos veterenos e militares e sempre me emociono muito. Entretanto, esse ano foi diferente. A emoção foi maior ainda. Em primeiro lugar, quanto mais tempo você vive em uma sociedade, mais você se insere em sua cultura, hábitos e costumes (e essa data é definitivamente muito importante por aqui). Há quatro anos acompanho pela imprensa e no cotidiano os episódios envolvendo militares canadenses.

Outro fator, acredito, é que agora sou mãe de um canadense (brasileiro-canadense melhor dizendo), levei o Arthur para o desfile e a nossa querida vizinha Kati colocou uma poppy no peitobdele. A poppy (uma florzinha vermelha) é o maior símbolo desse evento e toda a imprensa, cidadão, enfim, muita gente usa o símbolo durante essa semana.


Esse ano, além de ter sido o ano do nascimento de nosso pequeno, foi também o ano em que demos entrada na cidadania canadense. Todos esses motivos contribuiram sem dúvida para que eu me emocionasse ainda mais em relação aos anos anteriores mas acho que o maior deles foi ter visto nosso queridíssimo amigo e vizinho Peter liderando o 48th Highlanders of Canada! Que orgulho sentimos Peter e Kati queridos, em poder ter participado desse momento. Uma honra sem tamanho! (*O Peter é o da esquerda do seu monitor na foto).


Dessa maneira, não poderia deixar passar em branco e registrar aqui o meu mais profundo respeito e admiração, não só pelo nosso querido Peter mas por todos aqueles que honraram e que honram o sacrifício no serviço militar canadense. "Lest We Forget".

5.11.10

Atomic Tom

Estava zapeando na TV hoje a tarde enquanto o Arthur dormia e eis que me deparo com essa cena incrível! Os caras tocando com seus iphones no metrô de Nova Iorque.

Adorei a música e claro que a cena por si só é bem megalomaníaca pós moderna. Hoje, no mundo dos apps e mp3s da vida, tudo isso acabou virando banal mas sempre paro para pensar que loucura é essa que se transformou esse mundo mega tecnológico!

Divagações à parte, adorei o som do Atomic Tom! Ah, e os caras foram bem criativos em fazer isso pois dessa maneira fui fuçar, saber que a banda existe e cá estou eu falando deles. Bem sagaz!

12.10.10

4 anos no Canadá - parte IV (final)

Estava devendo a quarta parte dos slides das 300 imagens que selecionei nesses quatro anos de Canadá. O meu quarto ano aqui será também sempre lembrado como o ano mais feliz e importante de toda a minha vida, foi o ano que Deus nos presenteou com o Arthur!

Além de muito feliz, cheio de muitos desafios e aprendizados. O maior aprendizado de todos: o de ser mãe! Com relação a experiência de ter engravidado e parido no Canadá, não poderia ter sido melhor! Não tenho nada para reclamar, fui sempre muito bem tratada por todos, obstetra que fez o meu pré natal, médicos e enfermeiros no hospital. Como nunca fiquei grávida no Brasil não posso fazer nenhuma comparação mas o que posso dizer é que eu tenho certeza que não teria lugar melhor para eu viver essa experiência - a experiência da minha vida!

Exatos nove meses depois de chegar com o pacotinho em casa, percebo quanta coisa vivi desde aquele teste positivo de farmácia e quanta coisa ainda vou viver! E para quem acha que eu já havia passado pelo maior desafio da minha vida (imigrar para o Canadá, o que não é pouca coisa!), engana-se pois o maior desafio de todos começa agora! Se eu "apenas" puder ver o meu filho se transformar em um ser humano de caráter e que preze pelo zelo ao outro, pela humildade e pelo amor ao conhecimento, já terei feito o que de mais importante me propus a fazer nessa viagem chamada vida!

Eis o último slide da série!

7.10.10

ONG pró reforma

Foi inaugurada dia 28 de setembro que passou a ONG pró reforma na política de imigração Centre for Immigration Policy Reform e junto com ela, o debate só esquenta! Independente da opinião de cada um, imigração sempre foi e sempre será considerado tabu. Desde que o mundo é mundo como diz a minha avó.

A ONG, que conta com um ex embaixador com 30 anos de experiência em relações exteriores, um ex membro do departamento de imigração canadense, jornalistas e professores de universidades em seu quadro de diretores fundadores, já está "causando" como diria um adolescente antenado. Veja cobertura na imprensa aqui , aqui e também aqui . Afe quanto "aqui":)!



6.10.10

Série sobre imigração

O jornal canadense THE GLOBE AND MAIL está com uma série intitulada "Canada our time to lead - 8 discussions we need to have" que traz, entre outros assuntos, o da imigração é claro!

A equipe de reportagem do jornal criou perfis fictícios de imigrantes e lançou o debate entre especialistas sobre qual perfil de imigrante deveria ser escolhido. Entre os 5 perfis figuram os quatro países que mais mandam imigrantes para cá e um americano. A série lança também o debate sobre se políticas de imigração existem para construir uma nação ou serem administradas de acordo com a economia. Hoje ainda, o ministro da Imigração vai falar sobre o assunto. Vale seguir.

5.10.10

Na real

A CBC acaba de noticiar o que para nós imigrantes que já estamos aqui no Canadá há algum tempo não é nenhuma novidade. Entretanto, não deixa de ser sempre uma constatação, nesse caso triste constatação, e que sempre ajuda (senão aos responsáveis por modificar políticas de imigração e empregadores canadenses) aos que aspiram entrar nessa luta! Todos temos o direito de, mesmo sabendo das dificuldades, ainda assim toparmos entrar na luta. O que acho muito importante é o conhecimento pleno da realidade como ela de fato é e não floreada por fatos e visões distorcidas. É assim que acho que estudos como esse ajudam muito!

Realizado pela Community Foundations of Canada, o estudo constata que imigrantes com menos de 5 anos de Canadá com nível superior de educação equivalente ao de um canadense experimenta um indíce 4 vezes maior (isso QUATRO vezes maior) de desemprego! Em porcentagem isso dá um índice de 13,9% de desemprego para os imigrantes contra 3.4% para o canadense. Será que não há algo de errado aqui?? Claro que sim! E nós que moramos aqui há mais tempo sabemos exatamente o que está errado. Interessa mudar? Aí já é uma outra questão.... Eu, sempre que posso, faço minha parte. Acabei de mandar para a CBC uma carta (veja abaixo) que escrevi em 2009 com a intenção de enviá-la ao Ministro da Imigração mas que acabei não o fazendo por outras prioridades que surgiram. Agora deu vontade de espalhar o que escrevi naquela época e que continuo achando exatamente a mesma coisa portanto, a carta ainda vale!

Toronto May, 2009

Ref: Waiting for the outcome – immigrant co-op programs are not delivering as they promise.

I do not have any quarrel with the fact that a lot is being done to enable the new immigrant to settle down smoothly. I do think the Canadian government is quite earnest to do something constructive in this direction. The amount of funds allotted to various immigrant settlement agencies is huge and, in fact, this has become a thriving industry now, but precious little comes out of it.

For the past two years and a half, since I landed in Canada and started navigating the complex and disconnected system in place to support newcomers in their long journey through the Canadian market place, I have been witnessing an accountability issue when it comes to the way the system approaches newcomers. In almost 3 years, I have been to 3 different programs targeting newcomers: NOW (Newcomer Opportunities for Work - October 2006), CanEx Co-op Program - January 2007 and SLT Hospitality with Co-op Program - February 2009. In total, I spent 41 weeks attending job search seminars, orientation to Canadian workplace culture, resume critique. I also worked for free during six months in 2 different places.

Although I have seen so many mistakes in all places I have been, my last experience (SLT Hospitality with Co-op Program) was the worst ever regarding the lack of accountability towards newcomers. Since I already had an advanced level of English (ten years of studies and use before coming to Canada) but I was still out of the job market, when I joined SLT Hospitality with Co-op program, I was hoping, as its name and the flyers make newcomers believe, to start a co-op by the end of the course. It never happened and I was not alone. Unfortunately I have never been alone down this road. I write especially for the majority of newcomers who are still coming and won’t have a voice for years to come.

Another issue that deeply affects newcomers, emotionally wise, is how the volunteering word has been misused to make them even more confused when they arrive, especially the majority of those who are coming from countries where there is no such a thing as working for free in order to get their feet on the door. Still, they go and work for free, as I did, and nothing happens. Promises have been made. Promises are not being kept. Accountability is the main issue here. In my opinion, if the funds were not provided by headcount and rather by the measurement of the quality of the results (like the multinationals do) the accountability issue wouldn’t be there.

Although the list that follows is far from its end and the Hospitality with Co-op program was not the only place where I faced an accountability issue, I will briefly state what I have experienced there because it was my last attempt to be part of one of these programs:

· Lack of face-to-face meetings with the job developer. High turnover (we had 3 job developers in less than 3 months).

· The approach: it would be a good start if the agencies stopped treating us as
“clients” and started seeing and treating us as who we really are: highly educated professionals. The “speech” is there but not the action.

· Lack of transparency when it comes to analyze and communicate the real chances of securing a placement at the end of the program. (After more than 2 weeks of the end of the program nobody was given a clue about the possibilities of a placement).

· Huge gap between management and the “clients”, total disconnection with the real world of newcomers.

· The field trip (to a fancy hotel to impress) wasn’t tailored to the audience meaning the clients didn’t need to be part of the program to get that kind of tour.

· Nobody knows better than newcomers the importance of networking, especially because since they arrive in Canada they are forced to restart everything from scratch. So, the agencies don’t help immigrants by insistently repeating how important is to network. Instead, it would be more helpful if they actually helped newcomers through their network. That is why immigrants register for programs with co-op.

· Although newcomers know the importance of networking, it is very unclear and there are few registers or success stories about the agencies playing a formal role in the establishment of networks, focusing instead on teaching techniques for networking during the in-class component of the programs.

Despite a well-developed immigration policy, Canada lacks a more integrated and centralized policy that guides immigrants coming from all over the world and, with different needs. My experience as an immigrant trying to be part of the Canadian marketplace for the past two years and a half has proven that there was no shortage of efforts on my side and on other immigrants side. Rather, an increasing underutilization of the skills of newcomers – skills for which many were selected – is directly connected to a significant increase in poverty rates among new immigrants and their families. Therefore job market integration for newcomers remains a challenge and there is a continuing role for the provincial and federal governments to truly tell the world that Canada is a land where immigrants fully integrate social and economically. Getting immigration right has never been easy. But getting it wrong – the usual result of lurching from one expedient to the next – will mean a shrinking economy, a drop in living standards and a loss of vitality, which in fact is the last thing newcomers want to happen with the country they now call home.

Sincerely,

*Paula Regina Mazulquim


1.10.10

Esse é o cara!!!!!!!!!!!!!!

Deveria virar lei! Todo imigrante deveria assistir, ainda em seu país de origem se possível, a palestra do francês Lionel Laroche . Precisou um engenheiro francês, também imigrante no Canadá como nós, para finalmente apresentar a real dos fatos na dificílima tarefa de recolocação e integração de profissionais qualificados, oriundos de outros países, no mercado canadense!

Nada contra engenheiros, pelo amor de deus! Eu me casei com um e acho que no fundo no fundo tenho uma invejinha de não ter o perfil necessário para ser engenheira:). Daí talvez a minha admiração pelo racional, exato e matemático dos bons engenheiros, mas enfim Freud deve explicar uma comunicadora com esse tipo de crise:) Afinal Deus me deu o dom da palavra, dos idiomas e lá vou eu com ele seguindo em frente:)

O fato é que nos últimos quatro anos, dos quais três inteiramente, arduamente e exclusivamente dedicados a me recolocar no mercado de trabalho, é a primeira vez que ouço alguém traçar o cenário da recoloação profissional de imigrantres de maneira inteligente, real e mais importante ainda, com muita qualidade! Nesses 3 anos das minhas idas e vindas ouvi muita besteira, mas muita besteira mesmo! Presenciei de tudo que vocÊ pode imaginar e quando ouço um palestrante desse nível só posso lamentar o fato de os funcionários das instituições que ajudam os imigrantes não terem sequer um terço da capacidade e visão que tem esse engenheiro!

Se mais pessoas envolvidas com a imigração aplicassem na prática o que esse engenheiro diz talvez houvesse menos discrepância entre a expectativa dos que chegam e a realidade dos que recebem. Portanto, se você me lê e ainda não chegou no Canadá faça um favor a si mesmo : veja e reveja essa palestra uma vez por dia até você chegar por aqui. Quando chegar vai entender que o que ele fala é a mais pura verdade!

Na outra ponta, se você já está aqui no Canadá, já trabalha por aqui também vai usufruir muito dela! Enfim, serve para todo mundo! E o melhor, esclarece de uma maneira objetiva, sem frescura e direta que talvez precisasse de um engenheiro mesmo para apresentar:)

Quando aqui chegamos, o que mais incomoda (como o Lionel explica tão bem) é o fato de os funcionários das instituições que ajudam o imigrante terem muito pouca intimidade com o assunto, não serem imigrantes (a maioria não é., portanto não conhece a dor da experiência) e pior, não terem a mínima idéia do que você fazia no seu país e ainda quererem "ajudar" com a sua recolocação! É patético!

Outro fato que amei desse palestrante é a ausência do Power Point!! De novo, nada contra pois usei muito power point na minha outra encarnação como assalariada de multinacional, mas o Power point é uma dessas ferramentas que escraviza e empobrece muito a palestra se você não tomar cuidado. O Lionel me lembrou um daqueles excelentes professores que dominam tanto o assunto que lecionam e que por isso não precisam de muletas para ensinar. Tive poucos desses na vida mas sempre admirei muito. Assisti a palestra dele e fiquei com vontade de ter aula com ele, mesmo que fosse de cálculo para eu não entender nada!

Enfim, aqui um desabafo de quem demorou para ouvir alguém falar de maneira inteligente e realista para um imigrante, entre outras coisas, que a média (dependendo do ramo de atuação como ele bem explica) vai demorar de 6 a 12 ANOS (e não meses) para chegar próximo do nível intelectual-financeiro-profissional que exercia antes de chegar no Canadá. E melhor, apontar os pontos que devem ser trabalhados de verdade e não meramente ficar repetindo os velhos clichês : você precisa fazer NETWORK (arrrgh), ter um bom inglês (ah vá!) e ser flexível (aliás a parte que ele fala da flexibilidade dos imigrantes é ótima!) e team player (arrrgggh ao quadrado). Enfim, uma massa cefálica funcionando e ajudando de fato em meio a um mar de deserviço e desinformação! E olha que a palestra nem é nova (2008). FINALLY!!!!!Affe.... falei!

Em tempo, a Jeanne minha vizinha foi quem compartilhou esse video e merece o crédito de ter achado essa preciosidade! Valeu Jeanne! Muito bom mesmo! Bom fim de semana a todos!


26.9.10

Dois por dia escolhem o Canadá como lar

Está no jornal O Estado de São Paulo de hoje : "Dois por dia escolhem o Canadá como lar". Os números apresentados na matéria mostram bem o que eu já havia reparado apenas no meu cotidiano no bairro onde moro há quatro anos. Quando cheguei, em 2006, quase não encontrava brasileiros por aqui. De um ano para cá é bem mais fácil ouvir o português no mercado, na rua, na farmácia...